Beta - The Play [Fanfic Interativa]
11 Capítulo 11 - Anjos & Demônios
Notas iniciais
Anjos & Demônios
Quando a viu pela primeira vez, já soube que se tratava de um anjo. Não um elogio, mas um Personagem Não Jogável. Um anjo era raro no jogo. Fadas e elfos eram bem comuns. Fadas eram aliadas de feiticeiro, elfos ensinavam a construir casas, navios, fogueiras e tudo mais. Mas os anjos... Anjos eram o oposto de Demônios. Anjos e Demônios era raros. O primeiro anjo avistado por todos voava tão rápido quando qualquer outra coisa. Já o segundo, era uma menina. E ela pertencia a guilda Chama do Oriente. E apareceu primeiramente para Charles.
Quando acordou, deitado naquelas pedras, diante da cachoeira, ele tomou nota de que não estava mais em casa, e sim em sua nova casa. E isso o alegrou e ao mesmo tempo o entristeceu. Sentiu tanta saudade de Lisa que mal pôde suportar a primeira noite. No segundo dia houve as eleições de presidentes, e quem venceu foi Henry, um homem alto e forte, deveria estar no auge da juventude.
Charles, agora batizado como Owl, ou popularmente conhecido como O Coruja, era um famoso jogador. Não pela sua habilidade em espada, nem por ser alto ou esbelto, mas por chamar a atenção de qualquer mulher. Assim, logo surgiram convites para ele se aliar aos grupos de homens que treinavam juntos. Charles podia ter onze anos, mas entendia bem das coisas, sabia que eles só queria ficar com ele por causa das meninas, e por isso tratou de andar sozinho. Assim, encontrou pela primeira vez o anjo, andando solitário por qualquer canto da terra de Chama do Oriente.
Ela tinha cabelos brancos como os de uma velha, porém eles tinha uma cor mais viva e eram lisos, e não tinham aspecto de serem velhos. Os olhos eram dourados, o que era muito comum em fadas de ouro. Mas ela visivelmente não era uma fada. Tinha asas, e não eram asas comuns, como as de qualquer fada, eram asas iguais as de uma águia, com penas. Ela vestia algo parecido com um uniforme escolar, porém em vez de calça ela tinha uma saia. Na Austrália os uniformes não eram daquele jeito. Ela o encarava com força, como se quisesse confirmar algo.
- Oi?
- Você pode me ver? – sua voz era tão profunda quanto o do petróleo.
Charles ergueu uma sobrancelha.
- É claro que posso te ver. – respondeu, com incerteza.
Será que realmente estava vendo-a? Algo nela fazia parecer que ela não podia existir. Mas o que? Isso era uma pergunta que o atormentaria por mais alguns meses. Quando ela abriu as asas e saiu voando, deixando para trás a fumaça da terra, Charles teve de tampar os olhos. E quando retornou a abri-los, ela já havia voado para dentro das nuvens. Hesitante, ele retornou a base da guilda. O que tinha acontecido? Ele havia encontrado um anjo?
Os anjos são seres que trazem sorte, pelo que os elfos tinham contado. Anjos podem ser bons ou pode ser maus. Os anjos maus são considerados Demônios, e estes trazem azar. Anjos e Demônios são parecidos, os dois possuem asas brancas e tem cabelos brancos. Porém você pode identificar um Demônio pela cor de seus olhos. Se ele tiver olhos vermelhos, é um Demônio. Os anjos possuem variadas cor de olhos, porém assim que cometem algum pecado seus olhos ficam vermelhos, e ele se torna um Demônio. Nunca fora visto em nenhum lugar um Demônio. E agora dois anjos tinham sido vistos.
Dizem que o primeiro anjo avistado é Angel, o pai de todos os anjos. Ele é mas rápido de todos. Assim como Pégasus e seus filhos Pégasos.
Charles encontrou Kyun enquanto visitava a biblioteca élfica. Kyun agora era batizado como Baekho, que significava tigre branco.
Kyun se tornaria seu protetor. O único que não se interessava nas meninas que iam atrás de Charles. Kyun e Charles não eram íntimos. Charles nunca conversou mais de cinco palavras com Kyun, mas de uma forma silenciosa eles aceitaram ser companheiros.
- Está fazendo frio hoje, é melhor usar um casaco – dizia Charles.
- Sim. – respondia Kyun.
Assim cuidavam um do outro.
- Acho que vai chover, você precisa de um guarda-chuva – dizia Kyun.
- Me empresta o seu? – respondia Charles.
Charles não sentia necessidade de contar a Kyun sobre a aparição do anjo, na verdade nunca teve necessidade de contar a ninguém. Era como se fosse seu segredo.
Porém o anjo apareceu uma segunda vez. Charles estava numa aula de arco e flecha, quando sentiu que sua flecha tinha caído do outro lado do vale. Sentiu, sim, pois Charles tinha um espírito de vento morando dentro dele, isso queria dizer que ele era um feiticeiro especializado em vento. Quando foi para o local onde havia sentido que a flecha estava, ele encontrou-a nas mãos do anjo.
- É seu?
- Sim. – Charles andou cauteloso, em sua direção. O anjo não parecia ter mudado. E seus olhos eram dourados, o que queria dizer que não era do mau. – Suas asas... O que fez com elas?
- Guardei. – o anjo respondeu. – Sua flecha, mestre. – ela estendeu a flecha e se ajoelhou, curvando a cabeça.
- Não precisa fazer tudo isso...
- Você é o mestre. – ela respirou fundo – O mestre que vai me tornar a mais veloz de todas.
- Não entendo. – Charles pegou a flecha de suas mãos. – Do que está falando.
- Cada feiticeiro de vento possui seu anjo. – ela explicou com calma e cuidado – Você é meu mestre. Você vai me fazer o anjo mais veloz.
- Você está falando do Angel?
- Papai morreu. – ela sussurrou quase que espalhando suas palavras ao vento que bateu fraco – E agora precisamos de um anjo que se torne Angel.
- Qual seu nome? – perguntou com hesitação.
- Abigail. – o anjo o encarou – Meu nome é Abigail.
- Abigail... É um nome incomum para anjos.
- Não fui eu quem escolhi. – ela lançou um olhar de peso para o lado – Mestre, quero me tornar seu servo.
- O quê?
- Use-me.
- Ahn?
- Serei fiel ao mestre.
Charles soltou um grito agudo e fraco do fundo da garganta. Aquela... Aquele... O anjo estava flertando com ele? Já ouvira muito dessas frases de outras garotas, mas... Ela disse algo como todo os feiticeiros de vento possuem seus anjos, assim como os de fogo tem seus dragões e os de terra seus grifos. Um anjo... É por isso que feiticeiros de vento eram tão raros?
- Ela está te perturbando, Owl? – Kyun disse com a voz grossa.
- Baekho, desde quando está aqui?
- Vim assim que notei seu desaparecimento. – o senso de rastreamento de Kyun era extraordinário. – Quer ajuda?
- Mestre, — o anjo falou com firmeza, assim como Kyun falava – deixe-me mostrar do que sou capaz.
Charles virou a cabeça para ela, porém não havia mais nada no lugar. Como se tivesse... Desaparecido. Então o truque de ficar invisível, ela tinha conseguido aprender. Charles encarou Kyun, não sabendo o que viria a seguir.
Uma rajada de vento soprou de Norte, e isso fez a atenção de Kyun se voltar para o norte. Uma armadilha. Recebeu um chute na costela, nas costas. Ela tinha aparecido, voando com as asas paradas. Quando ele caiu no chão, ela estava com seus sapatos em cima dele. Ofegante, parecia cansada de ter feito tudo aquilo.
- Ainda... Estou aprendendo a controlar minha energia. – sorriu, um sorriso mecanizado, robotizado. Um sorriso forçado.
Charles já tinha visto outros Personagens Não Jogáveis sorrindo, porém o sorriso dela era bem forçado. Acho que Abigail nunca sorriu. Ela nunca teve um motivo para sorrir. Assim como todos os outros anjos, foram programados com passados cruéis. E o de Abigail era um dos mais cruéis. Ela tinha perdido seu amor num acidente de carro, e morreu também dois meses depois, após ter ingerido veneno de rato. Abigail não encontrou o namorado no céu, ele não era um anjo. Sua memória era programada, ela não havia vivido aquilo de verdade, porém pensava que sim. E agora pensava que era serva de Charles. Isso é algum tipo de história de amor romântico clichê, senhorita autora? Ah, claro, eu devo calar a boca e continuar a narrar...
Kyun insistiu em levá-la até um elfo especializado, e quando chegaram na aldeia Chama Celeste, foram recebidos com uma chuva de perguntas. “Onde encontraram ela?” “É um anjo?” “Ela é sua namorada, Charliezinho?”, enfim, perguntas que eles não se deram ao trabalho de responder.
- Interessante... No passado tem uma história de que um feiticeiro tenha usado o poder de um anjo e se tornado o mais poderoso de todos. Mas nenhuma história de que um anjo usou o poder de um feiticeiro para ser um Angel. Angels são uma classe de anjos superiores. São chamados de adultos. Quando um anjo passa a ser Angel, ele é como uma divindade. E sobrou somente um, que pelo que sabemos agora morreu. E os seus filhos querem tomar o lugar do pai morto.
- Isso. Nos dávamos bem, porém agora é uma guerra. – Abigail confirmou – Eles não querem me ouvir, tentam agir por conta própria. Somos seres do vento, por isso um feiticeiro do vento é como uma divindade para nós. Se eu levar Owl para uma reunião, posso convencê-los a trabalhar juntos e assim poderemos todos passar a ser Angels.
- Os anjos são seres muito primitivos... – O elfo coçou a barba longa – Suponho que eles querem se tornar um único Angel e dominar todos os anjos.
- Exatamente. Eles pensam que podem ser “líderes”.
- Entendo... – o elfo tocou a cabeça de Abigail – Você é uma semi-anjo, não?
- Ahn...
- Eu previa isso. Somente um semi-anjo poderia ter consciência disso. Semi-anjos são filhos de anjos com Angels. De acordo com o histórico, os semi-anjos são mais racionais e mais espertos que os anjos.
- Espere... Os Angels são...
- Feiticeiros de Vento, assim que um feiticeiro de vento atinge um nível alto o bastante, ele ganha asas e se torna um Angel. – o elfo explicou – No caso, Abigail quer que você se torne um Angel e vá colocar ordem no mundo dos anjos.
Notas finais
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Tem três imagens.
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Espero que tenham gostado. Amanhã eu posto mais! Beijos e boa noite.
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