Best Mistake

2 A histeria dela me fascina


Notas iniciais
Olá bonitinhos, quanto tempo, não é mesmo? Vi que tenho vários leitores fantasmas, isso é meio desestimulante. Mas eu acredito que a motivação tem que vim de dentro, então aqui estamos nós.

BEST MISTAKE

GEORGINA

— Casar? Como assim "casar", Meg? — disse incrédula enquanto preparava um sanduíche natural para a Megan, manter a forma hoje em dia não está nada fácil, principalmente pra duas garotas que vivem rodeadas de urubus querendo fotografar alguma gordurinha a mais — Tudo bem que vocês são lindos juntos, que namoram há nove anos e que ele é irmão do nosso melhor amigo, mas você não acha isso meio precipitado não? – indaguei ao servir o lanche pra Megan e a observar depositar uma grande mordida no sanduíche — Você só tem vinte anos, é praticamente uma adolescente — continuei a falar enquanto saímos da cozinha e atravessamos o longo corredor que levava até a minha suíte.

— É eu sei que sou muito nova — Megan entrou no quarto e se direcionou a longa porta branca que havia na frente da minha cama, ali estava a minha maior preciosidade, o meu closet, Megan então se propôs a procurar calmamente uma roupa que fosse adequada para um evento de gala, eu iria usá-la em mais uma das festas de lançamento da Chanel — Mas pensa bem: Eu moro sozinha desde os meus quinze anos, meu pai só me procura quando quer que eu apareça em algum evento, você e o Nicholas vivem trabalhando e nós dois nos amamos, o que é mais importante afinal — concluiu tirando um vestido preto do cabide, esse era justo e ia até o meio da coxa, seu tecido era basicamente poliéster, mas o seu decote era feito de renda, decote este que ia até abaixo dos seios.

— Meio vulgar, não? — questionei ao pegar o vestido da mão da loira, aquele vestido certamente iria valorizar muito o meu corpo, mas me deixaria imprópria pro ambiente, Megan então continuava a procurar algo nos cabides.

— Até seria, se não viesse acompanhando desse belo casaco de pele — Megan analisou a peça calmamente — Pele falsa, né? Você e sua consciência ambiental — suspirou e revirou os olhos ao constatar que era pele sintética, consciência ambiental é mainstream, okay? — Enfim, pra completar o look só falta aquele seu salto Christian Louboutin, o cheio de cristais, então definitivamente você é a dona da festa — Megan deu um sorriso malicioso, provavelmente imaginando todo o alvoroço que iria causar entre as socialites presentes, Megan também era uma socialite, mas definitivamente não era falsa como as outras.

— Você é demais, sabia? — sorri de lado e abracei a minha amiga — Você devia fazer faculdade de moda, porque você tem um dom — a Megan estava no seu terceiro ano de faculdade, ainda estava levando dois cursos, o de economia e o de artes cênicas. O de economia foi por pura pressão do pai, a Megan é muito rica, com certeza seu nome estar no top 5 dos estados unidos, então ela precisa aprender a administrar o seu dinheiro, já o artes cênicas, segundo a própria Megan, é uma metáfora da sua vida, porque todos os dias ela estrela o papel de "A queridinha da América", o que não é nada fácil para uma garota de personalidade forte como a loira — Mas você tem razão no final das contas, você pode ser até muito nova, mas a sua história com o Matt é antiga — era difícil de aceitar, mas esse era um fato, a Megan teve sorte e encontrou o seu grande amor muito cedo, quando se encontra um grande amor você deve tratar de segura-lo — Então sim, eu aceito ser sua madrinha.

NICHOLAS

Definitivamente não é todo dia que o seu irmão mais novo chega dizendo que vai casar, assumo que fiquei um pouco intrigado com toda essa história, afinal eu sou o mais velho, Matt é minha responsabilidade e, ainda mais, eu deveria ser o primeiro a “pendurar a chuteira”, não que isso seja algo que eu queira.

— Você tem certeza, cara? — indaguei confuso ao ouvir toda aquela história maluca — Tudo bem que a Megan é deliciosa – Matt me repreendeu com um olhar furioso, o que me deixou um pouco constrangido, afinal era da futura esposa do meu irmão que eu estava falando, além disso, ela era como uma irmã pra mim — Além de ser uma das minhas melhores amigas e uma boa moça, que te ama ainda por cima, claro — me redimi, me sentia mal ao pensar tantas coisas sobre esse casamento, afinal eu realmente amo eles dois, devia ficar completamente feliz com essa novidade, mas o meu inconsciente havia driblado o meu superego — Mas você já parou pra pensar no tanto de mulher que você vai perder?

— Nicholas, eu não vou perder ninguém, simplesmente porque a única mulher que eu tenho é a que eu vou casar...

— Exatamente — interrompi, ainda engasgado com todo aquele dilema na minha cabeça — Você nunca beijou outra boca, nunca dormiu com outra garota, nunca viveu outra experiência – hesitei por um breve momento, Matt realmente seria capaz de só ter tido uma mulher na vida? — que eu saiba, né?

— Claro que não, Nicholas — Matt repreendeu com uma expressão chateada, o meu irmão podia ter muitos defeitos, mas infidelidade certamente não era um deles, isso ficou claro pra mim após vislumbrar sua expressão — Eu nunca traí a Meg.

— Não acha errado você casar sem conhecer outras mulheres? Como você vai saber que ela é o amor da sua vida sem – É, eu conhecia bem o meu irmão a ponto de realmente acreditar que ele nunca havia estado com outra na vida, procurei então a palavra certa pra usar — experimentar outras?

— Porque eu simplesmente sei Nick, eu não entendo, ela é a sua melhor amiga, por que você simplesmente não aceita os fatos? — meu irmão sorriu levemente e então colocou a mão no meu ombro, era difícil de entender, mas ele parecia realmente feliz ao se amarrar tão cedo — Parceiro, eu tive a sorte de achar de primeira, você já tentou encontrar em uma centena, não acha que isso é motivo valido pra casar logo? — pensei um pouco naquilo, ele tinha razão, me relacionei com quase cem garotas, entre ficas de uma noite até namoros de seis meses, nada me satisfazia, nenhuma tinha sido feita pra durar.

— Talvez eu tenha mais ciúmes da Megan do que de você, mas sabe de uma coisa, Matt? Você tem razão — suspirei, agora um alívio tornou o meu peito, porque apesar de toda a minha desconfiança quanto a um casamento tão precoce, eu via que realmente eles podiam levar aquilo com maturidade — Você tem muita sorte de ter uma garota igual a ela do seu lado, a Megan realmente te ama — conclui, peguei então uma garrafa de chandon na cozinha da nossa casa e a abri — a despedida de solteiro é por conta do padrinho mais gato de Manhattan — festejei despejando o líquido da garrafa em duas taças de cristal, aquela data precisava ficar marcada na história.

MEGAN

O ponteiro menor do relógio se aproximava do dez, estava quase na hora do evento e eu ainda não havia escolhido qual roupa vestir. Sentei em frente ao meu closet imenso, tantas roupas, tantos sapatos, tantos acessórios, mas nenhum dizia "Olá vadias, eu vou casar e vocês vão continuar encalhadas", suspirei fundo.

— Doroooota — gritei dramaticamente, a Dorota é o que eu gosto de chamar de: amiga do lar. Sim, amiga, desde que eu me entendo por gente que vejo a Dorota cuidando de mim. Quem estava lá quando eu tinha febre de madrugada? Quem me fazia tomar banho e beber chocolate quente depois de uma bebedeira? Quem brigou comigo quando eu fui dormir escondida na casa do Matt aos quatorze anos? Ela. A Dorota praticamente ocupou o lugar da minha mãe na minha vida, claro que essa é insubstituível, mas tenho muito a agradecer à minha amiga do lar.

— Sim, Meguinha — sua voz era doce e atenciosa, Dorota é uma senhora de aproximadamente 55 anos, os traços de sua face são delicados, bem típicos de uma européia, seus olhos cansados são azuis turquesa são capazes de passar tranquilidade a quem os olhe — o que aconteceu?

— Eu não tenho uma roupa decente pra usar — choraminguei, pode parecer exagero, se levarmos em conta o tamanho do meu closet, mas eu nunca encontro a peça certa ali, talvez porque meus looks variam muito de "santinha do pau oco" pra "vadia com classe", esses últimos looks costumam tirar o Matt e o meu pai do sério, de maneiras diferentes, claro — Vamos ao shopping?

— Meg, se você quiser eu vou, mas... — Dorota apontava pro meu closet, esse estava simplesmente amontoado de tantas roupas e sapatos, mas como eu já disse, nenhum era bom o bastante naquele momento — Você não acha que você já tem roupa demais não? Olha, aqui tem cada vestido lindo.

— Eu sei, mas vai ser o anúncio do meu noivado, Dorinha — me levantei e sorri animada, só em imaginar a sensação de entrar na igreja com um vestido lindo e cheio de camadas, me da vontade de sair gritando pro mundo a minha felicidade — Tenho que ser a mais linda de todas.

— Como se fosse muito difícil conseguir isso, né? — Dorota balançou a cabeça sorrindo — Já sei — A mais velha estalou os dedos em sinal a grande ideia que havia tido, logo após saiu correndo do meu quarto. — Dorota, onde você vai? — gritei na falsa esperança dela ouvir, foi em vão.

Prada, Chanel, Louis vuitton, Armani, Christian Dior, Burberry, nada se comparava ao vestido que Dorota me trouxe cinco minutos após seu surto. A seda era de ótima qualidade, na verdade era a melhor que eu já havia encontrado em vestidos, os traços delicados não negavam a sua origem, o estilista com certeza era francês, mas a sua grife não era conhecida por mim, o que realmente me causou espanto.

— Que lindo Dorinha, de quem é? — indaguei ainda impressionada com a delicadeza e qualidade do vestido, o seu caimento certamente também era bom, o que realmente me deixou muito feliz e curiosa, afinal a Dorota não teria dinheiro pra comprar algo assim, sem falar que não é o seu número.

— Da sua mãe — Dorota segurou a emoção, mas o rubor no seu rosto era perceptível, aquela frase me deixou estática por longos segundos — Ela usou quando te apresentou pra alta sociedade, quando você ainda era um bebezinho.

— É tão lindo — era impossível lembrar-se da minha mãe e não me emocionar, apesar do pouco tempo de convivência, foi ela que me ensinou a ser uma lady, a ser simpática e seguir corretamente todas as regras de etiqueta — Mas como você teve acesso a isso, Dorota? Eu já revirei todas as coisas da mamãe de cabeça pra baixo e nunca tinha visto essa peça.

— Olha Meg — de repente Dorota ficou cheia de dedos, como se tivesse escondendo algo muito grave, o que me deixou muito estressada instantaneamente, eu simplesmente não suporto quando me escondem as coisas de mim.

— FALA DOROTA — gritei irritada, senti meu rosto queimar de raiva, não raiva da Dorota, mas do John, porque certamente o seu dedo estava metido nisso — Conta logo o que você está me escondendo.

— Desculpa Meg — logo a mais velha começou a chorar, o que me deixou muito mal, afinal ela era uma das poucas pessoas que eu tinha consideração, mas me mantive firme na minha posição — Seu pai mandou algumas roupas e jóias pra cá essa semana, mas me pediu segredo — a aflição era nítida nos seus olhos, a mais velha colocou a sua mão sobre a minha cabeça e acariciou meu cabelo — Megan, você vive um amor tão bonito, qualquer pessoa teria sorte em viver algo assim — por um momento Dorota hesitou, mas logo continuou — Seu pai está tentando viver algo assim também, ele vai se casar.

— HA — ri nervosa, na verdade a risada quase não saiu da minha garganta, devido ao nó que havia se instalado nela — HAHAHAHA, tá maluca, mulher? — indaguei sorrindo, meio confusa, admito, mas minha ficha ainda não havia caído, na verdade ela não cairia até ouvir isso da boca do próprio John — O poderoso John Van Der Woodsen mal tem tempo pra filhinha querida, imagine se vai ter tempo pra ficar se esfregando em uma qualquer — Dorinha me olhou firme, sem dizer uma palavra, o que fazia meu coração se partir em mil pedaços e se reconstruir em segundos, ela estava falando a verdade — Não pode ser, você tem que está brincando comigo.

— Eu não estou — disse firmemente, Dorota nunca havia mentido pra mim, aquela não seria a primeira vez — É por isso que ele trouxe as coisas da sua mãe para cá, talvez por precisar mais de espaço no guarda roupa, talvez pra te manter mais próxima da senhora Jennifer nesse momento.

— Não vai acontecer Dorota, mas obrigada pela sugestão do vestido, é mais do que eu esperava — me direcionei ao banheiro com uma toalha e um olhar cheio de lágrimas no rosto — Esse casamento não vai sair, só existe espaço pra uma mulher nessa família e ela sou eu — minha mente rodava, eu estava magoada e enojada ao mesmo tempo, como o John pode fazer aquilo comigo? Aliás, como ele pode ser um péssimo pai assim, se estava tendo tempo pra dar amor pra outra pessoa? Mil idéias surgiam na minha cabeça, eu não aceitaria mulher alguma no lugar da minha mãe, até porque certamente era só mais uma interesseira que ta de olho na fortuna Van Der Woodsen McCartney — Alias, por favor, traz aquele vinho, o da safra especial, quero tomá-lo enquanto tomo um belo banho na banheira — mordi meus lábios e sorri maliciosamente enquanto planejava uma grande confusão — Hoje eu vou descobrir como eu vou destruir esse casamento.

GEORGINA

— Eu não acredito que você trouxe essa patricinha pra cá, Nicholas — bufei entre dentes, Nicholas havia decidido namorar uma patricinha arrogante que conheceu em uma boate, aquilo definitivamente me irritou muito, não só me irritou, me deu vontade de voar na cara do Nicholas e arrancar os olhos dele na unha — Você perdeu completamente a noção.

— Ela é a minha namorada, Gi — Eu simplesmente não conseguia entender como o Nicholas conseguia ser lindo e irritante ao mesmo tempo, além de burro, porque pra namorar a aquela garota era o mínimo que se esperava dele. Eu não tenho nada contra essa tal de Pamella Hilton, só não acho adequado o meu melhor amigo namorar uma garota que já deu em cima do príncipe Harry só pra aparecer em uma notinha no jornal — É natural que ela me acompanhe em eventos.

— Aaaah Nicholas — revirei os olhos enquanto cruzava os braços em protesto, mesmo irritada com aquela situação, resolvi deixar o Nicholas decidir o que é melhor pra ele — Já me cansei das suas namoradinhas, toda semana é uma diferente.

— Já to com a Pam há quase três meses — Nick tentou se defender, mas ao notar a minha expressão furiosa, percebeu que seu argumento era falho. O Nicholas sempre foi um homem muito baixo, não digo isso quanto a altura e não quanto ao caráter, porque isso ele tinha bastante, ele era baixo quando o assunto era sedução, era de costume ele utilizar essas técnicas pra conseguir tudo o que queria com as mulheres, comigo não era diferente. Ele então deslizou a mão sobre o meu rosto, parando delicadamente sob o meu queixo, logo o seu par de olhos, tão azuis como o oceano, cruzaram os meus — Não precisa ficar com ciúme, você sabe que você é a mulher da minha vida, logo depois da minha mãe, é claro.

— Não é ciúme — retruquei indignada, como ele ousa achar que é ciúme? É apenas cuidado, ele é o meu melhor amigo e aquela é a minha obrigação, bati o meu pé no chão, em sinal de reprovação — Mas quer saber? Tanto faz, não vai durar mesmo — resmunguei e saí então em direção ao toilette, o deixando para trás, que agora arqueava a sobrancelha sem entender nada.

MEGAN

— Só pra constar: quem ver de fora até pensa que você tem os quatro pneus arriados pelo Nicholas — disse enquanto seguia Georgina até o banheiro, observei toda a cena de camarote, o que me deixou bem curiosa sobre tudo aquilo.

— "Quatro pneus arriados"? Sério? Que tipo de expressão é essa Meg? Anda visitando o Bronx e nem me avisou? -Georgina riu divertida, talvez aquelas três taças de champanhe já tenham começado a fazer efeito, a Gi nunca foi lá muito forte pra bebidas, vale lembrar que uma vez ela quase tirou a roupa no restaurante do Nicholas depois de duas doses de tequila, aquele dia foi muito divertido — Mas é claro que eu sou louca pelo Nick, ele é o meu melhor amigo, normal — as palavras saíam leves da sua boa, a alegria do álcool realmente já estava percorrendo o seu corpo.

— Não foi nesse aspecto que eu quis dizer, você sabe — retruquei confiante, enquanto isso eu passava batom, que era vinho matte, a sua cor valorizava ainda mais a minha pele tão clara e delicada. Georgina me olhava fixamente e, analisando a sua expressão, ela estava muito confusa com a minha acusação.

— E que aspecto seria esse? — a morena arqueou a sobrancelha ao me questionar, aquela situação realmente estava ficando esquisita, principalmente porque havia mais duas pessoas estranhas no banheiro, observando a conversa e comentando entre si — O que você ta querendo insinuar, Meg?

— Que se eu não te conhecesse bem diria que você está interessada no Nicholas — fui firme quanto a minha afirmação, afinal era realmente o que parecia pra quem não os conhecia, até para quem conhecia, na verdade. Olhei para as outras duas mulheres do banheiro e sorri gentilmente, porém internamente eu queria afogar aquelas duas fofoqueiras na privada.

— Ficou maluca, mulher? Sem chance — A morena logo riu da situação, o que me deixou meio desconfortável, até porque essa realmente era uma situação impossível, não é mesmo? Levando em conta que os dois se conhecem desde antes do início do meu namoro com o Matt, o que significa uma eternidade, se fosse pra eles se apaixonarem já teria acontecido.

— É como eu disse: SE eu não te conhecesse — enfatizei bem o "se", temendo o quão ridícula aquela situação poderia se tornar.

— Ele é como um irmão pra mim, só não queria que ele gostasse tanto de se expor — Gi suspirou e se direcionou a porta do banheiro, as duas pessoas que estavam observando a conversa saíram assim que perceberam que não havia mais nenhum assunto no ambiente — Vamos? Acho que temos um noivado pra anunciar — sorri instantaneamente e a segui pelos corredores do buffet, muito ansiosa com o anúncio e a repercussão que aquilo iria ter.

PAMELLA

— Que vadiazinha insuportável — rosnei ao sair de uma das cabines do banheiro, por sorte (ou azar) eu estava no momento certo e no lugar certo, ouvir aquela conversinha me deixou completamente enojada — Quer dizer agora que a coleguinha agora quer ocupar o meu lugar? Hahaha — simulei um riso afetado — Ridícula! — gritei enquanto chutava um dos cestos de lixo em protesto, o que me causou arrependimento em segundos, porque quebrei uma das unhas do pé durante o golpe — Droga!

—Ta tudo bem?! — uma loira desconhecida me perguntou ao ver tal cena, ela estava ali há quanto tempo? Eu simplesmente não havia percebido a sua presença, ela deve ter saído da outra cabine — Você parece irritada.

— Não enche — saí bufando do banheiro, sem ao menos agradecer a preocupação da desconhecida. Percorri os corredores e logo quanto adentrei o salão principal vi uma cena de causar náuseas, Nicholas e a vaca de grife, Georgina, tendo uma conversa supostamente "agradável", já que o Nick ria descontroladamente e segurava as duas mãos da morena com doçura, o que me tirou do sério, como ele tinha coragem de fazer aquilo na minha frente?

— Pam — Nicholas disse sorridente quando me aproximei rapidamente dos dois, fazendo assim Georgina dá dois passos pra trás, por pouco ela não esbarrou no garçom que passava atrás da mesma, seria uma cena linda de se ver: Georgina Moore coberta de caviar — Demo... — interrompi o meu namorado bruscamente, quando o surpreendi com um beijo longo e de tirar o fôlego, que fez o corpo do Nicholas se arrepiar instantaneamente. Se ela queria guerra, então ela teria guerra.

— A cretina pensa que esse evento é motel — Megan sussurrou no ouvido de Georgina, mas não tão baixo o suficiente a ponto de me impedir de ouvir, Georgina riu do comentário da outra, eu ri mais ainda por dentro, realmente me agradava fazer as duas se roerem de inveja, ciúmes ou whatever.

— Gostou, amor? — disse quando finalmente interrompi o beijo, olhei discretamente para as garotas a minha frente, as duas pareciam realmente incomodadas com a minha presença, meu ego se encheu nesse momento, eu simplesmente me senti incrível ao ver que vários olhares estavam direcionados a nós, o casal da noite.

—Uau! o que foi isso? — Nicholas riu ofegante, e entre respirações ele sussurrou no meu ouvido — Acho que se você olhar mais pra baixo vai notar o quanto eu gostei — um sorriso maldoso surgiu no seu rosto e me excitou bastante, além da visão "mais abaixo", claro. Nicholas era o tipo de homem que pode falar a putaria que for, mas ainda sim vai parecer cavalheiro e sexy demais pra recusar.

— E eu sei que aqui não é motel, fofinha — disse ao me aproximar de Megan e Georgina, mas dessa vez fiz questão de falar bem baixo, a fim de evitar que o Nicholas visse a cena e me reprimisse, Nick estava conversando com o seu irmão, Matt — Já você... Hahaha — ri alto, provocar uma garota como a Megan não era nada difícil, era possível fazer o mesmo só comentando que a sua saia devia ser um número maior ou dizendo que seu cabelo parecia meio sem vida — Duvido que saiba o que é um motel, tão "puritanazinha", nem sei como o Matt mantém só você — hesitei por um segundo, um silêncio desconfortável tomou conta por alguns segundos, deixei então que sua mente fizesse mil percursos, que seu ciúme traísse a confiança que ela tem nesse relacionamento — Se é que ele mantém só a você, coisa que eu duvido... — finalizei olhando bem fixo pro seus olhos, mulher é mulher, uma pulguinha atrás da orelha plantada já é o suficiente para se desenvolver uma psicose.

— Calada! — Georgina bufou, seu rosto logo ruborizou, de raiva, eu imagino, seu olhos pareciam estar me comendo viva e eu, como sempre, me mantive tranquila e com um sorriso sereno no rosto. Quando um cachorro ameaça te morder, você ameaça arrancar a cabeça dele.

— Você é uma coitada — Megan interrompeu se contorcendo para não começar um chororô. Como eu previ, era muito fácil tirar a estabilidade daquela garota, pena que meu alvo nunca foi ela — Ele tem um amor por mim que o Nicholas nunca vai ter por você, então vai tentar contaminar outra pessoa com essa tua urucubaca, minha filha — Megan estalou os dedos quase como uma diva negra — mas não vai adiantar, porque no fim das contas sou eu quem vai triunfar, você vai continuar sendo uma “Who?”.

— Deixa Meg, daqui duas semanas não vamos mais precisar conviver com ela mesmo — Georgina puxou o braço da loira e saiu em direção ao centro do salão, minha vontade era de arrancar o cabelo daquelas duas, bem ali, no meio do salão de eventos da Chanel, mas tive que me conter por um bem maior: Nicholas Adams e tudo o que esse namoro podia me proporcionar.

MATT

Megan e eu resolvemos anunciar o nosso noivado no evento da Chanel, porque toda a imprensa estaria reunida lá. Megan, por ser a filha do governador, tinha um dever social com o país, o anúncio do casamento deveria então ser feito em grande estilo.

— Boa noite, a equipe Chanel agradece a presença de cada um de vocês aqui — Georgina foi aplaudida fervorosamente quando subiu em um pequeno palco improvisado no meio do salão, todos estavam atentos a suas palavras, o silêncio era tanto que só era possível ouvir a voz da garota e o barulho de flash que tomava o ambiente — Agora, é com muito prazer que passo a palavra pra queridinha da América, Megan Van Der Woodsen — Megan e eu estávamos ao lado da Georgina, em cima do palco, o salão estava lotado e aquilo me causava um pouco de frio na barriga. Apesar de ser um dos herdeiros Wyndham Hotel Group e um aluno muito aplicado em Harvard, falar em público ainda me causava crises terríveis de ansiedade.

— Boa noite a todos — Megan falou ao pegar o microfone, o seu rosto estava pálido, mais que o natural, resultado do nervosismo extremo, sua boca estava lindamente vermelha, mas não por causa do batom, esse eu já havia feito questão de tirar através de um beijo, mas porque a loira estava aliviando a ansiedade mordendo o mesmo — É um prazer enorme está em mais um evento Chanel, é incrível como a equipe de decoração sempre consegue me surpreender — a loira agora sorriu timidamente, abaixando a cabeça, provavelmente procurando as melhores palavras pra usar. A Meg é profissional em discursos, devido às campanhas políticas do seu pai, mas ela não era boa quando o assunto era falar de si — Bem, como todo mundo já deve saber, eu tive a sorte grande de encontrar o amor da minha vida aos onze anos e lá se vão nove anos de namoro — Megan agora segurou firme a minha mão, senti o quão gelada estava a sua pele através do toque, pressionei então um pouco a sua mão, a fim de passar um pouco de segurança pra garota, ela olhou bem fundo nos meus olhos por um momento e sorriu mais uma vez, um sorriso terno e grato — Ontem foi o dia mais especial da minha vida, eu sinceramente não sei como eu sou digna de tamanha felicidade — uma lágrima escapou dos olhos dela, rapidamente então a enxuguei, não queria ver a minha princesa se transformar em uma panda em segundos — eu fui pedida em casamento pelo cara que eu escolhi pra viver a minha vida, fui pedida em casamento pelo Matt Adams — a grande maioria dos convidados pareciam ter vencido uma copa do mundo, ou melhor, pareciam ter visto um anúncio de 90% de desconto em todos os produtos da Chanel, se levarmos em conta os gritos, os abraços e as palmas. Mas, lá no fundo do salão, distante de todos os olhos, alguém não comemorava, este alguém era John, o pai da Megan.

— Eu não podia mais viver sem saber se vou passar o resto da minha vida ao teu lado — disse ao pegar o microfone das mãos da Megan, meus olhos continuavam voltados para John, nenhuma expressão de felicidade ou comemoração foi dado por ele, será que ele pensa que isso vai atrapalhar a sua candidatura a presidência? — Eu te amo, princesa — finalizei o meu breve discurso e nós logo descemos o palco, logo que saímos do centro fomos recepcionados pelos convidados e funcionários da empresa, cumprimentei alguns, mas logo arrastei a minha noiva para longe da multidão.

— Você contou pro John do noivado? — meus olhos ainda estavam voltados para o John, um tremendo nervosismo tomava o meu corpo, o que aquela expressão dele quer dizer?

— Claro, você não viu? Foi ainda a pouco — A Megan podia até ser bem doce e amável quando queria, mas a sua personalidade era forte e ela conseguia ser terrivelmente teimosa quando decidia.

— Megan, eu estou falando sério, ele não gostou nada pelo visto — protestei, o que eu menos queria no momento era arrumar confusão com o pai da minha noiva, principalmente por ele ser o John, um homem poderoso, rancoroso e o pior, muito vingativo — Você não podia ter feito isso, foi falta de responsabilidade e consideração — minha cabeça começou a doer, de preocupação acredito eu, parecia que o meu cérebro ia explodir em muitos pedaços, uma notícia como essa era uma bomba prestes a estoura.

— Você sabia que o John vai se casar, Matt? E melhor, com uma piranha qualquer, que nunca frequentou a nossa casa — Megan estava furiosa, seu ataque era infantil, mas justificável, pelo menos no seu ponto de vista — Pois é, nem eu — completou antes de me deixar responder, a Megan tem muitos defeitos, mas com certeza o rancor é o pior deles, herdou do pai. Ela era capaz de lembrar vacilos cometidos há centenas de anos, como quando eu esqueci o aniversário do nosso primeiro, lembro como se fosse hoje, no dia a Megan quebrou todos os vidros do meu carro com um taco de baseball, por sorte não quebrou o meu nariz, eu ainda não consigo entender como posso ser fascinado pela histeria dessa garota.

MEGAN

— Foi uma noite e tanto, não foi? — Gi disse ao telefone, nós tínhamos o costume de conversar todos os dias pelo telefone, as vezes não era possível, mas nós tentávamos tornar isso um ritual — Todos ficaram chocados e felizes com o seu casamento.

— Foi realmente incrível — Coloquei o telefone no viva-voz e entrei na banheira, Dorota havia me preparado um banho quente e relaxante — Você viu a audácia daquela Barbie falsificada? Um absurdo — dei um grande gole no Champanhe que estava ao lado da banheira, mais precisamente em um balde de alumínio cheio de gelo.

— Ela é patética, mas eu não me surpreendi com aquilo... — Georgina fez silêncio propositadamente, o que instigou a minha curiosidade, aliás, o que não instigava a minha curiosidade?

— Como assim? Você sabe de alguma coisa? — fui levada a interromper a minha amiga devido à curiosidade. Minha vida sempre foi rodeada de fotógrafos e da mídia, logo a minha vida sempre foi motivo de fofoca, desde um simples espirro a uma bebedeira em uma festa, então ouvir falar um pouco de outra vida me parece interessante.

— Alain Wertheimer me contou que as mulheres da família Hilton não possuem uma fama muito boa, ou melhor, são chamadas de loucas varridas — ouvi atentamente a declaração, achando toda aquela discussão realmente interessante, tomei então outro gole generoso do champanhe — A mãe da Pamella tentou se envolver com o Alain uns anos atrás – Georgina soava maliciosa, então um mini gritinho saiu da minha boca e a morena riu de tudo, aquilo realmente era algo pra se ouvir atentamente, um escândalo na família Hilton era quase um oscar pra mim, quer dizer, se tornou após o incidente com a loira falsificada.

— E você já contou pro Nick? — franzi o cenho ao questionar, aquilo era terrivelmente grave, grave demais pra não se contar.

— Não vou contar — Georgina parecia certa do que dizia, o que me causou muita revolta, aquilo não era coisa que se faça pra um amigo, aliás, pro melhor amigo.

— Você ta maluca? Não pode fazer isso com o Nicholas, ele é o nosso melhor amigo — retruquei nervosa, dei um leve soco na água, o que me deixou com o rosto completamente molhado segundos depois, me causando arrependimento. — Você simplesmente não pode ficar quieta.

— Como se você não conhecesse o Nick, Megan — Georgina falou calmamente, ao julgar pelo barulho que fazia atrás, ela assistia um canal de culinária pela tv — Ele sabe onde está se metendo.

— Eu não concordo — disse ao me levantar da banheira e colocar meu roupão macio — Aliás, eu não concordo nem um pouco, mas eu preciso desligar, beijo sis.

— Beijo sis — a morena falou segundos antes de finalizar a ligação.

Quando me dirigi ao quarto percebo que estava sendo observada o tempo todo, sem ao menos me dá conta disso, coloco então meu celular pra carregar e deito na cama, ao lado do homem que ali estava.

— Resolveu vir dormir comigo, amor? — dei selinho entre risos no Matt, eu simplesmente amava quando ele me fazia surpresas do tipo pra mim — Tava com saudade de dormir contigo.

— Resolvi memel — Matt sorriu ao mencionar o primeiro apelido que ele me deu quando nos conhecemos, em um acampamento da escola, nós dois éramos como cão e gato, vivíamos brigando, até que o Matt me salvou de um afogamento na piscina e me beijou — Tava com saudade também, mas você sabe que eu só não vim porque meus pais estavam hospedados lá em casa, certo?

— Eu sei sim, querido — suspirei, Matt então começou a se despir, aquela visão nunca deixou de ser excitante, desde a nossa primeira vez, mais precisamente há cinco anos — Quer que eu te prepare um banho quente?

— Eu quero sim um banho quente — Matt sorriu malicioso quando se aproximou de mim, então deslizou seu dedo indicador da minha boca até o meu decote, puxando meu roupão para o lado, deixando assim meu seio direito a mostra, logo sua mão começou a me tocar ali de forma selvagem — Mas é outro tipo de banho quente que eu quero.

Uma hora depois nós dois estávamos deitados na cama, completamente exaustos e em silêncio. Nós costumávamos ficar assim, olhando um para o outro, fazendo caretas, rindo um do outro e, acima de tudo, jurando amor eterno em silêncio, através do olhar. Era como em filmes clichês sobre como a garota rica e mimada se apaixona pelo jogador de futebol legal, então ela acaba virando uma boa pessoa.

— Sobre quem você e a Georgina estavam falando? — Matt quebrou o silêncio, ele estava com a cabeça deitada sobre a minha barriga, eu faria carinho nos seus cabelos loiros, o que o deixava bastante sonolento — Sobre a Pamella?

— Hm... — hesitei, parei por um instante de fazer cafuné no garoto — É, era sobre ela — eu e Matt não tínhamos segredos um com o outro, mas ele era irmão do Nicholas, o que me tornava automaticamente uma fofoqueira — Mas o Nicholas sabe com quem está se metendo, certo?

— Como assim, querida? — Matt levantou a cabeça e franziu a sobrancelha — Com quem o Nicholas está se metendo?

— Aah amor, na verdade só dizem que as Hilton fingem ser pessoas legais, mas na verdade são umas vadias — hesitei novamente, mas dessa vez demorei mais alguns segundos para retomar a minha fala — Não diga nada ao Nicholas, são apenas fofocas — o Matt não respondeu mais nada, apenas estampou uma expressão chateada e voltou a deitar na minha barriga. Aquela história ainda ia render muita confusão e isso era uma certeza pra mim.

Notas finais
E ai, gostaram? Se gostou comenta, se não gostou comenta também. Me deixa ai um "oizinho" leitores fantasmas. Xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.