Notas iniciais
Essa história é um presente para a minha querida Ana (@queenofsly no tt), espero que você goste, anjinho!!

Eu sempre acreditei no amor. Meus pais se conheceram na escola, e no último ano, minha mãe se apaixonou pelo meu pai, que já era apaixonado por ela há dois anos. Eles se casaram quando estavam na faculdade, minha mãe na de medicina e meu pai na de jornalismo. Eles são almas-gêmeas, e crescendo, eu queria aquilo. Eu queria olhar para alguém como meu pai olhava para a minha mãe, eu queria um relacionamento como o dos meus pais.

Mas por muito tempo eu achei que não era para mim, que eu não existia para um relacionamento como aquele, talvez eu fosse como meu padrinho, cujo único relacionamento sério terminou quando a namorada dele, minha madrinha Marlene, se apaixonou por outra mulher, minha tia Dorcas. Então quando eu conheci ele, eu achei que era o meu momento de viver um relacionamento bonito. Cedric era um ano mais velho do que eu, o que tinha começado com brincadeiras no vestiário tinha se tornado jantares com as nossas famílias, encontros e beijos. Até que ele terminou comigo.

Eu sabia que ia acontecer eventualmente, na verdade. Ele ia para faculdade e eu ainda tinha mais um ano no ensino médio, e por mais que eu achasse, ou melhor, quisesse achar, que iríamos durar, nós não iríamos.

"Eu gosto de você, muito mesmo, mas não vai rolar," ele me disse no meu quarto, mãos nos bolsos do jeans, a droga do cabelo perfeito caindo na testa dele, "Eu não queria que acabasse assim.”

"Eu sei," eu murmurei, "Eu também não queria."

"Relacionamentos a distância não costumam durar."

Porra, eu queria dizer que ele não estava dando nem uma chance, porém mais uma vez eu não consegui falar nada, talvez eu estava com medo dele confirmar que eu não valia a pena a tentativa. Ou eu também não queria tentar.

Eu só fiquei quieto, sem nem olhar direto para ele, minha coleção de quadrinhos não me deixaria tão confuso como Cedric. Ele foi embora e eu me deitei na minha cama, meu celular na mesinha de cabeceira. Eu queria estender minha mão e ligar para alguém. Mione era a minha primeira opção, entretanto ela e Ron estavam viajando juntos, eles tinham decidido visitar o irmão do Ron, Bill, e a noiva dele, Fleur. Então, automaticamente, Ron também estava indisponível. Meus pais estavam trabalhando, assim como meu padrinho e meu tio Remus. Peguei-o e comecei a olhar meus contatos, eu não era próximo de nenhuma daquelas pessoas.

Assim que eu passei por George Weasley, um nome me chamou a atenção.

Ginny.

Ela definitivamente não iria me julgar por me sentir triste e aliviado ao mesmo tempo. Ela era a irmã mais nova do meu melhor amigo, nós tínhamos nos aproximando no último ano, quando ela entrou para o time de futebol feminino e o treino dela era depois do meu, e nós sempre conversávamos nesse intervalo de tempo, além dela almoçar comigo (e com Ron, Hermione, Luna — a ex-namorada e melhor amiga de Ginny — e às vezes, Neville, um amigo meu de infância e o melhor amigo de Ginny).

Entrei na conversa com ela e fiquei olhando para a tela. Depois de uns minutos, coloquei meu celular de volta na cabeceira e fiquei olhando para o teto. As estrelas que eu tinha pedido para o meu padrinho colocar lá quando eu era criança ainda estavam coladas, ele conhecia muito de astronomia, uma vez que todo mundo na família dele era nomeado por de uma estrela ou constelação. Era algo estúpido, mas eu gostava.

Ginny era uma boa amiga. Claro, ela não era Mione, porém eu gostava da companhia dela, ela era divertida, engraçada e sabia como animar qualquer pessoa.

Peguei o celular de novo, criando coragem de jogar meus problemas para cima dela, não para sobrecarregá-la, mas para aliviar o peso em cima de mim.

Respirando fundo, liguei, e depois de três toques ela atendeu.

"Hey, Harry!" ela parecia animada, eu tinha a sensação que ela estava sorrindo, ela estava sempre sorrindo.

"Hey, Gin..." eu falei alto o suficiente para ela escutar, mesmo a minha voz parecendo distante.

"'Tá tudo bem?" o sorriso dela parecia estar vacilando.

"Tem como a gente se encontrar?"

"Claro." eu ouvi barulho de tecido de movimentando do outro lado da linha. "Onde?"

"Você pode vir aqui em casa?"

"Chego aí em quinze," e ela desligou.

“Hey, Capitão!” Ginny gritou da porta de casa, eu ainda estava na cama, mas com um quadrinho de X-Men no colo, ela sabia que eu deixava uma chave debaixo do tapete para Ron e Mione então nem me preocupei de levantar.

“Na cama!” gritei de volta.

“Você ‘tá decente?” ela perguntou do outro lado da porta do meu quarto, num tom brincalhão.

“Eu estou vestido, entra aí,” ela abriu a porta num segundo e pulou na minha cama ao meu lado. “Oi, Gin,” joguei o quadrinho na minha mesinha de cabeceira, ao lado do meu celular.

“Oi, Harry,” ela estava com um short jeans surrado e uma camisa d’As Esquisitonas, a banda favorita dela, eu tinha começado a escutá-las três anos atrás por insistência da ruiva. O cabelo preso de qualquer jeito e o sorriso enorme dela “Como vai?”

“Eu e Cedric terminamos.” eu disse sem pensar. Era melhor assim, certo? Sem o drama ou fingir tristeza, tinha acabado.

“Que merda.” ela respondeu, fazendo um pequeno bico. Ela se virou na cama, olhando para o teto, o braço na testa, como se estivesse pensando no que falar.

“É estranho eu me sentir mais aliviado do que realmente triste por ter acabado?” me apoiei no meu antebraço, olhando diretamente para ela.

“Não sei, para falar a verdade” ela se virou para mim para ficarmos de frente um para o outro “meu último namoro foi com a minha melhor amiga e decidimos que ia ser melhor só ficarmos na amizade, não foi grande coisa.”

Ficamos nos olhando por uns segundos ou horas, não sabia ao certo. O cabelo dela já estava caindo pelo rosto e na fronha branca, ela me deu um pequeno sorriso de canto e sussurrou, se sentando.

“Vamos fazer algo.”

“Porquê?”

“Eu ‘tô vendo que você ‘tá pensando demais, você precisa de um descanso da sua cabeça, Potter.” ela deu de ombros, como se não fosse lá grande coisa, me levantei da cama, peguei meu celular e um post-it. Saí do quarto com ela atrás de mim.

“Espera um pouco que eu vou deixar um aviso para os meus pais” eu informei, entrando no escritório do meu pai para pegar uma caneta, escrevi “Saí com Gin, qualquer coisa é só me ligar. Amo vocês, H” e colei o bilhete na geladeira.

“Vamos, filhinho da mamãe” ela brincou.

“Se você fosse filha de Lily Evans-Potter você saberia que não podemos, em hipótese nenhuma deixá-la preocupada,” eu disse com o indicador levantado “A menos que você queira uma morte terrivelmente dolorosa.”

Ginny pegou minha mão levantada e disse num tom sarcástico:

“E a minha mãe é a pessoa mais calma e tranquila do mundo.”

“Bom ponto, ruiva.”

“Eu ‘tô de bike, mas podemos pegar um uber.” ela começou a me puxar para a porta da frente.

“Ou podemos pegar o carro do meu pai,” parei em frente a pequena mesa no hall de entrada “Minha mãe levou o meu pai hoje e vai buscá-lo depois.” ela assentiu e nós saímos pela porta.

“Eu dirijo.” ela pegou as chaves da minha mão.

“O carro é dos Potter. EU dirijo.” tentei pegar as chaves de volta, mas ela desviou, rindo.

“Você nem faz ideia de onde eu vou te levar…”

“Mais um motivo para eu dirigir,” me inclinei para cima dela, mesmo que ela fosse pouquíssimos centímetros mais baixa do que eu, se ela colocasse saltos pequenos ela já estaria da minha altura “Ai eu vou ter um pouco de controle.”

“Meu querido Harry,” ela continuava a desviar com as chaves na mão direita “A esse ponto você já deveria saber que eu mando.” e sorriu.

Tentei puxar seu braço para mantê-la imóvel, porém ela deu um tapa no meio da minha testa com a mão esquerda, e se aproveitando do meu desequilíbrio por causa do susto, correu para o lado direito do carro, para o banco do motorista.

“Filha da puta.” sibilei.

“Só por isso, da próxima vez que você for em casa, vou te impedir de comer os biscoitos da minha mãe.” ela fez uma cara convencida, ligando o carro.

“Em minha defesa,” comecei, indo para o banco do passageiro “em nenhum momento eu pensei na sua mãe para te xingar.”

Ela me deu o dedo do meio e começou a dirigir para fora da garagem

“Você sabe que, legalmente, você não pode dirigir, né?” eu perguntei. O aniversário de dezesseis anos dela tinha sido duas semanas antes, era preciso ter dezessete para obter carteira.

“Irrelevante” ela continuou dirigindo “Os gêmeos me ensinaram antes de se mudarem pro apartamento deles.”

“Então eu tenho que confiar nas aulas de Fred e George?” a preocupação começou a surgir, ela tirou a mão esquerda do volante, coloca essa porra de volta no lugar, e colocou no meu joelho.

“Harry, a ideia era você relaxar um pouco…”

“Vou ficar tranquilo quando você colocar as mãos no volante, Weasley.” ela colocou “E onde estamos indo, afinal de contas?”

“É uma surpresa.”

“Como eu vou relaxar?”

Ela tirou uma mão e pegou o celular, desbloqueou com a digital e me deu.

“Coloque alguma música.”

Entrei no Spotify dela, eu já conhecia as playlists dela, uma vez que nós seguíamos um ao outro em toda plataforma possível. Coloquei a minha favorita — blame on the weekend — curiosamente, também era a playlist favorita da Gin, pelo menos era a que ela mais escuta.

Conectei com o rádio do carro e a voz de FINNEAS começou a sair pelos alto falantes. Ela não demorou dois segundos antes de começar a cantar junto.

“Let’s fall in love for the night

And forget in the mornin’”

Ela me cutucou nas costelas, me chamando para cantar junto.

“Play me a song that you like

You can bet I’ll know every line”

Comecei a acompanhar, nós dois estávamos desafinados, mas era divertido. Ela olhava para rua, atenta a cada curva ou entrada, e não perdia uma palavra da música. A voz dela preenchia todo o carro, quase tão alta como a de FINNEAS. Ela nem notou quando eu fechei os olhos e encostei a cabeça na janela, ouvindo a diversão dela. Não consegui esconder um sorriso, entretanto.

O jeito que ela brincava com a voz quando cantava “I love it when you talk that nerdy shit” e as rimas seguintes, abri os olhos para assisti-la, ela se inclinava para frente, sentindo a música, balançando os ombros e fazendo caretas.

Quando a música acabou e ela sorriu.

“Se sentindo melhor?”

“Eu não estava triste,” dei de ombros “Só confuso e querendo conversar.”

“Não que eu esteja reclamando,” ela disse enquanto Thinkin Bout You do Frank Ocean começou a tocar “Eu gosto de passar o tempo com você, mas, de todas as pessoas, o que te fez me ligar?”

“É tão impossível acreditar que eu gosto da sua companhia?” brinquei.

“Harry.” ela tirou os olhos da estrada e me olhou como se eu fosse uma câmera de The Office, e voltou a olhar para frente, balançando a cabeça de um lado para o outro. O sol já começava a se pôr, o que era um pouco anormal, o sol só se punha às oito e meia da noite no final de agosto, e não eram nem sete horas.

“Eu gosto da sua companhia,” repeti “E quis te ver.”

“Você sabe que meu irmão e a Mione estão a uma ligação de distância, certo?”

“Sim,” confirmei “E mesmo assim, eu quis conversar com você.”

Ela assentiu ainda meio contrariada.

“Eu te adoro, Ginny.” dei um pequeno aperto no joelho dela. “Nunca duvide disso.”

Ela colocou a mão em cima da minha e ficamos ouvindo Frank cantar sobre como ele não tinha superado um ex, que tinha superado e não sentia as mesmas coisas, e, por mais que eu adorasse essa música, eu não sentia nada em relação a ela. Eu não me sentia na posição em que o eu lírico estava. Eu não estava sofrendo.

“Chegamos,” Ginny disse, desligando o carro depois de um tempo. Estávamos estacionados em frente a uma casa branca de dois andares e um jardim bonito. Era afastado do centro de Londres, mas ainda era meio movimentado, música alta vinha do fundo da casa, imaginei que tivesse uma piscina ou algo do tipo.

“Onde estamos?” perguntei curioso.

“Essa é a casa dos Creevey”

“Do Colin?” Colin Creevey era um garoto da turma da Gin que era fã do meu pai — não que isso fosse estranho, meu pai era um dos principais jornalistas esportivos da atualidade, ele não quis ir jogar profissionalmente para não ter que se afastar da minha mãe -, e quase que minha sombra.

“Sim…” ela encolheu os ombros “Nós não precisamos ficar muito tempo, é só que eu prometi ‘pro Colin que eu ia vir.” Ela saiu do carro e eu fui atrás dela, quando chegamos na porta ela pegou a minha mão e me puxou para perto, “é uma festa na piscina.” e tocou a campainha.

A porta abriu e Colin me encarou.

“Harry, hm… Oi!”

“Hey, Colin.” levantei minha mão para dar um high five, ele se atrapalhou um pouco com a lata de cerveja na mão até que conseguiu bater em minha mão. Ginny entrou na casa e deu um meio abraço em Colin. Ele nos disse para irmos ao fundo da casa e apontou para um bar improvisado ao lado da churrasqueira, indicando que lá iríamos encontrar bebida e comida, e saiu correndo, como se estivesse com medo de mim.

“Tadinho,” Gin murmurou.

“Como?”

“Ele fica todo nervoso ao seu redor.” ela gesticulou.

“Se eu me lembro bem,” apoiei meu queixo em minha mão, “A senhorita ficou extremamente vermelha da primeira vez que eu fui na sua casa…”

Ela me deu um empurrão e foi para o bar, as pessoas a cumprimentavam animadas, era como se ela fosse o Sol e as pessoas fossem corpos de sua órbita, simplesmente atraídos por ela de uma forma natural. E ela respondia com igual entusiasmo, ela era de longe uma das pessoas mais populares e queridas de Hogwarts, e era impossível não gostar dela.

Fui pegar uma bebida e a abracei de lado, sussurrei um pedido de desculpas no ouvido dela, que simplesmente colocou o braço envolta da minha cintura. Pegamos uma cerveja cada e fomos bebendo juntos, ainda colados.

Começou a tocar uma música mais animada, demorei para reconhecer que eram Migos, mas nesse meio tempo, Romilda Vane puxou Ginny pelo braço para dançarem. Ginny olhou para ela com uma cara estranha, Vane sussurrou algo no ouvido de Gin e as duas começaram a dançar juntas. Meu celular vibrou no bolso, uma mensagem da minha mãe:

Se divirta, querido! — 7:26PM

Coloquei minha bebida de lado e olhei para Ginny e Romilda, eu queria estar dançando com Ginny no lugar da Vane, ela estava ali para passar um tempo comigo, certo? Ela e Vane nem eram amigas ou qualquer coisa do tipo. Me levantei e fui até elas, puxando Ginny para perto de mim, ela sorriu e colocou os braços nos meus ombros, nós dançamos grudados, Vane só saiu andando.

“Cansado de ficar sentado?” ela perguntou no meu ouvido. Confirmei, balançando os quadris dela com as minhas mãos, ficamos ali sem falar nada, dançando e olhando nos olhos um do outro.

Umas três músicas depois, ela pegou uma garrafa de Tequila e nós nos sentamos numa espreguiçadeira mais afastada das pessoas. Nós ficamos em silêncio, dividindo a garrafa, Lavender Brown, ex do meu melhor amigo Ron, estava com Padma Patil e Romilda, as três conversavam olhando para nós dois, como se fôssemos mais interessantes do que qualquer outra coisa na festa, mesmo que estivesse acontecendo uma competição de bebida entre Zabini, que era conhecido por nunca perder uma competição de bebida, e McLaggen, um dos caras mais competitivos que eu já conheci.

Ginny se inclinou até estar com metade do corpo apoiado no meu, nós dois deitados, coloquei a garrafa de lado e a abracei.

“Você sabe,” comecei, ela levantou a cabeça, apoiando o queixo no meu peito “uma vez, Mione me disse que apenas quando você está confortável com a companhia de alguém o silêncio é confortável, como se você não precisasse da aprovação dessa outra pessoa, ou apenas a conhecesse bem o suficiente para não precisar falar o tempo todo.”

Ela me olhou confusa.

“Eu fico feliz que o silêncio com você é confortável.” expliquei, fechando os olhos e colocando a cabeça na espreguiçadeira.

“Eu também.” ela disse antes de deitar a cabeça em mim de novo. As pessoas, a música a nossa volta, poderiam simplesmente desaparecer e não mudaria nada, a única coisa que importava ali era o coração de Ginny batendo contra o meu peito, a cabeça dela abaixo do meu queixo, o cheiro florido dela entrando diretamente no meu nariz.

Eu precisava dela. Era interessante como eu simplesmente fluía no ritmo dela, o tom que ela definia, eu seguia. Como o corpo dela, colado ao meu da cabeça aos pés, me acalmava. Eu não tinha nenhuma preocupação, ela era alguém que eu queria por perto em qualquer situação.

Ela era gentil e divertida, engraçada, cheirosa, linda. Abri os olhos rapidamente.

Linda?

Apertei a mão dela, chamando sua atenção.

“Hey, GIn…”

“Sim, Harry.”

“Vamos para casa agora, por favor?” ela parecia preocupada comigo.

“O que houve?” ela colocou as mãos no meu rosto, me segurando no lugar “Você não bebeu muito…”

“Eu só estou meio cansado.” ela assentiu e nós fomos para o carro, nem briguei pelo volante, eu não sentia que estava com a cabeça no lugar para dirigir. Eu nem vi quando a gente chegou na minha casa, e Ginny precisou estalar os dedos no meu rosto para me “acordar”.

“Quer que eu te leve para dentro?”

“Não precisa.” eu disse meio seco.

“Tem certeza? Você não parece muito bem....” ela se inclinou para mim, tentando segurar meu rosto novamente e me avaliar.

“Eu estou bem, porra.” gritei. Ela se afastou, como se eu tivesse batido nela. “Eu só…”

“Só o quê, Potter?” ela me perguntou fria. Bati a cabeça no encosto do carro, praguejando. Olhei para ela, que estava com as mãos nas coxas nuas, me olhando com uma sobrancelha arqueada.

Podia ser a garrafa de tequila que nós esvaziamos juntos, mas eu me inclinei para ela, puxando-a para perto. E colei nossos lábios.

De primeira, ela ficou parada, surpresa. Eventualmente, ela retribuiu. Coloquei minha mão na nuca dela e a outra em sua bochecha, ela colocou uma mão no meu cabelo e a outra no meu ombro, quando eu vi ela já tinha saltado o câmbio e estava sentada no meu colo.

“Gin…” sussurrei entre os beijos. E foi aí que ela se separou, com os olhos arregalados.

“Merda.” ela pulou do meu colo e saiu do carro.

“Ginny?” saí do carro atrás dela, ela foi até a bicicleta dela que estava jogada ao lado da porta. “Gin…?” ela pegou a bicicleta, montando sem olhar para mim. “Ginny.” chamei mais uma vez.

“Tchau, Harry.” e começou a pedalar, e mais rápido do que eu consegui acompanhar, ela já estava virando a esquina, indo embora.

“Porra!” gritei, passando a mão no cabelo. Voltei para o carro para pegar as chaves, fechei o carro e entrei em casa. Meus pais estavam na sala, assistindo Sherlock, uma das séries favoritas da minha mãe.

“Harry,” meu pai chamou “Achei que você ia ficar fora até mais tarde.”

Coloquei a chave na mesinha e falei para meu pai:

“Eu estou com sono.” e subi, meus pais em silêncio. Quando eu já estava na cama, meu pai bateu na porta. Mandei uma mensagem para Ginny, pedindo para conversar.

“Hey, filho,” e bateu novamente, ainda não respondi. “Está tudo bem?” continuei olhando para o teto. “Harry James Potter, me responda.”

“Eu estou bem.”

“Você mente tão bem quanto a sua mãe, garoto. Eu sinto a mentira mesmo com a porta fechada.” virei na cama, olhando as notificações no meu celular — nada de Gin, mas tinha uma mensagem de Mione -. Mione tinha mandado uma selfie com Ron, Bill e Fleur. Ela estava com o cabelo preso num rabo de cavalo alto e a pele escura dela brilhava por causa do sol, Ron e Bill estavam os mesmo, exceto o cabelo de Bill que quase chegava nos ombros. Fleur, como sempre, estava linda, e o sorriso que ela e Bill trocavam era ainda mais bonito.

Meu pai, provavelmente cansado de ser ignorado, abriu a porta.

“Sua mãe pediu para eu te dar espaço, mas eu preciso saber…” olhei para ele, largando meu celular na mesinha de cabeceira, “O que houve?”

“Cedric terminou comigo.”

“Oh...” ele se sentou na minha cama “Quer conversar sobre? Eu sou ótimo em ouvir xingamentos, afinal eu cresci com o seu padrinho, seu tio e com a sua mãe.”

“Não é por isso que eu estou me sentindo uma merda.”

“Então…?”

“Eu beijei a Ginny.” coloquei as mãos no rosto e bufei, “E ela retribuiu, antes de sair correndo.”

Ele ficou quieto por um tempo. Colocou a mão no meu pé e se levantou, falando:

“Tente conversar com ela na segunda, quando as aulas voltarem.” tirei as minhas mãos da frente e encarei o meu pai, contrariado. “Deixe esse fim de semana para vocês dois pensarem, ela provavelmente está muito confusa, vocês dois precisam pensar no que dizer e converse com ela. Diálogo resolve essas situações.”

“E se ela não quiser conversar comigo?”

“Escreva uma mensagem, carta ou qualquer coisa do tipo, tente mostrar o que se passa na sua cabeça.” me virei para colocar o meu celular para carregar. “E só para constar, eu sempre gostei mais dela do que do Cedric.”

“Boa noite, pai.” joguei a coberta por cima da minha cabeça.

“Boa noite, filho.” e ouvi a porta se fechar.

“Você é grandíssimo idiota.”

Essa foi a primeira coisa que eu ouvi Hermione falar naquela segunda-feira. Eu tinha contado para ela do beijo seguido de fuga de sexta, e ela estava com o queixo caído e me julgava com os olhos.

“Eu sei.” concordei. Depois de seis anos de amizade, eu sabia que o melhor que eu poderia fazer era não contrariar Hermione Granger, a única pessoa que o fazia era Ron, só que ele se divertia discutindo com Mione, era algum tipo de preliminar estranha dos dois.

Ele estava atrasado, o que era até melhor, considerando que eu estava falando de beijar a irmã mais nova dele, eu sabia que ele ia ficar irritado comigo.

“Vocês conversaram?” ela apertava a lombada do enorme livro que ela tinha nas mãos, “Depois?”

“Não,” apoiei os cotovelos nas coxas e coloquei minha cabeça entre minhas mãos “ela não respondeu nenhuma das minhas quinze mensagens.”

“Mas o que te fez beijá-la?”

“Sinceramente? Eu não faço ideia.” Mione me bateu com o livro na cabeça. “Ai!” gritei, “Simplesmente aconteceu, ok?”

“Ok?” ela repetiu, zombando. “Não. Por Merlin, Harry.” ela respirou fundo, “A Ginny gosta de você há anos, e você usou a garota como tapa-buraco.” Levantei a cabeça, olhando para ela indignado.

“Como?” perguntei.

“Sim,” ela começou a explicar como se eu fosse uma criança, “Você e Cedric namoraram por, sei lá, dez meses? E nem duas horas depois, você chama a Ginny e fica com ela? Honestamente, eu desisto de você.”

“Eu não pensei nele enquanto eu fazia o que eu fiz, Mione.”

“E no quê você pensou, Harry James Potter? Se você não se importa de esclarecer para mim.” ela estava irritada.

“Nela.” joguei a cabeça para trás, “Apenas nela.”, coloquei a mão na minha testa e murmurei: ”Porque tudo tem que ser tão difícil?”

“O que é tão difícil?” Ron perguntou, chegando no banco em que estávamos sentados, ele se inclinou e deu um pequeno beijo na cabeça de Mione e olhou para mim, a espera de uma resposta.

“Acordar cedo depois de meses de férias.” menti.

“Nem me fale,” ele assentiu “Só de pensar que eu vou ter que acordar cedo o suficiente para o Snape às oito da manhã pelos próximos meses, eu já quero morrer.” Mione se levantou sem olhar para mim, ficou na ponta dos pés e deu um beijo no rosto de Ron.

“Nós vamos sobreviver.” e entrou na escola. Ele olhou para ela e depois para mim.

“O que está acontecendo com as garotas agora?”

“Como assim?”

“Quando eu cheguei em casa ontem, Ginny estava trancada no quarto, minha mãe me disse que ela estava lá desde sexta a noite, e agora Mione nem conversa direito comigo…”

Merda.

“Acho que vai passar.” falei indo pelo caminho que Hermione fez, “Vamos, antes que o Snape arranje algum motivo para nos punir por respirar.”

Na hora do almoço, quatro aulas depois, Ginny passou direto pela minha mesa, em direção a Neville e Luna, sem olhar para mim. Peguei meu celular e digitei mais uma mensagem para ela:

Por favor, vamos conversar, Gin— 12:27 PM

Ela olhou para a tela, depois para mim e colocou o celular na mesa, ao lado de sua comida.

Ginny — 12:28 PM

Eu quero esclarecer tudo — 12:28 PM

Se você quiser continuar me ignorando depois, eu me afasto — 12:28 PM

Mas POR FAVOR vamos conversar — 12:28 PM

Ela olhou a tela novamente, dessa vez com Luna falando alguma coisa para ela, Neville parecia alheio com um livro na mesa, provavelmente algo relacionado a plantas, ele tinha talento com botânica, todo mundo sabia. Ginny e Luna trocaram mais umas palavras antes de Ginny digitar alguma coisa. Olhei para a minha tela, ansioso.

Se você aparecer hoje a noite na minha casa, as chances de eu te mandar embora não são tão altas.— 12:31 PM

Sorri para a tela, disfarcei para tirar uma foto minha sorrindo e escrevi “Mal posso esperar”. Ela revirou os olhos e continuou a conversar com Luna, mas dessa vez Neville também falava.

Algumas horas mais tarde, eu estava no meu quarto, lendo um texto que a Professora McGonagall tinha mandado para a aula do dia seguinte, ela nem se importava que era o primeiro dia de aula, quando alguém bateu na porta.

“Entra!” gritei, colocando o texto na minha escrivaninha e me virando na cadeira. “O que você está fazendo aqui?”

Cedric. Cedric Diggory, com um roupas de treino, ele provavelmente estava na academia, as aulas dele começavam só na metade do mês, então não era como se ele tivesse que se preocupar com estudos.

“Sua mãe me deixou entrar.” ele apontou para a porta, “Ela disse a mesma coisa.”

“E o quê você respondeu?” perguntei, irônico.

“Que eu precisava falar com você.”

“Rápido, que eu tenho coisas para fazer.”

“E é claro que você está ocupado.” ele debochou.

“Só fala, Cedric.” disse cansado.

“Ginny Weasley?” ele fez uma expressão de falsa surpresa. Inclinei a cabeça para o lado, confuso. Como ele sabia? “Malfoy estava na casa do Creevey na sexta.” ele explicou, “Nem esperou as aulas começarem para me trocar, Harry?” revirei os olhos.

“Você que terminou comigo.”

“Há quanto tempo?” ele fechou a cara.

“Quanto tempo…?”

“Você e a Ginny.”

“Nunca.”

“Ah, por favor.” ele falou em descrença, “Eu vi como ela te olhava, antes mesmo da gente começar a ficar.” ele cruzou os braços, “E esse ano, de repente, vocês dois ficam grudados na escola, como se ela tivesse se juntado ao triozinho maravilha que você faz com Ron e Hermione. É suposto eu acreditar que nunca aconteceu nada entre vocês?”

“Inacreditável.” falei, olhando para cima, irritado. “Eu nunca menti para você, nunca.”, ele riu. “Eu sempre fui verdadeiro e real.”, minhas mãos tremiam “Sabe o que eu senti quando a gente terminou, três dias atrás? Vou ser honesto com você, acredite se você quiser. Eu fiquei aliviado.”

Ele deu um passo para trás.

“Eu passei os últimos dez meses tentando chegar ao seu nível, do amado Cedric Diggory. Tentando ser o melhor possível, mas foi exaustivo. Eu já não estava apaixonado por você. Eu não preciso de você, eu não preciso desse relacionamento.”

“Você está dizendo que eu fui um merda?” ele parecia indignado.

“Não.” puxei meu cabelo, “Eu estou falando que eu não estava apaixonado por você e que eu fui fiel. Eu fiz de tudo por você, mais por já estar com você do que por querer estar com você.”

Levantei da minha cadeira e andei até ele.

“Eu estou vivendo a minha vida. Eu estou com as minhas preocupações, meus problemas, eu estou lidando com toda a minha merda.” apontei para ele “Então não venha você me dizer que eu estou fazendo algo errado, ou me acusar de algo que eu não fiz. Sinceramente, vá cuidar da sua vida e me deixe em paz, porra.”

“Eu não quero que isso acabe com você me odiando.” ele murmurou.

“Então não viesse falar merda para mim.”

“Eu queria esclarecer as coisas.”

“Tudo já está esclarecido.” cruzei os braços. Ele se virou para a porta, colocou a mão no batente e olhou para mim.

“Só para você saber, eu estava apaixonado por você.”

“Eu também estava, no começo.” ele assentiu e saiu do quarto. “Filho da puta.” murmurei antes de me jogar na cama.

“Harry, querido.” ouvi a voz da minha mãe me chamando. “Posso entrar?” virei minha cabeça para estar olhando para a porta, ela estava com o cabelo ruivo — bem mais avermelhado do que os Weasleys, que tinham um cabelo mais alaranjado — preso num rabo de cavalo, vestia um vestido leve de verão e estava descalça. Ela se deitou na minha cama, ao meu lado. “Tudo bem?”

“Não.” fechei os olhos, “Meu namoro foi uma droga, Ginny me ignorou por dias, eu menti pro Ron e a Mione está brava comigo.” Minha mãe colocou a mão no meu cabelo e fez um carinho ameno.

“Desenvolva.” abri os olhos, ela estava me encarando com uma expressão preocupada, os olhos dela, iguais aos meus, não desgrudavam de mim.

“Mione me chamou de idiota e não falou comigo direito o dia todo. Omiti para o Ron que eu tenho interesse na irmã dele. Ginny não falou comigo por dias depois que eu a beijei na sexta. Eu forcei um namoro por dez meses com um cara que eu nem gostava tanto porque eu queria um relacionamento.”

“Vamos por partes,” ela se virou para mim, “Você forçou um namoro? Como assim?”

“No começo, eu estava apaixonado por ele.”expliquei, “Depois de um tempo, eu notei que eu não queria muito aquilo.”

“Então o que te fez continuar?”

“Eu queria um namoro, eu queria me sentir como você e o pai se sentem.”

“Ah, querido,” ela me puxou para perto, “Eu tive uma sorte incrível do seu pai aparecer, e nós nos amamos, mas não é só isso que sustenta um relacionamento. É preciso esforço de ambas as partes.”

“Por isso que eu achei que se eu me esforçasse, eventualmente eu teria com ele o que você tem com o pai.” contei.

“Às vezes nós não enxergamos quem realmente é digno do nosso esforço, e nos desgastamos por pessoas que não valem a pena, é preciso um chacoalhão para entendermos.” ela levantou meu queixo para fixar o meu olhar nela, “Eu me esforcei por umas pessoas que não valiam a pena durante a maior parte da minha vida, mas eu achei que eu precisava.”

“Quem?” perguntei, curioso. Minha mãe sempre estava disposta a conversar, porém ela não costumava falar dos próprios problemas, uma vez meu tio Remus me disse que ela via bondade em todos, mesmo que a pessoa não visse, e por isso ela gastava mais tempo ajudando os outros do que se importando consigo mesma.

“Minha irmã, sua tia Petúnia” eu não conhecia muito bem a tia Petúnia, eu só tinha visto-a algumas vezes em eventos que meus avós maternos obrigavam-a a participar, e mesmo assim ela se mantinha distante. “Ela não conversa comigo desde o ensino médio, quando eu entrei em Hogwarts e ela tinha sido rejeitada no ano anterior.” ela continuou com o carinho, virando a cabeça para cima, observando as estrelas no teto do quarto. “Foi o seu padrinho que me mostrou que não valia a pena me cansar com ela. Você sabe, ele não tem uma boa relação com a família Black, com algumas excessões, é claro.”

“Ela que não sabe o que está perdendo. Você é incrível, mãe.” ela voltou a olhar para mim, sorrindo. Eu entendia a fixação que meu pai tinha com o sorriso dela, o sorriso dela era um dos mais bonitos que eu já tinha visto, junto ao do meu padrinho e o de Ginny. Eram sorrisos contagiantes.

“Outra pessoa que acabou comigo foi o seu professor, Severus Snape.” levantei rapidamente. Ela se sentou comigo e continuou “Ele era meu vizinho quando eu era criança, nós crescemos juntos. Um dos motivos pelo qual seu pai detesta Snape é porque ele era meu melhor amigo.”

“Você e aquele oleoso?”

“Sim.” ela olhou para as mãos, “Nós éramos grudados, mas ele começou a fazer coisas que eu não concordava, e por mais que eu tentasse fazê-lo parar, eu nunca consegui. Era tão cansativo.”

“O que te fez desistir dele?”

“Durante o meu segundo ano do ensino médio, aquele partido liderado pelo Tom Riddle, estava ganhando forças.” aquele partido tinha sido grande, porém tinha sido abalado quando eu era pequeno, a pessoa no poder era Kingsley Shacklebolt, que tinha estudado com a minha tia Tonks (casada com meu tio Remus), ele era um cara ligado a minorias e fazia o possível para melhorar as condições de vida de todo mundo, felizmente ele era bom. “E Severus apoiava Riddle, infelizmente. Eu não sabia até que seu pai, padrinho e tio me mostraram. Ele ainda por cima teve a audácia de me falar que não poderíamos acabar com a nossa amizade por causa de posicionamento político, sendo que o cara que ele apoiava defendia porte de armas, pena de morte e era abertamente racista, machista e LGBTQIA+fóbico. O posicionamento dele ofendia a minha existência.”

“Porque você está me contando isso?”

“Talvez Cedric não valesse o seu esforço, querido.” ela explicou, “Você tentou e não deu certo. Agora é só ir em frente.”

“Eu tentei.” coloquei a minha cabeça no colo dela. “A pessoa que eu quero estava me ignorando.”

“Ginny?”

“Sim. Nós combinamos de nos encontrar hoje a noite para conversar.”

“E o que você quer com ela?”

“Tentar.”

“Ela parece incrível.” minha mãe não conhecia Ginny tão bem quanto ela conhecia Ron e Hermione, mesmo que ela gostasse de todos os Weasley.

“Ela é extraordinária. Eu nunca conheci alguém que me completasse tão bem e ao mesmo tempo fosse tão parecida comigo. Ela é uma das melhores pessoas que eu conheço e eu adoro tudo que eu sei sobre ela.” minha mãe deu um sorriso de lado.

“Então a situação com ela já está encaminhada, certo? Vocês vão se encontrar hoje e resolver tudo.”

“Sim.”

“Quanto Ron e Hermione…?“

“Hermione me chamou de idiota por causa da Ginny, amanhã eu pretendo resolver as coisas com ela.”

“E Ron?”

“Como que eu conto para o meu melhor amigo que eu gosto da irmãzinha dele?”

“Ele é irmão dela, não o pai.” minha mãe deu de ombros, “E ela é uma garota independente, Molly me disse. Ron, vai ficar bem com isso, eventualmente, ele não jogar fora a amizade de vocês por causa disso. Não é como se você defendesse um partido genocida.”

“Obrigada, mãe.”

“Eu estou sempre aqui para você, meu amor.”

Estacionei o carro da minha mãe em frente a residência dos Weasley perto das nove, como eu avisei Ginny que eu iria. Respirei fundo, desliguei, saí e tranquei o carro. Mandei uma mensagem dizendo que estava na casa dela. Ela respondeu que estava descendo. Eles moravam numa casa de dois andares de tijolos, bem afastada do centro, com uma enorme horta no fundo, bem como um gramado gigantesco, ótimo para jogar futebol, como eu fazia com Ron, os gêmeos, Charlie e Bill, quando eles estavam na casa dos pais. Naquele momento, apenas Ron e Ginny moravam com os pais.

Ela saiu pela porta da frente com uma manta vermelha xadrez em mãos, ela apontou para o portão lateral que levava ao gramado. Fui andando atrás dela. Ela parou na metade do gramado e estendeu a manta no chão, se sentando logo em seguida. Me sentei ao seu lado. Nós dois olhamos para cima, o sol já estava se pondo, e quase já não tinha luz, a não ser a das estrelas.

“Oi,” murmurei. Ela não respondeu. “Sabe, eu tinha ensaiado um discurso para fazer, mas eu vou no improviso.” fiz graça, ela ainda não olhava para mim.

“Hum.” era algo.

“Na primeira vez que eu te vi eu te achei fofa. Você ficou vermelha e Fred me disse que você só falava de mim, eu nem me importei, porque eu sabia que você era fã do meu pai, de acordo com Ron, então era mais por associação do que por mim mesmo. Eu tinha doze anos e você tinha onze.” comecei a brincar com a grama na minha frente. “Você sempre foi meio quieta perto de mim, até o meu primeiro ano do médio, e, sinceramente, eu agradeço, já que eu adorei te conhecer melhor.”

Ela se virou para mim, atenta.

“Você me faz rir horrores, é impressionante. Você é uma jogadora tão talentosa, eu adoro conversar com você, não apenas de futebol, mas sobre qualquer coisa, eu posso te perguntar qual foi o sonho mais ridículo que você já teve e você vai me contar. Tudo é tão bom com você.”

Me deitei na manta, olhando para ela, apenas para ela.

“Sexta-feira, quando eu te beijei…” ela se deitou de frente para mim, “eu não sentia as minhas pernas direito, eu achava que a qualquer momento eu ia desmanchar. A sua boca foi a melhor coisa que eu já provei. Eu sou obcecado pelo seu sorriso, o jeitinho que seus olhos brilham quando ele é de orelha a orelha. Não sei se eu posso te dizer que eu te amo, eu acredito que o amor é algo que você trabalha, alcança com o tempo, mas eu digo com toda a certeza do mundo que eu quero trabalhar, eu quero alcançar tudo. Com você.”

“Porque?”

“Porque eu estou apaixonado por você.” ri de leve, “É estranho, como as pessoas se apaixonam, né? Eu achava que eu estava apaixonado pelo Cedric, mas foi só meu gay awakening, bi awakening é melhor.”

“Eu me apaixonei por você, não pela ideia de você, mas por você mesmo, lentamente” ela começou a falar, “eu prestei atenção em você porque você era o amigo bonito do meu irmão, não por ser fã do seu pai.” ela me deu um empurrão. Sorri. “Mas você se mostrou mais do que um rostinho bonito. Você é gentil, corajoso, você é tão estupidamente nobre que chega a ser ridículo. E até que você não é tão ruim em futebol…”

“Hey!” foi a minha vez de empurrá-la. Só que eu subi em cima dela, apoiando meu peso nos meus joelhos ao lado das pernas dela e nos meus braços ao lado da cabeça dela. “Posso te beijar?”

“Sim, por favor.” me abaixei e a beijei. E beijá-la, porra, era melhor do que whiskey de fogo. Era a melhor coisa do mundo. Ela levantou as pernas e cruzou-as nos meus quadris, me puxando para mais baixo, as mãos corriam meu cabelo.

Ela cortou o beijo e disse, ainda grudada em mim:

“Nós ainda temos que terminar a conversa.”

“É claro.” saí de cima dela e me sentei.

“Você me machucou na sexta.”

“Me desculpa.” abracei-a e puxei-a para baixo, para estarmos deitados juntos.

“Eu senti que eu era apenas um prêmio de consolação por você ter perdido o ‘Grande Prêmio’”

“Você nunca seria o prêmio de consolação. Eu sou a pessoa mais sortuda do mundo por estar com você. Eu quero você do meu lado, até o fim.”

“Fim?”

“Você se cansar de mim ou a morte, o que vier antes.”

“Como?” ela se levantou, apoiando uma mão no meu peito.

“Quer namorar comigo?”

“Sim…” ela voltou a me beijar.

E debaixo daquelas estrelas, com o coração dela batendo forte contra o meu, eu sabia que ela era quem eu queria. Ela era minha chegada, nunca um caminho.

“Eu não acredito nessa merda.” Ron quase gritou no corredor da escola quando eu puxei Ginny para um beijo de bom dia no dia seguinte.

“Nós estamos namorando.” Ginny deu de ombros, enquanto eu colocava meus braços envolta de sua cintura.

“Desde quando?” ele perguntou.

“Ontem.” respondi, dando um beijinho na testa dela.

“Essa é a coisa mais nojenta que eu já vi na minha vida.” ele reclamou.

“Olha aqui, Ronald, eu não falei nada quando você praticamente comia a Lavender pelos corredores.” ela apontou para ele, “Não ouse falar nada.”

“Meu melhor amigo e a minha irmã…” ele choramingou.

“Bom dia!” Mione apareceu no corredor, abraçando Ron. Ela olhou para gente, abriu e fechou a boca como um peixinho e disse: “Finalmente.”

“Espera.” Ron se virou para ela, “Você sabia dessa palhaçada?”

“Sim.” ela confirmou, calmamente.

“Traição!”

“Pelo amor de Deus, Ronald, ela não é uma criança.” Mione colocou as mãos na cintura e levantou o queixo, “Pare de tratar a sua irmã como se ela fosse.”

Olhei para Gin com um sorriso.

“Você acha que essa discussão vai durar quanto tempo?” ela perguntou com os lábios no meu ouvido.

“Dou cinco minutos para eles se beijarem.” pegamos o meu celular para ver se eu acertava. Quatro minutos depois, Ron estava dando pequenos beijos na testa da Mione, murmurando alguma coisa.

“Ok, não foi propriamente um beijo.” Ginny riu. “Eu tenho aula com a McGonagall agora, te vejo no almoço.” ela me deu um selinho e saiu, Luna apareceu no corredor, pelo mesmo lado que Mione aparecera antes e elas subiram as escadas juntas.

“Se você machucar a minha irmã, eu te mato!” Ron me ameaçou.

“Sem ofensas, Ron.” coloquei a minha mão no ombro dele. “Se eu a machucar, ela me mata. Você não conseguiria matar o seu melhor amigo.”

“Você desceu no meu conceito.” ele falou, porém ainda estava do meu lado e eu sabia que ele estava apenas brincando.

“Que bom que vocês se acertaram.” Mione me abraçou.

“Não sou tão idiota assim, não é mesmo?” brinquei.

“Você é.” ela afirmou, séria. “Mas eu te amo mesmo assim.”

Eu tinha os melhores amigos do mundo, a melhor família e a melhor namorada. Tudo estava bem.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!