Beta - The Play [Fanfic Interativa]
26 Capítulo 26 - A Lâmina & Fim
Notas iniciais
A Lâmina & Fim
Nenhum de Nós — Astronauta De Mármore (http://www.youtube.com/watch?v=8rFXLeDTWys)
Silêncio. O sereno da manhã era muito frio, e a leve brisa que passeava pelo ar balançava a relva ainda escura, por falta da luz do Sol, que continuava dormindo atrás da terra. A Lua quase se enterrava na terra, também. Lá, de onde ela estava, parecia sorrir como uma criança. Isso acolhia Yuuki e lhe dava ainda mais vontade de dormir. Os braços de Luo eram confortáveis, por isso ela o logo o faria. Quando deu por si, já estava com um olho no sonho e outro ainda no mundo. Não se preocupou, afinal estava com ele, e se estava com ele, nada iria acontecer.
º º º
Abriu os olhos quase que ao mesmo tempo que Luo. Ele também tinha dormido. A pequena barraca que tinham conseguido para passar a noite não era tão fria, na verdade ela os manteve vivos e imunes do vento cortante que agora açoitava o mundo. Luo a abraçou mais forte, trazendo-a para cima, bem perto de seu rosto. Assim, Yuuki sentia mais vontade de beijá-lo, mas não o fez, pois deveria estar com um mau hálito horrível. Mas espere...! Isso é um jogo, não temos mau hálito!
- Bom dia, minha rainha. – ele afagou-a.
- Bom dia, Luo. – respondeu tentando ser o mais romântica possível.
Eles se entreolhavam com afinco, e ninguém queria dizer nada. Por súbito desejo e pelo momento, Luo lhe beijou gentilmente no canto dos lábios. Ela o viu fechar os olhos, como se quisesse dar atenção somente para ela. Ele a cultuava, isso sim. Luo a tratava com sua deusa. O que ela não era em lugar nenhum. Jamais gostaria de ser deusa, nem cultuada.
Se desvencilhou de seus braços. Aquele amor era doentio e não saudável. Ele era sofrido, e não feliz. Ele era mau, e não bom. Era um pecado.
O encarou. Jamais queria voltar a estar em seus braços, jamais. Enquanto ele não parasse com aquilo, nunca voltaria a vê-lo. Ou... Será apenas ilusão? Ela não entendia seus pensamentos. Será que deveria ficar com ele? Ou deveria deixá-lo? Enquanto os pensamentos de incerteza tomavam conta dela, Luo a encarava. Estava magoado. Ela havia se negado para ele, pela primeira vez. Isto era muito ruim, para ele. Jamais tinha acontecido algo igual, pois Luo nunca tivera coragem de namorar uma menina (nem mesmo um menino).
Aquilo a consumia. A incerteza era a pior de todas as sensações, disso tinha certeza. Decidiu, por fim, ficar com Luo.
Quando ergueu os olhos para encará-lo, sentiu pena e ao mesmo tempo ódio. Pena dele, ódio de si. Luo lhe deu um sorriso, ignorando o que tinha acontecido antes, e tentou se aproximar dela, com sucesso. Tomando coragem e sendo levado pela deixa que Yuuki tinha dado, Luo lhe abraçou forte e pediu para que nunca mais fizesse isso com ele. Embora ela não tivesse entendido, prometeu nunca fazer. Assim, ele tentou outro beijo, que foi concluído com sucesso. Esta operação estava sendo boa. Talvez Luo devesse parar por ali, para que Yuuki não achasse que ele estivesse indo rápido demais, e assim o fez. Quando a soltou, percebeu que ela tinha ficado satisfeita.
Era inevitável não sentir o desejo de tê-la ainda mais, ele era homem e não tinha como negar seus desejos de homem. E nesta lista estava Yuuki, praticamente no topo da lista.
º º º
Quando a guerra já estava no meio, e mais de dois mil soldados tinham morrido em ambos lados da batalha, Yuuki e Luo entraram em ação. Cavalgando dois cavalos escuros, eles trotaram até onde a batalha era travada.
O sangue jorrava de todos os lados, e era inevitável não ser contaminado. Os cavalos foram logo derrubados. Luo a defendia pelas costas, enquanto Yuuki fazia o mesmo. O primeiro adversário veio com um machado em mãos, ele gritava. Foi fácil se abaixar e golpeá-lo na barriga gorda de chopp. Os homens ali não eram treinados, simplesmente foram alistados para lutar, isto era muito bom.
Luo também tinha conseguido acertar mais um. O segundo oponente veio como um vento, ele era rápido e logo conseguiu acertar sua perna com uma adaga. Quando ela caiu, o homem forte e musculoso a imobilizou com os joelhos, e levou a adaga até sua garganta. Se não fosse pela respiração ofegante de seu próprio corpo, Yuuki teria jurado não ouvir nem ver mais nada além do homem que estava sedento por seu sangue.
Quando o sangue lhe tomou conta da face, ela jurou que jamais ficaria por baixo quando Luo acertasse a Aorta de algum oponente. Ela rapidamente jogou o corpo do homem e se levantou com dificuldade. Os oponentes estavam todos mortos. Não havia mais ninguém. Somente alguns soldados já feridos e debilitados, esperando a morte. Os adversários tinham recuado para seu acampamento, como se tivessem recebido uma ordem.
Yuuki logo sentiu a dor tomar sua panturrilha. Quase vacilou, se não fosse por Luo estaria de cara no chão. Ela se recompôs e mentiu que estava tudo bem, mas logo vacilou de novo, e ele se convenceu de que teria de carregá-la no colo. Embora ela falasse, não havia nada que o mudaria de opinião, por isso ela logo se calou.
Não admitiu, mas gostava de estar sendo carregada para longe da batalha. E principalmente por poder limpar o rosto sujo de sangue no ombro de Luo. Ele era confortável e a trazia paz. Neste momento, ela excluiu de vez de sua mente qualquer coisa que a fizesse ponderar em deixá-lo.
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