Best X-mas Ever

1 The Best Ever


Notas iniciais
Bom, fic simples, altamente açucarada, feita especialmente para o dia de natal.Idéia meio clichê, mas no final das contas eu gostei dela =D Não-betada, apenas para não passar esse natal em branco, que eu adorei escrever.Espero que gostem
Feliz Natal!

Sorriu orgulhoso, ao pendurar a última das quatro meias vermelhas que havia arranjado especialmente para aquele data que o pequeno gostava tanto, mexeu pela vigésima vez na mesinha de centro da sala ampla, se perguntando se a posição dela estava boa para quando os seus convidados resolvessem chegar.A decoração natalina se espalhava por todos os cantos, desde os pequenos enfeites que havia comprado na lojinha de conveniência próxima de sua casa, até a pequena pelúcia de rena que se encontrava jogada no sofá, que por sinal também estava com uma capa vermelha.

Sorriu animado, deixado os dentes salientes aparecem, suspirando satisfeito ao notar que estava quase tudo pronto para sua noite de natal, notando que estava quase tão animado quanto quando era criança, e ficava esperando o papai Noel chegar para pegar seu presente.Como gostava de juntar todo mundo e comer aquelas várias coisas gostosas que só eram feitas no natal, e que ele simplesmente adorava, rir com todos, e no final abrir os presentes que repousavam embaixo da grande árvore que tinha na sua casa.

Falando em árvore –pensou-, indo até um pequena sacola esquecida sobre a mesa que tinha sido impecavelmente arrumada, e tirando de lá, a estrela que tinha comprado, para que esta pudesse brilhar no topo de sua árvore de natal.Suspirou mais uma vez, notando que não teria altura para alcançar o topo da mesma, se perguntando porque comprara uma árvore tão grande?Pegou a pequena escada que tinha para quaisquer eventualidades, subindo na mesma e colocando a estrela no topo da árvore, para então liga-lá, com orgulho.

Pegou os presentes, que levara horas para escolher, depositando-os gentilmente sob a árvore, mordendo os lábios grossos, ao imaginar quais seriam as reações quando aqueles papéis decorados fossem rasgados e fossem reveladas as verdadeiras identidades dos presentes.Sabia que tinha escolhido com cuidado, levando em consideração o gosto de cada um, vendo cuidadosamente o que cada um iria gostar.

Mas ainda sim estava temeroso.

Tinha medo de não agradar, de deixar os outros chateados com suas escolhas, de magoá-los...Podia parecer besteira, mas queria que aquele natal fosse perfeito, tanto para ele quanto para os outros, como os natais que passava em sua casa, com sua família.Seria a primeira vez que passariam o natal juntos, com exceção de Nao, que prometera passar junto de sua família, jurando passar o ano novo com Hiroto, que reclamara horrores sobre o tanto de comida que ia sobrar sem a presença do bochechudo na ceia.

Quando a idéia surgiu, era só uma brincadeira, que o menor levou a sério, logo oferecendo sua residência para acomodar todos, e oferecendo-se também para cozinhar todas as coisas gostosas que tornariam a mesa farta, as quais estavam sendo cozinhadas naquele momento pela senhora gentil, que ao ver o pequeno desesperado com os ingredientes se oferecera para ajudar com a parte da culinária, enquanto o pequeno arrumava a casa e os últimos detalhes da mesma, querendo deixá-la perfeita.

Sorriu novamente, rezando em agradecimento a bondade da senhora, que apesar de morar perto, lhe ajudara sem nem querer cobrar a mais pelos serviços.

-Nee Mitsuri-chan?Eu já disse que você é a melhor cozinheira do mundo? –Apoiou-se no batente da porta da cozinha, vendo a senhora provar o que parecia ser o caldo de alguma coisa

-Hai Hiroto-sama!Você já disse várias vezes... –Torceu o nariz ao ouvir aquele “sama” já tão comum na frase da mesma, sem reclamar, pois já havia cansado de o fazer sem resultado

-Pois vou dizer de novo!Kami te abençoe Mitsuri, muito obrigada pelo que está fazendo hoje!Eu juro!Juro que vou retribuir com um lindo presente de natal –Comentou feliz, já pensando no que poderia dar aquela senhora tão boazinha que aparecera como um anjo em sua vida

-Ohh, Hiroto-sama, não se incomode com essa velha aqui!Você já está massageando meu ego demais!Não preciso de nenhum presente não querido, além do mais, só de ver toda a sua alegria eu já fico por demais feliz... –A senhora pareceu ficar pensativa, parando os movimentos que fazia por alguns segundos e fitando ao longe

-Hey?Tudo bem com a senhora?Está se sentindo bem? –O menor, notando a quietude incomum da senhora, se aproximou, pronto para ampará-la caso ela estivesse passando mal ou algo do tipo, mas surpreendeu-se ao ver uma pequena lágrima escorrer pelo rosto marcado de rugas da mesma –Misturi-chan?!O que aconteceu?Eu falei algo que não devia?!SE o fiz, me perdoe! –Ogata tentou falar, mas a senhora fez um gesto com a mão, tranqulizando-o

-Não é isso...É só...Você me lembra tanto o meu Mitsuki.A mesma energia,a mesma alegria, e o mesmo gosto pelo natal...Queria tanto que ele estivesse aqui. –E Hiroto apenas assentiu, passando a afagar os fios meios grisalhos da senhora, lembrando-se que o filho dela estava longe, estudando, mas que mesmo assim ela deveria estar morrendo de saudade, pois eles pouco se falavam, devido ao fato da ligação ser deveras cara.

E então uma idéia brilhou na mente do pequeno.

-Nee, já sei!Eu disse que ia te dar um presente não disse? –Sorriu para ela, vendo-a negar novamente, dizendo de forma muda que não queria aceitar o mesmo, mas o pequeno negou, sabendo que aquele seria o melhor presente que poderia dar aquela senhora –Porque a senhora, não vai ali no telefone e liga pro seu filho enquanto eu cuido da cozinha? –E Mitsuri apenas o fitou, surpresa, aparentemente sem saber o que dizer

-Eu...Eu não posso!

-Pode sim!É natal, e eu quero te dar isso de presente, porque eu sei que nada ia te fazer mais feliz que ouvir a voz do seu Mitsuki! –E a senhora pôs as mãos na boca, emocionada, fazendo uma reverencia respeitosa ao outro, que negou com a cabeça, abraçando aquela senhora cativante, para em seguida vê-la ir ao telefone quase que saltitante.Colocou um sorriso animado no rosto, pensando que a única parte insensata de sua decisão era a de que ele acabara ficando responsável pelas coisas feitas na cozinha.

Ó céus.

(...)

E o outro relaxou, passando a mão sobre a testa suada, vendo que conseguira manter tudo bonitinho, sem explodir a cozinha nem queimar nada, enquanto a senhora contava as novidades para seu amado filho, viu com gosto esta voltando da sala, com um sorriso enorme de pura felicidade, aproximando-se do mesmo e lhe abraçando em total agradecimento

-Muito obrigada Hiroto-sama, eu acho que não passo um natal feliz assim desde que meu filho foi estudar no exterior! –Ela sorriu, bagunçando os fios marrons do pequeno, que retribuiu o sorriso que lhe foi dispensado –Vejamos, você não deixou nada queimar ai não né?

-Iie!Eu olhei tudo direitinho!E cuidei para que nada queimasse!Porque eu vou ter a melhor ceia dos últimos anos! –E o pequeno guitarrista sorriu animado, pensando que ia passar seu natal com sua “família”, porque sim, era o que ele via naqueles quatro que tocavam consigo.

Eram sua família.

Juntos compartilhavam risadas, choradeiras, bebedeiras, problemas de trabalhos, ensaios, cartas de fãs e quase tudo mais que faziam.Era com eles que passava seus dias, nele em quem confiava ao contar um problema, e para eles que estava sempre disponível quando precisassem de algum tipo de amparo, qualquer que fosse.

Principalmente um certo Tigre.

Tora...O nome piscou várias vezes em sua mente, o nome daquele que não saía de sua cabeça fazia algum tempo, aquele a quem aprendera a ler, somente de observar com cuidado, o qual conhecia pelos gestos simples do dia a dia, feitos sem que o outro nem mesmo percebesse que os estava executando.Aprendera a ler os olhares de Amano, aprendera a saber o que ele estava sentindo, pela forma como mexia suas mãos, pela forma como passava as mesmas pelos fios negros.

Conhecia o maior melhor que a si mesmo.

Talvez o presente de Tora fora o mais difícil de escolher, talvez não.Com total certeza fora.E o pequeno escolhera com tanto medo, com tanto zelo, com tanta vontade de que o maior se apaixonasse pelo mesmo assim que abrisse o presente, que qualquer um poderia dizer que ele queria presentear uma namorada e não tinha o menor jeito para encontrar algo interessante.

Quem dera.

Não sabia como, mas aquele maior fora conquistando seu coração, pouco a pouco, com sorrisos gentis, conselhos, puxões de orelhas, e tudo mais que fazia do menor uma espécie de protegido do maior, seu melhor amigo, melhor conselheiro, e aquele que sempre lhe auxiliou nos momentos mais dificies.Não fora preciso nenhuma extravagância, para que o menor percebesse, que logo, as carícias inocentes que recebia, traziam a seu corpo, reações diferentes das habituais, que a proximidade que tinha com o outro, estava se tornando insuficiente, e que ele queria mais que aquilo.

Mas não podia ter.

Só o Murai sabia da sua paixão pelo moreno alto, porque Hiroto prometera a si mesmo que ia esconder todos os seus sentimentos e reprimir todas as vontades malucas que tinha quando o assunto era Tora, porque não queria, ou melhor, não suportaria em hipótese nenhuma perder a amizade que tinha com o maior, não sabia se agüentava viver sem a amizade do maior.

O maior era como uma base.

Se esta se fosse, então tudo iria ruir, e Hiroto nem queria ver o que ia sobrar, isto é, se sobrasse algo depois do terremoto que ia fazer tudo desabar.Sacudiu a cabeça, querendo espantar aquelas idéias porcarias “É natal!Preciso ficar bem animado!Não posso ficar pensando em coisas que não vão acontecer!”, sorriu consigo mesmo, pensando que seria ótimo passar o natal ao lado do maior.

Era inevitável girar ao redor de Tora.

Preferiu esquecer tais questões que envolvessem um certo cara alto, pelo menos por enquanto, retomando a mesma alegria de antes, passeando pela casa, ansioso e animado enquanto cantarolava Jingle Bells, pensando sobre as possíveis cenas que ia ver durante a noite.

Jogou-se no sofá fofo, abraçando a rena de pelúcia com gosto, fazendo qualquer coisa que pudesse diminuir nem que fosse um pouco a sua ansiedade.Fitou novamente o ambiente, notando que não havia nada que ele pudesse ajeitar, uma vez que já havia deixado a casa pronta para a noite que teriam.Fechou os olhos, deixando a cabeça repousar numa almofada fofa, quando sentiu uma coisa peludinha roçando em sua mão, abrindo os olhos e encontrando a pequena bola de pelos bege que tinha em sua casa¹, sorrindo para seu pequeno mascote, que abanou o rabo feliz.

-Nee, hoje é natal!Você também ta feliz nee Flea-chan²? –O cachorrinho pequenino aumentou a velocidade com que o rabo balançava, soltando um latido agudo e animado, fazendo Hiroto rir –Claro que está! –Pegou o cãozinho, que mais parecia um bicho de pelúcia erguendo-o no ar, beijando o topo de sua cabecinha peluda com devoção –Nosso natal vai ser ótimo nee? –Rodopiou, ainda com o bichinho em seus braços, cantando Hurry Xmas³ dessa vez

(...)

-Hiroto-sama!Eu estou indo, já deixei tudo prontinho!Aposto que você não vai ter nenhumproblema em servir as coisas! –A senhora sorriu, com sua bolsa debaixo do braço, a mão já na maçaneta e um sorriso ameno no rosto –Muito obrigada por tudo que você fez hoje! Você é realmente um menino de ouro!Talvez eu agora comece até a ouvir seus CDs! –Brincou, vendo o menor sorrir largo

-Sério!?Eu vou começar a mandar todos os nossos singles especialmente para sua casa!Quero ver se você vai ouvir mesmo! E quanto ao telefonema, não se preocupe, acredite, eu fiquei feliz de ver você sorrindo do jeito que ficou depois de falar com seu filho!

-Bom, eu já vou indo, você deve ter que se arrumar para o seu tão esperado Natal!Feliz Natal adiantado! –E se despediu, deixando um beijo doce na testa do menino, que sorriu, desejando-lhe um feliz natal também

As horas custaram a passar para alguém que estava tão ansioso quanto aquele pequeno, e demorou para que ele finalmente notasse que estava na hora de começar a se arrumar, sim, porque queria receber sua família, com a melhor aparência que pudesse!Se ergueu do sofá, no qual passara a tarde inteira, vendo os típicos filmes natalinos que todos os canais resolviam que iam passar só porque era dia 24, bom, pelo menos as criancinhas tinham o que assistir.Acordara o cachorrinho, que dormira sereno em sua barriga, vendo este bocejar ainda preguiçoso.

-Baka preguiçoso!Você pode dormir, eu tenho que me arrumar ! –E então se aproximou do cachorrinho, beijando-lhe o topo da cabeça novamente, sentindo o cheirinho de banho que este exalava, dirigindo-se para o banheiro, para tomar o seu próprio.

Ligou a água do chuveiro, esperando até que essa esquentasse o suficiente para se despir e entrar debaixo do chuveiro, deixando a água quente percorrer seu corpo, suspirando satisfeito, ao sentir seu corpo relaxando devido a quentura da água que passeava por suas curvas.Deixou a cabeça repousar na parede, quase cantarolando mais uma música natalina de tanta felicidade.Ficou no banheiro, até que os dedos das mãos e dos pés estivessem totalmente enrugados, saindo do banho, enrolando uma toalha na cintura e outra no cabelo, enquanto ia para o quarto, escolher sua roupa.

Parou em frente ao armário, abrindo-o sem ter a mínima idéia do que escolher, sabendo que levaria algum tempo até escolher algo que lhe agradasse, olhou casacos, blusas, paletós, calças e mais calças, sem conseguir se decidir por algo que considerasse bom o suficiente.Suspirou, pensando que era idiota o suficiente para não encontrar algo adequado para se vestir.Fez milhares de combinações, jogando roupas e mais roupas sobra a cama, que logo não tinha mais espaço para nada, de tanto pano em cima da mesma.

-Aaarg!O que eu vou vestir?!Maldita indecisão idiota!Porque é tão difícil se vestir para um natal em família?!

Ele sabia que era por causa do Amano.

Suspirou mais uma vez, buscando no meio de todas as roupas, uma blusa branca quentinha de manga comprida com uma gola mais aberta, que ficava soltinha em seu corpo, perfeitamente confortável, pegando uma calça jeans surrada qualquer, buscando no pequeno porta jóia, os seus tão característicos anéis, bem como um cordão de estrela um pouco mais discreto contrastando com uns cordões ais chamativos e maiores, imitando pérola¹¹.

Notando o frio que a noite de natal apresentava, o menor achou melhor pegar algo para se aquecer, procurando nas gavetas e sorrindo ao encontrar o cachecol vermelho dado pelo maior no natal passado, pegando o pano entre os dedos e o apertando contra o nariz, notando que o cheiro adocicado do maior ainda estava ali, sorriu, pensando que deveria arrumar o cabelo ante de por o tecido quente no pescoço.

Olhou se no espelho, sussurrando para si mesmo que aquela seria uma das melhores noites de sua vida, enquanto ajeitava os fios, penteando os mesmos da forma que sempre fazia, para que ficassem naturalmente bagunçados, pois afinal, não ia adiantar arrumar impecavelmente.

A modalidade preferida de Tora era bagunçar seu cabelo.

Não que ele ligasse, pelo contrário, amava ter a mão grande e quente no meio de seus fios, bagunçando-os com aquela ternura de irmão mais velho que ele tinha.O problema era justamente esse, o maior lhe via como um irmãozinho menor, e não era nem de longe, o que o pequeno Hiroto queria que o maior enxergasse quando lhe olhasse, balançou a cabeça de novo, se concentrando no fato de ter que fazer sua própria maquiagem.

Não exagerou muito na mesma, passando um lápis básico, apenas para realçar seu olhar, em conjunto com uma sombra de cor discreta;ambos aplicados depois da base passada sobre a pele, para esconder as imperfeições que apesar de serem poucas, existiam.

Após se arrumar, a forma que julgava estar boa, guardou todas as roupas que ainda jaziam sobre sua cama, tomando cuidado para não amassá-las no processo.Recolheu suas toalhas, devolvendo-as ao banheiro e guardou as maquiagens no pequeno estojinho que designara para as mesmas, sorrindo discretamente, ao notar que logo logo todos estariam chegando.

E o sorriso se alargou ainda mais, como se fosse possível.

Observou mais uma vez, orgulhoso a mesa da sala, que ele mesmo tinha preparado.Pratos brancos, perfeitamente harmoniosos com a toalha vermelha linda, que comprara no natal passado e acabara não usando em lugar nenhum, os talheres de prata nova reluzindo e as taças novas de vinho repousando silenciosamente ao lado dos pratos, os quatro pratos demonstrando que aquele não seria um natal no qual ele passaria vendo um filme qualquer sobre um ser verde que queria estragar o natal¹²

Estava doido para abri aquele vinho ótimo que havia comprado e sorver um gole do mesmo, mas queria esperar até que todos estivessem ali, para que então pudessem brindar felizes àquele natal tão familiar, bem como todas as alegrias que haviam sido dadas a eles durante o ano que estava já em seu fim.

O menor, ansioso demais, após andar por muito tempo, dando voltas em sua mesa, sentou-se, fitando o prato branco, acabando por brincar com um talher, fazendo um barulho irritante no prato, acometido pelo puro tédio, que se misturava a sua ansiedade de tê-los ali logo.Olhou o relógio, notando que já haviam se passado quase meia hora do horário que havia marcado, e que ninguém chegava, “Justo Saga que é sempre tão pontual!”, e que normalmente arrastava o outro loiro mais alto, que costumava se atrasar, bem como o mais alto de todos, que sempre perdia a hora, bufou, batendo na própria testa ao pensar que estava sendo patético.

-Fica calmo Hiroto, só meia hora!Eles devem ter se atrasado porque demorara se arrumando!Sei lá! –E pegou o cachorrinho que corria animado pela casa, começando a fazer-lhe um doce carinho nos pelos fofos.

Rezando para que os outros chegassem logo.

Uma hora havia se passado desde que Hiroto começara a ficar preocupado, somando, ao todo, uma hora e meia de atraso, e o Ogata mordeu os lábios, já ficando preocupado com o atraso, se perguntando se estava sendo paranóico por conta de sua ansiedade, ou se devia de fato se preocupar com a ausência de seus melhores amigos ali.Resolveu-se por sentar no sofá, ligando a TV e passando os canais com desinteresse, sem conseguir se fixar em um, com seu celular em mãos, caso alguém quisesse ligar-lhe.

Já eram por volta de dez horas quando o pequeno soltou um gemido arrastado de pura preocupação, apertando o pequeno aparelho entre os dedos trêmulos, suspirando antes de apertar rápida e afobadamente os números tão conhecidos.Primeiro para Saga, rezando para que o baixista atendesse, pois se este atendesse e dissesse que estava indo, significava que o pavão maior também viria junto, e os três juntos poderiam localizar o moreno.

-Atende...Atende...Atende... –O pequeno gemeu agoniado quando ouviu a voz eletrônica informando que o recado estava sendo encaminhado para caixa postal, limpando a garganta para não deixar que sua voz fraquejasse –Saga-shi, é o Pon...É que eu to preocupado sabe, vocês ainda não chegaram e, já estão quase duas horas atrasados e... –E percebeu que estava tagarelando demais, que sua voz estava começando a falhar –Bem, eu só queria que você me desse alguma resposta sobre onde vocês tão nee! Eu espero sua ligação. –E desligou, ainda mantendo o aparelho nas mãos, suspirando ainda mais nervoso por não conseguir falar com o baixista, nem com o vocalista.

Só restava o moreno.

E o pequeno tentou, uma, duas, três vezes, sem no entanto, conseguir nenhuma resposta do celular do Amano, mordendo os lábios ainda mais forte, reprimindo toda a preocupação que estava sentindo por nenhum dos três ter chegado até aquele momento, passou a mão pelo cabelo, nem sequer se preocupando se estava bagunçando os fios que tinha arrumando mais cedo, arrancando alguns fios, totalmente aflito.

Porque eles tavam demorando tanto?!

Jogou-se mais uma vez no sofá, bufando ao passar todos os canais da TV, sem novamente encontrar nada que fosse capaz de parar em um canal com satisfação, apertou ainda mais o celular pequenino entre os dedos, encostando o mesmo na testa, fazendo o possível para não chorar e borrar toda sua maquiagem.

Tinha que agüentar.

Na TV agora, passava um programa sobre culinária qualquer, ao qual o pequeno não dava mínima atenção, procurando se ater em seu pequeno cachorrinho, que absorto em um sonho doce, trocava pela sétima vez de posição, ficando agora de barriga para cima, completamente relaxado e confortável.

O que não se aplicava a seu dono.

Hiroto olhou no relógio mais uma vez, 23:37, e os ponteiros continuavam avançando, e ele ali, sozinho, naquele noite que lhe era tão especial.Xingou alguns palavrões, se levantando e ajeitando o cachecol vermelho no pescoço, dirigindo-se para a varanda, sentindo o vento gelado e cortante da noite assim que botara os pés na mesma

Abraçou o próprio corpo, tentando se aquecer, enquanto seus olhos vagavam pelas dúzias de luzes acesas em apartamentos, onde os olhos castanhos captavam movimentos animados, pessoas se unindo para tirar fotos que ficariam eternizadas em seus álbuns, crianças correndo para as janelas, tentando ver o tal homem do trenó, seus sorriso luminosos fazendo seus pais sorrirem

E Hiroto sentiu-se desmontar.

Sentiu a pequena lágrima descer por seu rosto, fazendo todo o contorno do mesmo, morrendo no pano vermelho de seu cachecol.Secou as lágrimas que queriam descer, seguindo a trilha da outra, sentindo algo extremamente gelado tocar a ponta de seu nariz, olhando instintivamente para cima, vendo os milhares de floquinhos brancos que começavam a pairar sobre o ar.

Teria sorrido se não estivesse tão magoado.

Com delicadeza, esperou até que um dos flocos estivesse próximo o suficiente de si, e pegou-o, vendo como este derretia em suas mãos, se lembrando da primeira vez em que vira neve caindo.Era começo de carreira, e as coisas ainda eram bastante difíceis para eles, mas sempre estiveram juntos.Hiroto se lembrava de não estar conseguindo dormir, e resolver sair para tomar ar, encontrando do lado de fora da pequena casa Tora sorrindo que nem uma criança, enquanto terminava de construir um boneco de neve gordinho.

Fora ali que descobrira gostar do sorriso do moreno.

E em pouco tempo, Hiroto também estava ali, com as mãos enfiadas na neve, ajudando-o com suas esculturas, fazendo bolas de neve para que pudesse acertar o outro, e até mesmo fazendo aqueles tão famosos anjos de neve.Mais uma lágrima caiu, sem que o menor percebesse, fazendo com que esse notasse que era melhor entrar, pois estava bastante frio do lado de fora.

Voltou para o ambiente quentinho da sala esfregando as mãos, fitando o relógio, notando que faltava pouco menos de cinco minutos para que fosse natal, sorriu amargo, olhando seu celular sem nenhuma ligação perdida, já perdendo as esperanças.

Foi quando ouviu a campainha tocar.

Imediatamente, uma chama de esperança se acendeu em seu coração, e aquela alegria de antes, pareceu aparecer, tímida, mais ainda assim vivaz, trazendo um sorriso pequeno e sincero ao rosto do jovem antes melancólico.Secou as lágrimas acumuladas, respirando fundo e colocando seu melhor sorriso ao abrir a porta.

E aquela chama da esperança pareceu se apagar de vez.

-Ahhmm, Hiroto-sama? –O porteiro começou encabulado –Feliz Natal!É que esse champagne chegou para o senhor e eu acabei esquecendo de lhe entregar.Me perdoe! –Fez uma revêrencia respeitosa para em seguida olhar nos olhos do pequeno, surpreendendo-se com o aspecto “morto” que esses aparentavam.

O pequeno apenas deixou suas mãos escorregarem até a caixa do champagne especial que havia incomodado, pegando-o de forma robótica, agradecendo e desejando “feliz natal” ao porteiro quase seco demais, sentindo uma grande buraco em seu peito.

Que só aumentou quando ouviu os gritos animados.

-Feliz natal!Merry Kurisumasu! –Ouvia os gritos que as pessoas animadas davam na janela, sorrindo melancólico, virando para o pequeno cachorro dorminhoco e falando baixinho

-Feliz Natal Flea-chan! –Falou sem nenhuma emoção para o cachorro que nem sequer se mexeu, imerso em seu mundo de sonhos.Olhou no relógio.Talvez se esperasse um pouco mais...

E assim o fez, esperando até quase 1:00, percebendo que nenhum deles viria...Andou pela casa melancólico, pegando o vinho tão zelosamente escolhido e abrindo o mesmo, enchendo uma taça para si mesmo, decidido a cear.

E mesmo que não quisesse, ainda tinha esperanças de que alguns deles aparecesse.

Serviu-se cuidadosamente, medindo as quantidades, enquanto bebericava o vinho devagar, apreciando o sabor do mesmo;Sentou-se calmamente, partindo o pernil e organizando o arroz no garfo para comer, sem no entanto conseguir êxito na tarefa, pois suas mãos tremiam horrivelmente;Não se deu por vencido, levando a comida a boca, sentindo as lágrimas que segurara por tanto tempo descendo, uma a uma, entre uma garfada e outra, fingindo que estava sentindo o gosto da comida que já estava quase fria.

Não sentia nada, além de tristeza.

Logo as lágrimas silenciosas, se transformaram em soluços dolorosos, que ele não conseguia simplesmente reprimir.Sentia-se tão malditamente pequeno, esquecido, e sozinho naquela noite tão importante, para qual havia se preparado tanto.

-Doshite?!DOSHITE!? –Gritou em fúria, varrendo em um gesto rápido todos os itens da mesa, fazendo todos se espatifarem no chão, os pratos branquinhos, as taças e todos os objetos de vidro que conseguira lançar para longe.

A dor o corroia, e os soluços desesperados só pareciam aumentar.Não se importava mais com sua mesa, agora totalmente espatifada no chão, nem com sua maquiagem, toda borrada por conta das lágrimas que lavavam seu rosto, levando a mão até o peito, apertando a blusa branca com força, sentindo o mesmo arder sofrivelmente.

Porque Kamisama?Porque?!

Ao se erguer, as pernas cederam, fazendo com que caísse de joelhos, acabado, destruído, em pedaços.Arrancou com raiva o cachecol do pescoço, lançando-o longe de suas vistas, tão magoado, tão terrivelmente magoado, que chegava a doer.Curvou o corpo, tornando-se a personificação da dor e da decepção, sem conseguir controlar as lágrimas e as palavras desconexas e doloridas que abandonavam seus lábios avermelhados.

Nunca havia sentido algo parecido.

Encostou a testa no piso de mármore gelado, abraçando o próprio corpo, chorando copiosamente, sem conseguir sem controlar, sem querer se reprimir, querendo se livrar de toda aquela dor que parecia roubar-lhe o ar, tornando até sua respiração difícil.

Pelos deuses!O que tinha feito de tão errado para receber este presente?!

Estava tão afogado em seu sofrimento e dor, que nem se importou com o barulho da porta sendo aberta com violência, provavelmente por algum vizinho preocupado e solidário, que ao ouvir a barulheira, ficara extremamente preocupado, pois afinal, quem derruba uma mesa inteira no dia de natal.

E para a sua surpresa, não era nenhum vizinho, nem curioso, nem velhinha reclamando sobre a barulheira que ele havia feito, não era ninguém que lhe fosse desconhecido, ninguém que se condoesse de sua situação lastimável, e que o convidasse para passar um belo e lindo natal ao lado de sua família.

Não mesmo, pois afinal, que lógica há em convidar o dono da festa?

Só saiu de seu transe, quando sentiu aquele par de braços longos o abraçando, apertando-o contra o peito largo, com aquele cheiro de lavanda já tão conhecido ao pequeno, afagando os fios marrons da forma que sempre fazia, deixando-os levemente bagunçados, daquela forma que o menor amava e sentia tanta falta.

A estrela da festa.

E Hiroto, sem que percebesse, se encolheu ainda mais contra aquele abraço quente, agarrando a blusa do maior, enquanto continuava a chorar da mesma forma que fazia, xingando o maior e todos os outros, entre um soluço –já não tão sofrido assim- e outro.

-Pon... –Ouviu a voz rouca e grossa, sentindo mais lágrimas escorrerem, só ouvindo o latido fino de seu cachorro, que parecia se mostrar preocupado com seu estado –Me perdoe. –Ouviu atento ao sussurro do maior, sentindo o beijo doce que este lhe dera no topo da cabeça, sentindo também sua vontade de chorar diminuindo aos poucos, assim como seus soluços até que estes fossem quase inexistentes.

Separou-se do maior, empurrando-o de leve, notando que havia molhado toda a camisa clara que o outro usava, notando também que este lhe olhava altamente penalizado e preocupado, e que hesitava em seus movimentos, tentando ser o mais cauteloso possível

-Doshite? –Perguntou, fitando-o nos olhos, sentindo a raiva em seu peito

-Pon... –O maior começou, em tom suplicante, quase que prevendo a reação que viria a seguir

-PORQUE?! –Aumentou o tom, a raiva queimando ainda mais forte, as lágrimas se formando novamente

-Hiroto!Me deixei explicar!Pelo amor de Kami! –O menor se levantou, e o maior fez o mesmo, segurando a mão do Ogata quando esta entrou em rota de colisão com sua cara

-EXPLICAR?!SABE QUANTO TEMPO EU FIQUEI ESPERANDO?! –Gritou, livrando-se da mão do maior, continuando baixinho, com o tom quebrado –Fiquei esperando igual um idiota...Vocês...Eu fiquei...Esperando... –Colocou a mão na boca, ao perceber que não conseguia continuar falando, recuando alguns passos.

E foi então que surpreendeu-se ainda mais.

Em um movimento rápido, o maior pegara-lhe o pulso, puxando-o de encontro a seu abraço de novo, vendo o pequeno relutar, para no final aceitar os braços quentes que tentavam lhe confortar e lhe explicar o motivo da demora que lhe causara tanta dor.

O maior por sua vez, sentia-se perdido.Sentira o peito apertar ao ver o pequeno da forma como encontrou, notando todas as coisas que um dia fizeram parte de uma mesa impecavelmente arrumada agora jaziam no chão, espatifadas, enquanto o dono da casa praticamente se afogava em suas lágrimas, soluçando tão alto e doloroso que fazia o maior se desesperar.Se desesperar sim, por não ter o mínimo jeito na hora de controlar as mudanças loucas de humor que aquele pequeno tinha.

-Me larga Tora!Me larga agora! –Falou ameaçador, sacudindo-se todo, sentindo o aperto ao redor de sua cintura apertar mais, quase como se o maior estivesse tomando uma grande decisão

E então ele tomou.

Os olhos do pequeno se arregalaram ao sentir um puxão em seu corpo, seguido do toque sutil dos lábios doces do maior sobre os seus, fazendo com que uma pequena lágrima saltasse de seus olhos sem conseguir fazer nada a não ser apertar ainda mais o tecido da blusa de Tora, ainda surpreso e feliz demais para ter uma reação melhor.O beijo não durou muito, pois logo o maior descolou seus lábios do pequeno, rompendo aquele selinho inocente.

-Merry Kurisumasu. –Falou baixinho, no ouvido do pequeno, que parou de se mexer, voltando a chorar, se agarrando ao maior

Hiroto sorriu, sendo inundado por uma felicidade imensa, cogitando a possibilidade de gritar ao mundo o tamanho de sua felicidade e ainda com os olhos em lágrimas, firmou as mãos no colarinho da camisa de Shinji, puxando-o para baixo afobadamente, até que este estivesse no mesmo nível, para então colar seus lábios ao outro novamente.

Num beijo mais que apaixonado.

As línguas iniciaram uma dança ritmada, se envolvendo e se conhecendo, o gosto doce do beijo, se misturando ao gosto salgado das lágrimas que caíam dos olhos de Hiroto, que não podia estar mais feliz com tudo aquilo, as mãos do maior, firmadas na cintura de Hiroto, enquanto o mesmo havia fechado os braços em volta do pescoço de Shinji, brincando com seus fios negros rebeldes, enquanto sentia o leve carinho que o maior fazia em sua cintura, a mão quente adentrando sua blusa, o beijo aquecendo muito mais que seu corpo, sua alma, seu coração.

Apartaram os lábios após alguns minutos, quando o ar se fez preciso em seus pulmões, ambos com os lábios avermelhados e respirações ofegantes.Sorriram cúmplices, com as testas se tocando, enquanto o maior segurava o pequeno em seus braços, lhe erguendo, até que estivessem na mesma altura, sentindo quando Hiroto enlaçava suas pernas a ele, temendo cair.

-Shinji.

-Aishiteru. –E Hiroto agradeceu o fato do Amano estar lhe segurando, porque do contrário aquele seria momento em que ele se estabacaria no chão lindamente

-Shinji!Mas eu...!Pensei que..! –O que havia acontecido com o irmão-maior ?O que era aquilo?!Do nada?!

Não podia estar mais confuso, de onde surgiram aqueles sentimentos?Como assim?!

-Shinji...! –Falou em tom suplicante, vendo o maior sorrir, para logo em seguida lhe abraçar forte, como se não quisesse nunca mais soltar.

-Eu sei.Eu sei...Me perdoe por ter demorando tanto sim? –E o Ogata estava pronto para dizer que não tinha problema o atrasado quando o mais alto continuou –E não estou falando só do atraso de hoje.Gomen, eu sou um idiota.Demorei tanto tempo para aceitar isso...

-Eu...Não estou entendendo. –Amano guiou o menor até a cozinha, deixando-o sobre a bancada da mesma, para que pudessem se olhar nos olhos

-Demorei para aceitar que eu gostava de você, mais do que um irmão gosta do outro. –Tora enrubesceu, enquanto o outro mantinha um olhar arregalado de surpresa –Quando eu vi, estava tão envolvido, tão perdido por você, que me desesperei!Não consegui aceitar que eu queria você mais do que como amigo!E preferi esconder isso, mantendo o mesmo temperamento de sempre, escondendo tudo que eu sentia!Se não fosse pelo Nao eu...

-Espera ai! –Interrompeu o maior –O que aquele bochechudo idiota fez?!Não acredito!ele contou a você!? –O maior assentiu

-Não brigue com ele.Se não fosse ele me contar, e me dar um bom cascudo, talvez eu ficasse me escondendo atrás dos meus medos para sempre. –Coçou a nuca encabulado –E eu não quero isso.Eu quero ficar com você, amar você, sorrir com você, chorar com você, e tudo mais que puder. –E o menor sorriu emocionado, agarrando-se ao maior

-Aishiterumo Tora-baka! –E dizendo isso beijou o moreno de novo, puxando-o para perto de si com gosto –E te perdôo por todos os seus atrasos! –Sorriu divertido, sequer se lembrando da dor que sentia a minutos atrás.

Não importava, o tamanho do atraso, a quantidade de vezes em que se afastara para não dar nenhuma bandeira, a quantidade de vezes que se reprimira, a quantidade de noites que passara acordado pedindo conselhos ao Pooh-sama, tudo isso era muito pequeno próxima a sua felicidade,felicidade essa, que era quase comparável com a das crianças quando vêem seus presentes embaixo da árvore, correndo para desembrulhar os mesmos.

-Shinji... –Aspirou o perfume do moreno, repousando sua cabeça sobre o ombro do mesmo, recebendo uma risadinha tranqüila em resposta, até que Amano pareceu se lembrar de algo

-Granizo!–Falou simplesmente

-Nani?

-Granizo.Choveu granizo... –Comentou triste, apartando o abraço, o menor lhe fitando curioso –Saga e Shou não conseguiram nem sair de casa.E eu fiquei preso numa barraquinha de Taroyaki –Falou coçando a nuca encabulado –Gomen. –Comentou simplesmente e o menor sorriu, negando com a cabeça, mostrando que toda sua raiva já tinha passado –Então, ainda tem algo para cear? –E o sorriso do menor morreu um pouco, apontando para o estrago no chão

-Comida tem...O problema é que...Eu...Acabei jogando tudo no chão.Estraguei tudo né? –Falou baixinho, agora envergonhado por ter jogado tudo no chão, escondendo o rosto no pescoço do outro

-Pon, olha pra mim. –Pediu e o menor, com as bochechas completamente rubras, o fez –Não tem problema huh?Eu sempre gostei daquela caneca de esquilo mesmo! –Sorriu mencionando a caneca que ele mesmo dera para o pequeno “esquilo” que desceu da bancada animado –Não importa quais os pratos, o que importa é que eu estou com você! –O menor assentiu, buscando os pratos velhos e simples, aos quais o maior já estava acostumado, buscando as canecas e ligando o forno, para esquentar a comida que a essas alturas já estava fria

Só não esperava o esporro seguinte;

Quase derrubou os pratos que segurava quando a porta foi praticamente arrombada, assustando ambos na cozinha, que a fitaram curiosas, se tranqüilizando ao ouvir aquela voz ligeiramente fanha.

-Vamos Takashi! Oh meu deus!Olha só!Agente chegou tarde demais!Ele derrubou tudo!Cadê o Pon?!Oh meu deus!Será que ele se jogou da varanda!?Eu falei para aquele idiota do Shinji voar até aqui!Maldito gelo que cai do céu!

-Granizo. –Corrigiu o outro, sorrindo para a pequena bolas de pelo que latia em seus pés

-Granizo, gelo, tanto faz, que se foda!Oh Kami!Cadê o meu bebê?! –Gritou, e o menor correu para a sala sorridente, se jogando contra o maior, que caiu devido a surpresa –Hiroto! –O loiro maior abraçou o pequeno –Gomene!Nós não conseguimos sair de casa!Merry X-mas!E eu trouxe chocolate extra! –Apontou para a mão de Saga, que sorria feliz com a cena

-Saga! –E o pequeno abraçou o baixista também, quase chorando de tanta felicidade –Vocês chegaram bem na hora, eu estava esquentando a comida! –E então o maior apareceu na sala com um sorriso satisfeito de ver o seu pequeno feliz daquela forma

-Yo! –Saga lhe sorriu cúmplice, sabendo já de tudo que havia acontecido, sem precisar de maiores explicações –Se importam de comer em pratos velhos?

-Iie!Claro que não! O que importa é a comida! –Saga comentou animado, recebendo um olhar repreensivo da parte de Shou

-Takashi!Não fale assim!Isso é falta de educação!Até parece que viemos até aqui só por causa da comida!

-E não foi?Natal passado agente só comeu Panetone! –E os dois loiros se perderam em mais uma de suas típicas discussões, enquanto o menor apenas se dirigia ao moreno alto, encostando delicadamente no mesmo, sentindo seus braços o envolverem.

Sentindo-se seguro.

Sorriu mais largo, erguendo a cabeça até que pudesse ver os olhos carinhosos do maior.

-Merry Kurisumasu Tora. –E o maior beijou a testa de Hiroto, sorrindo docemente

-Merry Kurisumasu Pon. –O maior devolveu, entrelaçando os dedos e segurando firmemente, fitando-o com devoção e amor, para então vira-lo para si, tomando os lábios fartos em um beijo apaixonado e doce.

E naquele pequeno, que antes debulhava-se em lágrimas, nada mais sobrava, a não ser aquela euforia e felicidade, unidas ao desejo de comemorar o natal, ambos tão grandes, que o pequeno poderia ir para a janela e gritar “Feliz Natal” até que sua voz se recusasse a sair.Ninguém mais se importava com os pratos jogados e espatifados no canto da sala, cuidariam deles depois.

Nenhum deles precisava de muitas extravagâncias;Os pratos velhos bastavam para que eles pudessem dividir aquele ceia requentada, o que não a tornava mais gostosa.Se para muitos, o natal já chegava ao fim, para os quatro amigos, ou melhor, para aquela pequena família, o natal tinha somente acabado de começar, os presentes, jaziam esquecidos como meros adereços embaixo da árvore e em cima do sofá, para o momento em que seriam lembrados.Não que não fossem importantes, mas a companhia e a união que aqueles seres apresentavam tornava-os pequenos, como pequenos complementos, que davam ao natal somente um toque a mais.

Porque o importante mesmo, eram aqueles momentos, que por mais que os anos passassem, jamais iriam sumir de suas mentes, eternizados como lembranças doces e boas de um natal feliz, o melhor da vida de Hiroto, segundo o pequeno, o mais surpreendente, aquele que ficaria guardado para sempre na sua mente, como o mais doce de todos.

E o pequeno para sempre ia agradecer ao Papai Noel pelo presente que recebera naquela noite.

Um deveras especial para ser encontrado em qualquer loja
Único, raro e sublime.

O amor daquele que se ama.

Merry Christmas
~Key
25/12/2010 ~ 00:00

Notas finais
And it ends.Terminada bem em cima da hora se me permitem dizer XD Sem muito mais a declarar, só que eu gostei bastante de escrever a fic, meio dramática, mas ainda sim contando a história de um natal feliz.
Espero que tenham gostado, e que tenham um ótimo natal!
Merry X-mas!
Kisu ;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.