Between Friends

11 Capítulo 11


POV On Isa

Segunda feira chegou e se eu dissesse que demorei pra dormir, eu estaria mentindo descaradamente. Acho que o Lucas não me abalou tanto porque há semanas atrás eu olhava pra ele com cara de bunda e ele me olhava da mesma forma, não gostava dele, não gosto do amor, e não vai ser o Lucas ou algum menino por ai que vai mudar isso. Eu acho.
Vejo o amor de uma forma muito trágica, ele tem 3 fases:
1- A dúvida: Você encontra o cara, e ele parece ser o cara mais perfeito do mundo, trocam salivas por dias e então bate a duvida: Ele é mesmo pra mim?
2- a ilusão: Depois dele escrever coisas lindas, te dizer que nunca recebeu um beijo tão bom como o seu, você vai cair nos encantos dele, se apaixonar e minha filha, sinto muito te dizer mas você ta perdida!
3-O fim: ultima mas não menos.. Trágica. Você vai correr atrás, vai dizer eu te amo, vocês terão uma linda historia de amor, terão cachorros correndo pela casa mas... pera ai que nem tudo são flores. Ele vai te deixar, exatamente, vai te trocar por uma outrazinha e você vai chorar em posição fetal enquanto ouve Adele.
Ai estão as razões que eu não suporto o amor, ele te ilude, te faz sonhar alto até demais e depois te fere como facadas e pra se recuperar demora longos dias.
Mas continuando meu dia, me vesti, tomei um café que ficou meio bosta, acho que troquei o açúcar pelo sal e como minha tia já tinha saído, fui apenas com a companhia dos meus passos pra aquele lugar que chamamos de escola.
Cheguei na sala, meio ofegante por conta das escadas, me sentei e aguardei olhando os alunos entrarem e saírem da sala felizes, conversando. Nem falei com a Lia ontem, espero que ela venha hoje, porque ninguém merece ficar sozinha em duas aulas de matemática.
Digitei " bom dia!!" Pra ela, bloqueei o celular e quando olho pra frente.. Lucas, dou um longo suspiro e abaixo o olhar, não sei se estou fazendo o certo, mas como eu sempre faço: Não vou cair nos encantos dele, ele é mais galinha que as galinhas da minha fazenda, nem pensar Isabelle! Não ligo, não ligo e não ligo, to colocando isso na minha cabeça desde.. Semana passada.
Ainda com a cabeça abaixada digito rapidamente mensagens no celular, mensagens que não diziam nada com nada, só pra deixar claro que eu não me importo e que estou cagando pra aqueles lindos olhos azuis. Acho que ele pegou a indireta e saiu com uns outros meninos, Lia chega e a aula então começa pro meu desespero.
Depois de tantas regras de X, achar X, somar o X, eu penso em o que? Um enorme X-bacon, babo por isso. O recreio chega, depois de tantos olhares de Lucas, até que então ele percebe que não vai ser correspondido e resolve sair. Fico meio receosa em descer, mas eu queria taaanto comer que desço. Olho ao redor e me sinto naqueles filmes de ação em que precisa se esconder do bandido, no caso o Lucas é o bandido, que coisa bem.. Safada isso, nossa. Me aproximo da fila do lanche, caso eu não tenha citado, é lanche de graça, não acham mesmo que eu estaria numa fila enorme, fugindo de um bandido se fosse pago ne?! Dou um suspiro dos bons depois de chegar na fila e perceber que tudo aconteceu perfeitamente bem. Ainda meio insegura, me escondo na fila, esperando ansiosa pela minha vez. Era Ana Maria, aqueles de bolinhos de chocolate, mas aff, a mulher parece que olha pra minha cara e pensa " huuum, vou dar pra ela a pior parte do bolo, a bunda, onde não tem recheio, não tem emoção, não tem nada pra ver se ela entende que nem bolo recheado ela merece!". Ela olha pra mim.. E então eu olho pra ela.. E o que recebo? A BUNDA! Que merda!
— Não tem outro pedaço não? — pergunto ficando na ponta dos pés olhando pra dentro da pequena janela onde ela estava.
— não- ela responde seca. Encaro ela com aquela cara de " ta brincando?!".
— Eu acho que tem sim mas a senhora não quer me dar.. — falo ainda olhando pra aquele bolinho.
— Minha filha.. Tem pessoas atrás de você se ainda não percebeu, da pra pegar esse bolinho e sair? — ela disse, olho pro bolinho ainda receosa.
— Acho tão injusto.. Todo mundo ganha o meio do bolo, porque eu ganho a bunda?- eu falo séria.
— É o que tem aqui, agora da pra ir andando?- ela diz tentando me empurrar, enquanto entrega o bolinho pra próxima pessoa.
— Olha só!! Pra ele a senhora entregou um bonito, todo recheado e pra mim esse murcho que parece que o diabo sentou em cima!! Não quero! — falo batendo o pé e ouço uma risada atrás de mim, mas nem penso em olhar.
— Ta minha filha, tu quer a porcaria do bolo recheado? Toma! — ela pega o que estava na mão do menino e me entrega.
— não não não, quero um outro, ele já esfregou as mãos dele nesse bolo, eu sei la onde ele passou essas mãos antes — falo cruzando os braços.
Só sei que sinti duas mãos na minha cintura me puxando pra trás e me entregando um bolinho que parecia delicioso
Não penso duas vezes e pego o bolinho – calma gente!! Foi o bolinho que eu peguei ok? — dou uma mordida e suspiro ao sentir o gosto do chocolate e é nessa hora que resolvo olhar o rosto do menino. Paro de mastigar e arregalo os olhos, era o Lucas, e ele tava rindo por conta da minha quase parada cardíaca.
—ooi – dou aquele oi meio prolongado, e sim, continuo com a porcaria do bolinho na boca.
— Isa.. queria eu saber.. – Luiza chega já falando, o mais legal é que ela fala olhando pro Lucas, não pra mim.
— LUIZA!!! Que bom que tu chegou! Então.. o que você quer? — Falo demonstrando claramente desespero na minha voz.
— Ah.. eu queria te convidar pra passar o feriado na minha casa de campo, vai ser na quinta.. – Luiza disse olhando pra mim.
— Ai que ótimo!! – Lucas se intromete me dando um empurrão. – A gente vai! – ele fala dando um largo sorriso.
— A gente.. quem? — eu e Luiza falamos ao mesmo tempo.
— Eu.. Isa.. – meu coração para e Luiza fecha a cara.
— Ah mas eu tava convidando a Isa sabe.. – Luiza diz. ISSOO!! Me convidando, ME convidando, isso quer dizer que será um feriado sem Lucas!!!!!
Lucas fecha a cara no exato momento, enquanto eu estou dando saltos por dentro.
— sendo assim, eu vou sim! Depois a gente conversa melhor. – Digo quase abraçando ela.
— Por que eu não posso ir? — Lucas pergunta quase me segurando ao lado dele.
— Porque eu preferia que fosse algo entre amigos.. – Luiza diz olhando pra ele e logo em seguida, pra mim.
O sinal então bate, nem chego a me despedir, só quero sair logo dali, Lucas e Luiza não perceberam minha saída, eu acho, porque continuaram conversando.
Bateu pra sair e eu fui pra frente esperando pela chata da minha irmã me buscar de carro. Quando chego em casa, me deparo com uma cena. Minha tia servindo chás, bolos, cafés, uma cafeteria inteira pra um homem que eu desconheço e o mais trágico: ela estava toda arrumada, com seu novo vestido, ihhh, ai tem viu. O homem aparentava ter mais ou menos 50 anos, com cabelos grisalhos e olhos azuis, meu deus, olhos azuis me perseguem, usava uma camisa pollo.. no geral, ele era aqueles típicos caras que jogam golfe a tarde pra fugir das esposas.
— Isa!! – minha tia diz surpresa. – achei que você ia pra casa da tua colega hoje.. – ela diz claramente desesperada. Eu rio internamente.
— Oi..não..eu não vou — digo dando um pequeno sorriso, ele da um sorriso, sem mostrar os dentes, acho que era só pra ser simpático mesmo. – bom.. vou pro meu quarto – digo subindo as escadas.
Largo minha mochila no canto da parede e sigo em direção do quarto da minha Irma, nem bato, já vou entrando, o que causa um pequeno impacto nela.
— O que a tia ta fazendo com aquele cara? — eu digo tentando falar o mais baixo possível.
— AH, ele é um cara de um clube de golfe que ela participa – ela fala agindo naturalmente.
— Como assim? desde quando ela participa de.. clubes? — eu pergunto, demonstrando claramente duvida.
— Ahm.. desde a semana passada?! – Ela diz sem tirar os olhos do computador.
— Ah ta.. ok — falo e saio pro meu quarto. Pego meu celular, sinto um medo de acabar me dando de cara com uma mensagem do Lucas, mas não, era da Lia mesmo.
* Oi. Que historia é essa que tu vai pra casa de campo da Luiza?? — pelo jeito a noticia ta se espalhando
* To fugindo do Lucas!! — falo com um sorriso no rosto, ela não viu, mas chega a ser psicótico
*hum — ela responde, odeio quando ela faz isso.
* você vai ir? — resolvo puxar assunto.
* não! Tenho coisa melhor pra fazer do que passar um tempo com minha amiga Luiza. — ela diz, ah não, só o que faltava.
* AH NÃO! Você vai ir — digo desesperada.
* não vou não — aff
* ah vai.. Por mim — digo já preparando meu texto com chantagem emocional
* OK,vou te poupar do texto emocional lindo que você iria fazer pra mim — uhul!
* que bom! Pelo menos vamos passar um tempo juntas.
* Ta bem! Vou dormir... bjos — ela diz
* beijo
Largo o celular e pego o not, abro o face, tem um pedido de amizade.
~ Lucas Braga mandou pedido de amizade pra você ~
Puta merda! Fico relutante entre o botão de aceitar e recusar.. Meu dedo resvala em recusar, agora já foi! Resolvo abrir o perfil dele de novo, a foto dele é com um cachorro, muito bonito por sinal, não sei qual cachorro é mais bonito. Ai meu Deus, o que eu to pensando? Fecho o Facebook e desligo o computador, acho melhor eu dormir porque a coisa ta ficando feia.

POV On Lia

No domingo eu acordei e a Giovana já havia ido embora, o que me surpreendeu. Posso dizer que a noite foi boa, teve umas coisinhas bem desagradáveis, mas no geral a noite ocorreu as mil maravilhas.

Passei o dia inteiro assistindo series e filmes, com a função do colégio eu tinha me esquecido de como era bom só ficar em casa e relaxar. A noite minha mãe disse que tínhamos sido convidadas para um jantar do trabalho do pai e que teríamos que nos arrumar rápido por que começaria logo.

Não perco tempo e entro no banho, por mais que o banho tivesse maravilhoso, forcei o meu corpo a sair do banheiro e ir para o quarto me vestir, sento na cama e faço um novo curativo – só que dessa vez em vez da atadura enorme que minha mãe fez, eu me limitei a um band aid – passo uma maquiagem, seco e aliso os cabelos, escolho a roupa e estou pronta.

Minha família esta na sala só me esperando para que possamos sair. Entramos no carro, e eu fico no banco do meio... logico! Por sorte, quando chegamos para a casa do chefe do meu pai, minha roupa não esta muito amassada.

A casa é linda, moderna e coberta de grandes janelas de vidro, a casa é simplesmente um luxo. Passamos por um segurança para entrar, mas antes disso pode ver por uma das janelas um lindo e enorme lustre de cristal. Fiquei um pouco nervosa, estava com medo de errar alguma palavra ou até pegar o garfo errado no jantar e pior ainda acabar esbarando em alguém. Quando eu passo pela porta de entrada, a sala de três peças, esta decorada em cores de branco, dourado e madeira. Há uma mesa com mais de 12 lugares no meio do espaço e o lustre está no pendurado no centro dela.

Entramos e fomos direto cumprimentar o chefe do meu pai, que estava ao lado de sua mulher – que eu até me surpreendi ao ver que ela não tinha 20 e poucos anos, o que é esperado para um multimilionário, mas sim uma mulher mais velha, mais ou menos 30 a 40 anos e muito linda – e seu filho... NÃO! Era o garoto que eu derrubei na rua ontem! Eu paro, AH! Não pode ser! Por que essas merdas acontecem comigo¿ Minha mãe repara que eu estou ficando para trás e segura o meu braço de uma forma que os outros não notem.

Uma coisa que a minha mãe me ensinou muito bem, é como ter bons modos na casa dos outros, como eu devo sentar, comer, sorrir e cumprimentar as pessoas, então nessa parte eu não estava tão nervosa, mas cada vez que eu chegava mais perto da linda família do chefe do meu pai, mais eles pareciam ameaçadores e mais a casa parecia se fechar.

— Muito prazer Sr. Barcellos, meu nome é Lia! – cumprimento-o com um aperto de mão amigável – o prazer é todo meu Lia! – ele fala e eu dou um sorriso, por mais que ele pareça intimidador, na verdade é muito gentil.

Depois de cumprimentar a Sra. Barcellos, eu me dirijo ao garoto que eu derrubei, vejo que ele se apoia na perna boa, e me olha com seus olhos marrons esverdeados, tipo os da Isa, só que mais verde... Seus cabelos são loiros, a única coisa que quebra a figura de PlayBoyzinho de camisa e blaizer, é um piercing no canto do lábio... espera ai! Isso me parece familiar, mas não consigo ligar a nada além do acidente de bicicleta.

Me aproximo- tenho que olhar para cima, pois ele deve ser uns 10cm mais alto que eu — para dar um beijo em sua bochecha, mas acho que tivemos a mesma ideia, invés do beijo ser na bochecha, eu acabo dando um selinho nele, logo que percebemos o que esta acontecendo nós nos afastamos – OH Meu Deus! Desculpa! –olho para os lados, mas parece que ninguém percebeu o meu grave erro.

—Não foi nada – ele ri.

Eu riu com o nervosismo.

— Meu nome é Martin – O QUE? Minhas memorias voltam para o dia da festa da Isa, o garoto chamado Martin que puxou conversa comigo e a Luiza roubou de mim.

—Merda! – Eu falo sem querer, opa! Isso só piora!- desculpa! Tenho que ir.

Eu saio atrás de um banheiro, ou qualquer lugar que eu possa ficar sozinha. Bato na porta do banheiro e um homem grita que está ocupado, e pelo cheiro... parece que a comida não caiu muito bem.

Subo as escadas atrás de outro banheiro, o corredor é cheio de portas, sorteio uma e abro, uma sala enorme aparece e Ai! É um cinema! Sento em umas das poltronas de couro gigantes e me aconchego! Eu posso muito bem ficar aqui por um tempo, depois descer e dizer para a minha mãe que não estava passando muito bem... Perfeito!

Tiro os sapatos e relaxo e fecho os olhos! Penso em mandar uma mensagem para a Isa, mas ela deve estar provavelmente dormindo, por causa da enxaqueca da bebida, então eu começo a pensar no Martin, como eu pude não reconhece-lo!

Mas minha mente viajou e só conseguia pensar nos seus lábios e sem aquela camis...

Ouso uma batida e num pulo estou de pé, pronta para dar uma desculpa qualquer, como: eu estava tonta e tive que sentar um pouco ou estava com dor nos pés por causa dos sapatos.

Olho para a porta esperando ver minha mãe surtando atrás de mim, mas era o Martin, meu coração dispara, não sei por que, mas ao ver ele eu relaxei e me joguei na cadeira novamente.

—Desculpa! Eu só preciso de um segundo e já saio. – digo botando os meus sapatos.

— você tem que parar de pedir desculpas! – ele ri e é a mesma risada gostosa do dia da festa.

—Descul.. – começo a falar.

Eu levanto arrumando o vestido e passo por ele, seu perfume enche meus sentidos!

— Onde você vai? — ele pergunta como se eu não estivesse acabado de invadir uma das salas da casa dele.

— Eu vou lá pra baixo! – digo como se fosse algo obvio.

—Ah! Por favor não vai – ele faz cara de triste.

Tento conter o sorriso e cruzo os braços, meus pés estão realmente doloridos por causa do sapato, que provavelmente já me deu bolha nos pés. A dor que eu sinto vence o meu orgulho e eu ando ate uma das cadeiras, deixando uma vaga entre nós.

Penso no dia da festa, penso na Luiza roubando ele.

—Aproveitou a festa da Isa? — eu pergunto, estou nervosa e estou só esperando o momento de sair correndo pela porta.

Ele ri e levanta da sua cadeira e passa pra a do meu lado.

— Pois é, estava muito boa! – ele responde. – e aquela sua amiga... ela é fogo. – ele acrescenta lendo as perguntas que estavam na minha mente.

— Eu não sou amiga dela, mas que bom que aproveitou a festa – eu falo, tentando esconder o ciúmes que percorre o meu corpo, e por isso tento me afastar mais dele.

—Esta com medo de mim? — ele pergunta. Ele esta me desafiando e consigo ver isso nos seus olhos.

Ele se ajeita na cadeira, mas eu mantenho os braços cruzados logo abaixo dos seios e meus olhos na televisão enorme, que esta desligada, mas adoraria que ela estivesse ligada para eu poder dar uma desculpa pra não ouvir o Martin.

—oi? Medo de você? Não... – eu falo, agora analisando a sala, que era linda. Meus pés não estão mais me machucando, mas não estou prontos para enfiar aquelas sandálias de novo.

Não consigo resistir e olho para ele, e seus olhos passeiam pelo meu corpo, e voltam para encontrar os meus, e meu corpo queima – ta ficando calor né?! – eu penso.

—Tem certeza? — ele pergunta, enquanto passa a sua mão pela cintura do meu corpo, consigo sentir seus dedos longos pelo tecido me puxando mais para perto ,e então ele consegue que eu fique frente a frente, olho para seu piercing, ele é tão gostoso... Um arrepio percorre meu corpo e ele ri.

— O... obvio! Que tenho – minha voz aguda e tremula, nada que eu tinha desejado, mas a única coisa que eu me concentrava era sua boca, seu perfume.

— Então tudo bem se eu chegar mais perto... — Ele fala com os lábios a 2 centímetros dos meus, consigo sentir seu halito de champanhe roçando na minha pele, então sua lingua brinca com o piercing no canto da boca e meu corpo estremece . AI MEU DEUS! O que eu estou fazendo¿

—Eu...É... – Minha mente não consegue pensar em nada, meu coração esta acelerado e eu estou nervosa. Não posso ficar com ele, imagina se ele conta para o pai dele que a filha do seu empregado é uma puta que fica com caras pelos cantos e ele acabe perdendo o emprego, e por mais que eu já tenha me livrado do Pedro, o que ele fez me deixou insegura sobre tudo.

Depois que esses pequenos pensamentos passam pela cabeça, eu acordo do meu transe, nossos lábios quase se encostam, mas eu me afasto.

—Eu não posso ficar com você! – eu digo rapidamente e me solto de seus braços.

—Oi? — ele diz como se não entendesse – Claro que pode ficar comigo. – ele diz passando a mão pela minha cintura novamente.

—Me solta! – eu digo desvencilhando dos seus braços novamente, mas antes que ele possa fazer algo me levanto pego as minhas sandálias, quando acho a porta, olho para traz e Martin esta parado sem saber o que fazer, sem perder mais tempo abro a porta e saio.

Estou de pés descalços, ando pelo corredor abro varias portas até achar um banheiro, entro e tranco a porta, olho no espelho, e não vejo que não mudou muita coisa, a minha maquiagem ainda esta intacta, só o meu cabelo que esta um pouco despenteado, começo a pensar no que eu acabei de fazer, os pros e os contras, eu perdi de ficar com um cara muito gato e gostoso, mas isso podia ter consequências, provavelmente ele já deve ter feito isso com varias e não, obrigado, não quero estar na lista de mais ninguém, afasto esses pensamentos, arrumo e visto as sandálias, mesmo que meus pés estejam doendo, não posso descer sem sapatos – mesmo que eu queira.

Em quanto desço as escadas de mármore para o primeiro andar, tentando parecer normal, mesmo com a dor nos meus pés, que estão me matando, sinto o toque o Martin na minha cintura e no mesmo momento me arrepio.

—Lia onde você estava? — minha irmã me pergunta, quando eu chego no fim da escada.

—Eu não estava me sentindo bem, eu fui banheiro e fiquei lá um pouco até eu melhorar. – eu explico tentando parecer verdade, por mais que isso seja uma desculpa esfarrapada, parece que ela acredita.

-Bom... A mãe esta preocupada! Esta tudo bem agora, né?

—sim! Esta tudo bem agora. –eu olho para as escadas, para me certificar que o Martin não esta atrás de mim.

—Eu vou achar a mãe e ver se ela pode me levar para casa.

Depois de uma longa procura, eu acho a minha mãe e ela esta conversando com a Sra. Barcellos.

—Licença – eu falo tentando chamar a atenção educadamente da minha mãe.

—Mãe será que você poderia me levar para casa¿ — eu pergunto quando ela presta a atenção em mim.

—Por que Lia? Aconteceu alguma coisa¿ — os olhos dela esbanjam preocupação, sinto uma pontada de culpa por estar mentindo.

Não sei por que estou com tanta vergonha do Martin, talvez seja por que eu o seduzi e depois dei um fora nele, o filho do dono da festa, é talvez seja isso.

—Foi alguma coisa que você comeu aqui? — a Sra. Barcellos pergunta.

— Não! – eu falo rapidamente e penso em uma desculpa para me livrar disso logo – Eu estou com cólica – eu diminuo o som da minha voz.

—Oh! – minha mãe exclama – Tudo bem, eu vou te levar para casa em um instante, só espera um minutinho para eu me despedir de todos.

—Ok mãe, mas posso esperar no carro? — digo dando um sorriso torto.

Ela me entrega a chave e depois que eu me despeço da Sra. Barcellos, me dirijo ao carro, que ao sair da casa se encontra exatamente do outro lado da rua.

Quando eu entro no carro ligo o aquecedor, a noite esta ficando muito fria ultimamente, e me aconchego no banco do passageiro.

—Sr. não deve sair a essa hora... – alguém fala, mas não dou bola, deve ser algum convidado bêbado ou algo assim.

Quando fecho os olhos de novo, a porta do carro é aberta e o vento frio entra e me faz tremer. Martin senta no banco do motorista.

—MAS QUE MERDA! Sai do meu carro! – eu nem sei o que fazer, mas o que meu cérebro diz é se defender.

—Eu falei com sua mãe – OH NÃO! O que será que ele disse a ela¿ — e eu vou te levar em casa, já que ela esta entretida com os outros convidados.

—NÃO! – eu grito – EU NÃO QUERO! – eu percebo que estou gritando com o nervosismo – Eu posso muito bem dirigir.

—Lia para com isso! – ele fala calmamente.

—primeiro: como você sabe meu nome¿ e segundo: não me manda parar, merda. – eu estou cansada, esgotada e com raiva agora.

—Primeiro: sua mãe mencionou e segundo: desculpa – ele fala.

—Ok, agora sai do meu carro. – eu falo – se você não sair, eu saio.

Eu abro a porta, mas ele se espicha e passa por mim e a fecha.

—Lia deixa eu te levar pra casa – ele pede.

Notas finais
Voltamos!!! Espero que vocês gostem :3