Between Heaven Hell

7 Capítulo Sete - Parte Um


Notas iniciais
Je - Galera, demorei um pouco. Me perdoem. Mas aqui está o capitulo saindo do forno. E vou deixar a parte 2 dele agorinha, juro. Estou editando. Obrigado por lerem, e por favor deixem algum comentário :/ Um beijo. obs - Nas notas tem a tradução do latim... (google tradutor ) Kah - Não escrevi esse capitulo, mas espero que gostem do que meu irmão escreveu. Bjo Bjo bjo

P.O.V JIN

Ainda não consigo acreditar que o demônio teve a audácia de vir aqui essa noite, é muita afronta. Certamente que protegeria a casa com alguma marca, ou mesmo com algum selo, ma não pensei que fosse tão burro a certo ponto.

Outra coisa que não esperava era que ele viesse à tona tão rápido, mas até que se passou um bom tempo. Sempre soube que essa hora chegaria, não tinha como adiar para sempre algo que é tão esperado. Mas dessa vez não depende só de mim, tem a Lyn. Seria melhor se fosse apenas eu contra o demônio, mas o receptor é importante para alguém que amo. Droga.

– Água, pólvora, frasco vermelho, frasco roxo, e recipiente com coisas estranhas, tudo na mão – ela me entrega. .

Pego uma corda fina que está dentro do recipiente de coisas estranhas, segundo ela. Não há muita coisa estranha, corda, venenos, amuletos, varias besteiras que eu coleciono ao longo da estrada.

Passo a corda no pote de água benta deixando toda ela molhada e amarro no corpo de Thiago, coloco seu corpo sentado, passo a corda em torno de seus braços e aperto forte. Lyn apenas observa, nervosa.

Pego a pólvora e faço uma circunferência onde caiba eu e ele dentro. Logo depois jogo um pouco de água benta em cima da pólvora.

– Vai acender? – Lyn pergunta.

– Observe e fique concentrada.

Sento de frente com Thiago, que abre os olhos.

– O que pensar que está fazendo?– Ele tenta se soltar, em vão.

– Água benta te segura? Você é mais fraco do que eu imaginava. Mas sei reconhecer um nível quatro e sei que sua possessão é extremamente forte.

Demônios desse parasita podem ser fracos fisicamente, mas seu principal objeto é destruir a vida do seu receptor, ou de quem é perto a ele. São conhecidos como demônios descartáveis. Certamente alguém muito maior mandou-o atrás de dela. Sorte que cheguei a tempo.

– Não tem tanto poder assim menino demônio – ele fala com a voz já diferente. Está mais grossa e demoníaca.

– Veremos caro amigo.

Apoio minhas mãos no chão.

Infernalem carcerem¹ – sibilo.

Imediatamente letras miúdas, sem sentindo algum para os humanos, surgem em volta do circulo de pólvora. Agora o demônio não tem para onde ir caso eu consiga expulsá-lo.

– Lyn pegue a Salder. Só para garantir – ela anda até a gaveta de sua cômoda e pega a arma que mata demônios. Deixei com ela para garantir sua integridade.

– Tome cuidado – ela fala.

Aceno que sim com a cabeça.

– Lyn, não deixe ele fazer isso comigo. Eu vou morrer, vais me perder para sempre – Thiago fala com sua voz normal, mas reconheço que o demônio está tentando jogar com ela. É agora.

Possessionem vel quartum gradum – gritei em latim. Usamos o latim para fazer selos e rituais, neste caso.

De repente não me vejo mais no quarto de minha irmã. O local que estou é espiritual, dentro da cabeça de Thiago, em sua alma, em todo seu ser. Vejo todos seus sentimentos, é como um cinema. Da para ver todas as lembranças boas dele com minha irmã, dos momentos tristes, da raiva dele por mim e papai por fazer ela infeliz, dos cuidados dele por ela, o respeito. Vejo sua família feliz, vejo seu pai morto no banco do motorista, o enterro dele, uma mãe sozinha para cuidar de um filho de 5 anos e uma menina de 3. Vejo também uma mãe bem sucedida e dois filhos bem encaminhados, sorrisos. Vejo lagrimas à noite por uma paixão não correspondida. Respiro fundo.

Não quero ver isso, quero achar logo esse infeliz. Me concentro um pouco e deixo me levar pela sensação de vazio. Viajo pela essência da vida de Thiago e me vejo em uma floresta destruída, uma casinha velha e uma arvore grande ao lado.

– Jin cuidado – Thiago fala.

Ele está preso na arvore, dentro de um casulo. Só seu rosto para fora.

– Me perdoe, eu não consegui me controlar. É muito forte – ele fala chorando.

Ando cauteloso até a arvore velha.

– Atrás de você – Thiago grita.

Não da nem tempo de virar e sinto algo rasgar minhas costas. Caí no chão, dói para caramba. Viro-me e vejo o vulto preto.

– Como é menino demônio, não és tão forte assim.

Abro o sorriso mais bobo que tenho.

– Acha mesmo que não senti sua presença. Realmente acha que não sabia onde você estava esse tempo todo, que virei às costas apenas para te atrair? Conheço sua raça, sou meio demônio esqueceu?

– O que você...

Não o deixo terminar de falar.

Vinculis daemonum, invocem quan in ³ – grito.

As pequenas tatuagens de cruz no meu braço brilham em um vermelho vivo, são muitas. Minhas marcas de demônios que eliminei. Correntes surgem da terra e prendem o demônio. O vulto fica imóvel. As correntes são negras com letras pequenas em vermelho, as mesmas do circulo.

Levanto-me correndo e ponho a mão esquerda dentro do vulto. Esse por sua vez geme numa voz totalmente demoníaca, parece filme de terror, mas não é.

Quae anima tua per portas inferni et gloria. Absit hoc repetens hoc signum. Ure! ¹²

Um pequeno portal surge atrás do demônio, um portal vermelho e preto, feito de chamas e escuridão. Sinto meu espírito perdendo força. Preciso aguentar, por ela... O portal cresce um pouco mais e começa a sugar o vulto lentamente.

– V-v-o-oce vai comigo, não vai aguentar, menino demônio – ele ainda fala.

Força Jin. Faço o portal crescer ainda mais. O vulto se vai pela metade e continua sumindo para dentro do portal.

– Morte – a voz do demônio soa mais uma vez, fraca como um sussurro.

– Chega – grito o mais alto que posso.

Finalmente o portal se expande mais e o suga totalmente, e rápido some.

Estou novamente no quarto da minha irmã, tudo está embaçado. Vejo um circulo de fogo azul que se apaga rapidamente. Thiago abre os olhos, ele voltou. Sinto meu coração diminuir o ritmo, não consigo respirar.

Cai deitado com as costas no chão.

Meu coração está parando lentamente.

– Me perdoe Lyn – sussurro.

– Jin, não feche os olhos, por favor, fique acordado.

– Me perdoe por tudo – fecho os olhos

Notas finais
Legenda - ¹- Prisão infernal ²- Possessão de quarto grau ³- Correntes demoníacas, eu as invoco ¹²- Que se abram as portas do inferno e queime sua alma eternamente. Com este selo proibo a sua volta a este mundo. Queime! Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. - Clarice Lispector