Beta - The Play [Fanfic Interativa]

25 Capítulo 25 - Xeque & Peão


Notas iniciais
Estes são os penúltimos capítulos da Batalha das Guildas. Nos últimos capítulos irei narrar os contratempos e as carnificinas. Beijos.

Xeque & Peão

Aletea os guiou até uma gruta onde ela garantiu ser seguro ficar. A gruta era bem esquisita, era verdade, pois ficava dentro de uma rocha. Era como se fosse uma rocha normal, porém com um furo e com uma porta. Oca. Hesitante, Kieran não queria acreditar totalmente naquele demônio, afinal ela era um demônio! Mas também não queria deixar Trevor de lado, e Trevor parecia bem mais empolgado com a idéia do que estivera em toda a viagem.

Quando o demônio se virou para ele, Kieran sentiu os pelos da nuca se arrepiar. Naquela posição, com o Sol se pondo atrás de seu corpo, a silhueta do anjo-demônio era bem visível, e isso era ainda mais surpreendente do que sua beleza. Quando deu por si, Kieran quase tocava-a, mas recuou depressa.

Trevor também percebeu estar meio desnorteado com tal imagem a sua frente, mas não se deixou abater tanto quanto Kieran. Virou o rosto para o lado e entrou na gruta, se certificando de que era segura. Quando saiu, viu uma cena típica de quem está querendo negar o começo de um sentimento: Kieran não conseguia disfarçar o quanto olhava para Aletea. Trevor suspirou, logo um demônio, Kieran?, mas tudo bem, afinal isso nós não escolhemos, simplesmente sentimos. Embora fosse mais ignorante que o resto das pessoas, Trevor entendia isso.

- Vamos entrar? Ai fora está frio.

- Sim. – concordou Kieran. – Você vem, demônio?

- Me chame de Aletea, por favor. E eu gostaria, mas não posso. É ótimo passar a noite com dois seres humanos bonitos como vocês, mas hoje de noite teremos uma seleção para o grupo de caça e eu não posso perder por nada. Minha prima e minha melhor amiga estarão competindo para se tornarem as caçadoras do reino dos anjos. Eu venho quando a seleção terminar.

- Tudo bem. – concordou ele, com um meneio, não disfarçando a decepção.

- Mas eu volto, viu? – ela riu – Não precisa ficar chateado. Você tem um bom espírito, conquistador.

- Conquistador?

- Sim. – ela lhe lançou um suave olhar que dizia “Seu espírito me diz isso”. – E você, humano, — ela se virou para Trevor – Dê uma chance para as oportunidades que surgem na sua vida. Você tem de derreter este gelo que cobre seu coração.

- Este gelo me impediu de cometer vários erros e de me fazer sofrer por muitos anos.

- E também impediu de te fazer feliz por simplesmente estar perto de alguém que goste, ou de se sentir amado pela pessoa amada.

Trevor encarou com ódio Aletea, porém vacilou. Ele tinha vindo para cá exatamente para tentar uma coisa nova, agora que já tinha um melhor amigo, poderia ter uma namorada? Voltou os olhos para Aletea. Será ela? Ela estava gostando dele? Trevor tentou afastar esses pensamentos perturbadores.

- Seu espírito está agitado, o que está havendo? – ela perguntou. – O que te trás tanta confusão?

- Nada. – Trevor fechou a cara e entrou na gruta, sem mais.

Aletea deu de ombros e abriu as asas até se alongarem completamente, então alçou vôo e subiu alto no céu. Kieran teve vontade de dizer “Volta logo”, mas pensou melhor e concluiu que aquilo seria constrangedor e idiota demais para se dizer. Quando virou-se para o amigo, Trevor soltou um riso fraco e colocou uma mão em seu ombro.

- Cara, você ta ferrado.

º º º

Enquanto Aletea não voltava, eles resolveram jogar alguma coisa. Claro que Kieran sugeriu mil e um jogos, e claro que Trevor respondeu que ganhava em todos. Por fim, resolveram jogar soletrando. Ah, tem coisa mais chata para se fazer? Com certeza eles deveriam estar bem entediados. As palavras eram sugeridas por Kieran, e quem soletrava era trevor. Assim, ninguém ganhava nem perdia.

A Lua Minguante brilhava no céu como se ela fosse o astro cheio de luz, e não o Sol. As estrelas ao seu redor formavam desenhos, algumas pareciam estar conversando, de tão próximas, outras pareciam querer se isolar. A maior constelação era a chamada Dragão Rumo ao Sul. A constelação era, como o nome já dizia, um dragão que parecia estar voando para o sul. Assim, esta constelação servia de bússola para os viajantes da noite.

O céu era tão negro quanto qualquer outro céu em centenas de milhas dali. Centenas não, trilhenas, quatrilhenas, enfim, eu não sou muito fã de matemática...

Normalmente, a floresta (ou selva) estava quente e úmida. O vento parecia não penetrar nas árvores, já que estas estavam tão próximas uma das outras. Embora não houvesse vento ou frio, o barulho dele correndo a quilômetros por hora era evidente ao fundo. Os grilos e sapos cantavam, as corujas pareciam antenadas ao luar. Os animais estavam dormindo e os animais noturnos estavam a procura de caça. Tudo como deveria ser em uma flores (ou selva) normal. A menos pelo som dos gritos e vaias vindas do céu.

Uma festa no céu, foi o que Trevor pensou. Os anjos estavam dando uma festa no céu, com certeza. Eles pareciam assistir uma partida de futebol, gritando para os jogadores darem mais de si, ou vaiando o time adversário. Isso o irritava, afinal ele não podia saber o que estava acontecendo. Por dois motivos, aliás: Primeiro ele não sabia voar. Segundo que Aletea logo voltaria, e, sinceramente, ele não queria que ela ficasse brava por causa dele, pois se Aletea já era chata normalmente, como seria brava? Um arrepio subia a espinha de Trevor só de pensar nisso.

- Jogabilidade.

- J-O-G-A-B-I-L-I-D-A-D-E.

- Pluviométrico.

- P-L-U-V-I-O-M-E-Acentoagudo-T-R-I-C-O.

- Cansei. – disse Kieran.

- Eu também. – concordou Trevor. – Acho melhor desistirmos de esperar, ela com certeza não vem mais. Acho bom dormirmos logo.

- Tudo bem. – Kieran deu de ombros, se deitando perto dos pés de Trevor. – Mas me acorde caso ela chegue.

- Prometo.

Assim que Kieran fechou os olhos, Trevor encostou a cabeça na árvore em que estava encostado e começou a pensar muito sobre aquilo. Olhou para o céu, e para dentro da caverna. Depois pensou em sua missão e na guilda. Será que deveriam mesmo voltar? Seria ótimo ficar por lá, sem preocupação, e então, como ele e Kieran haviam pensado, matar um por um nas guildas Talvez Aletea os ajudasse. Seria um golpe de exilados.

Enquanto pensava nisso, percebeu que eles tinham sido mandados como última escolha, já que ninguém mais da guilda iria querer ir para a floresta dos exilados. Na verdade, ele notou que era apenas mais um peão naquele jogo. Um mero peão que era manipulado para proteger as outras peças mais importantes. Mas, o que poucos sabiam, era que os peões, quando chegam no final do tabuleiro, podem se transformar em qualquer outra peça. E assim ele jurou que iria se tornar o bispo, claro que Trevor sempre amou os bispos.

Para ele, eram mais importantes do que os reis ou rainhas. Os bispos eram astutos e ligeiros. Se não se tomasse cuidado ele estaria logo te devorando. Assim, como andavam na diagonal, era mais difícil alguém perceber sua presença. Assim, Trevor seria como um bispo. E ele se vingaria de tudo e de todos.

Assim, nenhuma guilda venceria o The Play, e sim ele. Isso seria uma reviravolta digna de sua presença, afinal nada do que ele faz acaba sendo traçado por regras. Ele gosta do imprevisto.