Notas iniciais
Fic inspirada em Hey Joe, do Jimi Hendrix.

Estava prestes a chegar de mais uma turnê, decidi não ligar para Amanda, queria fazer uma surpresa para a minha amada e assim faria.

Cheguei a casa, com uma imensa vontade de abraça-la e sentir seu corpo junto ao meu, como não fazia ao longo dos dois meses em que estava fora.

Também estava com imensa saudade do meu melhor amigo, Joseph. Havia pedido para que ele cuidasse dela enquanto estava fora, confiava naquele cara cegamente.

Parei na porta de casa e respirei fundo e longamente, abri a porta com muito cuidado e adentrei em passos silenciosos.

Passei a procura-la em todos os cômodos da casa e não a encontrei.

Sem mais paciência, chamei o seu nome.

– Amanda! — Mas não obtive nenhuma resposta e imaginei que ela tivesse ido para a casa do Joseph, ela adorava ir pra lá.

Voltei para o carro e fui me dirigindo pelo caminho já em minha memória, a casa de Joseph.

Assim seria melhor, encontraria as duas melhores pessoas da minha vida de uma só vez.

Estacionei o carro um pouco longe para eles não ouvirem o barulho do motor.

Caminhei até a porta e adentrei a residência silenciosa.

Caminhando pelos cômodos, passei a ouvir sussurros abafados que vinham dos quartos.

Subi as escadas lentamente, e meu coração começou a apertar e eu passei a sentir minha mão escorregadia no corrimão da escada.

Uma sensação gélida começou a passar pelo meu corpo e então comecei a imaginar coisas que eu jamais seria capaz de que poderia pensar deles dois.

Parei no meio do caminho e balancei a cabeça, como se fosse me afastar daqueles pensamentos e daquelas sensações cortantes em meu peito.

Voltei a subir as escadas mais silenciosamente, e percebia os sussurros e gemidos aumentarem. Distingui a voz da Amanda, voz que sibilava neste momento o nome de Joseph.

Parei em frente ao quarto dele e senti a minha respiração pesada, minhas pernas tremiam como galhos finos de arvores ao vento. Minha mão transpirava e tremia, e eu senti vontade de descer aquelas escadas e fugir, mas se não abrisse aquela porta viveria o resto da vida sem saber o que se passara por trás daquela porta.

Toquei a maçaneta gélida, e senti minha pele arrepiar-se por completo.

Girei lentamente e deixei apenas uma fresta para que pudesse ver uma pequena parte de seu quarto.

"You know I caught her messin' 'round"

(Você sabe que eu a peguei paquerando)

Senti todos os meus ossos fraquejarem e meus olhos arderem como se houvessem jogado pimentas nele. Minha cabeça parecia estar sendo imprensada, e meu corpo doida como se eu estivesse sido espancado. Mas não, eu estava sendo traído. Pela minha mulher e pelo meu melhor amigo.

Meus pés pareciam terem sido plantados no chão e eu não conseguia me mover, nem agir de forma alguma. Minha voz havia sido tomada por um bolo em minha garganta, que me impedia de gritar.

Depois de algum tempo vendo aquela cena, como um furacão que arrastava tudo o que via pela frente, desci rapidamente as escadas e sai pela porta, peguei o meu carro e segui estrada a fora de volta a minha casa.

Entrei rapidamente e fui direto para a cozinha, jogava tudo que havia a minha frente pelo chão, não conseguia fazer com que lagrimas descessem pelo meu rosto, a raiva tomava conta de mim completamente e a única coisa que seria capaz de aliviar isso era ver aqueles dois filhos da puta sangrarem. Como meu coração estava sangrando agora internamente.

Encontrei minha arma e sai correndo de casa, voltando para o meu automóvel e indo ainda mais rápido até a casa daquele desgraçado.

Eu estava cego não só pelas lágrimas (que insistiam em não cair), mas também pelo ciúme, pela dor e pelo ódio que estava sentindo. Minhas têmporas latejavam como nunca antes, minha cabeça pesava como se houvesse algo em cima de mim, pisoteando-me.

Parei em frente à porta e caminhei silencioso e frio pela casa até chegar as escadas, subi silenciosamente segurando firme a arma em minhas mãos.

"Hey, Joe, where you goin' with that gun in your hand?

Hey, Joe, I said where you goin' with that gun in your hand?

I'm goin' down to shoot my old lady

You know I caught her messin' 'round with another man"

(Ei Joe, aonde você está indo com essa arma na mão?

Ei Joe, eu perguntei aonde você está indo com essa arma na mão?

Eu estou indo atirar na minha antiga mulher

Pois a peguei paquerando com um outro homem)

Encarei a porta a minha frente e percebi que os sussurros ainda não haviam cedido, pelo contrario, continuavam fortes e cheios de desejo.

Abri a porta com um grande impulso e vi a cena agora, desta vez completa: Amanda com o cabelo completamente desgrenhado e Joseph, que por sua vez estava por cima de Amanda, com o seu membro ligando os dois.

Os olhos deles soltaram sobre mim, me fazendo estremecer de raiva.

Encarar aqueles dois fazia-me sentir enjoos.

–Joey... Por favor, me deixe explicar. -Ouvi a Amanda dizer se desvencilhando do corpo de Joseph.

–Joey, o que você está fazendo com essa arma? O que pensa em fazer? -Joseph disse enrolando-se nos lençóis e se levantando.

Minha mão tremia tanto, que disparei um tiro sem querer no frio piso de madeira abaixo de nossos pés.

Saltei com o susto do barulho estrondoso do tiro, como os outros dois a minha frente.

Ao ver Joseph se aproximar de mim, sem pestanejar, dei-lhe um tiro as cegas, sem saber onde iria acertar.

Por pura sorte (sim, sorte), havia acertado em cheio em seu peito.

Ouvi o grito estridente de Amanda, se abaixando no chão e cobrindo a cabeça com as mãos, como se aquilo fosse protegê-la.

–Joey... Eu... Desculpe-me. -Amanda chorava como nunca havia visto, mas eu não sentia nada perante isto. Sentia nojo, repulsa daquela mulher que eu havia me dedicado e amado.

Ela estava com medo e eu sentia isso, mas agora pouco me importava.

Apontei a arma para ela, e agora pela primeira vez depois de tudo isso, sentia lagrimas escorrendo pelo meu rosto.

Aquela mulher com que eu havia vivido momentos maravilhosos, a única com que eu planejava construir uma família, havia-me traído com o meu melhor amigo, que agora estava morto, estendido no chão, sangrando.

Deixei que meu dedo pesasse sobre o gatilho e fechei os olhos. Quando abri os mesmos novamente, vi que o a bala havia acertado Amanda diretamente na cabeça. Abaixo dela a poça de sangue já se formava.

Observei-a naquele estado por alguns minutos, e sai do quarto levando a arma comigo.

Entrei no cômodo ao lado, um banheiro, onde havia um grande espelho.

Passei a observar a minha imagem e não sentia orgulho do que via.

Um assassino frio, que havia matado as pessoas que eu mais amava. Eu sentia vontade de desaparecer, sem deixar rastros, fugir para sempre.

Depois de muito questionar o que eu deveria fazer, olhei pelo meu reflexo a arma que estava em minhas mãos.

Encarei a mesma com os olhos, e relembrei das cenas grotescas que havia visto hoje.

Com lagrimas nos olhos, desci novamente as escadas de encontro ao meu carro e dei partida.

Não sabia pra onde estava indo, apenas acelerava.

"Hey, hey, hey Joe

You better run on down"

(Ei, ei, ei Joe

É melhor você correr)

Sentia todo o meu corpo doer ao meio das ferragens do meu carro, minha cabeça latejava e eu só queria dormir. Senti um sono profundo se aproximando, um sono eterno, e assim o fiz. Dormi eternamente.

"Goodbye everybody, ow"

(Adeus para todos).

Notas finais
Deixem review, ok? :}
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!