Notas iniciais
OOOOOOOe pessoinhas! Eu sou a Lyne de sempre, só mudei a conta o/ ahsuahsu Este capítulo demorou muito a ser feito, mas chegou. Espero que gostem :3

AMBER KOWALSKI

É difícil explicar o que eu senti quando vi aquela cena bem na minha frente. Terror? Quem sabe... Com certeza eu estava aterrorizada. Fascinação? Poder ser, afinal podia ser apavorante, mas era lindo. Mulheres-cobras enfurnadas de escudos e armaduras contra crianças mal arrumadas. Aqui e ali eu era capaz de ver uma totalmente armada, mas parece que foram pegas de surpresa. A maioria estava de pijamas, lutavam com pedaços de paus e outras estavam apenas aturdidas demais para sequer piscar.

— O que está acontecendo? — Eu perguntei. Queria, de repente, entrar naquilo e proteger aquele lugar. Era uma área bonita demais para ser campo de guerra.

— Eles... Eles... — Kevin estava espantado. Fay percebendo que ele não conseguiria falar sem ajuda, lhe deu uma bofetada na cabeça que o fez acordar para a situação real. — Eles não deviam estar dentro. A barreira é mágica!

Kevin se virou bruscamente e olhou para o pinheiro. Parecia que devia ter algo ali. Kevin arregalou os olhos quando chegou a certa altura em sua avaliação da grande árvore.

— Ah não! Não. Isso não pode estar acontecendo. — Ele resmungava.

— O que está faltando, Kevin? — Fay perguntou lentamente. Aparentava estar falando com uma criança.

— O Velocino de Ouro foi roubado! — Kevin gritou para ela. Ah, finalmente algo que eu entendia. Tive que estudar o conto de Frixo e Hele para a prova de História. Como é contada, Frixo e Hele, dois irmãos, sendo Frixo um filho de Zeus, fogem da Grécia montados em um carneiro que tinha pelo de ouro. Na metade do caminho, Hele cai do carneiro, enquanto Frixo continua a jornada até Cólquida, onde obedecendo a um oráculo, sacrifica o carneiro e o oferece no Templo de Ares. Em outra versão, a Júpiter.

— Não me diz que vocês tinham uma cópia do Velocino de Ouro! — Eu exclamei procurando qualquer vestígio do que, quem sabe, um dia fora uma belíssima cópia do Velocino. Parei meu olhar em Fay que tinha uma expressão de “cara, que merda você falou?”.

— Não era uma cópia! — Kevin me olhou apavorado, como se o que eu tivesse falado fosse o maior crime do mundo. — Nós temos o próprio Velocino, que, aliás, era para estar lá! — Ele apontou para o enorme pinheiro que estava no limite do acampamento.

— Não podemos ficar parados. Eu já cumpri a minha parte. Vão até Quíron, ele certamente vos dirá o que fazer. — Argos parecia não estar impressionado. Com seus milhares de olhos, ele via muito mais que nós. Deveria estar quase morrendo. Kevin arregalou os olhos. Parecia que nunca ouvira a voz de Argos. Eu hein.

Fay tomou a frente e começou a caminhada até a terrível ação. Tentei impedi-la, mas logo Kevin a seguiu. Demorei um pouco para me mexer, até Faith me observar com o mesmo olhar severo que nossa mãe fazia quando devíamos obedecê-la. Isso me deu medo. Segui-os até uma enorme construção no canto do acampamento. Kevin estava com uma flauta de bambu na mão. Agora me diga aonde a música vai ajudar?

— Você quer tocar flauta no meio de uma guerra? — Eu gritei para ele, chamando atenção de algumas crianças que estavam paradas. — Não ouviu o que Argos disse? É para irmos até Quíron! — Fay balançava a cabeça confirmando o que eu dissera.

— Amber, minha casa está sendo atacada. Eu vou protegê-la mesmo que tenha que morrer. — Kevin falou, subitamente tomando coragem e se virando para a luta. — Quíron deve estar cuidando dos feridos. Vão até a Casa Grande azul. Ele estará lá. — Então correu para uma mulher-cobra e começou a tocar sua flauta.

Fay e eu nos encaminhamos a grande casa de quatro andares azul. Era uma construção legal, observada cuidadosamente. Na entrada, via-se uma porta de madeira, simples, comparada de que isso é dos deuses. Acima da casa, no último andar, notava-se o sótão, escurecido por não ser usado. A Casa Grande encontrava-se perto de uma quadra de vôlei e do outro lado se localizava campos de morangos. O aroma doce ainda tinha um vestígio no meio do cheiro de sangue e monstros. Daqui, também, conseguíamos ver uma enorme construção em U. Pareciam chalés, dormitórios ou alguma coisa do tipo. Era uma formação esquisita que de algum modo parecia estar certa. De alguma forma, aquilo fazia sentido. Porém, mais de perto, víamos algumas construções inacabadas. Certamente estavam estruturando mais chalés, assim formando um quadrado. Perto dos chalés, erguia-se uma grande arena grega. Eu já tinha visitado a Grécia com mamãe, Don e Fay, e sabia que aquilo ali era usado para combates. De que gênero, eu não sabia.

Quando finalmente paramos em frente à escadinha da Casa Grande, avistamos Quíron, conversando com um velho barrigudo que vestia uma camisa de leopardo. Ah... Ele não sente frio, não?

— Sr. Brunner? — Eu limpo a garganta para chamar sua atenção. O cara com a camisa de leopardo vira-se e seu rosto se contrai.

— Essas são as meninas? As meninas superpoderosas que o sátiro achou? — Ele debochou nos encarando de baixo a cima. Fay irritou-se.

— Desculpe, senhor, se não estamos à sua altura. Gostamos muito de agradar desconhecidos. — Fay falou irônica. Quíron balançava a cabeça nos dizendo para não passar da linha. Esse homem deve ser importante. Esse homem deve conhecer meu pai. Sorrio.

— Minha irmã tem razão, senhor. Acho que não estamos à sua altura, não é? Pois bem, o senhor também não está a nossa. — Falo calma. — Agora, com licença... Quíron? Podemos conversar sozinhos? Esse — descarrego todo meu desprezo na voz — homem não é convidado a participar.

— Meninas. — Quíron fala. — Esse homem é o Senhor D., o diretor do acampamento. — Fay arregala os olhos.

— Dane-se quem ele seja. Não quero ninguém que converse diretamente com os deuses em nossa conversa. — Replico séria.

— Como sabe que converso diretamente com os deuses, mocinha? — Senhor D. pergunta confuso. Oh, isso é estranho.

— Você é diretor do acampamento que treina os filhos deles. O senhor, na verdade é óbvio isso, é chamado de D. por que, certamente é Dioniso, o deus do vinho. — Percebo Fay começando a entender o mesmo que eu. Fico feliz de saber que lembro quase toda a matéria de mitologia desse ano. — Nos mitos, o nome dos deuses tem poder, por isso o chamam de D., portanto não vá se exibindo por ser um deus. Eu os odeio. Todos vocês. — Olho diretamente nos olhos do deus.

— Eu poderia te fulminar agora mesmo, criança. — O deus me olha furioso. — Mas gosto da sua ousadia. Mesmo que odeie os deuses, você ainda é filha de um. Um importante, por sinal. Afinal está aqui por ser poderosa demais. Poseidon só teve um filho em todos esses anos e...

— Não me importo com Poseidon! Eu o odeio mais que todos os outros! — Sinto meus olhos marejarem. Eu não posso chorar. Não agora.

— Amber... — Fay me chama cautelosa. — Estou admirada da sua coragem, mas isso não é conveniente agora. Monstros estão atacando nossa única chance de sobrevivência e....

Eu não sei o que foi, mas ao ouvir isso, alguma coisa aconteceu. Puxei Fay pelo braço e a levei até a frente da batalha.

— Lembra a tempestade que se formou na escola? — Perguntei olhando o céu. Fay assentiu. — Pense nela. Pense que quer ter o controle sobre ela. Mas tem que se concentrar, Faith. Podemos acabar com isso. Não me pergunte como sei disso. Eu só sei que isso é possível. — Olho Fay nos olhos. Ela assente hesitante.

Pego sua mão e me concentro na água que eu avistei lá embaixo. Já que sou filha de Poseidon, melhor aproveitar as vantagens, né. Minha mente está toda focada na água. Ao meu lado, o cabelo de Fay começou a se mexer. O meu também está se movimentando. Uma brisa suave bate em meu rosto. Abro os olhos, que até o momento não tinha percebido que estavam fechados e olho ao redor. As crianças tinham parado de lutar. As mulheres-cobras olhavam para nós, estupefatas. Os sátiros arregalavam os olhos observando o céu. Um imenso funil se formara acima. Pingos de chuva começaram a cair. Trovões soavam próximos. A brisa suave se transformara em um forte vento. Ao longe ouvíamos as ondas baterem agitadas nas margens. Tudo virou um caos. Os monstros corriam para se proteger. As crianças, saindo do atordoamento, investiam contra eles. Os sátiros recomeçaram a tocar suas flautas. Gramíneas emergiam do chão e seguravam os monstros, enquanto campistas mais velhos os abatiam com espadas e lanças. Em minutos, o acampamento possuía apenas uma fina camada de pó e crianças nos olhando apavoradas. O terror começa a tomar conta de mim, quebrando minha concentração. Fay também se desconcentrava. As nuvens que tomaram conta do céu desaparecem rapidamente. As ondas se acalmavam. E tudo virou um completo silêncio. Eu só conseguia pensar em como eu fui capaz disso.

De repente, no meio da pequena quantia de campistas, um menino de cabelos escuros meio avermelhados, pele clara e olhos amendoados, mais ou menos 16 anos, começa a bater palmas, levando a todos a fazerem o mesmo. Apenas uma menina, a tal de Clarisse, nos olha feio e vira as costas. Oh, legal. Agora somos odiadas por mais uma valentona. Parabéns para nós.

De longe avistamos Dioniso andando em nossa direção com Quíron, em sua forma de cavalo. Eu nunca irei me acostumar com isso.

—Uma bela demonstração de poder, mas está na hora de arrumarmos essa bagunça. — Quíron disse olhando ao redor. Dioniso observava tudo com pouco interesse. Parecia não ter a mínima vontade de estar ali e tão pouco ia ajudar a organizar o acampamento. — A partir de agora, a vida de vocês será aqui dentro. Nada mais importa fora daqui. Só irão para casa quando acharmos que não há problemas e por pouco tempo. Apenas para revê-los. Não se preocupem com sua família, eles estarão protegidos. Então, mãos à obra.

Quíron falava com Fay e comigo, mas todos os outros campistas pararam com o que estavam fazendo quando ele abriu a boca. Logo após ele dar a ordem, todos procuraram o que fazer. Ninguém ficou parado. A não ser Dioniso, que ficou sentado olhando todos os outros trabalhando, com um sorriso ridículo no rosto. Fay o olhou com repugnância.

— Sua irmã tem que se acalmar... — O menino ruivo que começou a salva de palmas fala, me assustando. — Hey, desculpa. Não queria te assustar.

— Mas assustou! — Me viro completamente para ele. — Desculpa, hoje não é um dos meus melhores dias.

— Tudo bem. Percebo pelo seu estado. — Ele me olha de cima a baixo. Olho para mim mesma e percebo que ele tem razão. Meu vestido feito sob medida estava desfiando na barra, um corte jazia no busto e meu peito estava arranhado. Eu estava horrível.

— Oh meu Deus! Eu estou horrível. Imagino o estado do meu cabelo. — Viro o rosto envergonha.

— Hey, você está linda. Mostra que participou de uma verdadeira batalha. Isso está claro. Você é corajosa. Todos nós vimos você conduzindo sua irmã e trazendo a tempestade. — O menino segura meu queixo, fazendo-me olhá-lo nos olhos. Naquele momento parecia que estávamos apenas nós dois ali.

— Desculpe interromper... — Eu tenho certeza de que conheço essa voz de algum lugar, mas... De onde? — Eu... É... Olá, campistas.

Viro-me lentamente ao ser que interrompeu minha primeira tentativa de me socializar. Deparo-me com um homem de aparência de trinta anos, vestindo uma camisa polo, calça jeans e sapatos sociais. Por um minuto nos encaramos. Eu estava prestes a reconhecer seus olhos quando um campista se ajoelha, seus olhos com um brilho diferente e suas bochechas levemente coradas.

— Senhor Poseidon. — No que pareceu uma eternidade eu percebi de onde conhecia seus olhos. Eram os mesmos que os meus. Lembrei-me de todas as vezes que vi minha mãe chorando por esse homem. Ou deus? Eu não me importava nesse momento. Todo o acampamento estava ajoelhado perante o deus, inclusive minha irmã. Poseidon me olhava como se esperasse que eu me ajoelhasse também.

— Você não espera que eu me ajoelhe diante de ti? — Rio com desdém.

— O que você disse? — Ele me olha... Magoado? Irritado?

— Eu não pensei que você seria tão ingênuo ao imaginar que só por eu saber que meu pai é o deus dos mares eu vou te perdoar e ficar toda saltitante por aí não. Você deixou minha mãe e eu sofrendo durante 14 anos. Aliás, essa era a sua intenção, mas Don ocupou seu lugar do melhor jeito possível. Eu nunca vou te perdoar, Poseidon. Nunca! — Percebo que estou sendo segurada pelo ruivo quando paro de falar. Minha vontade é de bater no deus que me olhava descrente! Ah, ele realmente esperava que eu ficasse alegre com essa notícia?

— Hey, se acalma... — O garoto sussurra no meu ouvido. Minha vontade de me desvencilhar de seus braços cede um pouco até ver o olhar de orgulho no rosto de Fay. Minha irmã aprovava o que eu estava fazendo. Lentamente, um sorriso se forma em meu rosto.

— Com licença, Sr. Brunner? — Olho ao redor, procurando pelo homem metade cavalo. Vejo-o perto de Dioniso. — Onde eu posso ficar? Preciso tirar essa roupa e arrumar meu cabelo. Ah, e dormir seria bem vindo agora.

— Eu apoio. Juro que controlar essa tempestade toda foi muito exaustivo. — Fay se levanta e vem para o meu lado. — E, de preferência, quero ficar no mesmo lugar que a Amber. — Atrás de mim, percebo o garoto balançando a cabeça negativamente.

— Isso seria muito bom. — Abraço Fay de lado.

— Desculpe, meninas. Os chalés são divididos de acordo com o parentesco divino... — Senhor Brunner fala hesitante.

— Oh, não me importo com quem seja meu pai. — Sorrio maldosa. — Minha família, aqui nesse acampamento é minha irmã, então mesmo que não nos coloquem juntas, nós daremos um jeito nisso.

— Amber! — Poseidon vocifera.

— Acho que posso dormir no mesmo chalé da Fay, não é? — Olho diretamente para Quíron, que percebe meu olhar de raiva.

— Pode sim, Amber. — Ele olha para Dioniso que nega com a cabeça. — Mas apenas por hoje.

— Amber Kowalski! Você não vai me ignorar. Eu sou seu pai e vim aqui por que tenho algo sério para falar com você. — Poseidon impede minha passagem quando me viro com Faith para o chalé ao qual um menino apontou.

— Amb... Acho que você deveria conversar com ele. — Fay sussurra apenas para mim. Olho-a descrente. — Por enquanto não quero deuses como inimigos.

— Ok. — Falo irritada e olho para Poseidon. — Onde podemos conversar sem sermos ouvidos?

— O melhor lugar é na praia... — Ele fala hesitante. Viro-me para o moço de cabelos avermelhados.

— Obrigada. — Sorrio agradecida.

— Sempre que precisar. — Ele sorri meio tímido. — Por sinal, meu nome é Matthew. Matthew Lynn.

Poseidon limpa a garganta. Aperto a mão de Fay por um segundo e vou em direção à praia, ciente de que sou o centro dos olhares incrédulos a minha volta. Logo sinto Poseidon me seguindo de perto. Evito olhá-lo o máximo possível. Sei que estou corada de vergonha, mas não me arrependo do que eu falei. Poseidon pode ser o homem que engravidou minha mãe, mas Don sempre será meu pai de verdade.

— Eu... Eu não sei como começar... — Poseidon fala logo que chegamos à praia.

— Pelo começo seria uma ótima ideia. — Falo cínica.

— Amber, eu não abandonei sua mãe e você.

— Ah não? E os 14 anos que nos deixou sozinhas? Tem ideia do que minha mãe passou para cuidar de mim e da Faith? Se não fosse por Dominic, eu não sei o que teria sido da gente.

— Eu fui obrigado. Não sabia que Zeus tinha se apaixonado por Trisha. Não sabia que ela tinha engravidado de você até pouco tempo atrás.

— Não me importo com isso.

— Amber, eu amei sua mãe. Mas Zeus proibiu-me de encontrá-la. Disse que se o desobedecesse, ele deixaria os monstros a atacarem.

— Já disse que não me importo.

— Descobri que você era minha filha quando foi para a Grécia. Tem ideia do quanto isso foi errado? Se um semideus atrai monstros o suficiente aqui, imagina onde tudo começou! Desde então, tenho observado você com cuidado.

— Você não sabe nada de mim.

— Sei que você é impulsiva, geniosa, ciumenta. Sei que sua cor favorita é verde e que adora cantar quando não tem ninguém por perto. Sei que sua irmã e você não se dão tão bem quanto aparentaram hoje.

— Isso não faz de você uma pessoa digna de ser chamada de pai. — Eu estou chorando como uma criança, mas nesse momento não me importo.

— Amber... Sei que você é sensível e que não é fútil como Faith. Também sei que você e sua mãe estão afastadas ultimamente. Mas não foi esse o motivo que eu vim aqui no acampamento.

— E qual foi? — Eu sei que deveria continuar como antes, mas isso estava me consumindo. Eu precisava saber o que estava acontecendo.

— Como você deve saber, Gaia é a deusa primordial da terra, não é? — Eu afirmo com a cabeça e ele continua. — Bem, ela não é o que dizem. Não é a maravilhosa mãe-terra de que todos se orgulham. Atualmente, ela está dormindo, mas eu acredito que ela esteja querendo ascender. Isso não seria bom aos mortais e nem aos deuses.

— Você quer dizer que Gaia, a mãe-terra, quer acordar? Mas isso não pode acontecer por que estariam todos em perigo?

— Isso. Os outros Olimpianos não acreditam que isso possa acontecer. Apenas Hera apoia minha ideia. — Ele fala delicadamente.

— Que seria...? — Eu pergunto devagar.

— Você saberá na hora certa, mas agora, quero que saiba de uma coisa. O Velocino foi roubado e a barreira quebrada. Se eu estiver certo, tudo o que Gaia quer é a sua irmã. — Tenho certeza que arregalei os olhos por que Poseidon me olha com certo tipo de carinho. — O Velocino é a única chance de vocês no momento. Vocês receberão a missão de recuperá-lo em breve. Mas quero que tome cuidado. Zeus não quer que eu fale tudo, aliás, ele não quer que eu fale com você, mas você não pode odiar os deuses agora.

— Você sabe o tamanho do seu pedido? — Pergunto incrédula.

— Sei, mas Amber, isso está nas mãos de você e sua irmã. O acampamento só ficará seguro se vocês cumprirem a missão. Mas eu te acompanharei de perto. Sempre que precisar é só me chamar. Mas eu não sei o que vai acontecer. As Parcas não quiseram me dizer. Só quero que saiba, que eu... Que você é minha filha favorita. Tenho outro filho, tão bom quanto você, mas... Você foi a primeira garota ao qual eu gerei em séculos. Se eu pudesse, não teria te abandonado.

Eu não tenho certeza do por que eu fiz isso, mas eu abracei Poseidon com o máximo de força possível. Quem sabe carência ou até vontade de perdoá-lo, mas eu abracei-o como se fosse minha última opção no momento.

—Esse abraço não quer dizer que eu te perdoo. — Poseidon ri.

— Tudo bem. Só quero dizer que, nós deuses, não temos permissão de ver nossos filhos frequentemente, mas farei o possível para vê-la sempre que puder.

— Todo bem. — Sorrio. — Eu ainda te odeio por ter me abandonado, mas quem sabe possamos mudar isso. Aos poucos. — Deito minha cabeça no ombro do deus. — Mas agora, tudo o que eu preciso é dormir. — Saio dos braços de Poseidon e corro para os chalés. Entro no que tem um grande raio e vejo minha irmã, já pronta para dormir.

— Como foi? — Ela me olha ansiosa.

— Amanhã eu te conto. — Corro para o banheiro, tomo um banho relaxante, arrumo meu pijama e deito na cama ao lado de Fay. — Pelo menos tem duas camas aqui. — Nós duas rimos. Então eu fecho os olhos para o mundo assustador dos meus sonhos.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Vamos tentar postar o mais rápido possível o próximo capítulo, mas não dou certeza. É isso. A Ferry mandou um beijo. Bye. Lyne.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.