Between Love And Hate
8 Capítulo 8:Thinking On You.
Notas iniciais
Boa leitura!
Sora entrou saltitante na própria tenda, onde Roxas estava deitado, olhando o vazio, uma vez que não queria voltar pra sua antiga tenda de soldado. O moreno sentou-se ao lado do mestre e tirou as mechas de cabelo de seu rosto. Pode ter parecido um gesto intimo demais, mas entre os anjos, principalmente um no estado de Roxas, aquilo era normal, afinal, proteger e cuidar de tanto anjos como humanos é mais do que um instinto deles, de modo que, mesmo sem querer, Sora acabava fazendo aquilo.
Roxas levantou o olhar e avistou os familiares olhos azuis da cor do céu de Sora, incrivelmente parecidos com os seus. O moreno sorria radiantemente, e qualquer um teria se alegrado com aquele estado de espírito, exceto Roxas, que continuava basicamente do mesmo jeito de quando Axel o deixara.
-Bom dia mestre, como você está hoje?-O moreno perguntou, ainda sorrindo para o loiro.
Roxas apenas soltou um resmungo baixo e voltou a olhar para o teto, deixando a mente vagar novamente, indiferente.
-Mestre está com fome?-Sora voltou a perguntar, inclinando um pouco a cabeça. Roxas continuou em silêncio, até que Sora se afastou e voltou com uma bandeja tendo uma tigela de sopa e alguns pedaços de pão. O moreno colocou uma das mãos nas costas do loiro e o levantou, fazendo com que Roxas ficasse sentado na cama, ainda com o olhar vazio.
-Vamos lá, Mestre, abra a boca, por favor. Não me faça ter que fazer que nem da última vez... Isso, muito bem. Pode comer sozinho? Não derrame a comida no chão, não quero ter que limpar tudo de novo.
Sora deixou Roxas tomando a sopa, colher por colher, como se aquilo fosse mais uma de suas atividades involuntárias. O moreno escondeu-se atrás do trocador e despiu sua armadura, vestindo apenas uma calça branca, deixando o tronco a mostra, assim como Roxas também estava.
Quando Sora voltou a se sentar ao lado do loiro, o mesmo já tinha terminado de comer, e agora apoiava as costas na cabeceira da cama, olhando para o canto da parede com descaso.
-Mestre, estive pensando... Você já está saudável, por que não vamos dar uma volta? Ver o restante do acampamento? Tenho certeza de que muita coisa mudou desde que você foi capturado.
-Eu fui salvo, não capturado. -Roxas murmurou, quase para si mesmo, ainda olhando o vazio.
-Mas você ficou preso lá...
-Eu fiquei porque quis ficar. -Roxas murmurou novamente. Não tinha muita vontade de falar, mas jamais deixaria que eles pensassem coisas erradas sobre sua estadia no acampamento dos demônios. Axel podia ter mentido para Roxas, o enganado, acabado com sua felicidade, mas o loiro ainda o amava do fundo do coração, ou pelo menos do que sobrou dele.
Sora fitou Roxas por alguns instantes e percebeu que o loiro não falaria mais nada, muito menos dar um passeio, mas tudo bem, Sora era paciente, e seu único desejo era cumprir seu dever como subordinado e ajudar seu mestre. Por hoje, aquilo era o bastante.
Roxas continuou olhando o canto da parede sem se importar muito com Sora, que tinha pego um livro e agora o lia em voz alta tanto para ele quanto para o loiro. Uma vez cansado de ler, o moreno começou a falar sobre coisas do dia-a-dia, por vezes falando de uma anja que tinha chamado sua atenção, por outra falando das novidades do exército celestial.
Passaram-se as horas até que finalmente tivesse anoitecido lá fora. Logo todo o acampamento dos anjos estava descansando, se preparando para os próximos dias de batalha que viriam. Por falar nisso, a guerra pelo controle da Planície do Adormecer ainda estava bastante equilibrada, de forma que ainda não se tinha previsão pra quando esse bendito conflito acabaria.
Roxas não conseguia dormir, aliás, nem queria. Toda vez que pregava os olhos tinha pesadelos com Axel, onde sempre eles se separavam, eentão aquelas palavras voltavam a ressoar na cabeça do loiro: “Eu não te amo...Eu te odeio...Só usei seu corpo...”. Não, aquilo não era verdade. Para qualquer um, Axel poderia estar dizendo a maior verdade de todas, mas Roxas simplesmente não acreditava. Talvez fosse seu coração, recusando-se a encarar a dolorosa verdade, preferindo continuar se apoiando nas mentiras...
Foi nessa insônia que Roxas viu quando Sora se levantou de sua cama, que ficava ao lado da do loiro, e rumou para a saída da tenda, saindo noite afora em meio à escuridão. Roxas de primeiro ignorou o fato, voltando a olhar para o buraco do teto da tenda por onde entravam raios prateados da luz do luar, mas aquela única parte de sua cabeça que ainda percebia as coisas ao seu redor começou a ficar preocupada.
Não que Roxas estivesse ligando para o que acontecia ao seu redor, mas aquela ínfima partezinha do seu cérebro insistia em se dividir em duas e começar a discutir, preocupada com o pobre subordinado do loiro.
“Ele deve ter tido um pesadelo... Você devia ir lá e ajudá-lo, sabia?”, falava uma voz, enquanto outra respondia: “Talvez ele só tenha ido se aliviar, deixe o coitado em paz, além de que isso não é da sua conta”. “Mas ele te trata tão bem! É assim que você trata seus amigos? Quando eles precisam de você, você simplesmente os ignora? Que espécie de amigo você é? E se acontecer algo com ele? Se ele for pego pro demônios?” “Aí eu o desejo boa sorte” “Você vai abandoná-lo desse jeito? Você não se preocupa com ele? É ele que tem te mantido vivo, sabia? Pare de amolar, seja forte, se levante dessa cama pelo menos uma vez e faça alguma coisa! Não é porque você sofre que precisa deixar os outros sofrendo! Axel não ia querer que você continuasse nesse estado pelo resto da vida, você sabe disso...”
Axel. É, mais uma vez sua própria mente havia traído o loiro, trazendo de volta a imagem daquele que era a causa de sua dor. O engraçado era que seu próprio corpo sabia disso, e não queria mais ficar assim, naquele casulo, se protegendo do resto do mundo... Mas não dava pra aguentar a dor, Roxas simplesmente não queria... Preferia continuar confinado em si próprio, naquele estado vegetativo, quase como um morto, a ter que encarar aquela dor novamente...
Apesar disso, aquela voz tinha razão. Sora estava fazendo o possível e impossível para melhorar o estado de seu mestre. Mas Roxas não queria melhorar, queria permanecer daquele jeito, afastado. Se ele voltasse a se afeiçoar tanto a alguém novamente, jamais suportaria a dor de perder tal pessoa. Era por isso que ele evitava tanto criar ligações com o moreno, tinha medo de gostar, de o querer por perto, e quando ele for embora, a dor da partida ser grande demais...
Mas não tinha jeito, querendo ou não, ele já se preocupava com seu subordinado, e isso significava que já havia alguma afeição entre eles. Talvez fosse só a preocupação de um superior ao temer perder seu servo, talvez não passasse disso, mas...
Roxas então respirou fundo e conseguiu se sentar na cama. Agora vinha a tarefa mais difícil: Se pôr de pé. Colocou uma das pernas pra fora da cama e seu pé tocou o chão frio, enquanto fazia o mesmo com a outra perna. Impulsionou-se para frente, sentindo quando todo o peso de seu corpo passou para seus pés.
Teve de se apoiar na cabeceira da cama para não cair, pois estava zonzo depois de ter passado tanto tempo deitado e se levantado de repente. Caminhou, ainda meio inseguro, até a entrada da tenda, levantando uma das bordas, sentindo o vento frio roçando em seu rosto como uma suave carícia.
Fora do abrigo, o acampamento era iluminado pela lua. Um silêncio agradável percorria todo o lugar, diferente da correria e desorganização do acampamento dos demônios. O vento frio fazia com que as abas das tendas desavisadas dançassem sem controle, como bandeiras hasteadas ao alto de prédios importantes.
Roxas sentiu vontade de se deitar ali, no chão, e aproveitar todo o conforto que a noite oferecia. Sentiu-se cansado, com sono, tentado a permanecer ali pelo resto da madrugada. Mas não posso, pensou, preciso encontrar Sora. Não faço a mínima idéia de onde ele está, é verdade, mas quem sabe eu consiga encontrá-lo...
O loiro então partiu entre as demais tendas, caminhando, correndo os olhos por todos os lugares, procurando pelo moreno. Notou que algumas pegadas mais recentes, compatíveis com o tamanho de Sora, levavam a um lugar mais afastado dali, do lado leste do acampamento.
Continuou pelo caminho até chegar a uma baixada, que descia mais uns dois metros até ficar plana novamente, dando lugar a uma curta planície coberta de plantas rasteiras. Continuou caminhando, desviando de alguns arbustos com espinhos, até que seus olhos pairaram no fim da planície, que dava lugar a um alto penhasco. A brisa com cheiro de água salgada denunciava que bem ali estava o mar. Sentado na borda do penhasco estava Sora, abraçando os joelhos e fungando baixinho.
Roxas se aproximou cuidadosamente, temendo assustar o menor ou constrangê-lo por ter sido pego em tal situação. Bem que o loiro queria ir embora, mas algo o impedia de abandonar o outro anjo ali, sozinho. Talvez fosse o instinto de proteção que todos os anjos têm, ou até mesmo preocupação pelo pobre subordinado, mas Roxas não podia deixar o outro tão só.
O loiro se sentou ao lado do moreno, vendo quando Sora levantou a cabeça, surpreso ao ver que a pessoa mais improvável do mundo agora estava ali, ao seu lado. Roxas fitou o outro, constatando que, pelos olhos vermelhos e rosto úmido, o anjo estivera chorando. Passou-se um segundo de silêncio, com ambos olhando para o mar.
Num impulso impensado, Roxas acabou levando um de seus braços até o ombro do outro, trazendo-o mais para si, beijando sua testa num ato mudo, querendo dizer que vai ficar tudo bem, qual quer que seja o problema. Aprendera aquilo com Axel.
O moreno não aguentou e logo começou a chorar sem parar. Estivera tentando se manter forte diante de seu superior, como qualquer soldado honrado faria diante de seu mestre, mas não conseguira e acabara chorando como uma criancinha depois de acordar de um pesadelo. Abraçou Roxas com força e acabou enterrando sua cabeça no peito desnudo do outro.
E ambos continuaram assim, até que a exaustão começou a bater e Roxas realmente quis voltar para a tenda.
-Hey. -O loiro murmurou, afastando um pouco mais o outro para que pudesse olhar em seus olhos. -Tudo bem?
-M-me des-desculpe, Mestre, e-eu não queria preocupar você... -O outro gaguejou, se afastando mais ainda de Roxas, começando a corar, constrangido.
-Eu estou cansado, gostaria de voltar pra tenda.
-Ah, claro, claro que sim. Vamos voltar.
Roxas se levantou, estendendo a mão para Sora, com o objetivo de ajudá-lo a se levantar. O moreno pegou a mão, agradecido, e então Roxas o puxou. Uma das coisas que Roxas não esperava era que o outro fosse tão leve, de modo que quando ele o puxou, Sora acabou se batendo contra ele, e mais do que isso, por causa da altura igual de ambos, seus lábios acabaram se tocando.
Sora ficou estático, imóvel, paralisado, com um misto de constrangimento e medo em sua cabeça. Constrangimento, claro, por causa da situação, mas medo por causa da reação de Roxas. O que o loiro faria? Iria se separar? Ficaria com raiva? Se Sora acabasse com aquele “beijo”, será que ele se importaria?
Diferente do moreno, Roxas estava num estado de transe. A primeira coisa que lhe ocorreu quando sentiu seus lábios pressionados foi a imagem de Axel lhe beijando, sussurrando diversas vezes o quanto o amava. Foi como se não pensasse em mais nada, e a única coisa que soubesse era a que “Axel” estava na sua frente, pouco importando se este Axel era mais baixo, mais magro ou mais inexperiente. Para Roxas e para sua iludida mente, o ruivo estava ali, e isso era só o que importava.
Por causa disso, logo os braços de Roxas enlaçaram o corpo de Sora, trazendo-o mais para perto, causando atrito entre os seus corpos, sem falar dos troncos desnudos ali. Sora, surpreso demais para pensar, inconscientemente acabou correspondendo ao beijo que agora Roxas lhe dava, levando suas mãos aos cabelos dourados de seu superior.
O loiro invadia a boca do outro com fúria, querendo compensar todas as horas que passara longe de seu “amado”, e não tardou a levar suas mãos ao peito do moreno, realizando pequenas carícias que arrepiavam agradavelmente o corpo do outro anjo. Ainda iludido por si mesmo, Roxas desviou da boca de Sora e desceu rumo ao pescoço do moreno, onde começou a realizar uma série de chupões, deixando a pele alva do subordinado vermelha por onde sua boca passava.
Uma das mãos do loiro agora estava num dos mamilos do moreno, enquanto a outra subia e descia pelas costas do mesmo, fazendo com que Sora começasse a gemer, ficando mais alto a cada vez que o loiro beliscava um dos mamilos. Aquele som, tão perturbador quanto querido fez com que Roxas continuasse suas carícias, mas algo despertou em sua mente. Seu Axel não gemia tão facilmente, na verdade, seu Axel não tinha costas tão estreitas, braços tão finos ou uma estatura tão baixa, mas aquele era Axel, tinha que ser, somente a ele Roxas se entregaria de tal forma...
-Mestre...Ah..-Sora murmurava com sua voz, mais fina que a de Axel, enquanto levava suas mãos até o membro coberto pelas calças de linho branco de seu superior. Roxas, crendo que aquelas mãos pertenciam ao seu ruivo, permitiu que o moreno começasse a massagear aquela área tão sensível...
Mas as mãos de Axel não eram tão pequenas ou tão lentas quanto aquelas, as mãos do ruivo eram grandes, quentes, agradáveis e ágeis, e como Roxas gostava de lembrar, faziam parecer que você ia morrer de tanto prazer, um pensamento meio que “obscuro” para um anjo.
O loiro continuou agraciando o pescoço de Sora com os chupões, cada vez mais certo de que, apesar de tantas contradições, aquele tinha de ser o seu Axel, mas aí, quando uma de suas mãos descia para o membro do outro, sua mente parou, assim como o restante de seu corpo. Aquele cheiro que agora finalmente entrava por suas narinas, meio que tarde demais, era um cheiro totalmente diferente do de seu amado. Não era o aroma de incenso queimado misturado ao próprio cheiro da pele do ruivo, e sim algo mais puro e solto, que lembrava muito uma plantação de alfazema e daquele cheiro de lavanda, o que tornava a fragrância muito agradável e tentadora...
Mas aquele não era seu Axel. A verdade bateu em Roxas com a força de um caminhão, jogando-o novamente para a triste verdade. Seu Axel não estava ali, nunca mais estaria. O loiro pulou para longe do moreno, com seus olhos focando-se nos de Sora, agora confusos, enquanto seu rosto assumia um tom mais que rubro por causa do constrangimento diante de seu superior.
Roxas continuou olhando para o moreno, vendo o quanto ele era diferente de seu amado, e o quanto havia ido longe. O pescoço do outro anjo agora estava cheio de marcas dos chupões que o loiro dera, além de outros vários sinais mais que visíveis...
Roxas levou uma das mãos a sua boca, passando por seus lábios, querendo checar se eram seus de verdade. Como podia ter feito aquilo? Estava assim tão carente? Aliás, tão iludido ao ponto de acreditar que qualquer um que o beijasse fosse o seu Axel? A verdade era cruel, doía demais, mas ele precisava se tocar de que Axel não voltaria nunca mais, que ele nunca mais sentiria os braços do ruivo lhe protegendo.
Jamais esqueceria o rosto do ruivo ou seus toques tão carinhosos, mas não podia passar o resto da existência esperando vê-los ou senti-los de novo, e muito menos buscá-los em outros que nada tinham haver com a história. Doeria parar de esperar, doeria deixar Axel de lado em seus pensamentos, mas doeria ainda mais se decepcionar toda vez que pensasse que Axel tinha voltado e ele não estava lá.
Não esqueceria o ruivo, isso jamais, mas não esperaria mais que ele aparecesse de repente, atravessando as abas da tenda sorrindo e de braços abertos para dar um abraço no loiro, apenas o deixaria de lado. E também tentaria sair daquele estado de semi-morto, não importava o preço que tivesse de pagar, afinal, como sua própria mente dissera, Axel não iria querer que ele passasse o resto de seus dias daquele jeito.
Por isso, determinado, Roxas levantou o rosto e se aproximou de seu subordinado, que ameaçava chorar, temendo ter feito algo que tivesse afastado seu mestre tão de repente, além de ser alvo dos olhos penetrantes do outro, como se Roxas estivesse vasculhando sua alma, notando todas as imperfeições que o moreno tinha.
O loiro estendeu o braço e tocou o rosto de Sora, falando em seguida:
-Me desculpe.
-Não foi sua culpa! Eu que acabei me jogando contra o senhor... -Sora tentou dizer, mas Roxas o ignorou e apenas voltou a andar em direção a tenda, com uma expressão angustiante refletida na face. O moreno, percebendo que Roxas não queria continuar com aquele assunto, seguiu seu mestre em silêncio.
No dia seguinte, quando Sora trouxe a comida de Roxas novamente, o moreno parecia receoso diante de seu mestre. O subordinado estava mais calado, hesitante e corava cada vez que o olhar de Roxas pairava sobre ele. Não é pra menos, afinal, depois de um “beijo” daqueles, Sora estava indeciso sobre como tratar seu mestre.
Poderia falar com ele normalmente? Deveria se afastar? Ambos eram anjos do gênero masculino, e aquele tipo de relação não era permitida, muito menos numa época de guerra. Os dias se passaram, até que uma semana veio e nada de o moreno agir normalmente, sorrindo radiantemente como ele fazia.
Roxas sabia que era sua culpa, e sabia que Sora estava constrangido pelo que acontecera, assim como também sabia que aquele clima era desagradável para ambos. Custou-lhe decidir, mas resolveu que era preciso conversar com o moreno. Ou pelo menos tentar.
De noite, quando ambos estavam prestes a se deitar para dormir (ainda dividiam a mesma tenda), Roxas se sentou na cama, chamando a atenção de Sora, que estava lendo em silêncio no seu colchão. O moreno levantou o rosto e viu que o loiro agora se levantava e ia até ele, se sentando ao seu lado.
-Sora... Eu queria... Me desculpe. -Roxas começou, olhando nos olhos azuis do subordinado. -Eu perdi o controle naquela noite.
Sora no mesmo instante começou a corar, e tentou olhar para o livro novamente, mas Roxas pegou seu queixo e o fez olhar para si, evitando que o outro desviasse o rosto.
-Sei que você se sente mal pelo que houve, e que não sabe como as coisas irão ficar, mas eu lhe digo que você tem o direito de afastar de mim se você quiser, ou até de me bater se isto lhe deixar feliz, aliás, eu faço qualquer coisa para poder ver você sorrindo mais uma vez, mesmo que eu ainda não consiga sorrir.
Roxas soltou o rosto de Sora e abaixou a cabeça, fitando o chão, esperando uma resposta. Gostava de Sora, era um bom anjo e estimava sua presença ali do seu lado mais do que muitas coisas, além de que gostava de vê-lo sorrir. Talvez não se sentisse completo sem Axel, mas com Sora, ao menos podia voltar a sorrir mais uma vez. A dor estava ali, e Axel era o único antídoto capaz de pará-la, mas Sora agia como um amenizador, e diminuía em grandes quantidades esse sentimento sufocante.
Roxas precisava de Sora, sabia disso, e por isso teve que ser forte ao dizer que o moreno podia ir embora a qualquer momento. Podia não expressar, mas Sora lhe ajudou muito desde que fora deixado por Axel, e por isso ele tinha virado amigo do loiro. Roxas o amava, não do jeito que amava Axel, mas se o moreno fosse embora, ele sentiria bastante sua falta.
-Você pode me perdoar, Sora?-Roxas murmurou diante do silêncio do outro, até que sentiu seu próprio rosto ser erguido pela mão do subordinado, para que olhasse em seus olhos azuis penetrantes.
-Eu lhe perdôo. Somos amigos, não somos? Sempre estarei aqui do seu lado, não importa o que faça. -Sora disse, sorrindo alegremente como sempre fazia.
Roxas se alegrou por dentro, e queria sair por aí dando pulos de felicidade, mas não sabia mais como expressar aquele sentimento. Esquecera-se de como era sorrir. Apenas se levantou da cama do outro e foi para a sua, se cobrindo com as cobertas e murmurando:
-Pode ler pra mim, por favor?
-Será um prazer. -O moreno respondeu, voltando a ler, mas em voz alta. Sora sabia que seu mestre ainda não estava pronto para voltar totalmente ao mundo, e que teria de aprender a como rir da vida novamente, mas não tinha problema, o moreno o ensinaria, e esperaria o quanto fosse necessário para que pudesse ver seu mestre sorrindo, como da primeira vez em que se viram.
E foi ouvindo a doce voz de Sora que Roxas acabou adormecendo, mergulhando no mar do subconsciente e sonhando apenas as mesmas visões sem sentido que qualquer um espera ter a noite.
Notas finais
Enfim,obrigado por ter lido e please não se esqueçam das reviews!
Kisses!!
(PS:Foi compravado que quanto maior o numero de reviews,mais rapido o autor posta o proximo chap)
Kisses!(again?)
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