Notas iniciais
Esses são meus escolhidos para representarem a guilda Asa Branca.

A Podridão

Hoje narrarei sobre dois personagens não muito legais. E, para nosso azar, a autora quis juntá-los. Primeiro falaremos de Toorigami, ou Anthropophagus (ou como eu gosto de chamá-lo, Canibal). Toorigami nasceu e cresceu. Fim. Sua vida é isso. Ele é uma casca sem conteúdo, sendo uma pessoa sem nenhum aspecto bom. Um canibal nato, ele já executou milhares de pessoas, sendo por causa de seu trabalho, ou por causa de seu outro trabalho.

Toorigami fora vendido pelo pai para uma família rica. Lá ele foi tratado como cão de irmãs gêmeas, que abusavam desse pobre servo. Assim, apanhava dias e noites, tanto pela irmã raivosa, quanto pela gentil. As duas pareciam gostar dele, mas na verdade o faziam de gato e sapato. Toorigami nunca se importou com isso, sempre submisso, ele obedecia a qualquer regra ou ordem das suas amas.

Quando elas cresceram, ele continuou sendo escravo. Mas um dia elas foram longe demais, trancando-o no quarto e passando dos limites entre uma dona e um servo. Toorigami nunca ligou para relações sexuais, na verdade, principalmente quando feitas sem um toque de romantismo ou amor. Por isso, não mudou em nada. Embora aquilo não fosse um abuso, era algo imperdoável. Mas não imperdoável para as gêmeas, imperdoável para ele. Assim que o pai delas soube do ocorrido, chamou-o e, na frente de todos os moradores da mansão, deu-lhe uma coronhada com a arma. Click. Foi esse o barulho que o cérebro de Toorigami fez ao ligar o modo “canibal”. Fora de si, já com a mente danificada pelas surras das irmãs, aquela coronhada foi o que bastou para ele se perder de sua razão e começar a entrar em estado de... Não há um bom adjetivo para isso... Ou substantivo, que seja... É algo incompreensível. Ele matou todos, inclusive as donas. Elas morreram em seus braços. As duas, calmas e pelo que pareciam felizes.

Essa é a história de Toorigami. Agora, a do outro apodrecido... Raed Aomine. Não ligue, nem eu sei pronunciar isso! Filho de um árabe com uma japonesa, vindo de um casamento arranjado. Sempre com seu pai longe e sem nenhum amigo. Tudo pelo que passou, toda a solidão e a preferência dos pais pelo caçula, fizeram com que o transtorno de personalidade se agravassem. Nunca teve um relacionamento, nunca conversou de verdade. Nunca sentiu nada por ninguém. Tudo era sem graça. Nunca teve uma cor preferida, todas pareciam deprimentes. Nunca gostou de um estilo musical, a música parecia barulho para seus ouvidos. Enjoado, alguns o chamariam assim, mas tudo era graças a sua doença.

Outra casca vazia.

Matemática simples: Menos com menos...

Dívida. Foi isso que os uniu. Membros da guilda Asa Branca, tanto Toorigami quanto Aomine tinham vidas vazias e sem graças. Não eram nada mais que pobres aprendizes de arqueiro. Arqueiros eram muito comuns na guilda.

A primeira dívida foi feita num treinamento intensivo. Os aprendizes forma testados e divididos em dois grupos de dez pessoas. Cada grupo representava um lado da guerra. E juntos eles iriam ter de batalhar. Não era uma briga de verdade, ninguém morreria. Era um combate por diversão, como chamavam, o que queria dizer que, quem morresse, só iria sair do combate, sem morrer de verdade no jogo. Por pura coincidência do destino, Toorigami e Aomine estavam no mesmo grupo. Quando Aomine lutava corpo a corpo com um dos adversários, uma flecha veio de cima, querendo atingi-lo na cabeça. E se não fosse por Toorigami, teria atingido. Assim, Aomine e ele ficaram vivos até o fim do treinamento.

A segunda dívida era ainda maior, Aomine matou por acidente o raro dragão de bronze de Toorigami. Sim, acidente, pois o dragão queria atacá-lo sem mais nem menos.

A terceira dívida era mais ou menos feita para concretizar a aliança dos dois: Toorigami era um excelente cozinheiro, e trabalhava nas horas extras num dos melhores restaurantes da capital Bela Vista. E como Aomine não tinha dinheiro suficiente para pagar o jantar, teve de pedir uma ajuda do já conhecido Toorigami, que pagou com seu desconto especial de funcionário.

Duas cascas, duas caras sem sorrisos. Um movido pela vontade de mudar e ser amado pelas pessoas. Outro movido pela vontade de esquecer todas as mortes e recomeçar uma vida. Movidos pela esperança de recomeçar.

- Direita, esquerda. – indicou o instrutor de guerra. – O Batalhão F ficará no G1, e o Batalhão J ficará no G2. Entendido?

- Sim, senhor – todos os líderes de batalhão concordaram.

Toorigami era do Batalhão B, e Aomine do Batalhão H. a dívida com Toorigami, só fez com que ele quisesse se aproximar mais do garoto. De repente Aomine percebeu que aquela poderia ser sua chance de começar uma vida social. Porém, nem ele, nem Toorigami queriam começar uma amizade ou relacionamento. Será possível criar uma vida social sem nenhum relacionamento? Sim. É possível. Se você viver rodeado de outros anti-sociais, vocês terão uma vida social de grupo, um grupo silencioso.

No navio, eles iam em quadrados diferentes. Um Batalhão não podia entrar em contato com outro, ainda mais o Batalhão B que ficava no começo do navio e o Batalhão H que era um dos últimos.

No primeiro dia na terra de Demônio das Trevas foi o mesmo, não puderam se ver. Mas mesmo assim, queriam muito. Talvez pudessem se ajudar mutuamente.

Notas finais
Toonari:http://www.zerochan.net/1592047
Aomine: http://www.dodaj.rs/f/2y/U3/xok6Ozc/2.jpg
--THEPLAY--
Próxima guilda: Chama do Oriente.