John Shellwave acordou e olhou em volta, estava em um quarto de um navio de turismo na costa oeste, deitada ao seu lado, numa cama de casal desarrumada, sua namorada, Sophie Highwind, ainda dormia. John pegou seu celular e apertou um botão oculto e observou ele se expandir até se tornar uma espada longa, com uma lamina de bronze, a única coisa que ferira aquelas estranhas criaturas que os perseguiam desde quando fugiram há uns nove dias atrás. Eles foram parar no navio tentando despistar um enorme cachorro de duas cabeças que os perseguia, John ainda não entendia como os outros não conseguiam ver um monstro correndo atrás de dois adolescentes.

Ele nunca se sentirá realmente importante até que descobriu ser um semideus. Ainda mais filho do deus do mar, Poseidon. Ele sabia que Sophie também era, mas não sabia quem era o pai dela. Eles estavam ali clandestinamente; ninguém sabia que eles estavam ali. Estavam dentro de um quarto vazio, porém John suspeitava que em algum momento alguém os descobriria, mas esperava que demorasse. Não sabia o destino do Barco mas esperava que fosse para longe.

Mesmo semi acordado, escutou um movimento fora do normal do lado de fora da cabine. Escutou uma voz dizendo:

–Intrusos no Navio.

John logo se prontificou e acordou Sophie:

–Sophie, fomos descobertos.

Ela se levantou e perguntou o que fariam em seguida, John nunca foi muito inteligente, nem conseguia armar planos funcionais, era até um tanto quanto lerdo. Achava que era coisa de seu pai, ou apenas coisa do desespero, talvez mais alguma opção. Não sabia.

Uma coisa ele sabia: tinham que sair dali. Desde que fugiu de casa, sempre que tinham monstros por perto ele sentia uma coisa estranha, como um calafrio, porém dessa vez não sentia isso, achava que quem os havia descoberto era completamente humano. Isso era bom, em partes, pelo menos estavam seguros.

Fugir era a saída, porém requeria um bom tempo de concentração, mas não tinham tempo, precisavam agir, e rápido. John ousou abrir uma fresta da porta, não havia ninguém, ouvia o barulho das pessoas que os procuravam, mas não sabia onde estavam, John observou, visualizou o fim do corredor oposto de onde os barulhos vinham, deu a mão para Sophie, guardou seu celular, e saiu.

Estar em contato com Sophie, mesmo que fosse só dar a mão pra ela era bom, ele se sentia seguro. Os dois caminharam silenciosamente pelo corredor, John estava com medo, mas preferia não demonstrar isso. Ao chegarem no final do corredor tinham duas opções: direita ou esquerda. Não sabiam onde dariam, mas tinham que agir rápido, pois John conseguia ouvir as pessoas mais próximas. Sophie percebeu que ele estava sem ideais, ela o beijou e disse:

–Ei, vai ficar tudo bem.

John então decidiu ir para a esquerda e, após um tempo andando, chegaram em outro lugar, onde de novo decidiriam se iriam para a esquerda ou direita. John resolveu variar e virou à direita, e foi assim por um bom tempo, direita, esquerda. Ao fim de mais um corredor John viu uma porta, e exclamou:

–Vamos tentar nos esconder, até termos certeza de que conseguimos despistá-los, ou até eles decidirem que não tem ninguém clandestinamente no Navio. Pelo que ouvi enquanto você dormia, é só mais duas noites e um dia até chegarmos ao porto.

Sophie concordou. John abriu a porta devagar. O lugar era do tamanho de um quarto, mais parecia um Quartel-General de alguma coisa muito estranha. Haviam computadores, Armaduras e Armas. John andou pelo local de mãos dadas com Shopie, o lugar só fazia ele ter mais medo, porém estar com ela o acalmava.

John logo que viu todas aquelas espadas decidiu que pegaria uma para Sophie, mas quando estava chegando perto de algumas a maçaneta da porta se mecheu. Ele a empurrou para trás de uma pilha de Armaduras. Nesse momento duas criaturas horrendas entraram.

Uma era grande, mal passava pela porta, tinha um olho só e John deduziu que fosse um ciclope. A outra era magra, tinha pernas de cobra, John não sabia o que era, mas fazia ele se sentir com muito medo.

As duas criatura começaram a conversar:

– Eles escaparam — exclamou o ciclope.

– Até que são bem espertinhos pra quem descobriu que é Semideus recentemente — disse a outra.

– Espera, que cheiro é esse.

– Que cheiro, brutamontes?

– Cheiro de Semideus.

– Talvez eles estejam perto. Vamos sair e procurá-los mais um pouco.

– Se eu achar eles, comerei os dois de uma vez, desde que aquele tal Filho de Poseidon e sua trupe conseguiram a paz, é muito difícil conseguir um Semideus de boa qualidade.

– Não se esqueça que dividiremos.

Os dois saíram, John olhou para Sophie e percebeu que ela pensara a mesma coisa que ele: Precisavam sair dali, e rápido.

Ser muito amigo de uma pessoa e depois começar a namorá-la tem alguns privilégios, como o de ‘ler’ a mente da outra apenas com uma simples troca de olhares. Era exatamente isso que acontecia com John e Sophie.

John tentou bolar um plano, porém sua mente fraca e com medo o impedia, e transformava qualquer pensamento em desespero, era de se esperar, até porque haviam pelo menos dois monstros atrás deles.

John estava com sono, não tinha conseguido dormir, passou algumas noites em claro velando o sono de Sophie. John tinha que cuidar dela, até porque era ele quem havia levado ela para aquela enrascada.

Há uns 9 dias atrás, John descobriu que era um Semideus, filho de um deus poderoso. E então numa medida desesperada fugiu, passou na casa de Sophie, a convidou para fugir com ele e ela aceitou. John se sentia péssimo por isso.

Sophie olhou para John com seus olhos azuis penetrantes, John pôs o cabelo dela para trás e a beijou, logo em seguida a abraçou e sussurrou em seu ouvido:

– Me perdoe.

Sophie o encarou e perguntou:

– Te perdoar pelo que?

John suspirou e disse:

– Me perdoar por ter te trazido, me perdoar por estar fazendo isso com você.

Ela o beijou e disse:

– Você é tonto ou se faz? Eu vim porque quis, ninguém me obrigou. Agora vamos, temos que fugir antes que dois monstros nos achem.

John gostava disso nela, ela era confiante, tinha senso de liderança. Essa era uma das coisas que John mais admirava nela. Mas ele não tinha tempo para pensar em todas as coisas que ele admirava em Sophie. Ela tinha razão, eles tinham que sair dali.

– Certo, vamos procurar o mais rápido possível alguma coisa que seja o mapa do navio — disse John.

Então os dois começaram a procurar o possível mapa. John via o dia passar pelo única janela que havia na cabine, isso só deixava ele mais desesperado, ver o tempo passar só significava que o tempo estava passando e talvez não tivessem mais muito tempo até os monstros voltarem.

John tentava não demonstrar esse desespero, não queria que Sophie visse ele como uma pessoa insegura. Mais sim ele era uma pessoa insegura, estava quase desistindo, e dizendo para Sophie para eles saírem dali e tentarem explorar o labirinto que era aquele navio.

Sophie de repente levantou um papel, estava sujo e dobrado, John imaginou que seria o mapa do navio. Chegou perto de Sophie, ela entregou o papel, e ele o abriu. Era um mapa, sim, porém não do navio. Era o mapa da costa oeste americana, onde havia um único ponto marcado. Era uma seta, com letras acima dizendo: “Acampamento Semideus”.

John queria poder dar pulos de alegria, mas se conteve, abraçou Sophie e disse:

– Sabe o que isso significa? Um lugar seguro. É pra la que a gente vai.

John não sabia ao certo se era realmente um lugar seguro, ou uma armadilha que os monstros faziam para os Semideuses, mas só de saber que podia haver um lugar seguro para ir, John conseguia pensar num final feliz.

Tinham que sair dali, precisavam achar outro lugar para se esconder até o navio parar, o que demoraria pelo menos mais dois dias. E então quando o navio parasse pensariam em um jeito de chegar no tal acampamento.

John foi até a porta, abriu, ninguém. Podia ouvir música, porém um pouco distante, música podia significar festa no cruzeiro, festa podia significar pessoas fora das cabines, ou seja, era só evitar chegar muito perto da música. Pelo menos era o único plano que John tinha em mente.

Mas então foi traído pelo seu estomago, faziam alguns dias que os dois não comiam e não bebiam água, então estavam com fome e sede. Se havia festa, havia comida. Comida. John e Sophie precisavam sobreviver, porém não adiantava de nada não morrer pelos monstros e morrer de fome ou sede assim que saíssem do navio.

Não, não podia colocar em risco o transporte dele e de Sophie. Tinha que sair de perto daquela cabine. tinham que fazer pelo menos isso antes de pensar na comida.

– Vamos, Sophie — disse John saindo.

Sophie veio logo atrás dele, será que ainda lembrava o caminho de volta para a cabine onde estavam inicialmente? John não sabia ao certo, mais tentaria ir pelo caminho que se lembrava, se chegaria no quarto, essa era uma boa pergunta.

Começaram a andar cautelosamente, e pela surpresa de John e de Sophie também, eles foram pelo caminho certo. Eles tinham a chave do quarto que haviam roubado junto com uma roupa de cama, por conta disso o quarto, que já estava limpo, estava também arrumado, com suas coisas dentro e tudo mais, haviam tido essa ideia, caso alguém viesse perguntar onde estavam levavam a pessoa até o quarto e não levantariam suspeitas.

Quando John estava virando a chave, um dos seguranças do navio apareceu;

– Ei, vocês dois — disse o segurança — o que estão fazendo aqui e não na festa?

John gelou. O que diria para ele? O segurança os encarava e John achou que podia ser um dos monstros, mas aquele cara parecia muito humano. Sophie disse:

– Estávamos conhecendo o navio, voltamos pro quarto pra trocar de roupa e ir.

O segurança pareceu convencido e disse:

– Ok. Não se esqueçam, a festa é lá em cima.

– Ah, ok — disse John.

Os dois entraram no quarto, sentaram na cama e se olharam por um tempo, até que John quebrou o silencio e disse:

– Acho melhor a gente ir para a festa, ou corremos o risco dele voltar.

Sophie riu. John decidiu rir também para não demonstrar preocupação, mas estava com medo de serem reconhecidos como penetras. Mas pelo menos podiam comer alguma coisa. John pôs sua melhor roupa, não era muito boa mas a única que tinha.

Primeiro tinha que tomar um banho, mas havia esquecido coisas como sabonete e shampoo. Super normal você decidir fugir de casa no desespero e lembrar desse tipo de coisa. John decidiu então pedir emprestado para o casal de senhores da cabine a frente.

Abriu a porta já comunicando Sophie:

– Sophie, consegui o sab…

Não conseguiu continuar a frase, pois ao entrar no quarto Sophie estava semi-nua. John nunca a havia visto daquele jeito. Ele arregalou os olhos, ela o olhou e disse:

– Você deveria ver sua cara.

Ela não pareceu se incomodar com o fato de estar semi-nua na frente de um menino, então John deduziu que além do fato de serem namorados, eles estavam meio que morando juntos agora.

John tentou manter sua boca fechada, mas era difícil. Como não se sentir surpreso e um tanto quanto envergonhado sendo que era a primeira vez que John via uma menina tão intimamente? Para sua surpresa Sophie riu.

– Fecha a boca senão você vai babar — ela disse

– Ah, desculpa, é que, uau — John não sabia o que pensar, muito menos o que dizer.

John começou a ir em direção a ela, sem saber o que fazer. Pegou-a pela cintura e a beijou de forma delicada inicialmente, mas foi logo começando a ficar mais forte. O contato com a pele pele macia de Sophie causava correntes de eletricidade em seu corpo, incentivando-o a continuar. Então, começou a empurrá-la em direção ao banheiro.

– John… — Sophie começou a dizer mas logo se calou.

– Sim? — John disse arfando.

– Nada. — disse por fim, dando continuidade ao beijo.

John continuou puxando-a pela cintura até o banheiro sem interromper o beijo e, ao entrarem, John fechou a porta e a trancou para ninguém atrapalhá-los.