A luz ofuscante e calorosa do sol invadiu a privacidade do quarto pela janela entreaberta. Aquilo, apesar da simplicidade, parecia surreal para mim. Como se ainda estivesse em profundo estado de sonolência e tudo não passasse de ilusão criada por uma mente fadigada e entorpecida. E a ausência de algo em especial indicou quão real tudo ali era. Eu temi averiguar a gravidade, ou sequer tocar. Uma faixa macia encobria o lado direito do meu rosto, indo desde a metade das bochechas à testa, dando uma sustentação para o curativo. A consequência de mais uma missão na busca interminável pelas Chaves, no qual já estava acostumada. Essa, no entanto, tinha sido a mais terrível pelo estrago causado; com um disparo de uma arma que destruiu quase metade do meu rosto e sobreviver é um feito e tanto. Encarei desinteressadamente o teto de cor creme do quarto, tentando ignorar o fato de ter somente um olho disponível. Tudo era estranho e irreconhecível para mim; um espaço amplo de cores suaves e bem decorado. Nada muito extravagante, ainda assim, bastante luxuoso. A última memória acessível era de ter desmaiado nos braços de Vergil, talvez ele tenha me levado aqui para receber os primeiros socorros com assistência da equipe de David. Sentia-me um pouco desorientada, meus pensamentos pipocavam freneticamente, e meu corpo pesava. Apesar da sensação de estar em dívida com algo ou alguém, nada no mundo tiraria minha tranquilidade, nem as dores. Com um longo suspiro, procurei uma posição confortável e esperei que o sono me conduzisse ao seu domínio.

Ouvi um ruído familiar e virei-me para a fonte dele, vendo Thanatos carregando uma bandeja cheia de utensílios médicos. Em passos metódicos, ela despejou a bandeja sobre a mesa e os organizou, ajeitando as luvas e fazendo misturas com substâncias que não pude identificar. Thanatos era uma grande especialista em diversos setores, tal como biologia e medicina. Junto com um grupo no qual liderava — mais voltado para campo de pesquisas — fazia diversos trabalhos e cuidava de nós caso precisássemos de auxílio médico imediato. Embora não fosse um medo, possuía um receio natural com qualquer coisa que lembrava hospitais. Thanatos sentou próxima a mim, segurando meu rosto e checando as condições do curativo. Sua mão gelada enviou arrepios por todo meu corpo, e instintivamente afastei-me dela. Ela não pareceu afetada com minha reação tampouco deixou de me examinar. Pacientemente Thanatos começou o processo de retirada da faixa, tendo minucioso cuidado para não provocar algum dano. O odor forte de remédio esmagou meu olfato, quase cedi a fúria do meu estômago e vomitei. O esforço para conter a ânsia drenou o que me restara de força. Thanatos lançou-me o típico olhar sério que só fazia quando havia algo muito errado. O que em geral resultava em desastre ou em novos problemas. A angústia tomou o lugar da repulsa e antes que pudesse sanar meus anseios, ela levantou-se e caminhou para a mesa, dessa vez não consegui ver o que ela fazia e também não fiz muita questão de saber.

— Estamos administrando diversos remédios para acelerar seu processo de cura — informou, mostrando uma seringa com líquido incolor. — No máximo conseguimos melhoras significativas pequenas, mas é o bastante por hora.

Ela limpou meu braço com um algodão com álcool, em seguida, aplicou o tal remédio em uma das minhas veias. O efeito dele iniciou-se poucos minutos depois, que a princípio era uma leve queimação. Thanatos ajudou-me a ficar parcialmente sentada, recostada em macios travesseiros. Estava um pouco mais alerta comparada com quando Thanatos entrou. Ela novamente foi até a mesa, pegou um copo de plástico branco com um canudo e entregou-me. Hesitante intercalei meu olhar entre o copo cujo o conteúdo permanecia um mistério e uma Thanatos muito distante. Queria decifrar a expressão dela e tentar entender o motivo de estar agindo de modo tão estranho. Sem oferecer resistência, simplesmente peguei o copo, remexendo-o para ter uma vaga dica do que seria. Um suco? Algum remédio controlado? Vinho? As opções eram infinitas e igualmente suspeitas.

Suguei o conteúdo com o canudo, com um ruído rouco e abafado, e me surpreendi com o gosto enferrujado e amargo. Tentei continuar o tormento de beber o restante, mas não era uma tarefa fácil. Toquei meus lábios onde senti escorrer algo quente e pegajoso.

— O que...? — grunhi horrorizada, e imediatamente removi a tampa para comprovar que não era minha imaginação: estavam mesmo me alimentado com sangue. Num ímpeto, um excesso de raiva, atirei o copo contra o chão. O impacto fez o líquido escarlate esguichar em diferentes direções, manchando tudo que estava em seu caminho. Thanatos observou em silêncio, sua postura rígida e altiva.

— Espero uma explicação para isso — exigi em tom ameaçador enquanto limpava o rastro de sangue da minha boca.

— Esse sangue ajudaria na sua recuperação, a propósito, era de Vergil — declarou solene.

— E como sangue me ajudaria? — rosnei na defensiva.

— É uma espécie de contrato feito entre Arya e Sparda, o sangue dele e de qualquer um de seus descendentes se tornaria uma propriedade curativa caso ela precisasse. — explicou, recolhendo o copo e olhando com ligeiro desdém o caos de sangue deixado ali.

— E não seria melhor ter me dito antes de me oferecer algo suspeito pra tomar?

— Se eu dissesse, você teria tomado? — retrucou com uma sobrancelha erguida em descaso.

— Claro que não! — afirmei veemente.

— De todo modo, aproveite para descansar. Mais tarde vejo como está.

— E Vergil? — questionei curiosa, o coração aos pulos.

Thanatos não se preocupou em esconder a risadinha meio capciosa.

— Ele vai ficar fora uns dias, mas logo estará de volta. Assim poderá aproveitar sua companhia — respondeu com deboche, um tom quase malicioso. Tratei de esconder da melhor maneira o vermelho que tingia meu rosto ao ouvir Thanatos mencionar meu relacionamento com Vergil com grau mais íntimo. Se o objetivo dela era deixar-me sem jeito, conseguiu realizá-lo com sucesso. Após o estranho momento, passei a tarde sozinha, debatendo comigo mesma sobre tudo que aconteceu, até finalmente cair a ficha: nada me unia a Vergil agora que reunimos as Chaves. Ele iria ganhar o que tão empenhadamente almejava e eu voltaria a minha monótona vida normal. E no final seria mais uma vaga lembrança para o mestiço, uma da qual, talvez, descarte. Não deveria me lamentar quanto a isso, estava claro desde o começo que terminaria com cada um seguindo seu rumo. Mas, ainda que fosse uma constante, uma ideia fixa e imutável, não pude evitar apegar-me a ele.

Levantei resignada, jogando para longe as cobertas que limitavam meus movimentos, andando direto para a penteadeira. Havia um pequeno curativo que protegia o ferimento e não permitia atrair olhares indesejados, o que me pouparia de ver o estado dele e acabar tendo uma surpresa desagradável. Entre uma infinidade de acessórios e utensílios para cabelo e maquiagem, se destacava uma tapa-olho do estilo filme de piratas. Fiquei uns minutos decidindo o que faria com ele, se o deixaram aqui, tinham um propósito específico. Olhei meu reflexo no espelho, vendo uma versão fantasmagórica de mim: duas fundas olheiras desenhavam-se sob meus olhos, meu cabelo desgrenhado e uma pele com a palidez mórbida de um cadáver. Precisei de um tempo para recuperar-me e absorver o que via. O ato de escovar o cabelo parecia um desafio impossível, então usei toda minha paciência para tornar esse tormento em algo bom e com o pensamento de que devo aparentar estar bem sempre, independente das circunstâncias. Finalizado o cabelo, por curiosidade coloquei o tapa-olho, posicionando-o adequadamente sobre meu olho danificado.

— Só falta Woodbury para cuidar, e logo seria a Governadora — brinquei ao comparar minha atual situação com o personagem de uma série que não assistia mais, e no qual nutria um amor e ódio. Entretanto, no início ter sido muito estranho, minha a imagem agora emanava poder. Talvez eu estivesse conciliando o tapa-olho com papel de autoridade. Não contive a risada. Isso melhorou meu humor, ainda que pouco. Resolvi que o usaria pelo período que meu olho estivesse se reestruturando, voltando a plena forma.

Os três dias que se seguiram foram bastante enfadonhos, eu ainda estava de observação intensa devido a gravidade do ferimento e fato de ter perdido o olho influenciava para relutância de Thanatos em me liberar, embora nesse ínterim tenha melhorado muito. Adaptei-me rapidamente em enxergar o mundo com somente um olho, não era ruim, mesmo que tenha sido uma luta para não me esquecer de não forçar o lado direito do meu rosto. Eu decidi deixar meu cabelo — que estava muito longo — uma franja que cobrisse as sequelas da missão. Analisando que, comparado com antes, meu olho estava em um estado melhor e o problema é reabituá-lo a funcionar. Afinal, foram dias sem usá-lo.

Passei grande parte do tempo ocupando-me com treinos repetidos de lições que Vergil mostrara certas ocasiões e tentando novos exercícios, revezando entre pausas para leitura — lendo recentemente um dos livros que compunham a série Guerra dos Tronos. Thanatos também queria ter certeza que eu gastava meu tempo com algo produtivo, e para garantir isso fazia com que eu a auxiliasse em determinadas pesquisas — o que foi muito mais interessante do que esperava. Apesar de ter passado longos meses nessa jornada com David e sua equipe, não sabia de muita coisa sobre seus integrantes inclusive do próprio David. Thanatos era a mais próxima que tinha para descobrir mais acerca das motivações de todos; ela não falava muito dos outros por que preferia manter a discrição — algo que dá pra relevar —, mas dizia de maneira mais aprofundada do trabalho deles, de como cuidavam para que nada de anormal prejudique o cotidiano tranquilo das pessoas. Realmente sentia mais empatia para com eles.

Dei uma última ajeitada no tapa-olho, em seguida, penteando uma parte do meu cabelo para ocultá-lo. Thanatos programou para irmos ver todas as Chaves antes delas partirem em um voo para a central, no qual era localizado o QG. Nunca tinha reparado nas Chaves, isso por que eles eram artefatos que não nos dedicávamos a decifrar. Era mais um trabalho sem envolver quaisquer pensamentos que não fossem acha-las e reuni-las. Bati de leve no vestido branco que escolhi para o dia. Tinha momentos que desfrutava tudo que acontecia como se fosse totalmente ignorante, sendo uma garota humana sem grandes preocupações. Até planejava meu retorno e como organizaria minha vida, sobretudo minha faculdade que tive que trancar as pressas e resolver assuntos pendentes com Lyana. Amarrei uma fita azul em meu cabelo e esperei Thanatos aparecer, o que não demorou muito.

O ambiente da casa de campo eram claros e abertos, por onde a brisa passeava livremente por toda parte, carregando um pouco o perfume suave e acolhedor da encosta. Fomos direto para a sala — carinhosamente apelidada por mim como — de demonstração, do estilo de lojas de joias: todas as Chaves expostas em suportes protegidas com vidro blindado. Satisfeita, olhei para todas desde a primeira Chave, Halo do Sol a última, Punhal da Dualidade. Havia um espaço vago que pertencia a única Chave que não conseguimos reaver e atualmente está na posse de Dante, o gêmeo de Vergil. Por alguma razão, contando com meu estarrecedor momento com ele — que espero nunca repetir, já que tenho a certeza dele ser o causador da minha amnésia —, não tenho nenhum tipo de simpatia por ele. Como se ele tivesse tudo que desprezo em uma pessoa, ainda que uma ínfima parcela de mim veja algo bom e estranhamente encantador nele. Implica o importante detalhe: ele era gêmeo de Vergil e isso me confundiu um pouco.

Suspirei meio desanimada.

Atravessamos meio mundo para poder nos orgulhar de mais uma recompensadora tarefa, porém, não teria Vergil para ver tudo que alcançamos juntos. De repente, alheia em minha linha de pensamentos, senti um arrepio correr por todo meu corpo. Em um sobressalto, meu devaneio foi quebrado e meu coração começou a bater fortemente contra meu peito, enquanto uma crescente avalanche devastava meu estômago em insegurança.

— Algum problema, Diva? — Thanatos perguntou, seu semblante preocupado.

Balancei a cabeça negativamente.

— Estou curiosa sobre uma coisa Thanatos — mudei de assunto, concentrando-me no que queria descobrir.

— Diga, talvez possa sanar sua curiosidade.

— Por que você se chama Thanatos? — indaguei, ela coçou o queixo como se pensasse em uma resposta apropriada. — Esse nome significa...

— Morte. Representada pelo deus grego portador da morte. — cortou e sorriu meio desolada. — Isso por que é justamente o que trago.

Dito isso, todas as plantas que decoravam a sala murcharam e morreram inesperadamente. Como se alguém tivesse adiantado o processo de morte delas.

Olhei para Thanatos e ela acenou positivamente.

— Eu posso matar qualquer coisa que eu quiser. Sendo um ser específico e tudo que contém vida, contanto que esteja no mesmo ambiente que eu. — ela olhou a luz vibrante que provinha da janela. Obviamente ela queria desviar desse assunto e senti que não deveria continuar. — Mas me proibi de sequer ousar ativar tal poder, não importa as circunstâncias.

— Desculpe-me se eu...

— Oh, não se preocupe, sua curiosidade é válida. Mas vamos tentar esquecer esses assuntos pesados e pensarmos em coisas boas.

Thanatos sorriu, e mecanicamente imitei o gesto. Prestei atenção nos mais minuciosos traços de cada Chave que apesar de estarem mais de dois séculos espalhadas pelo mundo mantinham a beleza intacta. Sorri ao lembrar que eles fariam bom uso daqueles objetos. Após termos visto as Chaves, fomos comer algo na varanda. O dia estava lindo para fazer qualquer atividade ao ar livre.

Pela primeira vez em tempos, eu realmente estava sendo humana.

***

Despertei com conversas sussurradas ecoando pelo silêncio de final de tarde. Olhei para o livro que permaneceu repousado em meu peito, eu tinha trazido-o justamente para ler e acabei dormindo. Fechei-o, depositando-o no criado mudo. Dei um preguiçoso bocejo e afugentei a sonolência, dando leves tapas em minhas bochechas. Dirigi-me em direção ao local no qual a conversa prosseguia, aparentemente bem séria. Uma das vozes reconheci como a de Vergil, a outra de Thanatos. Não pude ouvir muito bem, mas em meio a discussão identifiquei trechos avulsos "Localização", "Chave", "Irmão" e a que me abalou, pronunciada pela voz aveludada de Vergil um seguro "Partir sozinho". Engoli em seco. Girei em meus calcanhares e voltei correndo para o quarto, uma verdadeira bagunça armou-se, tão rápido e destruidor quanto um furacão, em minha mente. As palavras de Vergil se repetiam sem parar e quase sucumbi a vontade de chorar. Isso já era uma condição que não podia mudar, estava ciente dela desde o início, entretanto não a tornou menos dolorosa ou suportável. Sem poder deter, algumas lágrimas deslizaram pelas maçãs do meu rosto. Procurei pela caixa de música que Vergil me presenteara certa vez, levando-a para perto e desmoronando em meus sentimentos conflituosos.

Por que isso está acontecendo novamente? Por que ele tem que ir? Por que temos que nos separar?

Não entendi a razão de processar a partida de Vergil como algo que já ocorrera. Era difícil acreditar que tudo teve seu fim. Durante alguns intermináveis minutos de lamentos e lembranças, respirei fundo e resolvi, tomando coragem, enfrentar os sentimentos que destruíam-me por dentro. Lavei o rosto até estar apresentável, ou menos digna de pena. Tirei o tapa-olho, porém deixei o cabelo cobrindo-o mesmo que não fosse tão necessário visto que sua estrutura e aparência tinham voltado ao normal — o único fator imprevisto era a falta de foco e a super sensibilidade. Insegura, marchei para o andar de baixo, já que não encontrara Vergil nem Thanatos na sala de outrora.

Vergil estava organizando uma papelada e com a minha chegada, ergueu a cabeça por mero instinto e retomou seu trabalho. Caminhei calmamente até o piano que ficava no centro da sala. Ele parecia lustroso e tão mágico que todo meu corpo pedia para tocá-lo e prontamente atendia esse desejo, posicionei-me diante do piano: inicialmente indecisa, mas conforme sentia a leveza das teclas, arrisquei mais algumas notas.

Somente uma melodia vinha à mente enquanto conduzia as teclas: Aerith's Theme.

— Isso é novo. Não sabia que tocava piano — Vergil disse, tirando os óculos e fixando seus lindos olhos azuis em mim. Sua expressão era cansada, mas não possuíam a dureza e o jeito estoico de sempre.

Sorri.

— Existem muitas coisas sobre mim que ainda não sabe — respondi com delicadeza. Na verdade, nem eu mesma pude crer que tinha talento nato para piano, nunca tive aulas nem nada do gênero. — Espero não estar incomodando.

— De forma alguma — ele parecia sincero e menos evasivo. Havia uma aura séria e gentil pairando pelo ar. — É sempre um prazer ouvir uma boa e relaxante música para descansar em um dia ruim.

— Entendo. Muito trabalho, não é? — questionei, referindo-me a enorme carga de papeis e pastas presentes na mesa. Vergil mantinha tudo arrumado, entretanto, não dava para impedir um pouco de bagunça. — Quer ajuda?

— Não. Apenas toque. — por um minuto pensei que aquilo significasse que tivesse ofendido ele ou algo semelhante, porém quando vi um fino sorriso iluminando suas feições, soube que apesar das nossas diferenças, podíamos contar um com o outro. Vergil tem uma personalidade forte, daquelas que é difícil conviver, ele mantém certo nível de distancia e não faz o tipo falante, mas seus gestos são mais que suficientes para mostrar que não é uma fortaleza tão dura e impenetrável como demonstra.

Mudei a melodia.

— Você vai mesmo embora? — senti uma grande necessidade de saber, ter certeza de que não me enganara.

— A missão ainda não está concluída. Falta uma Chave. — Vergil entrelaçou os dedos e encarou o nada, seu olhar sereno transformou-se em pura frieza. A aura dele cresceu, por ela pude experimentar a raiva febril e o impulso de lutar, quase podia senti-la e saboreá-la pelo seu poder como se me pertencesse.

— Eu queria...

— Essa questão não tem nada relacionado a você, então sua ajuda não será necessária. É um problema que devo resolver sozinho, com meu irmão.

— Não há nada que eu possa fazer para interferir, só que... — resfoleguei, gritando mentalmente para me controlar. Não terminei a frase, temendo que não fosse capaz de expressar tudo que queria. Tudo que preocupei em fazer foi tocar harmonicamente no piano. — I know that you lied to me... Using gentle words to shatter me. Your words were like a dream. But dreams could never fool me... Its not right to me.

Permiti-me ser guiada pela música.


“I acted so distant then
Eu estou agindo tão distante agora
Turn my back as you walked away
Dei as costas, enquanto você ia embora.
But I was listening
Mas eu estava ouvindo...
That you'll fight your battles far from me
Que você lutaria suas batalhas longe de mim
It's not right to me
Não é certo para mim...

Vergil ficou em silêncio e com isso, mais destemida, impeli-me a persistir sem medo.


Don't you worry 'cause I come back
"Não se preocupe porque eu voltarei”.
I could hear you speaking that I should walk through that door
Eu pude ouvir você falar enquanto você ia para aquela porta
I act too strong to hide that pain when I turned back the pages
Eu me fiz de forte para esconder aquilo, então eu voltei às páginas.
Try might to read the answer
Chorando uma resposta vazia
Which adviced that my tears then paid to not too lately
E se eu soltasse as lágrimas e implorasse para você não ir embora?

Respirei fundo, ainda entretida.


But now, I'm not afraid
Mas agora eu não tenho medo
To do what's in my heart
De fazer o que está em meu coração


This thousand words
Estas mil palavras
have never been spoken
Nunca haviam sido ditas
So far away
Tão longe,
I'm sending it to wherever you are
Eu estou as enviando para onde quer que você esteja
Suspending on a shiny wings
Suspensas em asas brilhantes


This thousand words
Estas mil palavras
Have never been spoken
Nunca haviam sido ditas
They'll rage to you
Elas irão te prender
Make you know all through that you passed so far away
Fazê-lo nunca mais ousar parecer tão longe
And hold you forever
E segurá-lo para sempre...

Talvez fosse efeito de finalmente esvaziar a corrente turbulenta de emoções que transbordavam em meu interior, mas sentia-me plena e forte.


The dreaming isn't over yet
Aquele sonho ainda não acabou
I pretend and say that I can't forget
Eu posso fingir, e dizer que eu posso esquecer.
I still living in my date
Eu continuo viver minha vida
You've been to rid me on the way
Você estava lá comigo todo o caminho
It's not right of me
Não é certo de mim


Don't you worry 'cause I write to you
"Não se preocupe que eu escreverei para você"
I could see you speaking that I should moved away
Eu pude ver você falar enquanto você olhava para longe
I act too strong
Eu me fingi de forte
To hide that love
Para esconder aquele amor
When I turned back to pages
Então eu voltei às páginas
Then don't matter read the answer
Raiva poderia ter sido a resposta
But if I shook my head and say that I can't wait
Mas se seu fizesse 'não' com a cabeça e falasse que não podia esperar
And now I'm not afraid
Mas agora eu não tenho medo
To do what's in my heart
De fazer o que está em meu coração

Estava ciente que toda a atenção de Vergil se centrava em mim e não me importava, não naquele breve e prazeroso momento.


This thousand words
Estas mil palavras
Have never been spoken
Nunca haviam sido ditas
So far away
Tão longe,
I'm sending them to wherever you are
Estou as enviando para onde quer que você esteja
Suspending on a shiny wings
Suspensas em asas brilhantes
[...]
This thousand words
Estas mil palavras
Have never spoken
Nunca haviam sido ditas
Make you know all that If you are calling them
Fazem você nunca mais ouvir, sentir como se me chamasse.

— É só isso que tem a dizer? — Vergil disse em habitual frieza. — Que patético!

Bati nas teclas fazendo um som agudo e estridente ressoar. Vergil levantou-se pronto para sair e eu num ímpeto de raiva fiz menção de ir atrás dele.

— Eu posso não voltar mais — sussurrou, olhando-me por cima dos ombros. — Realmente não quero envolver você nisso. Deveria ter entendido minha posição desde o começo.

Vergil fez um muxoxo impaciente.

— Eu nem sei quem sou, não posso te dar o que quer — alegou. — Não estou dizendo adeus, Diva

— Eu sei o que você é agora, e é tudo que importa. — falei segura. — Eu sei que tudo isso é uma grande bobagem para você...

Coloquei-me frente a ele, para assim vê-lo cara a cara.

— Dessa vez eu vou mostrar o que eu quero, Diva.

Notas finais
Confesso que demorei, até deixei a conta e as estórias meio abandonadas, mas vou aproveitar e por elas em dia (Por que a segunda temporada já acabou :v) assim como responder os comentários u.u Até a próxima!