Between Friends
4 Capítulo 4
Notas iniciais
POV On Lia
A semana passou rápido, posso até disser que nem senti, mas todos os dias era obrigada a passar pela sala do Pedro, ele olhava, mas eu não dava a mínima ( por que eu daria? Foi só um beijo ).
E então, veio o sábado, domingo e a segunda.
Acordo já em modo automático, parecia que os meus dias só se repetiam.
Chego no colégio, não consigo segurar, olho pela janela e consigo ver o Pedro, ele me encara, mas só dura por alguns segundos, pois eu viro o rosto e sigo andando. Eu não sei o que ele fez comigo, eu não posso gostar dele, não esse ano, se eu gostar de alguém vai estragar tudo, curso, vestibular , e vida.
Sento na aula e já estou impaciente, a Isabelle não iria vir hoje, pois estava gripada, então era eu e eu.
Na segunda aula, minha ansiedade só aumenta, eu preciso sair daquele lugar, peço para a professora de filosofia — que mais viaja do que da aula -, para ir no banheiro, me sentia sufocada,me sentia presa.
Preciso passar pela aula do Pedro para chegar ao banheiro, por favor não me veja!
Olho para dentro da janela, mas Pedro esta com uma garota grudada no colarinho da camiseta, ele conversava animadamente com ela — Urgh...-, quando volto de meus pensamentos, está me encarando, aceno a ele e vou em direção para o banheiro.
É fedido e imundo, mas é melhor que a aula de filosofia, estou no fundo encostada na parede, mexendo no celular para passar o tempo, ouço a porta abrir, pro favor que não seja a professora atrás de mim!
Virei de costas e andei até uma cabine, mas alguém me puxa, não seja a professora, o que tem de mais a aluna matar aula no banheiro? Nada de mais!
Com o puxão eu quase caio,mas uma mão surge em minhas costas e me impede de encostar no chão, só consigo ver seus olhos, azuis, Pedro!
Trato de levantar rápido , meio desajeitada, mas consigo.
— Pedro o que tu tá fazendo aqui? — falo rapidamente — esse é o banheiro feminino ou eu estou enganada?
Ele não responde, fica me encarando, passo por ele e no meio do pátio, ele me segura.
— olha eu preciso de falar uma coisa... — ele fala.
— olha você, eu não tenho tempo, para suas bipolaridades — digo irritada, o meu tom de voz foi alto, por que vejo que temos plateia, mas eu não me importo, quero acabar com isso logo, não dá mais pra esperar, não devia ter retribuído o beijo, muito menos pedido carona — Pedro me deixa tá? Volta pra sua vidinha de merda e me deixa em paz — falo dando meia volta, dois passos e ele me segura, estou pronta para surtar, espernear, mas sua boca encosta na minha.
Boto minhas mãos em seus cabelos instintivamente, ouço aplausos e uivas, mas não me importo, ele me puxa mais para perto, fico na ponta dos pés para poder beijá-lo melhor, seu beijo, diferente do outro, é desesperado, como se não aquentasse mais.
Minha cabeça está inundada pelas sensações que o beijo dele me faz sentir, calor, puxo para mais perto , então Pedro para de me beijar e encosta sua boca em minha testa e fala:
— senti saudades — consigo ver que seus olhos ainda estão fechados, então volto a realidade e lembro que estamos no meio do pátio!
Ai não! Não preciso nem olhar para os lados, para saber que estão cheios de alunos curiosos e professores intrigados.
— Senhora Lia e o senhor Pedro, me acompanhem até a secretaria.
Três dias de suspensão, e a culpa nem foi minha — Ok, mais ou menos -.
Foi tudo uma grande bagunça, sentamos, recebemos discursos de como afeto em público e principalmente em escolas, afeta o desenvolvimento dos outros alunos e blá,blá, blá.
Mas foi quando ligaram para a minha mãe que tudo foi por água abaixo, ela gritou, esperneou e dramatizou uma peça teatral inteira em menos de 12 minutos — recorde mundial — . Então a partir de hoje, sem computador, e internet limitada e tudo por causa do Pedro, que também levou suspensão, chamaram a mãe dele, óbvio, mas ela ficou tão feliz de ver que eu estava tão grande e bonita — palavras dela -, que acabou se esquecendo do verdadeiro propósito de ela estar na escola.
Isa está on-line
Lia.
[ Não vou poder ir no show ]
Isa.
[Por que ? ]
Lia.
[ Isso eu só posso te contar pessoalmente]
Isa.
[ Não, você não tem o direito de deixar a sua amiga que está agora doente curiosa ]
Lia.
[ Levanta a bunda dessa cama, e abre a porta, trouxe brigadeiro ]
Isa.
[ To indo... Mas nem vem achando que vai me comprar com brigadeiro ]
Falei para a minha mãe que a Isa estava doente e que precisava que eu fosse lá, ela não iria recusar, peguei o brigadeiro, e pedi que ela me levasse.
Falo tudo para ela, do banheiro, do beijo, da suspensão, ela presta atenção, mas quanto eu contava sobre o beijo, ela não parava de pular na cama — parecia uma coelha com pijama de gatinhos -.
Volto para casa e decido tomar uma ducha, entrando no banho meu celular vibra.
Pedro.
[ Lia... precisamos conversar]
POV On Isabelle
A aula de inglês continuou e as vezes pegava o debochado do Felipe me olhando, com aquela cara de debochado. Deu pra entender ne? Um menino debochado, debochando da própria vida!
Aula acabou, são 20:00 horas da noite, e eu que sou uma menina que prezo muito pela minha vida, prefiro ligar para me buscarem.
Caixa postal. Que droga! Será que vou ter que ir a pé? Tentei de novo. Para minha Irma.. mas caralho! O que deu na minha familia?
Já tava ficando preocupada, mais preocupado ainda, era Felipe, que tava logo ali, me olhando com cara intrigante e provavelmente se perguntando de onde saiu tanto palavrão em uma menina tão pequena como eu.
Bufei. Felipe se aproximou e logo já deu pra sentir o forte cheiro de perfume masculino, invadir meu espaço.
— Algum problema?. – ele falou.
Que perfume bom. Que perfume será que é? Amo perfume masculino, é tão bom.. tão.. cheiroso.. profun..
— Isabelle? – me chamou. Voltei pra realidade
— Oi? – falei, com aquele riso meio estranho na cara.
— Ta tudo bem? – ele disse.
— Oh... não muito, acho que fui esquecida aqui e ninguém atende o telefone. – falei olhando pro lado, obviamente fingindo que estou procurando algo, mas na verdade, procuro o nada!
— Vai a pé então. – ele falou
— Não! Não pretendo ser assaltada ou sequestrada na primeira esquina. – falei já ficando irritada.
— Ainda ta cedo. – que insistente ele.
Meu Deus! Ta querendo que eu seja estuprada. Já não fui com a cara dele.
— Beleza! – bufei. – ninguém se importa. Se eu for estuprada ou sequestrada ninguém vai se importar! – falei em sussurros, mas acho que ele ouviu, pois logo deu uma risada.
Sai andando sem nem me despedir, apenas acelerei. Parecia uma louca sem rumo, nem meus fones eu trouxe, ta um vento do caramba e essa rua ta deserta, não parece ser boa coisa ter vindo a pé. Mas calma Isa.. calma, logo logo chego... viva.
Ouço um carro se aproximar devagar. Meu Deus! Agora que eu vou ser sequestrada e ninguém nem vai saber o que aconteceu comigo. A pessoa abre o vidro. É Felipe.
— Quer carona? – ele diz.
— Não. – falei e continuei andando.
Ele continuou ao meu lado, ainda dentro do carro.
— Entra aqui logo, Isabelle. – ele diz já se preparando para descer do carro. Ele vai me sequestrar! Corro agora?
— Não vou entrar ai. – digo já me afastando dele. Meu deus, ele ta com uma cara de psicopata, socorro!
Ele vem se aproximando e ouço uma alta musica. Olho pro lado e de longe vem um grupo de garotos, mais ou menos uns 5 garotos, de capuz e muito estranhos, ouvindo funk, me olham de cima a baixo, dão um sorrisinho e seguem andando.
— Acho melhor eu entrar mesmo ne? – falei indo em direção ao carro. Ele ri e entra também.
O silencio reina o ambiente. Por um lado é bom, mas por outro nem tanto, pois só aumenta meus pensamentos.
Penso em abrir a boca, mas acho melhor ficar quieta. Chegamos. Logo de cara, tento sair o mais rápido possível daquele carro, ou pelo menos tentar acabar com aquele silencio que já estava me enlouquecendo. Começo a procurar a maçaneta (?) mas foi em vão.
— Espera ai. – ele fala quase me segurando pela mão. Paro e olho diretamente pra ele.
— fale. – eu disse.
— Vai ter um show.. semana que vem, e eu queria saber se você quer ir comigo.. – ele falou. Não sei por que, mas de algum modo, meu interior ta fazendo uma festa.
— Hum.. vou pensar e te digo. – falei. Logo ele pegou meu numero do celular. – ate mais. – falei abrindo a porta.
— Tudo bem.. ate mais. – ele diz. Saio do carro, mas logo volto, esqueci de algo..
— Obrigada pela carona. – ele sorri e acena com a cabeça.
Entro em casa e de repente surge minha tia no escuro. Caralho! Q susto.
— Por que não me ligou. – ela disse.
— Por que tu não atendeu o celular. – falei, com tom de ironia misturado com o obvio.
Sai meio irritada, entrando no quarto. Me lembro que tinha uma mensagem para responder..
— Olá. Estou bem, sim e você? – respondi indo para cozinha. Celular vibra.
— Tudo ok, como foi seu dia? – Isso ta estranho..
— Foi bom e o seu? – celular vibra novamente.
— Foi ótimo, fiquei um tempo observando uma menina ai. – será que essa menina, sou eu ?
— Que menina? – perguntei
— Você – ele disse. Meu coração parou. Se for o Mateus.. será que ele gosta de mim ?
— Quem é você? – resolvo perguntar. Espero um tempo... nada. Se passou 2 horas e nada dele responder, acho melhor eu ir dormir..
Tomo um banho, visto meu pijama e caio no sono.
O outro dia chegou rápido. Rápido demais. Acordei com dor de cabeça e nariz escorrendo. Só o que me faltava ficar doente logo agora. Abro o whatsapp, algumas mensagens, uma delas era de Felipe.. resolvi responder mais tarde. Respondi Laura com suas 27 mensagens, Lia com 2 e o povo do grupo que não calava nunca a boca.
Respondi todos. Eram 10:30 da manha. Putz, vou voltar a dormir. Acordei no meio da tarde. Parecia que eu estava pior, acho que estou doente, chamo minha tia:
— Andreiaaaaaaa – grito do quarto. Eu sou meio que acostumada desde de pequena a chamar ela pelo nome, não consigo chamar ela de tia. Ela aparece no quarto meio preocupada.
— Acho que eu to doente. – falei, ela se aproxima e toca no meu rosto.
— Ta quente. – ela disse. Eu ficar doente é uma tremenda preocupação, porque sempre tive bronquite, asma, tudo de ruim.
Algum tempo depois já estava devidamente medicada, resolvi ficar vegetando na cama, enquanto mexia no celular ou no computador. Decido então responder Felipe.
Felipe: Vai no show?
Eu: Não sei.. mas provavelmente, acho que melhoro ate sábado
Felipe: melhora... ?
Eu: sim.. to doente, mas logo melhoro
Felipe: ah.. sim, melhoras.
Falou colocando uma carinha fofa. Ta okay. Agora ele ta fofo, enlouqueceu de vez. Respondi com outra carinha. Celular vibra e surge uma nova notificação, é o garoto desconhecido que eu acho que deve ser Mateus.
— Quem sou eu? Você me conhece. – meu deus! Então é o Mateus.. ?
— Não.. não conheço, eu acho.. pensei que você é uma pessoa que conheço, mas não sei se estou tão certa disso.. –
Conversas foram indo, fluindo e quando percebo, parece que somos amigos de infância e já é de noite. Dou um adeus e durmo novamente.
Segunda feira chegou e eu ainda estava mal. Avisei a Lia que estava doente e que não iria tão cedo, avisei também do show que fui convidada por Felipe e ela ainda esta pensando se vai ou não.
Era de tarde e recebo mensagem de Lia, avisando que não vai poder ir no show comigo e Felipe, que droga, não queria ir somente com ele.. Queria uma explicação então recebi ela aqui em casa mesmo, acho que to meio na TPM, porque minha irritação por coisas banais ta gigantesca.
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