Notas iniciais
Sim, atrasadas! A Lirael está de mudança e então ficou um pouco corrido. Aqui está o capítulo. - MusaAnônima12345

Poucas horas depois da conversa de Jack e Merida, Elinor havia acordado a todos dizendo que tinha planejado um ótimo programa em familia para aquele sábado. Os trigêmeos estavam tão animados para o primeiro passeio na nova cidade que foram os primeiros a ficarem prontos sem os pedidos de North e Elinor. Alguns minutos depois só faltavam Merida e Jack descerem. Mal haviam conseguido dormir depois da conversa que tiveram sobre Rapunzel. Principalmente o ele. Ficara a noite toda pensando como a melhor amiga estava naquela casa enorme com a tia cruel dela. Havia tentado pregar os olhos a noite e a madrugada inteira, mas não tivera sucesso.

Levantara com a pior das expressões e fora direto para o banheiro do corredor tomar um banho e ver o que conseguiria fazer com aquela cara amassada. Depois do banho resolvera colocar uma roupa simples e que ele costumava usar. Optou por blusa regata branca com seu moletom azul marinho com capuz e uma calça jeans marrom.

Saiu do banheiro e foi para o seu quarto pegar o celular e os fones de ouvido, mas no caminho não resistiu e entrou no quarto de Merida.

– Se você quer trégua, poderia começar a bater na porta? — ela perguntou de dentro banheiro, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo improvisado.

– Eu não resisti. — respondeu enfiando as mãos no bolso da blusa. — A Elinor está perguntando se você está pronta para ir.

– Sim. Espera eu pegar a minha bolsa e nós já descemos. — ela disse, saindo do banheiro e indo em direção a cama.

– Você conseguiu dormir depois da nossa conversa? — perguntou descontraído e mexendo nas coisas da irmã.

– O que você acha? – respondeu, remexendo na pequena bolsa.

– Que não.

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Merida encarava a janela do carro de North com um ar distante. Pensara a noite inteira em alguma forma de conseguir achar provas para provar que Gothel que não pregou os olhos por um só momento. Através dos vidros do carro podia ver uma longa estrada com vários e vários prédios que diversos tamanhos. Ao horizonte, via-se diversas árvores como um verdadeiro bosque, com suas folhagens verdes vivas competindo com o céu azul sem nenhuma nuvem.

O carro estacionou em uma vaga abaixo de uma árvore que faria uma grande sombra mais tarde. Todos desceram e olharam ao redor, apreciando a vista. O Parque Nacional, como era chamado, era um verdadeiro jeito de se esquecer dos problemas da cidade grande com todos as atividades que haviam por ali. Ao saírem do estacionamento, seguiram por uma rua de asfalto que logo se dividiu em duas revelando o interior do parque.

Um vasto gramado com diversos tipos de árvores em volta mostrava-se atraente com algumas flores caídas pelo chão. Haviam grandes aparelhos de ginástica ao ar livre espalhados em todos os lugares, dividindo lugar com várias crianças empinando suas pipas aqui ou ali. Vários donos passeavam com seus cachorros pelas trilhas, com alguns muito travessos se soltando das coleiras e fazendo o terror por onde passavam. Isto tudo sem contar o que ainda havia mais a frente no parque.

– E então? O que vocês acharam? — North perguntou esticando os braços querendo ouvir uma resposta positiva.

– Eu achei muito legal. — Harris se pronunciou cortando a fala de todos.

– Nós também vamos empinar pipa? — Hamish perguntou.

– Eu quero uma azul. — Humbert complementou a fala do irmão.

– Meninos, acalmem-se. — Elinor os repreendeu.

– Tudo bem querida, eu compro uma pipa para eles. — o homem assegurou. — Venham, vamos lá.

Os trigêmeos seguiram o padrasto com um brilho ansioso no olhar. Logo os quatro desapareceram entre a multidão, para a apreensão de Elinor.

– Então, o que vocês acharam? — perguntou aos dois que ficaram ali.

Jack e Merida se entreolharam.

– Eu gostei Elinor. Você que escolheu esse lugar? — Jack perguntou.

– Na verdade foi o seu pai que me convenceu a vir aqui. — comentou. — Eu achava que este lugar era um pouco... diferente.

"Diga logo que esperava um cinco estrelas." Merida pensou, frustrada.

– Eu achei ótimo. — Merida afirmou olhando para as duas trilhas no asfalto. — Vamos ficar por aqui?

– Não, vamos até onde tem um parque. Lá nós vamos ficar. — respondeu Elinor seguindo em uma das trilhas. — Vamos. North irá nos encontrar.

Jack e Merida trocaram olhares novamente e a seguiram, sem fazer nenhum comentário que estragasse o momento. Caminhando calmamente e olhando ao redor, a garota teve uma sensação boa passando por seu coração. Logo uma lembrança surgiu em sua mente e deixou escapar um sorriso quase imperceptível. A memória de seu pai a levando para andar de cavalo pela primeira vez veio à tona e seus olhos lacrimejaram um pouco.

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Os três haviam chegado em alguns pequenos degraus de terra com corrimão madeira, levando-os a contemplar um gigantesco lago, dividindo ainda mais algumas áreas do parque. Haviam placas nas margens com os dizeres escritos em letras grandes e escuras "Proibido Pescar e Nadar". Patos grandes com seus filhotes, peixes de todos os tamanhos e cores e algumas aves chamavam a atenção dos visitantes.

– Para onde nós vamos agora mãe? — Merida perguntou encarando o lago com olhos curiosos.

– Eu vi uma placa que tinha um mapa logo a frente. — comentou — Vamos nos localizar.

A garota ouviu um som pesado de patas correndo e logo após com um empurrão ela foi ao chão. Ela ainda conseguiu ver um par de olhos verdes em meio as lambidas persistentes no rosto.

– Banguela! — exclamou uma voz que Merida conhecia muito bem.

– Soluço? – ela perguntou quando o cachorro saiu de cima dela.

– Eu sinto muito. É que esse malandro se soltou da coleira. — explicou-se enquanto a ajudava a se levantar do chão.

– Sem problemas. – ela o tranquilizou, batendo a poeira das roupas.

– Soluço! O que veio fazer aqui cara? — Jack perguntou, cumprimentando o amigo.

– Eu venho nesse parque passear com o Banguela todo fim de semana. Sabe, para ele sair de casa um pouco. — respondeu amarrando o cão na coleira novamente.

Merida se abaixou para brincar com Banguela, acariciando-o no pescoço. Ela lançou um olhar breve para a prótese nova dele. Nunca a tinha visto realmente, pois na escola ele só andavam com a calça do uniforme. Era semi metálica, prateada e branca, com alguns desenhos de tribais correndo pelo material. Ela ficou um bom tempo olhando até que Banguela se debateu nos braços dela e ela corou, ao perceber que Jack e Soluço estavam olhando para ela.

– É customizada. – Soluço explicou, observando Merida atentamente. – Fui eu quem desenhei e pedi para personalizarem.

– Desculpe... Eu não quis... – Merida começou, mas se interrompeu quando Banguela latiu.

Os três voltaram os olharem para o cão, que latiu outra vez. Então Merida a viu. Correndo na direção deles vinha uma garota e era para ela que Banguela estava latindo. Ao vê-lo, ela sorriu e diminuiu seu ritmo até parar e se agachou para brincar com ele. Estranhamente, Banguela não quis derrubá-la.

– Oi garotão! – a garota brincava com ele. O cão tomou um impulso para pular nela, mas ela o afastou com uma mão acrescentou em tom firme. – Não! Senta.

O queixo de Merida caiu ao ver que Banguela a obedecia, sentado perfeitamente quieto e disciplinado, com exceção da cauda que abanava com tanta força que levantava nuvenzinhas de poeira no chão.

– Impressionante. – Merida murmurou.

A garota se levantou e nem pareceu vê-la, olhando direto para Soluço. Em pé, Merida pôde observá-la melhor. Usava roupas de corrida. Um micro short azul claro deixava a mostra pernas longas e torneadas, e um top cor de rosa exibia os músculos levemente definidos da barriga. Ela usava os loiros cabelos na altura dos ombros, apertados em uma trança grossa. Uma tiara vermelha afastava a franja da testa. Estava envolta em suor brilhante e Merida a achou muito atlética. Não do jeito que ela se sentisse confortável. Aquela garota era bem bonita, e vestida como estava, fez Merida querer sair de fininho, ainda mais depois de ver a maneira como Soluço não tirava os olhos dela.

– Soluço. Já faz um tempo. – a garota falou. Apesar de ter vindo até eles correndo, ela nem mesmo estava ofegante.

– Astrid. – Soluço disse, simplesmente. O coração de Merida falhou uma batida ao ver que eles se conheciam, e ela começou a se perguntar quem era a garota e como ela havia conhecido Soluço. Alguma coisa nela gritava ao ver Soluço olhando fixamente para a estranha, mas Merida percebeu que ele não estava encarando o corpo esculpido da garota, e sim sustentando seu olhar com determinação.

Astrid simplesmente sorriu para ele, um sorriso cheio de significado.

– Como você está? Seu pai vai bem? – ela perguntou.

– Estou bem, Astrid. Meu pai também, vou dizer a ele que você perguntou. – Soluço respondeu.

Astrid assentiu, e após um tempo, pareceu notar Jack e Merida pela primeira vez. Seus olhos passaram por Jack com curiosidade, detendo-se no cabelo branco dele por breves segundos. Depois passaram para Merida, demorando um pouco mais nela, olhando-a com interesse.

– Então... Não vai me apresentar seus novos amigos? – ela perguntou para Soluço, ainda com os olhos fixos em Merida.

O rapaz pareceu acordar de um transe e gesticulou para Merida e para Jack.

– Claro. Astrid, esses são Merida Dunbroch e Jack Frost. São da minha sala. Merida, essa é...

– Astrid Hofferson. – Astrid apresentou-se, apertando a mão de Jack e em seguida a de Merida, olhando-a firmemente nos olhos enquanto o fazia. – É um prazer conhecer os amigos do Soluço. Ele realmente precisa se cercar de boas companhias.

Soluço franziu a testa para ela, mas Astrid nem pareceu notar.

– Então, Soluço. Vou dar uma festa amanhã lá em casa. É meu aniversário. – ela piscou para ele.

– Eu me lembro. – ele respondeu. – Mas infelizmente está bem em cima da hora e eu não pude comprar o presente...

– Bobagem. – Astrid o interrompeu subitamente. – Não precisa de presente nenhum. Você sabe que é bem vindo, Soluço. – ela fez uma pausa, esperando para que ele absorvesse suas palavras. Depois olhou para Merida e Jack. – Seus amigos também são, é claro.

– E a Rapunzel? – Soluço perguntou, com uma sobrancelha levantada.

Astrid franziu a testa e Merida pensou ver a expressão dela mudar para raiva. Mas tão rápido como apareceu, foi embora, e ela logo estava sorrindo de novo. Astrid deu ombros.

– Traga a sua amiguinha, se fizer tanta questão. Eu não ligo. – Astrid tentou soar indiferente, mas falhou miseravelmente, fazendo Merida se perguntar o que é que ela tinha contra Rapunzel. Era óbvio que não gostava muito dela. – Será ás seis horas.

Depois ela se aproximou perigosamente de Soluço e estendeu a mão em concha, cochichando algo no ouvido dele. Soluço corou imediatamente, e quando ela se afastou, deu um sorrisinho travesso.

– Eu espero vocês lá . – disse para Jack e Merida. – Quero muito conhecer melhor os novos amigos do Soluço. Não deixem de vir.

Então fez um cafuné na cabeça de Banguela e se virou novamente, correndo na direção oposta. Jack soltou um assovio baixinho e Merida ficou olhando Astrid ir embora, desaparecendo na próxima curva atrás das árvores.

– Isso foi bem estranho. – Jack comentou, após um longo momento se silêncio. – Ela quase comeu você vivo, Soluço.

Merida quase se esqueceu que estavam em trégua, cerrando os punhos com força com vontade de socar o irmão. Soluço suspirou.

– Ela faz bastante isso. – ele respondeu, com uma evasiva.

Mas Jack não desistiu.

– Namorada possessiva? – ele perguntou, com um sorriso malicioso.

Merida prendeu a respiração, com medo da resposta de Soluço.

– Ex namorada possessiva. – ele corrigiu, lançando um olhar de esguelha para Merida. – Não deu certo. Astrid é muito ciumenta. Nunca entendeu meu relacionamento com a Rapunzel. Morre de ciúmes dela. Então, um dia simplesmente quis que eu escolhesse entre as duas.

– E o que você decidiu? – perguntou Merida.

– Rapunzel é minha amiga de infância. Nunca me perdoaria se deixasse de falar com ela só por quê Astrid não a suportava. Além disso, não gosto que digam de quem eu devo ser amigo ou não. – Soluço explicou.

– Mas nós vamos à festa, certo? – Jack perguntou. – Seria muito legal para conhecer pessoas novas. Além disso, precisamos fazer a Rapunzel se distrair. Seria bom pra ela.

Soluço olhou para Merida, como se esperasse a aprovação dela. Ela sorriu, dando ombros.

– Também acho que seria uma boa ideia. — ela respondeu. Queria sim conhecer novas pessoas. Mas também queria saber mais sobre Astrid. Uma pequena parte dela queria muito saber mais sobre a garota que Soluço tinha namorado.