Between Friends
8 Capítulo 8
Notas iniciais
POV on Lia
Eu não tive coragem de olhar para o meu irmão, depois que passei pela porta não tenho coragem de lhe dirigir a palavra... Estou com medo, aflita e apavorada, sensação de algo preso na garganta, e sentimento de falha.
Um dia eu vou ter que falar com ele, eu sei... Mas não agora.
– Lia! — ouço a minha mãe me chamar, provavelmente brava porque eu molhei todo o banheiro enquanto eu tomava banho ou que deve ser meu dia de lavar a louça.
Cubro minha cabeça com um travesseiro tentando abafar os gritos, ela me chama de novo mais brava ainda, levanto, e de pijama mesmo, me dirijo até a sala.
Quando passo pelas portas que separam a sala do resto da casa, meu irmão está sentado em um dos sofás, e meus país e minha irmã estão sentados em outro sofá à frente.
– reunião de família? — pergunto a eles, fingido que não sei o que vai acontecer.
– Lia você não tem algo para nos contar?? — ela pergunta e eu faço de desentendida — ou vamos ter que chamar o Pedro?- ela fala.
O QUE? O Pedro? O que eles sabem? Ela nota minha cara de espanto e faz com que eu sente do lado do meu irmão.
– então Lia? — minha irmã me encara. Mantenho minha cabeça abaixada.
– se não vai falar, eu pergunto e você só vai responder — meu irmão propôs. Dou de ombros, por que se eu abrir minha boca só vai piorar.
– O que você tem com o Pedro? — ele pergunta, não consigo segurar, uma lágrima cai e percorre meu rosto. Não estou chorando por causa do Pedro e sim de imaginar a decepção da minha família, a filha que devia tirar medicina, que deve ser a melhor, ficando pelos cantos com uma garoto qualquer.
– nada... Eu não tenho nada com o Pedro! — eu falo sinceramente.
– se vocês não têm nada, então como você me explica a briga que vocês tiveram aqui na frente do prédio? Por que se vocês não tem nada estavam brigando por que? — Meu irmão fala.
– e vocês se agarrando na frente de todo o colégio? Você tem merda na cabeça Lia? — minha mãe levanta e começa a andar de um lado para o outro.
Eu me levanto e pela primeira vez olho para todos.- eu sei que eu foi idiota por gostar dele, ou deixar que ele atrapalhasse os meus estudos, ou ainda arriscar a chance de eu ir para a faculdade que vocês estudaram , eu sei que eu fui burra achando que um garoto mais velho ia querer algo comigo, eu sei que não mereço e não vou ter o apoio de vocês nunca em algo, e não precisa fingir que se importam, por que para vocês, não importa se eu estou feliz, só importa se eu estou fazendo o que vocês querem- dou uma pausa para respirar, então olho para o meu irmão — augusto... Você não pode mandar na minha vida, por que se você mandar nela eu não terei uma, e por mais que eu ame todos vocês, eu quero fazer escolhas e me arrepender delas, por mais idiotas que sejam, como ficar com o Pedro, até se devo ou não colar numa prova — olho para a minha mãe — agora eu vou para o meu quarto, e por favor não vão lá — pego o meu celular e deixo ele em cima da mesa de centro, juntamente com a minha cópia da chave do carro,dou meia volta e quando chego ao meu quarto tranco a porta e desmorono, eu não quero mais o Pedro, não quero mais isso , o que quer que a gente tenha ou não tenha.
As férias chegaram, e se antes eu já não saia do meu quarto, imagina agora? Eu me limito a ir no banheiro quando não consigo segurar, ou ir na cozinha pegar algo para comer, mesmo sem fome, sei que não posso ficar sem alimento.
Não falo com a minha família faz alguns dias e eles perguntam se eu quero comer ou fazer algo, mas eu só balanço a cabeça negativamente, como estou sem celular, não preciso ficar preocupada em não atender às ligações ou mensagens da Isa.
Pedro veio aqui em casa algumas vezes, mas na última vez minha mãe xingou ele e disse que se ele se aproximasse de mim ou do meu irmão ela não se responsabilizava pelas sua ações, acho que o discurso deu certo, porque ele não deu mais as caras por aqui, porque será que o Pedro tem tanto medo da minha mãe? O que ela sabe?
Estava chegando o aniversário da Isa de 17 anos e com isso eu uma hora ou outra teria que falar com a minha mãe.
– Lia — eu ouso ela gritar do outro lado da porta.
– Lia já faz uma semana! — ela fala quando eu não respondo.
Levanto da minha cama e abro a porta, minha mãe está lá, suas olheiras estão mais escuras do que o normal. Ela senta no pé da minha cama e faz sinal para que eu me sente também.
Bem... Pra resumir, nós conversamos, gritamos, brigamos e fizemos as pazes. Ela falou que não devia ter falado daquele jeito comigo, que nós devíamos ter conversado civilizadamente e que ainda não quer que eu fale com o Pedro, por mim tudo bem, parece que no lugar onde existia algum sentimento agora só tem um vazio, muito bom para só alguns dias.
Isa está on-line (3.976 mensagens não lidas).
Lia.
[Hey!]
Isa.
[Nem venha com esse "Hey", onde você estava sua louca, eu fiquei aqui preocupada com você e quando eu te ligo sua mãe atende e me fala que você está de castigo... O que aconteceu?]
Lia.
[ a gente pode se encontrar?]
Isa.
[ Na sorveteria?]
Lia
[ agora! ]
Isa está off-line
Tomo um banho rápido, me visto e saio. Encontro Isa sentada em uma mesa no meio da sorveteria. Pelos seus olhos, consigo ver estava chorando, uma dor invade meu peito, sento na cadeira ao seu lado e pego uma de suas mãos.
– se não quiser falar, não tem problema. — falo olhando para ela que está com a cabeça abaixada, tentando esconder as lágrimas.
– vem... Vamos sair daqui — eu falo puxando ela pela mão.
Depois que ela se acalma um pouco, por mais que eu fique mal em não saber o que está acontecendo com ela, não quero foçar, sentamos em um banco na praça e conto sobre o Pedro, de eu gostar dele e de algumas coisas da briga com a minha família, não conto tudo para ela, pois não quero que ela ache que minha família e mais louca que o normal.
Volto para casa depois de dar uma carona para Isa até a casa dela, deito em minha cama e minha mente viaja, penso em tudo: no Pedro, na Isa chorando, na minha mãe e em que roupa eu vou usar para o aniversário da Isa na sexta.
Minha cabeça logo cansa e eu adormeço.
POV on Isabelle
Meu aniversario está chegando, assim como as ferias também, estava animada, Mateus não sabia que dia era, queria contar sobre e como eu faria. Resolvi chegar de surpresa no treino de futebol dele, depois daquela festa tudo ficou bem, conversamos e resolvemos,acho que em breve ele me pede em namoro.
Não falo com a lia faz um tempo, mandei milhões e milhões de mensagens e liguei varias vezes, mas foi só na ultima que uma mulher atende.
– Alo?- a mulher fala
– oi! Esse é o celular da Lia?- pergunto confusa.
– Sim! Quem gostaria?- ela pergunta, ela fala de um modo tão tranquilo. Ue.
– aqui é a Isabelle, amiga da Lia.
– ah sim! Aqui é a mãe dela — ela responde pensativa- a Lia esta de castigo por isso ela não está com o celular. — ela responde calmamente.
– ah.. Tudo bem... Então eu falo com ela na aula — digo desconfortável.
– tudo bem!- então ela desliga.
O que a Lia fez?! Mas bem... pego meus fones e saio em direção ao colégio. Fui ouvindo vários tipos de musicas, musica é minha vida, não é atoa que amo tocar violão. Chego, retiro os fones e paro a musica. Alguns garotos olham pra mim e começam a mexer.
– GOOOOOL — chego bem na hora de um gol, dou um sorrisinho, aposto que foi Mateus que fez, entro no ginásio e me deparo com uma cena que preferia não ter visto. Mateus beijando uma garota qualquer, meu sangue subiu, parece que vou explodir. Entro com toda a minha raiva no ginásio, pelo visto muita gente vê que eu não estou de bom humor, avanço no Mateus e na guria, puxo ela pelos cabelos e ele pelo colarinho da camiseta.
– Seu... Seu puto, traidor, não acredito que fez isso — minha vontade de chorar ta gigantesca, mas não posso, não agora.
– Isa.. Não é o que você ta pensando — ele diz, pegando a minha mão tentando se soltar.
– Ah não?! Frase típica, cara, não sou cega, não tenta me enganar mais ok? — falo com raiva e dou um belo tapa na cara dele, ele fica calado e sua expressão muda.
– escuta aqui garota, tentei ser legal contigo esse tempo todo, mas ta difícil — ele diz frente a frente comigo
– legal? — dei uma risada ironica. — desde quando beijar uma garota na minha frente no jogo verdade ou consequência, quase me bater por beijar um no mesmo jogo e depois de dias beijar esse projeto de vadia, é ser legal?! — ele se cala de imediado.
– Não vai falar nada? — eu digo gritando, foda-se as pessoas que estão ali provavelmente rindo da minha cara. Ele abre a boca para pronunciar algo mas logo a fecha
– ha.. Como eu imaginava, lembro que um tempo atrás fiquei na duvida se ia dar certo ou isso seria uma grande besteira, percebo agora que foi uma enorme besteira, o amor é uma besteira, você é um idiota. — falo e todo mundo começa a uivar, saio do ginásio e desabo, na saída me dou de cara com Henrique, ele estava falando comigo faz bastante tempo.
– Isa? Eu vi uma parte da briga.. Está tudo bem? — desabo mais ainda, penso em não falar nada, penso em correr, mas não consigo, apenas desabo no abraço de Henrique.
– Me tira daqui.. — eu falo. Ele me segura mais forte e me leva ate o carro dele, enquanto ele dirige, ele vai falando.
– O que aconteceu? — ele pergunta.
– Mateus! Aquele.. Aquele.. — as palavras não saem. — aquele traidor! Me traiu com uma garota qualquer, ai que raiva, vontade de matar ele, posso? Me leva la, preciso esmagar a cara dele!
Henrique da uma leve risada — calma.. Não vamos voltar, esquece ele — ele diz com o carro ja parado e olhando fixamente pra mim. — e eu posso ajudar.. — ele diz se aproximando. Meu Deus, me lembrei quando dei um fora nele.
Foi basicamente, estava eu, ele e uma galera, estávamos conversando, num lugar bem bonito, e ele foi me beijar e eu disse que não, que ele apenas meu amigo e talvez no futuro, isso não mude.
– Henrique.. — eu disse, ele parou olhando para mim. — Acho melhor não.. Acabei de me decepcionar bastante.. — falo olhando para baixo.
– Tudo bem, eu te entendo — saímos do carro e paramos no mesmo lugar de quando dei o fora nele. Sentei do lado dele e tudo veio na mente de novo, Mateus, aquela garota escrota, Henrique, ele me puxa e eu deito no colo dele, é tão bom quando nos sentimos tão em casa com quem a gente conhece faz pouco tempo, quando parece que existe uma segurança, meu celular toca.
– Mateus — eu digo. To pronta pra desligar quando Henrique rouba meu celular.
– Não pensa em atender esse garoto! — ele diz
– eu não ia atender.. — falei.
E então ele apaga o numero do Mateus, as mensagens, tudo. Não me doeu isso, admito, sinto apenas um vazio.. Como se estivesse um buraco bem no meio do coração. Ficamos conversando ate chegar de noite, ele me deixou em casa.
– Obrigada.. De verdade, depois de tudo que eu te fiz e você ainda me ajudou — falei olhando pra baixo. Ele sorriu.
– Não fez nada demais. — ele diz, me da um beijo na testa e eu entro em casa. Não tinha ninguém em casa, minha irmã tava na casa de uma amiga, minha tia trabalhando e meu pai viajando.
Celular vibra. É lia. Marcamos de nos encontrar amanhã, ela vai me explicar porque estava de castigo, acho que vou explicar de hoje também..
Acabei capotando na cama. Outro dia chegou, era de tarde, acho que ontem foi bastante cansativo. Me vesti e fui aonde encontraria Lia. Estava sentada, esperando, olhei a tela do celular e uma mensagem sem nome.
– Isa.. Precisamos conversar, por favor, não deixa terminar assim — Droga, desgraçado, por que tinha que voltar?! Penso em responder e respondo..
– Terminar?! Não tem como terminar o que nunca começou, não é mesmo? — falei, essa doeu, la no fundinho, desabei de novo, tento me conter, afinal to em publico, quando tento segurar tudo, Lia chega, conversamos pouco, quase nem conversamos e eu sai praticamente correndo, adivinha quem eu encontrei de novo? Henrique! Dessa vez acompanhado, acompanhado por Luiza. Passei correndo por eles, ele me chamou, fingi que não ouvi, mas ouvi o que Luiza falou.
– aff, ela ta nessas frescuras, chorando pelo Mateus, tadinha, iludida, não percebe que ele nunca gostou dela. — meio que parei, olhei pra trás e Luiza estava tentando agarrar Henrique, que nojo. Pensei em voltar e dizer poucas e boas pra ela, mas acho melhor ficar quieta, eles estão pertos, bem pertos atrás de mim, acho melhor eu atravessar a rua, lagrimas continuam a cair, a visão está ficando embaçada, começo a cambalear. Me seguro no poste, pessoas passam, me olhando como se eu fosse uma estranha e na mesma hora, caio, mas não foi no chão, Henrique me segurou, e então.. Desmaio. Acordo, não era minha casa, não era a rua, não era hospital, era um quarto masculino, perfeitamente organizado e vazio. Estava somente eu no quarto. Olho pros lados e estava enganada, Henrique estava perfeitamente confortável em uma poltrona enquanto lia concentrado um livro. Tento levantar, mas foi em vão, parece que levei uma pancada na cabeça, Henrique logo percebe a minha agitação, se levanta e deixa cuidadosamente seu livro na estante.
– Acho melhor você se deitar de volta — e então ele me pega no colo e me deita novamente — olho em volta a procura de algo, ou melhor, alguém.
– e a Luiza? — pergunto
– Dei um fora nela, no mesmo instante que você desmaiou, ela deu um chilique. — fiquei séria.
– Por que deu um fora nela? Você gostava dela.. — falei, ainda séria, mas confusa. Ele senta na cama.
– Nunca disse que gostava dela, quem eu gosto mesmo, gostava de um otário, o otário traiu ela e agora ela está aqui deitada na minha cama. — ele diz com um pequeno sorriso. Não sei se devo sorrir, se devo perguntar algo, afinal, a resposta parece ser obvia, mas nem tanto.
– Quem seria ela? — pergunto, mexendo no colar.
– Você. — Ele diz.
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