Beta - The Play [Fanfic Interativa]
3 Capítulo 3 - Anna, Aninha, Anão.
Notas iniciais
Anna, Aninha, Anão
Anna, eu. Não ligo para o que você pensa de mim, para o que você acha e para a sua opinião. Quer saber, enfie ela no seu orifício fecal. Não ouse me chamar de “Aninha”, nem de “Anão de Jardim” ou coisas do tipo. Sei da minha altura e pouco me importa. Não vou falar a velha frase “Tamanho não é documento” pois eu simplesmente odeio repetir coisas que não fazem mais diferença. Sim, eu uso óculos, e daí? Isso não me torna uma pessoa séria. Sim, eu sou a primeira da classe. Sim, eu sou a primeira dos primeiros anos. Sim, eu sou a primeira na lista dos melhores da escola.
As únicas coisas que você precisa saber sobre mim são: Não se meta em meus assuntos; Não tente ser meu amigo; Não se dirija a mim como meu amigo; Jamais, nunca, ouse me chamar de apelidos. Meu nome é Anna e pronto.
Ter HIV positivo é a coisa mais chata que um ser humano tem! E ainda por cima eu peguei uma gripe violenta... Estou com duas semanas de atestado. A única coisa que passa pela minha cabeça no momento é: Estude! Estude! A única coisa que quero fazer é estudar. Não há nada no mundo que me traga mais satisfação do que tirar a nota máxima em uma prova.
Meu vício? Jogos de morte. Tudo que é tipo de jogo online. Sei como elevar o poder ao extremo, sei como upar facilmente. Para os outros jogadores do meu nível eu sou uma deusa. E isso me faz bem. Esse calor de quando eles dizem que sou demais, de quando pedem para serem iguais a mim. Há coisa melhor no mundo do que ser adorada? Não!
A Vaidade é algo que corre em minhas veias. E não preciso de mais ninguém para dividir esse sangue infectado e sujo.
Sou um estorvo.
- Estorvo? – mamãe ergueu uma sobrancelha. – Isso é tipo de Autobiografia?
- É o que penso sobre mim. – dei de ombros, sem muito querer ouvir o que ela tinha a dizer.
Como se lesse meus pensamentos, mamãe sorriu.
- Se não quer minha opinião, por que veio me mostrar?
- Os filhos devem fazer isso. É obrigação. – respondi, sem querer prolongar aquilo.
De alguma forma esquisita, minha mãe é o total oposto de mim. Ela é alguém animada, alguém que quer sempre saber como vai a vida dos outros. Isso é ser intrometido. Se os outros estão bem ou não é problema deles. Não entendo essas pessoas intrometidas. Acho que minha mãe deveria fazer uma terapia para parar de ser intrometida.
- Como vai a escola? – quis saber, como sempre.
- A escola não vai. Ela está parada. Como sempre esteve. – sorri, sarcástica.
- Eu quis dizer nos seus estudos.
- A primeira da classe como sempre. Sim, eu sei, você está orgulhosa. Eu sei que sou uma boa filha e sei que devo continuar assim.
Ela ficou me medindo com os olhos. Sim, eu estava satisfeita. É fácil adivinhar o que minha mãe vai dizer. Afinal ela é igual a qualquer mãe. Que desperdício, mães são réplicas. E nem para serem réplicas boas.
Fico feliz por ser filha única, assim não tenho mais um enxerido para botar o nariz onde não foi chamado. Que droga. Minha família é uma réplica de todas as outras. Jamais serei assim com meus filhos. Irei tratá-los como eles devem. Não me interesso pela vida deles, desde que eu esteja indo bem no trabalho.
É pergunta é: Um dia terei filhos?
Pelo jeito como sou sincera, acho que as pessoas, principalmente meninos, iriam se assustar. Não me importo em ter um namorado, eles só servem para saciar desejos carnais. E não tenho desejos carnais.
- Bom dia, querida. Bom dia, Anna.
- Bom dia, amor. – mamãe respondeu.
- Para quê desejar bom dia? Se o dia vai ser bom depende de mim. – dei de ombros – Bom dia, papai. – sorri, sarcástica.
- Obrigado, Anna.
Pelo menos meu pai não prolonga conversas sem importância. Ele sabe a filha que tem, sabe que ela não é uma réplica de todas as outras filhas. Acho que meus pais devem sentir muito orgulho de terem uma filha como eu, afinal, sou esclarecida. Pobres réplicas, jamais chegarão aos meus pés.
Peguei minha bolsa, coloquei a máscara e avisei que estava saindo. Ir a escola é uma rotina quase perturbadora. Todos sempre andam em grupo, mas para quê? São idiotas que se sentem vulneráveis se estão só. Pobres bestas. Filhos bastardos. Dôo-me de pensar nisso... Às vezes penso que uso palavras que nem existem...
A melhor parte de meu dia é a entrega das provas. Ah, o sabor da doce vitória. O sabor do doce mel que é eles dizerem como eu sou inteligente, esperta e estudiosa. Há aqueles que ficam com inveja, outros que pedem para eu lhes ensinar e os outros poucos não dão a mínima. E esses poucos outros que me interessam. Como representante da turma, sou eu quem escolhi meu vice-representante. Numa escola de mestiços, um japonês puro é rei. Kyoto. Indiferente, sarcástico, maléfico. Briguento. Tê-lo como guarda-costas é o objetivo de muitos alunos mais novos. Na verdade já foi meu objetivo uma vez, mas desisti, pois percebi que pedir a ajuda dele era igual a dizer que eu sou tão fraca e baixa como ele.
Por mais que eu me force a pensar em coisas positivas, sempre meus pensamentos se voltam ao mundo que adoece assim como eu. De que serve eu ser tão esclarecida se minha expectativa de vida não passa dos vinte anos? Acho que Deus escolhe as melhores pessoas para tirar do mundo mais cedo. Pessoas que talvez pudessem abrir os olhos dos outros cegos.
- Não te entendo. – disse Kyoto. – Você quer conversar comigo, porém não quer que eu te mencione, não quer ter de me ouvir e não quer ser minha amiga. Você estranha demais.
- Prefiro o termo: Diferente.
- Certo. – ele relaxou os ombros – Espero que esteja preparada.
- Ok. – me preparei, eu realmente não queria ouvir nada, mas, depois de ter falado mil coisas a ele, deveria ouvir o que ele tinha a dizer, não é assim as conversas?
- Vou morrer amanhã.
- Como é?
- Vou me internar amanhã e começar um treinamento intensivo para um jogo. – ele lançou os olhos para outro lado.
- Sim, eu também. Mas vou continuar vindo na escola.
- Como? Você... Tem alguma doença terminal? – ele a encarou.
- Sim. E você não precisa saber. Não vou de contar. E não ligo para sua curiosidade. Agora, como acha que eu não vou conseguir vir para a escola?
- É um treinamento intensivo, não dá para equilibrar escola e o jogo.
- Posso. E vou. Não deixarei minhas notas chegarem à zero por causa de um treinamento.
Ele sorriu, e uma forma que ninguém nunca tinha sorrido ao conversar comigo. Na verdade minha conversa nunca demorava mais do que quatro frases, eu sempre conseguia enxotar quem quer que seja. Mas... Ele sorriu. Não se importava com minhas respostas rápidas e frias.
- Eu tenho HIV positivo. Ou se você preferir, AIDS. – suspirou – Foi constatado que eu tenho Alzheimer e algum tipo de síndrome que faz meu cérebro retroceder. Juntando tudo isso: Logo eu serei um homem de vinte anos com mentalidade de dois meses. Não saberei como andar nem como falar. Esquecerei meus pais por causa do Alzheimer e me tornarei um peso morto por causa da síndrome. Além de tudo se agravar com HIV.
Ela assentiu. Sabia exatamente o que ele estava dizendo. Embora não tivesse nenhuma síndrome nem Alzheimer, ela já havia sofrido muito. Quase morrera quando pegou catapora. E estava com uma gripe terrível. Sentia que seu pulmão não agüentaria para sempre. Ela já tinha tido cinco doenças respiratórias, era incrível, para os médicos, ela ter sobrevivido mesmo com HIV.
De repente me vi contra a parede. Ela era eu, e Kyoto estava sendo sincero comigo. Era injusto eu não ser sincera com ele também? Ah, que droga, eu sabia que não deveria puxar conversa... Mas eu não falei nada.
Me sentia como se estivesse vendo aquilo em terceira pessoa... Oh, céus, eu queria fugir dali o mais rápido possível!
Notas finais
No próximo capítulo começarei a usar os personagens das fichas. Já vou avisando: Não vou na ordem de envio, vou pela melhor ficha, as que eu mais gosto eu escrevo primeiro. Por isso é bom fazer boas fichas. E para quem quiser: Podem fazer mais de um personagem. Beijos.
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