Between Heaven Hell
10 Capítulo Nove
Notas iniciais
P.O.V LYN
Twin Falls — Idaho
Estamos na estrada há alguns dias já, um "amigo" dele ligou falando se um caso estranho e ele quer investigar, acho que ele só aceitou para me testar. Ver se realmente tenho condições de acompanha-lo nessa jornada.
Dou risada com esse pensamento.
– Do que esta rindo?
Olho para ele e dou um sorriso.
– Nada, só um pensamento que me veio.
– Estamos chegando já, está frio lá fora então primeiro vou parar em um hotel para nos trocarmos e depois vamos encontrar o Mike para saber detalhes sobre o caso.
– Entendido, capitão.
Levo a mão ate o radio para trocar de estação, não tem nada de interessante tocando então pego um cd que um acaso é o meu favorito e começo a cantar junto.
– Olha maninha, você canta muito mal.– E da risada.
Acompanho sua risada.
– Cala boca, canto muito bem, você que escuta mal!
Após alguns minutos chegamos ao hotel e entramos. Realmente está muito frio, não vejo a hora de colocar uma calça jeans e minha jaqueta de couro.
Saímos de lá meia hora depois com roupas de frio.
– Você usa o coturno que eu te mandei no seu aniversario ano passado!
Fico ruborizada instantaneamente.
– Uso sim eu adoro ele.
Vamos de encontro com o amigo dele que esperava a gente no estacionamento de um bar.
– Olá Jin, quanto tempo, pensei que já estava morto!
Ele estica a mão para o meu irmão e ele pega a mão do amigo se cumprimentando.
Enquanto isso o amigo dele fica com os olhos grudados em mim, começo a me sentir mal com isso.
– Para sua infelicidade não morri.
Mike da uma risadinha ainda me olhando.
– Quem é ela? Muito bonita hein.
Conhecendo Jin como conheço sei que seu olhar para o Mike nesse momento não foi nada amigável, mas quase assassino.
– É minha irmã. Então se não quiser ter uma morte muito dolorosa e uma passagem só de ida para o inferno é melhor não tocar nela.
Mike o encarou também sarcástico.
– Então quer dizer que traz a irmãzinha para caçar, vamos ver se ela vai gostar da brincadeira, isso, claro, se ela passar de um dia viva.
Por pouco Mike não perde os dentes, devia ter deixado meu irmão bater nele, mas no ultimo momento seguro o braço dele fazendo–o me olhar.
– Pega logo as informações sobre o caso e vamos embora, por favor!
Ele respirou fundo e se afastou e pude perceber que o Mike ficou um pouco mais relaxado.
– Fale sobre o caso apenas, na próxima minha irmã não conseguira me segurar, ouviu bem?
Ele me olha de novo e depois para o meu irmão balançando a cabeça afirmativamente.
– Um policial, teve o coração carbonizado, simplesmente, dentro de seu próprio corpo. O parceiro dele viu tudo, mas não quer falar sobre isso, apenas diz que ninguém vai acreditar. Ninguém sabe o que rolou. Quer o caso ou não?
Meu irmão me olha e eu balanço a cabeça afirmativamente.
– Pegamos o caso, agora some daqui.
– Mais uma coisa, ele vai todas as noites no bar aqui da cidade e fica lá até de madrugada sem falar com ninguém.
Meu irmão se afasta de Mike e se aproxima de mim pegando a minha mão e me puxa de volta para hotel.
– Vamos juntos e eu leio a mente dele e tiro toda informação – fácil.
– Não pode.
– Por quê? – Pergunto ficando irritada.
– Existe um selo em todos os humanos. Um sobrenatural não pode extrair informação de outro sobrenatural invadindo a mente humana. Você pode até entrar, mas não vai ter acesso a essa informação, foi um selo criado pelo céu e o inferno muito antigo e todo ser humano é assim – explica.
– Entendi – suspiro, derrotada.
– Essa informação tem que ser dada, podemos torturar ele até falar, é valido. Brincadeira – ele sorri com minha cara assustada.
– O que vai fazer?
– Eu vou sozinho, você fica aqui no quarto, maninha.
– Tudo bem, mas você tem algum plano? Por que por um acaso eu tenho!
Ele me olha sério.
– E qual seria seu plano?
Dou uma risada irônica.
– Se eu falar você não vai me levar! Confia em mim caramba, me da uma chance de mostrar que eu também posso ser uma boa caçadora!
Ele hesita por algum tempo, mas no final, totalmente contrariado pelo que o rosto dele mostra, ele faz que sim com a cabeça.
Pulo no pescoço dele abraçando com força.
– Obrigado!
Não obtenho resposta.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Ele entra no bar e eu pego minha mochila e me dirijo rápido ao banheiro, não me podem ver entrando com ele, vai estragar meu plano.
Troco o mais depressa que posso o meu jeans, camiseta e All–star pelas roupas da mochila para não dar bandeira, refaço minha maquiagem totalmente diferente, solto meu cabelo que estava preso e prontinho. Estou completamente diferente.
Deixo a mochila em um canto perto da porta e pego um bilhete que tinha separado e me dirigi para perto do meu irmão. Acho que ele não me reconhece ou ele está muito concentrado no policial sentado em uma mesa sozinho bebendo.
Ele olha no relógio e se aproxima da mesa, esta na hora do show.
Me aproximo mais da mesa para ouvir a conversa, como imaginava meu irmão esta sendo nada sutil perguntando do acidente, deixando o policial pior e um pouco irritado. Deixo com uma garçonete o bilhete e peço para ela dar ao meu irmão antes dele sair do bar. Aproximo-me como se não o conhecesse.
– Com licença, você não vê que esta chateando ele?
Meu irmão me olha surpreso, sem entender nada ate me reconhecer e entrar no jogo.
– Você não tem nada haver com isso.
– Retire–se, por favor, para de chateá-lo e vá embora ou eu faço um escândalo!
Ele me olha de uma maneira que não consigo entender e se retira.
Sinto os olhos dos homens do bar em mim, isso é nojento de mais, odeio, mas continuo com o meu plano.
– Peço desculpas por ele, acho horríveis pessoas assim, que não se importam com o que os outros estão sentindo.
Me viro para sair e conto até três mentalmente torcendo por meu plano estar certo.
– Você... Você quer sentar aqui comigo?
Viro-me e dou um sorriso sentando.
Ficamos em silencio por um tempo e a mulher me traz uma batida sem álcool como tínhamos combinado antes e o policial puxou assunto.
Ele perguntou sobre relacionamentos, família, agradeceu sobre o fato de eu ter tirado o folgado da mesa.
Tomo coragem e começo com a minha atuação.
– Mas, por que ele queria tanto saber sobre a morte do seu parceiro?
– É que foi muito estranha.
Tomo um gole da minha batida.
– Como assim estranha? O que aconteceu
Ele olha para o lado chateado.
– Se eu contar você vai achar que eu sou louco.
– Já vi coisas que ninguém acredita, muitas, porque não tenta me contar?
Ele toma coragem e me olha.
– Se eu contar você vai realmente acreditar?
Faço que sim com a cabeça e ele começa a contar.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Saio do bar e encontro meu irmão encostado no carro, ele me mede do primeiro fio de cabelo ate o finalzinho do meu salto alto, que esta acabando comigo.
– Onde você conseguiu um vestido assim?
Olho para baixo olhando meu vestido, ele era preto, ate um pouco mais da metade da minha coxa, era meio apertado, ok, mas nada muito vulgar.
– Vovó me deu de natal.
– Não consigo te ver em um vestido desse, é uma roupa das mulheres que eu dou em cima.
– Esse era parte do plano.
– Boa ideia do bilhete me explicando onde estava suas coisas, mas não explicando seu plano.
– Vai ficar reclamando ou vai querer saber o que aconteceu do caso?
Ele me olha espantado.
– O que você conseguiu?
– Tudo.
Ele da uma risada com um tom cínico.
– Conta outra.
Olho para ele com um ar de desafio, não gosto que duvidem de mim.
– Não vai querer saber contra o que estamos lutando então?
– Fala.
Vou ate o carro e abro a porta tirando o salto e jogando lá dentro, alivio instantâneo.
– Que tal uma fênix?
– Fênix?
Escuto surpresa na voz dele.
– Sim, fênix. Agora, duvida das minhas chances de caçadora.
– Usando o fato de você ser mulher para ganhar as informações que quiser, até eu.
Olho para ele irônica.
– Mas você não é mulher então precisa de mim, se bem que você iria ficar lindo com o meu vestido.
Ele me olha com deboche e eu dou risada,
– Vamos caçar ou não?
Ele abre um sorriso.
– Só se for agora!

Fale com o autor