Between Love And Hate

2 Capítulo 2: Among Demons


Notas iniciais
Finalmente mais um chap! (tava demorando já,eu sei).
Pra quem não notou, eu mudei de imagem mesmo a foto da capa da fic (não vou mentir, minhas montagens no paint são horrorosas!)
Bjos e boa leitura!

Quando Roxas acordou, todo seu corpo doía. Desde suas pernas, seus braços, seu peito até sua cabeça. Uma gota de sangue desceu por sua testa, passando por sua bochecha e descendo pelo pescoço lentamente. Roxas até tentou tocar na pequena gota, tão vulnerável, mas ao tentar estender os braços, sentiu que algo o prendia.

Olhando ao redor, percebeu que estava numa espécie de cela, mais exatamente numa tenda bastante pequena e fechada, escura, tendo um buraquinho no teto onde passavam filetes de luz.Seus pulsos, tornozelos e pescoço estavam presos por grossas correntes amarradas a uma pilastra no meio da tenda, atrás de si, que a sustentava, imóvel, além de que suas asas estavam amarradas ao seu corpo de forma desconfortável.

Roxas tentou puxar, apesar da dor que sentia, as correntes, buscando se libertar, mas não conseguiu. A pilastra se mantinha parada a todo custo. Era possível ouvir vários barulhos que vinham lá de fora, como gritos, exclamações, lamúrias e um coro de vozes que falavam apressadas, assim como o constante som de passos rápidos e o enorme farfalhar de asas no céu. Lá longe, Roxas jurava que conseguia ouvir o clangor das espadas e de outras armas metálicas se chocando sem parar.

A guerra continuava, e a angústia de saber se seu exército estava perdendo ou não era enorme, consumindo seu coração, mas não sua mente. Continuava alerta, e pouco a pouco, as memórias do dia anterior voltavam a sua cabeça como rápidos flashes.

Havia sido capturado e agora era mantido refém. A questão era: Por quê? Demônios são seres impiedosos, não fazem reféns ou prisioneiros, além de que a prisão de Roxas de nada surtiria no exército dos anjos, ele não valia tanto assim.

Outra coisa que o atormentava era aquele estranho general dos demônios. Teria sido ele que o tinha capturado? Por que, quando teve chance, não tinha matado Roxas? E aquele olhar? Roxas estava delirando ou tinha realmente visto a compaixão nos olhos dele?

O loiro balançou a cabeça, não querendo acreditar naquilo. Era impossível e pronto, assunto encerrado. Voltou a olhar em volta, vendo que seu cela improvisada não tinha nada a não ser a pilastra que o prendia, deixando claro que os demônios não estavam preparados para abrigar prisioneiros.

De repente um demônio entrou. Era baixinho, de pele vermelha e escamosa, com asas membranosas relativamente pequenas comparadas as de Roxas, também carregando dois chifres no alto da cabeça. Afastou uma das abas da tenda que levava ao lado de fora, deixando a luz entrar naquele pequeno recinto onde só sobrevivera a escuridão, cegando Roxas de imediato, pois não estava acostumado a tanta luz de repente.

-Ei, idiota, engole essa coisa aqui. — Disse o demônio, se aproximando, segurando o queixo de Roxas com força, o levantando e abrindo sua boca.

Assim que o loiro sentiu uma coisa gosmenta, com gosto de esgoto, na verdade, tocar seus lábios, não demorou as cuspir tudo para longe. Isso obviamente deixou o demônio bastante irritado.

-Seu imbecil! Olhe só o que fez!-E no mesmo instante, o pequeno demônio deu uma tapa em Roxas com aquelas suas mãos repletas de garras cortantes, abrindo cortes em sua bochecha e na sobrancelha, fazendo descer um filete de sangue pelo rosto do anjo.

Roxas apenas olhou para o demônio novamente, dessa vez com um misto de ódio e determinação nos olhos. Se aquele ser ousasse bater nele novamente, faria de tudo para revidar, afinal, não seria humilhado daquela forma tão impunemente.

-Seu... — O demônio começou, mas então caiu o silêncio. Um silêncio tão abrasador que já não se ouvia os gritos, passadas ou qualquer tipo de barulho vindo daquele lado do acampamento. Era como se tudo tivesse parado ali.

O demônio assumiu uma expressão perplexa e assustada, no entanto, permaneceu imóvel ali, na frente de Roxas, que olhava para os lados buscando entender o que se passava.

-Ele aqui... Não... Impossível... -O demônio murmurava para si enquanto se virava lentamente para a entrada da tenda, que num instante se abriu, mostrando uma figura alta e mais duas figuras um pouco menores atrás.

A figura mais alta entrou enquanto uma das outras segurava a aba da tenda. Roxas reconheceu aquela figura de imediato, que vestia a mesma armadura vermelha e negra, no entanto estava sem seu elmo, e pela primeira vez, Roxas já pôde distinguir seus traços.

Claro que, com certeza, era o mesmo general que o capturara e o levara para aquele lugar tão repugnante. Tinha olhos verdes esmeraldinos de um tom tão profundo quanto penetrante, cabelos vermelhos revoltos apontando para diversas direções, media cerca de 1,80, cintura estranhamente fina e um rosto belo tendo duas lágrimas tatuadas abaixo dos olhos.

O general se aproximou a passos largos, empurrou o outro demônio para longe e se agachou na frente do anjo, que o olhava embasbacado. Mas o que diabos aquele general estava fazendo ali? Se era um general certamente tinha coisas melhores a fazer do que ficar visitando reféns, não? A não ser que ele próprio tivesse vindo somente para matar Roxas.

O general ruivo estendeu sua mão e tocou no rosto de Roxas. Era diferente das dos outros demônios, era macia e não tinha aquelas garras, na verdade, aquele general em nada se parecia com um demônio, mas por isso mesmo devia ser perigoso, pois era como os mestres de Roxas diziam: “Um demônio que tem uma aparência humana são os mais fortes e inteligentes, pois são os descendentes diretos dos anjos que caíram do Céu, e não dos demônios que nasceram no Inferno”.

No entanto, Roxas estremeceu aquele toque e fechou os olhos, já esperando o golpe final, um que acabasse com sua vida ali para que pudesse voltar para o Paraíso. Mas não aconteceu. O general ficou ali, tocando com seus dedos a pele fina e rosada de Roxas como se fosse uma carícia, correndo seus olhos pelo corpo do menor.

Então as mãos do general passaram para os cortes na outra bochecha, onde Roxas tinha levado o tapa daquele outro demônio. O toque do maior de repente ficou tenso, fazendo Roxas abrir os olhos e olhar nos orbes esmeraldinos do outro, que perguntou:

- O que fizeram com você? Isso não estava aqui antes.

Roxas permaneceu em silêncio, não sabia se era porque estava inquieto demais ou se foi a surpresa graças ao tom que o ruivo usara, como se realmente estivesse preocupado.

O general se levantou e se voltou para o demônio que batera em Roxas, que a essa altura estava encolhido num canto da tenda, evitando os olhares do ruivo, que se aproximou e, num movimento rápido, o pegou pelo pescoço e o ergueu no ar sem qualquer dificuldade.

-Kyu, como ousa desobedecer a ordens minhas? Mandei que cuidassem de todos os ferimentos do anjo e aí vem você e bate nele mais uma vez. O que se passa nessa sua merda de cabeça, seu demônio imprestável?

-Me-me-me descul-desculpe mestre...eu-eu não sabia.

-Pois que fique claro, se houver a transgressão de mais uma ordem minha aqui, juro que você será o culpado por tudo. Entendeu?

-Sim me-mestre.

Então o general soltou Kyu, que caiu com um baque no chão duro, massageando seu pescoço e respirando ofegante. O general voltou a se virar, mas desta vez para Roxas. Agachou-se no chão novamente e, recitando alguma ladainha desconhecida, fez com que as correntes que prendiam Roxas simplesmente o soltassem.

O general ruivo então pegou o menor nos braços, que tentou desvencilhar-se, mas devido ao abraço forte do outro e sua exaustão exagerada por causa dos ferimentos, não conseguiu.

-Se acalme, não vou fazer nada contra você. — Sussurrou o general nos ouvidos de Roxas, que estremeceu e virou o rosto para longe.

Como ele ousava tratá-lo daquela forma tão humilhante? Por que não o soltava e o matava logo de uma vez? Mas que droga. O general então, carregando Roxas, saiu dali, deixando Kyu para trás e sendo novamente seguido por aqueles dois outros demônios que haviam ficado do lado de fora da tenda. Ambos também nada tinham haver com demônios, sustentando uma imagem mais humana, assim como o general.

Roxas aproveitou para investigar com o olhar o acampamento, que constatou ser nada mais que um amontoado de tendas espalhadas por qualquer lugar que houvesse espaço. Mesmo assim, no acampamento havia frequentemente demônios correndo ou voando, sempre apressados e sempre gritando alguma coisa uns com os outros. Estranho.

O que Roxas também notou foi a ausência de demônios com aparências humanas, o que talvez fosse bom, pois significava que o exército não fora tão reforçado. Os três demônios e o anjo então chegaram a uma imensa tenda, claramente mais provida que a outras. Atrás desta mesma tenda também haviam outras, um pouco menores mas igualmente requintadas.

O general entrou na tenda, deixando que Roxas notasse que mais parecia uma pequena casa improvisada do que uma tenda de guerra. Tudo estava devidamente arrumado. Havia uma mesa grande no meio do recinto, uma cama encostada no lado leste, uma área com uma banheira rodeada por lençóis brancos que deviam servir para dar mais privacidade, uma abertura no teto que deixava o vento entrar, cadeiras no lado oeste e umas caixas para guardar objetos pessoais no lado norte. Não era um hotel cinco estrelas, mas se comparado a própria tenda, era um palácio.

O general deitou Roxas na cama, puxando uma cadeira e se sentando ao seu lado, ainda o observando com aqueles penetrantes orbes verdes.

-Você quase morreu, sabia?-O demônio começou.

-E por que não me deixou morrer?

-Porque você não merecia.

Roxas estranhou aquela frase. Podia realmente não merecer morrer, mas vinda da boca de um demônio, principalmente um general, que deveria ser um carrasco sem emoções, matador de anjos sem hesitar, a frase perdia seu sentido e virava algo totalmente sem nexo.

-Você não parece ligar muito para seu corpo. Antes que pergunte, mandei que tratassem de seus ferimentos, e não se preocupe, não colocaram veneno nas suas feridas. Ainda deve estar sentindo o corpo doer, mas não vai durar muito tempo. Qual é seu nome?

Roxas não respondeu. Podia ter sido “salvo” pelo demônio, mas mesmo assim, ele era um anjo e o outro um demônio. Era contra as regras da natureza se falarem tão abertamente.

-Não vai me dizer?

Silêncio.

-Tudo bem, então, foi você que pediu.

Murmurando alguma outra ladainha, mais rápida e mais baixa, o general fez com que aparecessem correntes novamente, prendendo somente o pescoço de Roxas a base da cama. O loiro então se sentou, e num impulso, tentou arrancar as correntes com toda a força que lhe restava, mas não conseguiu.

-Não importa o quanto puxe, não vai se libertar, elas só saem com magia. -O demônio riu, se aproximando do menor e segurando seu queixo, olhando em seus olhos como se quisesse ler sua alma.-Acho que é uma boa hora para dizer seu nome, não acha?

-... Roxas. -Respondeu, tentando ainda virar o rosto para longe, mas a mão do outro não permitia.

-Roxas... Gostei. A propósito, meu nome é Axel. Você vai ficar aqui, nesta tenda, pelo tempo que eu quiser que fique. Riku trará comida para você e Kairi cuidará de seus ferimentos. São aqueles que nos seguiram, são de confiança minha, não se preocupe.

O ruivo o soltou e se afastou, indo em direção a saída da tenda.

-Vou ter que ir, o exército está precisando de mim na linha de frente. Seja bonzinho até eu voltar, sim?

Roxas ficou em silêncio, no entanto, quando Axel já afastava uma das abas para sair, disse:

-Por que me salvou? Só para me manter preso aqui enquanto sei que todos os meus colegas estão morrendo sem que eu possa fazer nada?-Um tom melancólico encheu sua voz e ele deixou seu rosto cair, olhando para o chão.

-Eu não sei, pergunte a si mesmo, Roxas.

Então Axel saiu e deixou o outro sozinho com seus pensamentos. Tudo bem que Roxas não fosse tão apegado aos seus colegas, no entanto, mesmo assim eram anjos, e saber que anjos estão morrendo sem poder fazer a nada a não ser ouvir o barulho das espadas e lanças era algo realmente enlouquecedor. Precisava fugir dali e voltar para seu exército o mais rápido possível.

Mas como? Estava preso por uma espécie de magia do submundo do Inferno, um tipo de magia que não praticava ou sequer entendia, ou seja, a não ser que aprendesse o feitiço ou ameaçasse alguém para libertá-lo, não iria sair dali, e pior, Roxas não estava em condições de ameaçar ninguém. Na pior das hipóteses, dependia totalmente das decisões de Axel, pois se o ruivo decidisse matá-lo, Roxas já era.

Deitou-se na cama, enterrando o rosto nos lençóis macios, buscando esquecer, mesmo que somente por alguns momentos, toda aquela confusão em que se encontrava. Quem dera nunca ter sido convocado para aquela maldita guerra, aí então poderia estar no paraíso, sentado nos verdes campos cobertos de grama, sempre molhados de orvalho enquanto ouvia as belas cantigas cantadas pelos pássaros enquanto via vários outros anjos voarem pelos céus com aquelas asas tão majestosas...

E assim, pensando em tais coisas que acalentavam seu coração, Roxas acabou adormecendo ali, sentindo uma fragrância que lhe era bastante familiar, mas tão agradável quanto o sentimento de estar em casa.

Estava frio e escuro, mas não tanto, pois uma vela estava acesa sobre a mesa no centro da tenda. Mãos macias tocavam seu peitoral, espalhando alguma coisa sobre o mesmo, fazendo com que vários dos cortes ardessem.

Roxas, depois de ter tomado consciência de que alguém o tocava, sentou-se de repente na cama, assustado e ofegante, recolhendo-se no canto do móvel. Ao seu lado estava um demônio, que ostentava a imagem de uma garota com 15 anos humanos, cabelos ruivos, estatura baixa e olhos azuis. Devia ser um dos demônios que seguiam Axel, Kairi.

-Olá, desculpe se acordei você, não quis deixar essa situação constrangedora. -Ela disse, mostrando que as mãos estavam cobertas por uma espécie de seiva incolor.

Roxas abaixou o olhar, olhando para si próprio. Seu peito e braços estavam cobertos pela mesma substância. Seus cortes já cicatrizavam e alguns menores mal eram notados, no entanto, ainda havia um enorme ferimento no centro do peito, o mesmo que fora fatal para que Roxas desmaiasse diante de Axel. Outra coisa que notara era que a “garota” havia despido sua armadura danificada e trocado suas roupas por uma calça branca, vendo que uma camisa de linho de mesma cor repousava sobre a mesa ali perto.

-Quem é você?-Roxas perguntou.

-Sou Kairi, discípula direta do mestre Axel, que ordenou que eu cuidasse de você enquanto estivesse ausente. -Disse a garota, sorrindo, ato que Roxas estranhou, pois demônios não demonstravam tanta amabilidade assim.-Não vai me dizer seu nome?

-Roxas. Axel não lhe contou meu nome?

-Ele não está espalhando por aí, se é que me entende. Pode se deitar aqui novamente? Preciso terminar de aplicar a pomada, senão vai infeccionar e você já sabe no que vai dar.

Roxas obedeceu, e enquanto Kairi passava aquela “gosma”, conversou com ela sobre vários assuntos. Sentiu-se bem diante da presença da outra, que na verdade era um demônio alegre e sorridente, o que a tornava mais incomum ainda.

Quando ela terminou, o sol já se punha no horizonte, e outra figura apareceu na tenda, trazendo uma bandeja de comida repleta de frutas, verduras, um pouco de carne e água. Era o outro demônio que seguia Axel. Kairi os apresentou alegremente, e tudo que o outro demônio fez foi assentir e dizer seu nome, Riku. Ao contrário da “amiga”, era um demônio calmo, silencioso e digamos até frio. Esse sim parecia com um demônio mais normal, e só não o era porque não tinha aquele humor sádico que geralmente os outros tinham.

Uma coisa que chamou a atenção de Roxas foi que nem Axel, Kairi ou Riku tinham chifres, e a única coisa que os diferenciava dos anjos e até dos humanos eram suas asas negras e membranosas como as dos morcegos. No restante, eram estranhamente “humanizados” se é que podemos chamar assim.

Ambos os demônios então deixaram Roxas só, que voltou a dormir. Só bem mais tarde foi que o general ruivo voltou da batalha, exausto e ofegante. Sentou-se numa das cadeiras e adormeceu ali mesmo, mas não sem antes olhar para o loiro que agora dormia onde um dia fora sua cama. Precisava providenciar outra se quisesse voltar a dormir sem ter que acordar com dor no pescoço, mas enquanto isso dormiria ali, na cadeira, olhando a face rosada daquele anjo tão cativante.

Não sabia porque o salvara ou então porque até agora não o matara, só sabia que na hora, sentira uma necessidade enorme de preservar aquela vida, tão subitamente querida para ele, no entanto, o real motivo do porquê ter salvo Roxas, Axel só iria descobrir bem mais tarde...

Notas finais
E chegamos ao fim de mais um chap, espero que tenham gostado,mas e aí...mereço reviews *olhinhos brilhantes*
Prometo postar o proximo chap até proximo domingo, viu?
Bjos!