Better Man
1 Capítulo 1
Notas iniciais
* Para me ajudar, me inspirei muito na música Better Man, de Taylor Swift (vou deixar o link nas notas finais) e mais algumas coisas da própria série.
Dito isso, desejo a todos uma boa leitura! ♡

("Sometimes in the middle of the night I can feel you again
But I just miss you and I just wish you were a better man."
—Better Man, Taylor Swift)
...
A noite estava fria, indícios do final de outono e início de primavera que chegava na pequena cidade de Hawkins.
Enquanto as árvores se debatiam e o cachorro do vizinho começava a latir, Max acordou subitamente. Não por causa do que acontecia do lado de fora de sua casa, mas sim, pelo o que acontecia dentro de sua mente.
Mais uma vez havia sonhado com seu irmão. Aliás, sonhado não, se dissesse que aquelas cenas que se passaram em sua mente enquanto dormia era sonho, seria eufemismo. A morte de Billy continuava sendo um pesadelo, tanto na vida real quanto no imaginário.
Se sentou na cama, encostou os pés no chão frio e lentamente caminhou até a cozinha, temendo que de repente Billy se materializasse em sua frente. No entanto, se distraiu ao ver que a mãe dormia no sofá com uma garrafa de bebida na mão e a TV ligada. Suspirou. Essa têm sido a rotina de Susan há meses.
Desligou a TV e continuou seu caminho até a geladeira. Pegou uma garrafa d'água e se serviu em um copo, -o único de vidro que ainda não havia se quebrado-. Max tomou a água e decidiu levar o copo consigo, não iria deixar sua mãe joga-lo na parede como havia feito com os outros.
Quando voltou para o quarto, se sentou novamente na cama, dessa vez, em frente ao espelho perto de sua cômoda. Rapidamente, virou seu olhar até o despertador encima da mesa de cabeceira; quatro da manhã. Ela deveria estar dormindo, tem aula daqui a três horas.
Mas, por algum motivo, nem mesmo a escola parecia ter importância após os acontecimentos daquele trágico quatro de julho, o pior de sua vida!
Ela sabia que estava melhor sem Billy, e que sua mãe estava melhor sem Nail, -ainda que não soubesse disso-. Mas, ela não conseguia parar de pensar em como tudo poderia ter sido diferente. Se Billy tivesse sido mais receptivo, carinhoso e cuidadoso, eles teriam sido grandes amigos, que era o que Max sempre quis.
Mas que nunca foi possível.
Mas que poderia ter sido.
{...}
Max não foi a aula. Decidiu que não compensava. Acordou às nove e meia e ainda assim se sentia cansada. Porém não voltou a dormir, apenas levantou, se vestiu, tomou um remédio para dor de cabeça e saiu de casa com seu walkman.
Enquanto Running Up That Hill se manifestava em seus ouvidos através dos fones, a garota pensava. Ela estava pensando muito ultimamente... em tudo, mas, principalmente, em coisas ruins.
Não aguentava mais essa sensação!
Os pensamentos cessaram quando ela entrou naquele ambiente... assustador para alguns, mas não para Max e seus amigos, que lutavam contra seres de outra dimensão cuja localização se dava em baixo daquela cidade de merda, como diria Billy.
Billy... era o nome que se encontrava na lápide a sua frente, acompanhado pelo sobrenome Hargrove, que sua mãe havia parado de usar há meses.
Engoliu em seco, e então se sentou na grama, encarando o memorial por alguns segundos, sem saber direito o que falar, ainda que dentro de sua mente as palavras existissem.
Respirou fundo.
—Oi Billy... desde que você se foi, tudo tem sido um desastre total! Seu pai largou a minha mãe. A gente foi morar em um trailer e ela agora bebe mais do que vive. -fez uma pausa- E eu... eu me sinto impotente por não poder ajudar ela como eu queria, e também... eu tenho tido muitos pesadelos com você, com a sua morte... -a palavra "morte" a fez engolir em seco- e também... às vezes, no meio da noite, eu sinto a sua presença! Eu sinto suas palavras rudes, gestos agressivos e mais um monte de coisas que fazia a barreira do ódio crescer cada vez mais entre a gente. Eu nunca entendi ao certo o porquê você me odiava tanto... eu gostava de você, e queria que fossemos amigos. Teria sido incrível! -fez outra pausa e enxugou uma lágrima que insistia em cair.- Mas enfim, eu nem sei o porquê estou dizendo essas coisas... nem ao menos sei porque estou aqui... me desculpa ter atrapalhado o seu descanso eterno.
Se levantou e foi embora do ambiente fúnebre.
No caminho para casa, se distraiu com os pássaros, os carros e as pessoas que andavam nas ruas. E, isso quase a fez mudar de ideia e não ir para casa, mas sim, para a casa de algum de seus amigos, ela sentia falta deles. Mas sabia que o certo era se manter distante, pois fazia mal para eles, e ela já não suportava mais essa situação.
Seus pensamentos cessaram quando se deu conta de onde estava; no meio de uma rua prestes a ser atropelada, e só foi poupada pois o motorista conseguiu frear a tempo.
Mas esse gesto não impediu Max de cair no chão devido o choque.
—MAX! AI MEU DEUS!
Ela conhecia essa voz... era Steve Harrington!
—SEU IDIOTA! ESTAVA TENTANDO ME MATAR?
—Desculpa, eu não te vi... você apareceu de repente e eu estava distraído...
—Pensando na Nancy, eu aposto. -ironizou a garota.
Ao proferir essas palavras, Steve permaneceu em silêncio e Max soube que o conteúdo de sua fala fora algo desnecessário.
—Desculpa... -disse, baixinho.
Porém o mais velho não respondeu e simplesmente se aproximou mais e estendeu a mão para ela.
—Vem, levanta, antes que apareça mais um carro.
Max aceitou a ajuda, apesar de preferir se levantar sozinha.
—Obrigada
—Você quer uma carona? -apontou para o carro-
—Para onde você está indo?
—Para a loja. Meu turno começa daqui há uma hora, mas posso te deixar em outro lugar, ou na sua casa, se você preferir.
—Posso ir para o seu trabalho? Não estou a fim de ir para a casa agora...
Steve levou alguns segundos até entender o porquê da garota não querer ir para a casa, mas logo se lembrou dos rumores que circulavam na escola, sobre a mãe de Max ser alcoólatra.
—Ok, mas você está disposta a trabalhar? Porque a Robin não vai poder ir hoje e eu realmente preciso de ajuda para lidar com aquele lugar.
Max apenas assentiu e logo entraram no carro.
{...}
O caminho foi silencioso, apesar da música que tocava no automóvel. Max olhava pela janela enquanto voltava a pensar... há dois anos atrás ela estava exatamente no mesmo lugar, porém com Billy, e o jeito dele dirigir era muito diferente do de Steve. O Harrington era calmo, respeitou sua vontade de ficar em silêncio. Enquanto Billy não, gritava, corria com o carro e não estava nem aí se iria atopelar alguém ou não.
Sorriu de canto. Seria incrível se Billy tivesse sido, pelo menos um pouco, parecido com Steve!
Quando chegaram a loja, começaram a executar tarefas. Max cuidava dos registros no computador e Steve fazia as vendas. Às vezes, ambos davam sugestões para os clientes, o que acabava causando implicâncias entre eles, cujos gostos eram distintos. Apesar de terem descoberto o interesse em comum por Grease e De Volta Para o Futuro.
Ao final do expediente, Steve levou Max para casa, que agora já se sentia melhor para encarar a realidade que a esperava.
—Valeu pela carona, Steve. -agradeceu a garota, quando chegaram em frente ao trailer que dividia com a mãe.
—Não precisa Max, é o mínimo que eu posso fazer depois de ter quase te matado -deu uma risadinha-. E, se você precisar de qualquer coisa, pode contar comigo. Sei que você tem se mantido distante dos seus amigos, mas eles sentem sua falta e estão muito preocupados com você. Inclusive eu!
Max abaixou o olhar.
—Eu sei...
Um silêncio constrangedor pairou no ambiente, até que a ruiva o quebrou.
—Olha, eu sei que a gente não se conhece muito bem, mas, a gente pode ter mais dias assim? Me fez muito bem!
Steve sorriu.
—Mas é claro que sim Max. O que acha de amanhã eu vir te buscar para irmos a escola juntos e em seguida almoçar na casa da Robin? O Eddie também vai.
Os olhos da garota se iluminaram diante da proposta e seus lábios se ergueram em um sorriso, como há muito tempo não fazia.
—Quero sim! Muito obrigada pelo convite! -virou as costas para abrir a porta e sair do automóvel, mas virou novamente para encarar o rapaz. –Ah, e Steve, você é o irmão que eu sempre quis ter!
Saiu do carro em um pulo após proferir essas palavras, insegura quando a reação do mais velho. Entretanto, sabia que provavelmente a reação de Steve fora positiva, afinal, ouvia muitos rumores sobre sua família e sobre como ele se sentia sozinho, apesar de ter um bom grupo de amigos.
Assim como ela.
{...}
Quando entrou em casa parecia que algum milagre tinha acontecido, pois sua mãe estava bem disposta, como se tivesse voltado a ser quem realmente era.
—Filha! Que bom que você chegou! -Susan a abraçou- Vai tomar um banho, o jantar está quase pronto.
Max arqueou uma das sobrancelhas.
—O que? Como assim? Você cozinhou?
—Cozinhei! Na verdade, estou requentando. A Sra. Sinclair nos trouxe uma lasanha, ela também conversou um pouco comigo. -sorriu de canto.- Eu... eu estou tentando melhorar como mãe. Ainda não estou limpa... mas vou estar! Em breve eu vou estar!
Maxine não aguentou mais segurar as lágrimas que havia guardado o dia inteiro, e se deixou derramar nos braços da mãe, que a abraçava como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo.
A felicidade estava novamente começando a brotar em sua vida, como o botão de uma rosa. Não se aguentava dentro de si! E, quando chegou ao quarto, deitou na cama, cansada do dia.
Cansada, porém feliz.
Notas finais
Música: https://youtu.be/8yFJc3n3PQ8
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