Better Days
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Acordei com um abraço. Mas não qualquer abraço, um abraço do meu alquimista. Me virei e escondi o nariz em seu cabelo marrom. Era um dos melhores lugares de se estar numa manhã fria de outono. As folhas lá fora caiam livremente e nenhum de nós dois nunca nos preocupávamos em apanhá-las. Ele desvencilhou-se de mim e levantou da cama. Gemi em protesto.
- Não, hoje eu avisei que tenho coisas para fazer. Você sabe que não é fácil e a última...– Começou a escovar os dentes, não entendia nada do que falava. Ele tinha esse péssimo hábito de não perder tempo com nada. Presumia que entendesse o que dizia enquanto fazia coisas como beber água, comer, e escovar os dentes. – Preciso ir. Estarei na garagem se precisar de algo. Não esqueça de levantar logo, Arthur.
Saiu da suíte e fechou a porta. Me espreguicei e tentei sair da cama. Quando me sentei na borda dela, meus pés tocaram algo macio. A bola de pelos negra, Hidel. Levantou sua carinha e abriu um dos olhos verdes. Logo tornou a fecha-lo, decidindo que eu não valeria a pena o esforço dela.
Procurei tateando as pantufas de pele de toupeira que o meu moreno havia feito especialmente para mim. Bocejei. Me levantei jogando para lá a coberta de pele e arrastei os pés agora aquecidos até o banheiro, escovei os dentes e olhei a minha cara no espelho. Os cachos ruivos bagunçados e permanecia como que quisesse voltar para a cama, mas me forcei a sair do banheiro e colocar uma roupa decente. Uma simples, sem muitas peles já que estávamos só nós em casa.
Saí do quarto e não ouvi barulhos da parte de Garret. Fui direto para a cozinha, passei geléia em dois pequenos pães caseiro que havíamos feito ontem. Comi um, levei o outro para ele junto com um suco de laranja. Coloquei na mesa e sentei ao lado dele. Após 5 minutos com ele me ignorando, resolvi falar.
- Não vai comer?
- Ocupado demais para isso.
- Você não come desde ontem de manhã. Não está com fome?
- Você me atrasou. Eu preciso descobrir como faço isso!
Às vezes ele era duro. Peguei um pãozinho e movimentei-o em direção da sua boca, que permanecia fechada. Ele virava o rosto e não tirava os olhos da pequena jarra com o líquido azul. Ainda sem olhar, tateou a mesa e agarrou uma orquídea. Arrancou uma pétala e lá jogou. Eu estava com o pãozinho na mão, e enquanto ele devolvia a planta á mesa, enfiei em sua boca. Não sem antes lambuzar pelo menos metade da sua bochecha com geléia
Estava com metade do pãozinho na boca, então finalmente colocou a jarrinha na mesa e comeu o pãozinho, bebericando o suco.
- Pronto. Era isso que você queria, não? Comi. Além do mais, estava bom. Agora, se me dá licença, eu preciso acabar.
- Mas Garret sua boche...
- Eu sei.
E ás vezes me irritava. Saí para andar á cavalo na mata. Sem cela, subi em Sapphire e ela relinchou, seguindo para a floresta galopando.
Voltei já ao fim da tarde, não almocei e provavelmente Garret não havia se levantado da maldita cadeira. Desci do dorso da égua e a soltei. Abri a porta.
- Finalmente! Achei que não ia voltar mais.
- Não é como se fizesse diferença para você.
Franziu as sobrancelhas e me olhou.
- Não seja bobo. Claro que faz. Você sabe dos meus sentimentos por você.
- E sem minha pessoa, eu sei que você não comeria.
- Não comi.
- Bobo. Vou cozinhar alguma coisa.
Já estava na porta da cozinha quando Garret me parou. Ele é um pouquinho mais alto que eu, coisa de 5 centímetros no máximo. Segurou meu queixo e o levantou, em seguida me beijou. Explodindo em minha boca o meu sabor preferido, seu gosto. Repentinamente nenhum dos dois sentiu mais vontade de jantar. Recuamos da cozinha para o quarto, o único cômodo com porta, a qual ele chutou para fechar. Acabei prensado entre ele e uma das paredes de pedra. Machucavam minhas costas, mas quem e importava? Ofegantes, paramos por um momento. Olhei fundo em seus olhos acinzentados e o empurrei para a cama, com seus braços magros porém fortes me puxando com ele. Caímos nela e voltamos com os beijos, sua camiseta cinza tornou-se desnecessária e assim como a minha, agora jazia no chão. Passei os dedos pelas suas costas, a qual continha uma cicatriz em formato de S, que ia de suas costelas até o quadril. Nunca quisera falar sobre ela.
Ele também passava seus dedos ágeis e rápidos pelas minhas costas, parando no cós da minha calça. Éramos os únicos num raio de cinco vilas que ainda tinham roupas antigas, mesmo que rasgadas e só usadas para ficar em casa.
Mal percebi quando ele havia começado a puxar minha calça, ficando por cima de mim.
Três horas depois, cansados e ofegantes, jazíamos deitados encarando o teto. Nunca me cansara tanto na vida. E então, subitamente, Garret se levantou ao meu lado. Cansado demais para puxá-lo de volta, protestei gemendo, mais uma vez naquele dia. Não adiantou, ele pegou o a colcha de pele de lobo e rapidamente foi para a sala. Provavelmente pro experimento. Ouvi uma explosão e ele correu de volta para o quarto, jogando-se na cama e voltando a encarar o teto.
- Descobri.
Disse, virando-se para mim. Beijou-me novamente. Ah, essa sim ia ser uma longa noite.
No outro dia, pela manhã, com Garret no sofá, eu estava fazendo papa. Sim, papa. Pode até soar infantil, mas papa de framboesas era o que meu moreno mais gostava de comer. Entreguei a ele um prato cheio. Sorrindo para mim, começou a comer, enquanto lá fora Sapphire relinchou. Pássaros voaram e diversos corvos grasnaram. E então, a porta caiu. Sete homens vestidos de preto entraram, com espadas, lanças e um com arco e flecha.
Mataram o meu Garret.
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