Between Good and Evil

4 A explicação, a verdade e uma lata de refrigerante- Kayla


Thommys não disse nada, apenas passou pela porta , logo atrás Peter. Entrei logo atrás . Por Deus, minha sala tava uma bagunça total. Comecei a arrumar, jogando tudo dentro do meu quarto. Sem duvidas, a Morgana ia me matar por jogar os livros dela. Thommys e seu amigo se sentaram no sofá e não disseram nada. Fui até a geladeira e peguei uma lata de refrigerante.

– Aceitam uma?- perguntei.

Os dois negaram e percebi que seria mais fácil conversar com zumbis.Sentei frente a frente a eles.

–Pode falar, Thommys.- afirmei.

–Porque?- perguntou ele.

–Sabe que essa pergunta pode se referir a muitas coisas, não é?-falei.

– Porque me deixou?

– Você se lembra da mãe? De como ela morreu?

– Queimada. Alguém colocou fogo em nossa casa e pegou a mamãe.

– Não me surpreenda que tenha interpretado tudo desse jeito. Assim fica mais fácil e tão normal. Thommys, a história não é assim.

–Não?

–Não. A verdadeira história é bem mais maluca, bem mais difícil de entender. Não garanto nada que me xingue e me chame de louca. Que nunca queira me ver.

–Eu quero a verdade , só isso.

–Ok. Mamãe era uma sensitiva, ou seja, via através do véu que separa as coisas mais psique das coisas mais soma.

–Eu me lembro disso. Psique, em grego, significa Alma, e soma, Corpo.

–Exatamente. Mamãe via espíritos, demônios, bruxas, feiticeiras e humanos, todos no mesmo plano, na mesma dimensão.

– Isso é loucura.

–De fato. Com seis anos, ela começou a me mostrar como o mundo realmente é. Ela sabia que eu era como ela, que não precisava de encanto para ver nada. Que sentia e também via. Ela vivia dizendo: Um vê, outro protege. Separados, inúteis, mas juntos, indestrutíveis. Nunca soube o que dizer, pois você nunca viu nada. Ela sempre te testava, achando que com o passar dos anos você veria, como eu. Nunca aconteceu. No dia do meu 8° aniversário, Adramelech veio atrás de mim. Eu me lembro do dia como se fosse ontem.

–E quem seria esse Adra-alguma-coisa?

–Adramelech. Um dos mais poderosos espíritos maligno.

–Porque ele estava atrás de você?

–Nunca cheguei a saber.Naquele dia a nossa mãe usou um encantamento muito poderoso, animam pro anima . Mãe usou sua própria alma para prender Adramelech, para me salvar.Eu tinha certeza que ia morrer. Mãe morreu naquele dia, e após te ver chorar e gritar pela mãe, sabendo que ela não ia voltar, tomei a mais difícil de todas as minhas decisões. Eu precisava te proteger. Caminhamos pela floresta até a cidade vizinha e paramos na frente de um orfanato. Escrevi uma carta a você e outra a pessoa que te achasse.

– O que estava escrito na carta para essa pessoa.?- perguntou Thommys já chorando.

–“Cuide do meu irmãozinho, por favor. Ele precisa de uma segurança que comigo jamais terá. Ele é muito especial e não dará trabalho” – afirmei, com os olhos inundados de lagrimas- E na sua : “Querido irmão, eu estou me odiando por fazer isso , mas é necessário. Sempre pedirei a Deus para que cuide de ...

–...você por mim. Eu te amo muito. Ass.: Kayla Springer. ”- continuou ele, enquanto eu já não conseguia mais dizer. Ele tirou um papel todo amassado do bolso.

– Eu pedi para você ficar sentado ali na escada e que aceitasse a ajuda de qualquer pessoa da casa, pedi para que me esperasse ali; que eu ia voltar logo. — afirmei.

–Mas você nunca voltou. — disse ele magoado.

–Eu sinto muito, mas meu mundo era perigoso demais para você. Manter você perto de mim era como te empurrar de uma ponte com uma pedra no pé. — aquilo doía, mas que qualquer ferida, mais que o cansaço ou a fome. Doía na alma.

– Eu te esperei. Uma mulher me colocou para dentro e me alimentou. Disse que ali estava seguro. Após cinco anos, uma família me adotou. Eles me amam, e a governanta do orfanato me deu sua carta. Guardei-a para sempre comigo, eu a lia mil vezes ao dia, em poucos meses, já havia decorado cada linha, cada palavra e seu nome permaneceu como uma tatuagem em minha mente. Jamais a esqueci. Há quatro anos conheci Peter e há meses atrás começamos a te procurar. — disse ele, limpando suas bochechas.

–Fico feliz em saber que sua vida continuou bem. Após te deixar, caminhei até a cidade vizinha a essa. Eu tinha em mente que quanto mais longe de você, mais seguro estaria. Fui adotada por vários casais, mas nenhum me suportava, não me entendia, não acreditava no que eu via. Passei por muitos psicólogos e tratamentos, até que um dia eu parei de contar o que via e passei a lutar, a fugir das casas para as pessoas não se machucarem. Vim para essa cidade e encontrei o padre que me abrigou e me entendeu. Ele sabia quem eu era. Após um tempo, ele junto com a bibliotecária me ajudou a achar as coisas da mãe. Ela deixou um testamento, deixando uma boa quantia para nos manter. Ela sabia que corríamos perigo. Eu uso pouca dessa herança, pois há algum tempo já trabalhar na livraria meio período e aluguei esse apartamento. De noite caço, prendo e exorcizo tudo o que é maligno,de manhã durmo e a partir das oito trabalho. Sempre vou a igreja ver o Padre e fazer algumas coisas.- expliquei minha vida.

Thommys levantou. Eu tinha a certeza de que ia embora. Mas no entanto, ele me puxou e me abraçou.

–Você não tem idéia de como imaginei e desejei esse momento, minha irmã.- disse ele. Quando me apertou, lembrei que estava com as costela quebrada e urrei de dor.

–O que foi?- perguntou ele ao me soltar.

–Nada demais.Noite passada cai do telhado e quebrei uma costela.-falei.

–E já foi ao medico?

–Tenho algo melhor que medico.

Peter se levantou e disse:

–Então você é a irmã do Tom?- perguntou ele.

–Sou. E a propósito, não vou te ligar , nem que fosse o ultimo ser do planeta. –a firmei devolvendo o papel.

– É, ela parece bem com você .- disse ele ao amigo.

–Quanto tempo pretende ficar?- perguntei ao Thommys.

–Eu vou ficar com você, prometi a mamãe. – disse ele.

–Você lembra!- afirmei, surpresa.

– Claro.- disse ele.

–Bem vindo , meu irmão.- falei, dando outro abraço nele.