Between Lyrics And Quotes
3 Three
Notas iniciais
Saí do banheiro de David enrolada na toalha, pois aparentemente ele tinha dez anos e escondia a roupa dos outros.
Ele me olhou maliciosamente com seus olhos cor azuis como um oceano e senti uma fisgada no estômago.
Verdade seja dita, David era exacerbadamente atraente. Ele não era tão alto, mas sua beleza não deixava sobrar muita atenção para isso. Tinha os cabelos cor de areia e um bronzeado inacreditável se levássemos em conta o clima de nossa cidade. Ele era forte e tinha alguma tatuagens que o deixavam extremamente sexy.
Lembro da primeira vez que o vi como veio ao mundo e como meu corpo pegou fogo com a visão. Na verdade, olhar para ele ajudava bastante quando estávamos na cama já que ele não era de sair muito de sua zona de conforto e sempre ficávamos na mesma posição ridícula e monótona.
Para ser honesta, depois de nosso primeiro mês juntos eu tive que desenvolver —digamos— uma certa habilidade artística e teatral.
Estava sonhando até com um Oscar, quem sabe?
—Minhas roupas, por favor.— Eu disse tentando ser gentil já que se não fosse pelo seu chuveiro eu estaria morrendo de hipotermia no momento.
—Você fica melhor sem elas.— Seu sorriso cretino não abandonava o seu rosto. E eu vi Leoné revirar os olhos ao fundo.
Como uma pessoa que lia tantos personagens masculinos idealizados e cavalheiros havia acabado com um traste daquele? Eu não fazia a menor ideia.
—Nathan não vai gostar de ver você dando em cima da namorada dele.— Leo disse tentando agir seriamente e David franziu a testa.
—Quem diabos é Nathan?
Ah, sim. Depois de eu notar que aquele celular não era nem um pouco meu e acabar descobrindo (pela falta de senha!!) que ele na verdade era do Nathan Agora-meu-atual-namorado-para-David, Leoné teve uma síncope.
Literalmente.
A menina praticamente se desmembrou no sofá por 10 segundos. E depois se levantou como se tivesse sido clonada em mil e todas elas faziam perguntas ao mesmo tempo.
—VOCÊ CONHECEU NATHAN HUGHES?
Sim, Leoné.
—VOCÊ CONVERSOU COM NATHAN HUGHES?
Yep.
—VOCÊ AJUDOU O NATHAN HUGHES?
Acho que sim.
—VOCÊ ESTÁ COM O CELULAR DO NATHAN HUGHES?
Isso também.
—POR FAVOR, ME DIGA QUE VOCÊ REALIZOU O SEU SONHO DE TRANSAR COM NATHAN HUGHES EM MEIO A UM MONTE DE LIVROS!
Lógi... Quer dizer, não. Aliás no meu sonho não era exatamente com Nathan Hughes com quem eu fazia amor.
Pelo jeito, Leoné era fã do tal Nathan. Na verdade, ela fazia parte do fã-clube oficial do garoto.
Em meia hora eu sabia mais da vida do Nathan do que eu sabia da minha.
Como ele era lindo. Como ele era talentoso. Como ele era gostoso.
Não foi algo que eu pude negar, já que fui submetida a uma lavagem cerebral "Vire Fã do Você-acabou-de-estragar-toda-a-possibilidade-de-eu-querer-encontrar-alguém-chamado-Nathan-na-minha-frente".
Logo descobri pelo Twitter de Leoné que o garoto tinha percebido a troca dos celulares a cerca de algumas horas antes.
@NathanHughesOfficial : Acabei de trocar o meu celular pelo o de uma certa rainha e não faço a mínima ideia de como vou resolver isso.
@NathanHughesOfficial: Por favor, Elizabeth, se estiver lendo isso, ligue para o seu número. Viajarei em dois dias.
Leo riu exageradamente e por um bom tempo sobre o trocadilho batido com o meu nome.
As fãs estavam confusas e enlouquecidas ao mesmo tempo. Tinha certeza que o número de fanfics com trocas de celulares com Nathan tinham crescido em 86.4%.
Peguei o seu celular e liguei para o meu número. Leoné estava aflita e ele demorou uma eternidade para atender:
—Por que e como o toque do seu celular é o tema do filme das Crônicas de Nárnia?— Foi a primeira coisa que ouvi quando ele atendeu, sua voz estava arrastada e rouca, provavelmente ele estava dormindo.
—Um dos livros favoritos. Um dos filmes favoritos.— Foi a minha única explicação e ele não exigiu mais.—Por que você tem um IPhone de décadas atrás que nem fabricam mais?
—Poderia perguntar a mesma coisa para você.— Ele deu um riso abafado do outro lado.
—Eu não tenho dinheiro, e você praticamente o respira.— Então ele gargalhou. E aquilo acabou reverberando por todo o meu corpo.
Leoné suspirou ao meu lado. Ótimo, não fui a única abalada.
—Tem alguém aí com você?
Olhei para Leoné que se abanava loucamente.
—Sim.
—Sua...namorada?— Franzi a testa e Leo tapou a boca para rir. Lembrei do plano de fundo que ela havia colocado no celular para provocar David. Era uma foto minha e de Leo dando um selinho na primeira vez que eu fiquei bêbada sob sua influência.
Acontece que fez o efeito contrário, já que quando David viu, sugeriu um ménage. Cretino.
Como se ele conseguisse sair daquela posição ridícula para se dar o luxo de um ménage.
—Quase isso.— Respondi brincando enquanto Leo mandava beijos imaginários para mim.
Ele limpou a garganta:
—Bem, respondendo sua pergunta, eu realmente tenho um celular mais atualizado, mas gosto desse para coisas pessoais.
—Não que eu tenha xeretado nada,— Eu disse e minha amiga disse um "eu xeretei" sem som e eu fiz uma cara feia. —mas acho que você deveria pôr uma senha nisso.
—Não que eu tenha nada que me comprometa.— Nathan disse e Leoné confirmou com uma expressão decepcionada.
Então, silêncio.
—Será que eu posso te encontrar amanhã?— Ele falou enfim.
Leoné só faltou esmagar a gatinha que roubou minha água quente.
Ela dava gritos surdos de "SIIIIIIIM" a todo instante.
—Me encontrar? Tipo, eu e você? Sozinhos?— Perguntei esperando que ele trouxesse uma escolta do exército e da aeronáutica com ele.
—É um problema para você?— Podia jurar que ouvi uma decepção em sua voz.
—Para mim, não. O famoso aqui é você.— Nathan riu.
—Tentarei não chamar atenção, mas sua quase-namorada está de acordo com isso? Se for um problema, ela pode ir com você.
Leoné paralisou no sofá e olhou bem de perto nos meus olhos e eu ri alto:
—Claro, claro, ela vai querer me acompanhar mesmo.
❣
Desde então, Leoné se encheu de teorias, expectativas e ilusões do tipo:
—Ele parece ter gostado de você.
—Ele pareceu decepcionado quando você disse que tinha uma quase-namorada e que ela iria com você ao encontro.
—Imagina se vocês começam a namorar?
—Na verdade, vocês até que combinam.
—Posso ser madrinha do casamento?
—Posso escolher o nome do primeiro filho?
❣
—Eu conheço esse tal de Nathan?— David se virou para Leoné que analisava as unhas.
Voltamos à cena de quando eu saio do banheiro do meu ex-namorado enrolada em uma toalha porque ele é um otário com uma mentalidade de dez anos.
—Provavelmente.— Minha amiga respondeu com um ar de superioridade. —Eles vão ter um encontro amanhã.
—Alguém pode, por favor, me dar minhas roupas?— Eu disse para ninguém.
—Não que eles não já tivessem tido um encontro, afinal, hoje mesmo eles tiveram um.— David olhou para mim com uma mágoa ridícula nos olhos.
—É um dos meus amigos?
—Minhas roupas? Alguém?
—Primeiro, Bethie não é babaca como você. Segundo, você nem ao menos sabe o nome dos seus próprios amigos?
David bufou:
—Quero conhecê-lo.— Disse num tom paterno e eu ri. —Ou melhor, não quero. Se eu encontrar esse cara aqui, Beth, eu juro que nem me responsabilizo pelos meus atos.
Saí pulando cuidadosamente até a televisão onde minhas roupas estavam penduradas enquanto David ainda discutia com Leoné.
—Ela terá cuidado de colocar uma acústica legal no nosso apartamento para que os gemidos dela não escapem para cá.— Leo retrucou. —Ou se preferir, ela não coloca nada para que sua imaginação voe longe enquanto você usa a sua mão.
Ela fez uma demonstração obscena, então começou uma gritaria sem fim e eu consegui finalmente me vesti sem que ninguém visse nada demais.
—Se discutir feito malucos é divertido para vocês, podem continuar, eu estarei na porta ao lado.— Eu peguei minha coisas e saí pela porta a tempo de ouvir David:
—Quantos anos ele tem?
Rolei os olhos e voltei para o meu apartamento.
❣❣❣
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