Better Days

22 Capítulo 22


Foi um peso na cama o que a fez acordar, no dia seguinte. Rapidamente lembrou-se da noite anterior, e Elisabeta abriu os olhos, apreensiva. Tom a encarava com seus olhos verdes brilhantes, ocupando o lugar que Darcy estivera em sua cama, na noite anterior. Não lembrava-se de Darcy ter se despedido na noite anterior, ou nessa mesma manhã, mas agradeceu por não precisar explicar uma situação embaraçosa ao filho.

— Meu pai voltou! – Tom anunciou, enquanto Elisabeta coçava os olhos. – E eu achei que ele estaria dormindo no meu quarto, mas ele não está.

Elisabeta sorriu, acariciando os cabelos de Tom.

— E eu quero ir ver meu pai. Vovó disse que eu deveria esperar um pouco, mas eu não quero mais esperar.

— Bom dia pra você. – Elisa sorriu, finalmente acordando de verdade.

— Mamãe! Você não está me ouvindo. – Tom reclamou, uma linha surgindo entre suas sobrancelhas.

— Você quer ver Darcy, eu ouvi. Mas não precisamos chegar tão cedo, ele deve estar dormindo.

— Papai acorda cedo. – ele cruzou os braços.

Darcy costumava acordar cedo. Mas passara por uma viagem no dia anterior, e ela bem sabia que havia dormido pouco. É claro que essa não era uma informação a ser compartilhada com o filho, mas certamente a impediria de levá-lo até Darcy naquele horário. Estava se preparando para argumentar com Tom, quando Ofélia entrou em seu quarto, sem pedir licença.

— Thomas, o seu pai está ai. – revirou os olhos. – Elisabeta, eu não aguento mais esse menino nos meus ouvidos, e ainda não é nem hora do almoço.

— Meu pai está aqui? – Thomas fingiu não ouvir a segunda parte, saindo do quarto rapidamente.

— Ele está ansioso. – Elisabeta sorriu para a mãe. – Darcy esteve fora por mais tempo do que o previsto.

Elisabeta não notou a ruga em sua testa, mas não passou despercebida por Ofélia.

— Você tem que falar com Darcy, minha filha. – a mais velha sorriu. – Todos nós sabíamos que ele voltaria, mas não custava ter avisado.

— Eu já conversei com Darcy. – Elisabeta disse, distraidamente, enquanto separava sua roupa para o dia.

— Já? – Ofélia abriu um sorriso ainda maior. – E posso saber que horas a senhorita conversou com o senhor Darcy?

— Mamãe! – Elisabeta ralhou. – Darcy e eu conversamos ontem à noite.

— Espero que tenha sido uma conversa produtiva. Já está na hora de você e Darcy se acertarem.

— Já está na hora da senhora parar de se intrometer, Dona Ofélia. – Elisabeta sorriu, puxando a mãe para um abraço.

— Ara, Elisabeta. Darcy é inocente. Você é inocente. Estão esperando o que? – Ofélia resmungou. – Não vejo a hora de ver a minha número um casada.

— Mamãe, não seja apressada. – Elisabeta deu um beijo em Ofélia. – Agora deixa eu me aprontar.

##

Darcy estava exausto. Após dias cansativos, uma viagem longa, e uma noite com Elisabeta, sentia que não tinha mais energia. Isso, é claro, até encontrar o sorriso do filho, e a animação de Tom para as mais diversas aventuras. Darcy sentira falta dele. Dos olhos expressivos, a mente acelerada, o sorriso fácil. E agora, vendo-o correr pela grama, as bochechas vermelhas, Darcy apenas conseguia sorrir.

E foi esse o sorriso que Elisabeta encontrou ao sair de casa. Darcy observava Tom, admirado, e Elisabeta quis correr para seus braços. Quis, de repente, que Darcy não precisasse ir embora depois de cada jantar, no meio da noite. Os olhos dele encontraram os dela, e Elisa perguntou-se se algum dia se acostumaria com aquele sentimento.

Ela se aproximou, como um imã. Tom já corria para o outro lado, certo de que a mãe participaria da brincadeira, sua risada ecoando pelo jardim. Era bom ver o filho feliz. Era bom saber que nunca precisaria ter uma conversa definitiva sobre a ausência de Darcy. E era melhor ainda saber que não havia culpados naquela história, que eram todos vítimas, mas estavam todos juntos agora.

— Bom dia. – Darcy sorriu, divertido.

— Bom dia, como passou a noite? – Elisabeta aproximou-se um pouco mais, suas palavras inaudíveis para o filho.

— Muito bem. Em ótima companhia. – ele piscou.

— Eu não vi você ir embora. – ela parou ao lado de Darcy.

— Você estava dormindo, eu não quis acordar. – Darcy passou a mão pela cintura de Elisabeta, a puxando para ele.

Talvez devesse se afastar, mas não o fez. E se Tom lançou algum olhar curioso para seus pais, foi quase imperceptível. Elisabeta acomodou-se no abraço de Darcy, aceitando o beijo que ele deu em seus cabelos. Era fácil estar com ele. Era fácil viver aquele sentimento.

— Pensei em convidá-los para um piquenique. – Darcy acariciou suas costas. – O que acha?

— Me parece uma ideia excelente. – Elisabeta sorriu, tranquila, vendo Tom se aproximar. – Tom, onde você acha que podemos fazer um piquenique?

— Na cachoeira! – o menino disse, animado. – Por favor, por favor!

— Então será na cachoeira. – Darcy sorriu, para a comemoração de Tom.

— Isso quer dizer que eu deveria preparar as coisas? – Elisabeta afastou-se um pouco de Darcy, a sobrancelha erguida.

— Eu posso ajudar você. – Darcy olhou para Tom. – Nós podemos ajudar.

— Podemos ajudar! – Tom animou-se. – Vou pedir para a vovó fazer sanduíches.

— Tom, pedir para a sua avó não é exatamente ajudar. – Elisabeta riu, vendo o filho correr em direção à casa.

E então entrelaçou seus dedos nos de Darcy, e seguiram o filho, como se fosse algo que fizessem todos os dias, como se fosse o ato natural.

##

Foi também com naturalidade que Elisabeta descansou sua cabeça no colo de Darcy, enquanto ele acariciava seus cabelos. Os dois observavam Tom brincar na água, e o silêncio estava confortável para os dois. Pareceu o momento perfeito para Darcy, porém, e por isso as palavras saíram de sua boca antes que pudesse evitar.

— Eu estive em São Paulo resolvendo mais do que alguns negócios. – disse, com os olhos no filho.

— Hm. – Elisabeta respondeu, sonolenta.

— Eu sei que deveria ter falado com você, e eu vou entender se você não quiser, não aceitar. – Darcy desviou os olhos para ela.

Aquelas palavras chamaram sua atenção, e Elisabeta movimentou-se, seus olhos encontrando os dele.

— Você está me deixando preocupada.

— Não, por favor. – Darcy riu, sem jeito. – Eu vou entender se você não quiser.

— Fale logo, Darcy. – Elisabeta o apressou, alerta.

— Eu estive em contato com alguns advogados. Em princípio parecia impossível, mas eu consegui uma autorização especial. – Darcy respirou fundo. – Elisa, eu gostaria de colocar meu nome na certidão de Tom.

Elisabeta foi pega de surpresa. E os segundos que levou para reagir fizeram Darcy interpretar equivocadamente seu silêncio, e ele começou a se explicar.

— Me desculpe, eu não deveria ter feito sem falar antes com você. – ele suspirou. – Não tem nada assinado, não vai acontecer se você não quiser e...

— Tom como um Williamson? – ela perguntou, quando encontrou a voz.

— Ele é um Williamson, eu só pensei que talvez...

Mas Darcy congelou ao ver os olhos dela. Estavam transbordados por lágrimas que chegaram sem aviso prévio. Elisabeta sentou-se, e embora quisesse beijá-lo mais do que qualquer coisa, contentou-se em jogar-se em seus braços em um abraço. E Darcy a apertou com força.

— Eu não achei que isso fosse possível. – ela disse, e Darcy sentiu a camisa ficar molhada com as lágrimas dela.

— Por favor, não chore, eu não quis impor nada. – Darcy disse, pesaroso.

Elisabeta afastou-se dele, abruptamente, finalmente dando-se conta da expressão cautelosa no rosto de Darcy. Instintivamente passou a ponta dos dedos por seu rosto. O sorriso dela, em meio às lágrimas, trouxe calmaria para ele, e Darcy viu-se respirando normalmente.

— É maravilhoso, Darcy. Tom ficará orgulhoso de carregar seu nome.

— Não. Eu ficarei honrado de dar meu nome à ele. Eu sei que não pude fazer isso antes, mas eu pretendo ser o pai que Tom merece. – Darcy sorriu, beijando a palma da mão de Elisabeta.

— Você já é, Darcy. Você é um homem íntegro, honesto, honrado. Eu tenho orgulho de ser mãe do seu filho. – Elisa disse, em um suspiro.

— Isso nos deixa em um impasse. Eu duvido que você tenha tanto orgulho quanto eu. – Darcy acariciou o rosto dela, limpando as lágrimas. – É lindo ver a mulher que você se tornou. A mãe que você é. Faz com que eu me apaixone mais a cada dia.

— Eu senti sua falta. – ela disse, abruptamente. – Me fez pensar sobre tudo isso, sobre nós. E eu quero tentar, Darcy.

— Tentar? – ele ergueu uma das sobrancelhas.

— Com calma, sem que Tom saiba ainda, embora não estejamos deixando muito espaço para a imaginação dele. – Elisa riu baixinho. – Mas eu quero tentar de verdade. Sem encontros por acaso ou beijos roubados.

— Você está me pedindo em namoro, Elisabeta Benedito? – Darcy abriu um sorriso largo.

— Você estava demorando muito para fazer o pedido. – Elisa piscou para ele.

— Não há nada que eu queira mais. Exceto, talvez, roubar um beijo seu.

Elisabeta desviou o olhar, encontrando o filho de costas para eles. Rapidamente juntou seus lábios aos de Darcy, separando-se dele com um sorriso conspirador. E então acomodou-se novamente nos braços de Darcy.

— Tom! – ela o chamou, e o menino foi em direção aos pais. – Seu pai tem algo para contar.

— O que é? – os olhos de Tom ficaram ainda maiores.

— Você sabe que meu sobrenome é Williamson, não é? – Darcy começou, e o menino assentiu. – Assim como o seu é Benedito, por causa da sua mãe, Elisabeta Benedito.

— Todos os meus primos são Benedito. – Tom coçou a cabeça. – Mas Júlia e Arthur são Bittencourt, Helena e Clara são Brandão, Mário e Vitória são Tibúrcio e Augusto e Otávio são Vasconcelos também.

— Porque os sobrenomes são uma união dos sobrenomes dos pais. – Darcy sorriu.

— Então eu vou ser também Williamson? – Tom abriu um sorriso esperto.

— Exatamente. Como seu pai. – Elisabeta sorriu com a empolgação do filho.

— Thomas Benedito Williamson. – o menino disse, testando o som.

— Parece o nome de um futuro lorde inglês. – Darcy assentiu.

— Augusto e Mário vão ficar com inveja. – Tom sorriu. – Eu tenho um nome muito mais legal que o deles.

— Eu disse que ele ia gostar. – Elisabeta encarou Darcy.

— Fico feliz que tenha gostado. – Darcy disse, emocionado.

E, após o almoço, passaram parte da tarde ali, entre risadas, brincadeiras e declarações. Quando voltaram para casa, mais tarde, Elisabeta e Darcy foram de mãos dadas, enquanto Tom revivia todos os momentos do dia, ansioso para contar as novidades aos avós, tios e primos. E foi justamente a família Benedito inteira que eles encontraram ao chegar em casa.

Não passou despercebido para nenhum dos adultos as mãos entrelaçadas, ou a forma como Darcy e Elisabeta se mantiveram grudados pelo restante do dia. Não foi um choque quando Elisabeta deixou escapar um “meu amor”, ou quando Darcy a puxou para um abraço, em meio a todos. Também não houve questionamento, pois não havia nada que os Benedito quisessem mais do que aquela união.

Quando Darcy despediu-se, com o avançar da noite, Elisabeta quis pedir que ele ficasse. E novamente foi tomada por aquele sentimento, aquele desejo de que o lugar dele era ali, com ela, com Tom. Quando os lábios dele tomaram os dela, longe dos olhos curiosos de Tom, com o desejo contido do dia inteiro, Elisabeta não quis nada além de permanecer com ele.

— Você deveria dormir comigo. – Darcy disse, apertando a cintura de Elisabeta.

— É perigoso. – ela riu, mas deixou suas mãos correrem pelo peito de Darcy.

— Talvez eu deva convidar Tom para dormir na minha casa amanhã. – disse, sugestivo. – Tom não deve estar acostumado a dormir longe de casa.

— Tom dorme nos primos desde que é pequeno. – Elisabeta riu, passando os braços pelo pescoço de Darcy.

— Mas é uma casa nova. Ele não conhece os quartos. Pode ficar assustado. Talvez você precise ir junto. – Darcy beijou o pescoço dela.

— Você tem um ponto, senhor Williamson. – ela suspirou.

— Então estamos combinados. – Darcy colou a testa na dela. – Eu vou beijar você mais uma vez, e então vou embora, como um namorado comportado.

E foi exatamente o que ele fez, em um beijo lento, demorado, cheio de promessas. Deixou Elisabeta sem ar, com o coração acelerado, ansiosa pelo dia seguinte, pela noite seguinte. E ainda mais ansiosa pelo dia em que não o veria partir.