Best Friends or More Than This?

1 Capítulo 1 - Flashbacks


Capítulo Um: Flashbacks

— Você está namorando Amos Diggory? — Sirius Black olhava incrédulo para a garota loira que sorria abertamente em sua frente.

Minutos atrás, Marlene McKinnon foi pedida em namoro por um dos garotos mais desejados de Hogwarts, quem ela sempre teve uma enorme queda desde o primeiro ano. Ela estava inteiramente feliz consigo mesma, se sentia capaz de correr em volta de todo o terreno de Hogwarts, sem parar para descansar, em apenas cinco minutos.

Mas a reação de Sirius havia sido diferente. Não agradava a ele que sua melhor amiga estivesse namorando com o maior babaca da escola, ele nunca viu nada demais no garoto que ficava com todas as meninas disponíveis e logo em seguida dava um enorme fora em todas, mas do que ele estava reclamando? Sirius Black era exatamente igual a ele.

Mesmo assim, Sirius não conseguia engolir aquele namoro. Simplesmente não parecia certo, era ridículo.

Seu comportamento durante a semana que se seguiu foi muito estranho, nem ele mesmo estava se reconhecendo. Já não passava a maior parte do dia observando as garotas para escolher qual convidar pra fazer uma visita a um dos muitos armários de vassoura que ele tanto conhecia. Agora suas horas eram gastas observando a amiga com o novo namorado, regularmente lançava olhares de pura repulsa e até raiva a Diggory.

Era difícil aceitar que sua melhor amiga estava, de fato, namorando com aquele cara que ele tanto desprezava.

— Qual é o problema, Padfoot? — James Potter se sentou ao lado dele, seguiu o olhar do amigo e fez uma careta ao avistar Marlene e Amos trocarem carícias na entrada do salão principal.

Sirius amassou o copo plástico, ainda vazio, que estava em sua mão.

— Relaxa, Diggory é um babaca, mas está fazendo Marlene feliz. — os dois desviaram o olhar do casal e voltaram a encarar o prato de comida em sua frente.

Por que ele estava agindo assim com o namoro da amiga? Ele não conseguia responder a esta simples pergunta e isso estava o matando.

Os McKinnon eram vizinhos dos Black, sendo assim, Marlene e Sirius se conheciam desde muito pequenos, ambos cresceram juntos e criaram um laço forte de amizade.

O tempo havia se passado e eles já não eram mais duas crianças que passavam o dia jogando quadribol no quintal de casa, agora ambos estavam com seus dezessete anos e, surpreendentemente, nada havia mudado.

Sirius sempre se sentiu no dever de proteger a amiga desde que entraram em Hogwarts, era irritante o tanto de garotos que praticamente babavam quando ela passava por eles.

Tudo bem, ele mesmo ficava boquiaberto às vezes.

Marlene era linda. Seus cabelos loiros caiam em cascatas por suas costas, seus olhos eram de um azul hipnotizante, seu corpo era esbelto fazendo com que os garotos babassem e as garotas a invejassem.

Era impossível pra Sirius não prestar atenção nisso, aliás, Marlene era muito diferente quando criança, mas sempre fora bonita, o tempo só havia aprimorado a beleza da loira.

Mas apesar da fama de Sirius, eles nunca haviam ficado. Os dois eram apenas amigos e nenhum dos dois queria mudar isso.

— Eu juro que se ele... — começou Sirius, com pensamentos extremamente homicidas tomando conta de sua mente, mas foi interrompido por Marlene que se sentou de frente para ele visivelmente animada.

— Bom dia! — ela cumprimentou se servindo com panquecas.

Ela não lembrava da última vez em que estivera tão feliz. Sempre sonhou com o dia em que Amos finalmente a enxergasse e agora tudo parecia ser um sonho do qual ela precisava se beliscar as vezes para ter certeza de que era real.

Comeu suas panquecas em um estranho silêncio, Marlene era hiperativa não conseguia ficar muito tempo sem falar e tampouco gostava quando seu melhor amigo a tratava de forma tão estranha e fria sem motivo aparente.

Terminou seu suco de abóbora quando James deixara a mesa para encontrar Lily, fixou seus olhos azuis em Sirius que remexia em seu prato com uma cara inexpressiva.

— Qual o problema, Sirius? — perguntou já não conseguindo se conter.

Ele tirou os olhos dos ovos mexidos em seu prato e seus olhos cinzentos encontraram os azuis de Marlene.

Ele desviou rapidamente o olhar e engoliu seu ovo mexido sem sequer prestar atenção no gosto, seus pensamentos estavam bem longe dali. Balançou a cabeça para afastar tais pensamentos tão absurdos e voltou o olhar para a amiga que continuava a encará-lo em busca de uma resposta.

— Não há problema algum, Lene. — sorriu um pouco para tentar convencer a ela e a si mesmo que aquilo era verdade.

Mas pareceu não adiantar.

Marlene bufou e revirou os olhos, não parecia mais que tivera um início de manhã tão bom.

Não conseguia ser feliz sabendo que seu melhor amigo estava distante. E aquilo estava a matando, já fazia algum tempo desde que Sirius estava diferente, mas ela preferiu ignorar na esperança de que aquilo não tivesse nada a ver com algo que ela tenha feito, mas mesmo que não fosse sua culpa, ela precisava saber o que estava acontecendo.

— Você está diferente, Sirius. Diferente comigo. — seus olhos procuravam alguma resposta na expressão de Sirius, mas ela não veio — E eu não gosto disso.

O moreno sentiu seu coração se afundar. Odiava ver a amiga daquela forma, e tudo só ficava pior quando se dava conta de que ele era o culpado por estar sendo um completo babaca desde que ela começara o namoro com o-mais-babaca-ainda do Diggory.

Colocou então na sua cabeça de que a amiga estava feliz com ele, por mais idiota que ele fosse, James tinha razão, ele a fazia feliz. Então o que restava a ele era aceitar este fato e se o babaca machucasse Marlene, Sirius se certificaria de não deixar com que ele saísse ileso.

Com o pensamento de diversas maneiras diferentes de torturas em Amos Diggory, ele conseguiu sorrir verdadeiramente.

Imediatamente Marlene repetiu o gesto, era impossível não sorrir junto com Sirius. Aquele sorriso era contagiante e muito bonito também, um tanto desconcertante.

A loira balançou a cabeça.

— Qual a graça, Black?

— Estava apenas pensando em umas coisas. — deu de ombros — Bom, acho que te devo um pedido de desculpas. Fui um idiota nesses últimos dias e uma péssima companhia também.

Marlene assentiu, parecia muito mais feliz agora que Sirius havia aparentemente voltado ao normal e não resistiu ao impulso de se levantar do banco e correr até o amigo e grudar no pescoço dele, em um abraço sufocante.

O moreno riu enquanto Marlene beijava sua bochecha em meio a gargalhadas. Não conseguia negar o quanto apreciava quando a loira surtava daquela maneira, era no mínino engraçado.

— Me solte, Lene! — resmungou, mas não tentou afastá-la — Seu namorado está olhando pra gente como se fosse nos azarar.

E, de fato, estava. Amos Diggory estava sentado na mesa da Lufa-Lufa, ignorava a conversa de seus amigos, seus olhos estavam fixos em Marlene agarrando Sirius com muito entusiasmo.

Os olhos azuis da loira encontraram com os de Amos e ela sorriu para ele que não retribuiu na mesma intensidade, apenas desviou o olhar e voltou atenção aos amigos.

— Ele não se importa. — Marlene disse assim que se sentou ao lado de Sirius, evitando olhar para a mesa dos professores que a olhava como se ela tivesse feito um strip tease em pleno Salão Principal — Acho que vocês deveriam ser amigos, sabe?

Sirius explodiu em uma gargalhada rouca que soou por todo o salão, demorou um longo minuto para que ele se calasse ao se deparar com o olhar duro de McGonagall.

— O que está acontecendo aqui?! — perguntou a professora encarando os dois que faziam um esforço enorme para permanecer sérios — Ao menos finjam terem educação e bom senso em meio ao café da manhã.

Os dois assentiram com a cabeça e a professora deu as costas, provavelmente indo para sua sala.

Não demorou muito para que os dois voltassem a rir.

— Entenda, Lene, eu sou bonito demais para ser amigo do idiota do Diggory. — ela revirou os olhos — Só aceito gente bonita como meus amigos — ele acariciou o queixo, pensativo — E Peter.

Ela teve que se esforçar para não rir, seria muito maldoso da parte dela zoar Pettigrew com Sirius.

— Você poderia tentar. — ela pediu encarando o amigo com expectativa, ele apenas revirou os olhos se xingando internamente por não conseguir dizer não a loira quando ela fazia aquela cara de gato sem dono.

***

Mas ele não tentou. Talvez um pouco, mas obviamente não deu resultado. Diggory era idiota demais para que Sirius conseguisse o aturar, então sempre que Marlene aparecia com o namorado, Sirius não se demorava muito ali e ia para outro lugar onde não tivesse que lidar com aquilo, era tortura demais.

Mais duas semanas haviam se passado quando Marlene entrou pelo retrato da Mulher Gorda parecendo bastante aborrecida, o que não era comum já que Marlene passava a maior parte do tempo sorrindo, independente do que acontecia.

Sirius notou imediatamente a expressão da amiga quando ela se sentou em sua frente na mesa perto da lareira.

— Você está bem? — perguntou deixando sua revista de motocicletas trouxas em cima da mesa e encarando melhor a loira que deu de ombros em resposta — Quer falar sobre isso?

Ela respirou fundo.

Não queria falar sobre como seu relacionamento de conto de fadas estava desmoronando, mas ele era a única pessoa que iria ouvi-la sem interromper ou opinar demais sobre sua vida amorosa, então resolveu contar tudo. Desde a semana anterior, onde Amos mudou drasticamente, não demonstrando mais tanto carinho por ela, esquecendo de alguns encontros marcados, ignorando sua presença e prestando atenção em qualquer outra coisa menos em sua própria namorada.

Ela não conseguia entender onde tudo começou a dar errado para eles. Nas primeiras semanas de namoro era como se ela fizesse parte de um filme clichê e trouxa, agora ela se sentia em um drama horrível e insuportável.

Mas seu coração não estava partido, ela não era apaixonada por Diggory. No início pensou que sim, mas pensando em tudo que leu sobre o amor, entendeu que o sentimento que ela nutria pelo lufano era uma simples paixão. Isso foi um alivio pois ela não era do tipo de garota que chorava por garotos, achava aquilo uma perda de tempo.

— Vocês terminaram? — perguntou Sirius segundos depois da loira terminar de falar e começar a encarar o fogo da lareira.

— Não. — deu de ombros outra vez e ergueu os olhos para o amigo quando ele bufou, mas decidiu ignorar.

Não estava no clima de discutir com Sirius o quanto seu namorado era um babaca.

— Vocês deveriam conversar. — disse Sirius — Ele tem que perceber que está sendo um babaca dos grandes e que está prestes a perder a melhor coisa que ele têm ao seu lado.

As palavras de Sirius fizeram o coração de Marlene saltar descontrolado em seu peito, ela lembrou de diversos relatos deste tipo sobre o amor em livros trouxas, mas se repreendeu logo em seguida por ligar uma coisa na outra. Realmente ela estava ficando louca.

— Vou dizer isso a ele. — respondeu agora sorridente, o que deixou Sirius mil vezes mais animado.

Na semana seguinte, as coisas não melhoraram para Marlene, na realidade, estavam muito piores. Ela já não aguentava mais ficar ao lado do namorado, ele só falava de política e pra ela não existia assunto mais entediante que este.

Evitava olhar para o namorado ao seu lado enquanto estavam parados na fila que liberava os alunos para visitar o povoado de Hogsmead.

Poucos minutos depois estavam sentados em uma mesa no centro do salão da Madame Puddifoot, um chá onde a maioria dos namorados riam e curtiam a companhia um do outro. O que não acontecia na mesa de McKinnon e Diggory, ele insistia em dizer seus planos para depois de Hogwarts, que era entrar no Ministério e futuramente tentar se tornar ministro, Marlene se esforçava ao máximo para não dizer nada que o magoasse, mas isso estava ficando cada vez mais impossível.

Ela passava os olhos azuis pelo salão fazendo careta para tudo que encontrava. As mesinhas redondas cheias de babados nas toalhas, as xícaras de porcelana posta delicadamente em frente à cada pessoa, os coraçõezinhos que caiam do teto... Era tudo muito ridículo e Marlene não conseguia esconder seu desgosto por aquele lugar. Tinha que concordar com Sirius, aquele lugar era horrível.

— Você poderia prestar atenção em mim? — a voz de Diggory a tirou de seus pensamentos, ele parecia irritado por estar falando sozinho há quase meia hora — Não é legal deixar seu futuro marido e ministro da magia falando sozinho, você deve me ouvir e me respeitar.

Todo o esforço de Marlene foi em vão. Ela encarou Diggory por um momento e no outro ela já estava gargalhando, assustando todos ali presentes que a olhavam sem entender.

— Você é patético, Diggory. — ele abriu a boca para responder, mas ela não deixou e continuou: — Eu não aguento mais ficar ao seu lado só pra ouvir desse seu desejo de se tornar ministro. Merlin, você não consegue nem manter um relacionamento quem dirá administrar o mundo bruxo! Eu não consigo mais fazer isso! Ninguém deseja passar horas e horas ao lado de alguém que só pensa em si próprio, que só se importa com ouro e poder, é patético. Eu desisto!

Os olhos de todos no salão estavam fixos na loira que gesticulava para o bruxo sentado que a encarava de boca aberta e bochechas muito coradas.

Ela se sentiu extremamente revigorada depois de despejar tudo que guardara pra si nessas últimas semanas. Era como se seu corpo estivesse mais leve, ela até conseguia sorrir sem parecer que estava com dor.

Abriu então seu melhor sorriso e saiu rebolando do salão, ainda silencioso. Fechou os olhos ao sentir o vento frio do lado de fora, como era boa a sensação de liberdade!

Caminhou até o Três Vassouras sorrindo para a neve que caia lentamente pelo céu, ignorando completamente o vento frio que parecia cortar sua pele. Entrou no bar que estava cheio, como sempre e apreciou aquele ambiente.

A diferença dele com o da casa de chás que acabara de sair era berrante. Ali pessoas preenchiam mesas e conversavam alto e animadamente, bebidas de verdade rodavam pelo local. Como amava aquele lugar.

Não demorou muito até que a loira avistou os cabelos compridos e negros de Sirius no fundo do bar, estranhou quando notou que o amigo estava sozinho, se dirigiu então até a mesa onde ele estava bebendo cerveja amanteigada.

— Sozinho? — perguntou antes de se sentar em sua frente.

Ele abriu um sorriso ao ver a loira e estranhou ela não estar acompanhada do namorado, mas não pode esconder a felicidade ao ver que ele realmente não estava com ela.

— Onde estão Remus, James ou Peter? — perguntou procurando os amigos de Sirius pelo pub, mas não os encontrou.

— Remus foi visitar a mãe, Peter está com gripe e James deve estar na madame Puddifoot com Lily. — ele fez uma careta ao mencionar o local, o que fez a loira rir e balançar a cabeça.

— Sai de lá agora e eles não estavam. — ele franziu a testa ao ouvir a amiga. Nunca imaginou que Marlene gostava daquele lugar horrendo — Acabei de dar um pé na bunda de Diggory enquanto coraçõezinhos caiam sobre nossas cabeças.

Sirius abriu a boca, mas não conseguiu emitir som algum. Algo dentro de seu peito ganhou vida, parecia comemorar o ocorrido, ele estava prestes a esboçar um sorriso enorme, mas teve senso e só conseguiu perguntar:

— Por quê?

Ela revirou os olhos e deu de ombros, abrindo um sorriso enorme logo em seguida. Sirius não conseguiu resistir e a acompanhou, é claro.

— Você sabe os motivos, Sirius.

— E você está bem? — perguntou preocupado com a amiga. Ele sabia que Marlene sempre teve uma paixão pelo-babaca-do-Diggory, então deveria estar sofrendo agora que terminaram o namoro, mas não era isso que o rosto da loira dizia.

— Nunca estive melhor.

Ele abriu outro sorriso.

— Isso merece um brinde! — dito isso o garoto levantou e foi até o balcão pedir uma bebida mais forte que cerveja amanteigada e voltou com duas garrafas de firewhisky. Marlene levantou uma sobrancelha, mas decidiu não perguntar como conseguira que Rosmerta lhe entregasse tal bebida.

Passaram então a próxima hora bebendo e rindo de qualquer besteira que eles achassem engraçado.

— Vamos voltar para a escola. — Sirius se levantou e estendeu a mão para Marlene — Tenho algo melhor no meu malão. — piscou para a loira que o seguiu até o castelo.

Haviam poucas pessoas ali, a maioria estava aproveitando o dia em Hogsmead bebendo alguma coisa no aconchego do Três Vassouras. O dormitório que Sirius dividia com James, Remus e Peter estava vazio também.

Sirius se dirigiu até seu malão e tirou de lá uma garrafa cheia de um líquido marrom. Marlene abriu a boca, surpresa.

— Como você...

— Trouxe de casa. — ele deu de ombros enquanto um sorriso largo brincava em seus lábios.

— Sirius Black tem uma garrafa de hidromel e ainda não acabou com ela? — perguntou a garota, sarcástica. Caminhou lentamente pelo quarto e se sentou no chão, as costas encostadas na cama de Sirius.

— Estava guardando para uma ocasião especial. — se sentou a lado da loira e abriu a garrafa.

— Espera! — ela segurou o braço dele quando ele estava prestes a virar o líquido em um copo, pegou sua varinha, a apontou para a garrafa, murmurou um feitiço e sorriu largamente para o moreno que a encarava confuso. — Agora a garrafa voltará a encher quando estiver por aqui. — apontou com o dedo para o fundo da garrafa.

— É por isso que eu te amo! — exclamou Sirius e Marlene sentiu novamente seu coração se agitar no peito, mas ignorou completamente focando no copo em sua mão e bebendo todo o conteúdo, sentindo seu corpo se aquecer imediatamente.

Perderam a conta de quantas vezes a garrafa de hidromel se esvaziou e magicamente se encheu de novo, estavam gargalhando ao notarem isso ocorrer.

— Seu cabelo está todo bagunçado, Six. — Marlene disse rindo e se aproximou ainda mais de Sirius, passando as mãos pelos cabelos macios do garoto.

Ele deixou o copo vazio de bebida de lado e sentiu sua respiração falhar ao perceber o quão perto a loira estava dele. O corpo dela estremeceu ao perceber isso também, sua mão continuava acariciando os cabelos de Sirius.

Ele nunca esteve tão próximo dos olhos azuis de Marlene, era como se estivesse encarando um oceano imenso, estava completamente hipnotizado por eles.

Marlene já não conseguia mais controlar os batimentos descontrolados de seu coração, encarar os olhos cinzentos de Sirius não deveria deixá-la desconcertada daquela maneira, mas era impossível resistir aquilo ainda mais eles estando tão próximos de si. Mas o juízo foi perdido exatamente na hora em que aqueles olhos cinzentos se desviaram para a boca dela.

Eles já não puderam mais se controlar, Sirius avançou para os lábios carnudos dela que os receberam com um choque. Era como se o corpo de ambos estivesse pegando fogo, ela abriu passagem para a língua dele percorrer cada centímetro de sua boca.

Ele não conseguiu conter um gemido quando as unhas dela arranharam sua nuca, causando arrepios por todo o corpo do garoto que intensificou o beijo ainda mais.

Era como se eles dependessem disso para sobreviver, estavam desesperados e não conseguiam mais se separar. Não conseguiam entender o motivo de terem esperado tanto tempo por aquilo, não fazia sentido que suas bocas se separassem mais.

Mas foram obrigados a se separar quando a falta de ar se fez presente, respiravam com dificuldade e continuavam a se encarar, olhos azuis nos cinzentos, eletricidade transmitida através deles.

Antes que seu cérebro pudesse alertar o perigo daquilo, ela o puxou pelo colarinho e colou os lábios nos dele com ainda mais urgência.

Foda-se se eles eram melhores amigos e aquilo era extremamente errado e poderia arruinar tudo, eles não conseguiam mais parar. O desejo era extremamente mais forte do que eles.

Sirius puxou a loira ainda mais contra si, ela se sentou em seu colo e ele apertou a coxa dela por baixo do vestido, fazendo a garota soltar um gemido rouco, ele sorriu apreciando o som.

Desceu seus lábios até o pescoço nu da garota e deixou ali diversas mordidas e chupões deixando a loira ainda mais louca. Ela podia sentir o volume pressionando suas coxas, o que fez o tecido de sua calcinha ficar ainda mais molhado.

As mãos da loira arranhavam o peitoral definido de Sirius por baixo da camiseta que ele ainda vestia, sentia a pele do moreno se arrepiar sob seus dedos.

Os dois pareciam no paraíso, era como se não existisse mais ninguém no mundo exceto os dois que estavam pegando fogo sob o chão daquele dormitório.

Marlene conseguiu arrancar a camiseta de Sirius e mordeu os lábios ao apreciar o peitoral definido, onde ela estava mais do que pronta para se perder inteiramente.

Com um movimento rápido, ele ficou por cima dela, a prendendo com suas pernas. Ficou ainda mais excitado ao ver, apesar da escuridão que se encontrava o quarto, a malícia no olhar da loira que ansiava para que seus lábios se encontrassem novamente.

Ele não demorou para atender o pedido mudo da loira e avançou prontamente para aqueles lábios vermelhos e inchados que tinha o melhor gosto que ele já havia provado.

Voltaram a se encarar depois de alguns segundos, a mão de Sirius indo apressada até o cinto de sua calça para retirá-lo.

Mas nesse exato momento, o quarto se iluminou completamente. E então três figuras adentraram o dormitório, parando subitamente ao ver Sirius em cima de Marlene no chão.

James, Peter e Remus seguraram a risada quando os dois se levantaram rapidamente. O cabelo de Sirius estava bagunçado e suas vestes todas amassadas, Marlene estava ainda pior. Seu vestido estava todo amassado, seus cabelos pareciam um ninho de rato e suas bochechas estavam em brasa.

Não conseguiu encarar nenhum deles nos olhos, apenas ajeitou rapidamente seus cabelos e seu vestido e saiu apressada do quarto.

Sirius passou as duas mãos pelo rosto e encarou os amigos que ainda estavam parados na porta tentando processar a cena que flagraram.

— Puta merda! — disse Sirius os encarando.

Antes que qualquer um deles pudesse dizer alguma coisa sobre o ocorrido, Sirius se trancou no banheiro e foi obrigado a terminar o trabalho que havia começado com Marlene, estava prestes a explodir portanto era necessário que se aliviasse, pouco se importando se seus amigos estava há poucos metros de distância dele e provavelmente teriam ouvido alguns dos gemidos roucos que ele deixara escapar.

***

Sirius Black sentiu sua cabeça latejar ao abrir os olhos e se sentar sob sua cama. Os acontecimentos da noite anterior estavam bastante frescos em sua memória. Ainda era capaz de sentir o gosto doce dos lábios de Marlene, seu perfume estava impregnado em sua pele e ele sorriu sozinho, ali sentado em sua cama, sentindo-se um completo idiota. Não fazia ideia do que estava acontecendo com ele desde que a loira deixara seu quarto horas atrás, odiando seus amigos por serem tão inconvenientes a ponto de invadir o dormitório justo quando aquilo estava acontecendo. Tudo bem que o dormitório era deles também, mas não conseguia deixar de odiá-los no momento.

Queria continuar ali, em sua cama pelo resto do dia, mas obviamente não podia e, pela primeira vez, em todos os anos que ingressara em Hogwarts, se sentiu ansioso para estar em sala de aula. Claro que o motivo não era a matéria em si e sim ver Marlene McKinnon, porém pensar em tal possibilidade fez seu estômago dar uma volta.

O que diria a ela quando se encontrassem? E por quê, de repente, isso o assustava?

Sirius já esteve naquela situação tantas vezes que até já perdera as contas, mas em nenhuma delas se sentiu desta maneira. Após dar uns amassos em alguma garota da escola, ele pouco se importava em vê-la novamente após o acontecido e tampouco se sentia nervoso ou apreensivo com a possibilidade, já com Marlene as coisas pareciam não fazer sentido.

Também não conseguia entender como as coisas chegaram a este ponto. Eles eram melhores amigos há anos e nunca se sentiu dessa maneira em relação a ela, porém desde que seus lábios tocaram os dela, o mundo pareceu virar de ponta cabeça de uma hora para a outra. E ele tinha que admitir que gostou daquela virada. Por Merlin, como nunca fizeram aquilo antes?

O orgão pulsante em seu peito acelerou ao lembrar do olhar cheio de desejo que ela lhe lançara na noite passada. Se sentiu obrigado a ignorar completamente o órgão que havia dado muitos sinais de vida quando os pensamentos de seu cérebro se tornavam sobre ela.

Merlin! Eles eram melhores amigos! Aquilo era inteiramente errado e não deveria se repetir de maneira alguma, mas como explicar aquilo para seu corpo completamente insano?

Respirando fundo, Sirius abriu o cortinado e quando ergueu o olhar encontrou seus três melhores amigos o encarando com expectativa e curiosidade, que tiveram o bom senso de guardarem para si na noite anterior, o que não amenizava em nada a falta de paciência que Sirius sentia por eles no momento.

— E então? — perguntou Remus, se sentando ereto sobre sua cama e encarando o amigo em busca de uma resposta, assim fizeram Peter e James.

Sirius revirou os olhos para os amigos.

Maricas.

— E então o quê? — fingiu-se de desentendido enquanto prestava atenção no malão de James que parecia gritar por ajuda de tão entupido e desarrumado que estava.

— Você e Marlene estavam aos amassos aqui neste tapete! — James exclamou e em seguida fez careta ao encarar o tapete bordô.

— Por mais que eu soubesse que aquilo iria acontecer, jamais imaginaria que fosse assim e que pegaríamos vocês no ato! — exclamou Peter, com um sorriso extremamente malicioso nos lábios.

— Foi mal, Pads. — desculpou-se Remus com o mesmo sorriso malicioso de Peter.

Pela primeira vez em anos, Sirius sentiu suas bochechas queimarem de vergonha. Que diabos estava acontecendo com ele afinal?

Lembrou de ver a mesma expressão no rosto de James quando o questionavam sobre Lily Evans, mas era óbvio que Sirius Black não era tão menininha quanto James. Afastou tais pensamentos da cabeça e voltou a encarar os amigos que continuavam a espera da fofoca. Maricas.

— Não enche o saco! — resmungou e levantou-se da cama, indo até seu malão. Precisava se arrumar e enfrentar um dia bastante turbulento pela frente, e mais uma vez seu coração deu sinal de vida, como sempre, Sirius o ignorou completamente.

— Ah, mas você vai entrar de novo neste banheiro? — perguntou Peter — Se for pra terminar o que começou ontem, por favor, nos diga para que possamos nos retirar, somos inocentes demais para ouvir aquilo.

Mesmo sentindo suas bochechas em brasa, Sirius soltou uma enorme gargalhada e balançou a cabeça. Realmente estava ficando louco, não estava pensando com a cabeça de cima quando tomou tal atitude diante dos amigos na noite passada. Mas se fora submetido a tal ato, a culpa era inteiramente deles, portanto não se importava.

Entrou no banheiro deixando os amigos gargalharem no dormitório.

Quando encarou seu reflexo no espelho não pode deixar de sorrir, era o que ele fazia todos os dias. Admirava a si próprio refletido no espelho sempre com um sorriso orgulhoso nos lábios, independente de estar com a pior das aparências ele continuava bonito, ele sabia e se aproveitava demais de tal fato. Marlene odiava aquele hábito irritante.

Sentiu novamente aquela mesma agitação em seu estômago, porém foi capaz de desprezá-la totalmente e saiu do banheiro, pronto para ir para a primeira aula do dia, mesmo que aquilo significasse o tão temido e esperado encontro com Marlene.

— Você não vai mesmo contar como aquilo aconteceu? — perguntou Peter com tamanha expectativa de obter todos os mínimos detalhes do rapaz que bufou e saiu do dormitório sem responder a pergunta do amigo.

Não conseguia decidir se seria pior ficar ali ouvindo os amigos darem ataques de pelancas atrás de informações sobre o ocorrido ou encarar Marlene McKinnon depois daquilo.

Mas não precisou se preocupar muito com aquilo, pois a garota não apareceu na primeira aula. Não conseguia evitar de olhar ansioso para a porta, temendo que ela adentrasse correndo e com as vestes amassadas, como sempre acontecia quando ela estava atrasada. Porém, ela não apareceu em nenhuma aula. Ele sabia que algo estava errado, Marlene não costumava se atrasar tanto.

Acompanhou os amigos até o Salão Principal para o almoço, esperava ver a loira com as amigas já sentada na mesa da Grifinória, porém ela também não estava lá.

Ela obviamente estava de ressaca e provavelmente desmaiada na cama, o pensamento o confortou por alguns minutos, até ouvir algo completamente diferente vindo de um grupinho de meninas do quinto ano.

— Coitadinha! — exclamou a mais baixa — Não me surpreende que ela não tenha saído do dormitório, levar um pé de um deus como o Diggory não é algo que se possa superar do dia para a noite.

— Pouco me importa se a idiota da McKinnon deixou ele escapar, o que importa é que agora ele está livre e eu não vou perder esta chance! — a morena disse malvada e animada ao mesmo tempo, se é que aquilo era possível.

James teve de segurar o amigo para que ele não avançasse sobre as meninas.

Que merda era aquela? Sirius sabia exatamente como o relacionamento de Marlene e o babaca-do-Diggory havia terminado, ela estava extremamente aliviada em pôr um ponto final naquilo. Ou será que ele se enganara? Sabia que ela sempre teve uma paixão platônica pelo lufano desde o primeiro ano e estava muito feliz por finalmente iniciar um relacionamento com ele. Estaria agora chorando por ter terminado com ele? Ela mentira sobre quem havia terminado? Afastou tais pensamentos, sabia que Marlene não estava mentindo. Então por que ela havia sumido durante toda a manhã? E por que a vida amorosa dela estava sendo discutida pelos corredores por outros alunos que sequer eram seus amigos? E por que ele se importava?

***

A claridade invadiu os olhos da garota, fazendo com que ela gemesse em resposta para a pessoa que a cutucava nas costelas. Sua cabeça latejou em resposta ao seu mínimo movimento e ela fechou os olhos com força.

— Marley, acorda! — ouvir a voz de Lily não melhorou em nada a dor aguda em sua cabeça.

Depois de levar mais alguns cutucões da amiga, Marlene finalmente abriu os olhos sentindo toda a claridade lhe invadir.

O dormitório estava vazio exceto pelas duas, deduziu que estava atrasada e isso explicava a ruiva a cutucando incansavelmente para que acordasse.

— O que foi, Lily? — perguntou com a voz baixa, mas a dor aguda continuou e ela sentia que sua cabeça estava prestes a explodir.

O que havia acontecido para ela estar naquele estado?

Não conseguiu pensar no assunto, pois quando tentou esforçar seu cérebro a lembrar dos acontecimentos da noite passada, sua cabeça doeu dez vezes mais.

— Você perdeu todas as aulas do período da manhã! — a ruiva estava com os braços cruzados e olhava incrédula para a amiga — Você precisa se arrumar, temos Poções em meia hora!

A loira fechou os olhos, seu estômago estava enjoado e ela sentia que estava prestes a vomitar e ouvir sermão de Lily Evans estava piorando sua situação. Ainda podia sentir uma quantidade grande de álcool percorrer sua corrente sanguínea.

— Vamos, Marlene!

— Estou explodindo de dor de cabeça, não vou a lugar algum! — protestou Marlene fazendo o possível para ignorar o sentimento doentio que preenchia cada célula do seu corpo.

Lily respirou fundo e olhou para a amiga. Ela estava com uma aparência horrível, ainda vestia o mesmo vestido com meia calça que usara para visitar Hogsmead no dia anterior, seus cabelos loiros estavam em um estado deplorável e o tom de sua pele tinha uma coloração meio esverdeada.

Sentiu um gosto horrível subir pela sua garganta e correu desesperada até o banheiro, despejando lá todo o álcool que ingeriu horas antes, se sentiu imediatamente melhor do que estava desde que abriu os olhos, mas sua cabeça ainda doía tanto que ela não se sentia capaz de pensar com muita clareza.

— Me diz que não está assim por causa do Diggory. — ela esperou por uma resposta da amiga enquanto ela escovava os dentes e lavava o rosto, mas não obteve nada.

Tudo o que Marlene conseguiu lembrar foi de ter dado um pé na bunda de Amos Diggory, conseguiu esboçar um sorriso ao lembrar da careta magoada e irritada do ex namorado.

— Ele mereceu aquele pé na bunda. — ela respondeu e uma careta dolorosa surgiu em seu rosto, caminhou cambaleando até seu malão e tirou de lá uma poção para ressaca, bebeu quase todo o conteúdo, se sentindo melhor em questão de segundos. Sua mente clareou um pouco.

— Bom, ele está dizendo a todos que você não apareceu nas aulas porque vocês terminaram... — Lily mordeu os lábios, não queria contar a pior parte.

Marlene parou de andar e encarou a amiga, esperando que ela desmentisse o que acabara de dizer, mas tudo o que conseguiu foi enxergar que ela ocultava alguma coisa.

O sangue já fervia nas veias de Marlene, sabia que Diggory era um idiota, mas não imaginava que ele pudesse ser tão babaca a ponto de espalhar mentiras sobre ela.

Ah, qual é?! Quem é que ela estava tentando enganar? Ela sempre soube que Amos Diggory era, de fato, um babaca, Sirius sempre apresentou veemente este fato...

Seu estômago deu um pulo ao pensar nisso, mas ela não estava com paciência para entender o que o incomodou, pois tinha um assassinato a cometer, que não poderia, em hipótese alguma, ser adiado.

— O que mais? — a loira exigiu saber, ansiosa — Fala, Lily!

— Bom... — Lily hesitou, mas ao perceber o olhar mortífero da amiga se sentiu obrigada a terminar, até porque ela iria descobrir de qualquer forma — Diggory está dizendo que foi ele quem terminou e você saiu chorando e de coração partido da Madame Puddifoot. — Lily fechou os olhos, temendo a reação da amiga, pois sabia que ela iria explodir e tentar matar Amos Diggory, e não podia negar que ele merecia.

— Ele o quê? — gritou olhando indignada para a amiga. — Eu vou matá-lo!

Com isso, entrou no banheiro com suas vestes limpas em mãos e tomou o banho mais rápido de sua vida, mesmo assim tendo um efeito relaxante em seu corpo após uma noite de bebedeira sem limites, seus músculos estavam doloridos. Por último, ajeitou seus cabelos que graças a Merlin, estavam num bom dia. Precisava matar Diggory, mas se aparecesse no estado em que estava, iria apenas confirmar as mentiras do ex e aquilo era tudo que ela não se permitiria fazer. Nunca.

Marlene McKinnon definitivamente não nasceu para ser rebaixada por homem nenhum.

Saiu do banheiro se sentindo renovada, passou por Lily que a esperava, preocupada. Deixou a Torre da Grifinória com a amiga em seu encalço, ela estava desesperada para saber o que Marlene planejava fazer. Não era confiável quando a loira ficava brava daquele jeito, ela aparentava estar prestes a cortar Diggory em pedacinhos e jogar para algum bichinho de estimação de Rúbeo Hagrid, o guarda caças da escola, terminar o trabalho sangrento.

Mas Marlene caminhava decidida em direção ao Salão Principal, onde todos estavam terminando o almoço. Sentiu um prazer imenso, podendo ser igualado ao de um artista de filmes trouxas que estava prestes a cometer o melhor de seus assassinatos, por ver que Amos Diggory estava sentado em seu habitual lugar na mesa da Lufa-Lufa e marchou furiosa até lá, o arrancando do banco pela gravata amarela e preta.

Como sentiu desprezo ao encará-lo. Nunca pensou que algum dia poderia sentir tal sentimento em relação a quem ela sonhara desde o primeiro ano, mas a atitude infantil e ridícula dele provara o contrário.

Ele estava de olhos arregalados e encarava a loira com medo, nunca tinha visto ela naquele estado, mas já imaginava o porquê daquilo. Se obrigou então a se acalmar e contornar a situação, aliás ele tinha uma reputação a zelar e não podia deixar que uma garota como ela o fizesse parecer patético em frente de toda a escola.

— Me solta, McKinnon! — resmungou juntando todo o seu poder de coragem que lhe restava, o que era bem pouco devido a intensidade de raiva que refletia nos olhos azuis e eletrificados de Marlene.

— O que você pensa que está fazendo?! — ela praticamente gritou. Todo o salão estava em silêncio, boquiabertos, observando a cena que desenrolava — Você terminou comigo? Tem certeza?! Pois eu lembro muito bem de ter jogado na sua cara o quanto eu não aguentava mais ficar com alguém como você! O único que esteve chorando este tempo todo foi você que precisou inventar mentiras para não manchar sua reputaçãozinha de merda!

Ele engoliu em seco, sentindo todo o sangue se concentrar apenas em seu rosto, não conseguia formular alguma resposta para despejar sobre ela, e isso o irritou o profundamente. Não queria e não podia admitir, mas naquele exato momento, quando a fúria nos olhos da loira se intensificava ainda mais, ele sentiu medo.

Todos os alunos que ainda estavam no salão pareciam prender a respiração, ninguém ousou falar uma palavra após Marlene terminar de esbravejar sobre o ex namorado e esse permanecer calado e esverdeado, como se estivesse prestes a sair correndo para o mais longe possível da grifinória.

— O que significa isso, senhorita McKinnon? — a voz de McGonagall quebrou o silêncio e Marlene soltou Diggory, desviou o olhar do garoto que, pela primeira vez em sua vida, estava feliz pela presença da diretora da Grifinória.

Marlene limpou as mãos nas vestes, como se tocar em Diggory fosse capaz de lhe transmitir alguma doença contagiosa, por último encarou a professora.

— Precisava esclarecer algumas coisas, professora. — deu de ombros e um sorriso maroto brincou em seus lábios, McGonagall a olhava com seu famoso olhar duro.

— Me acompanhe até minha sala. — seguiu a professora se sentindo bem melhor do que deveria, sabia que estava prestes a levar detenção, mas não se importava. Havia deixado claro para todos o quanto Amos Diggory era um babaca e o quanto ela o desprezava, seu corpo parecia mais leve com o acontecido.

Passou por todos os alunos que a encaravam, uns confusos e outros se divertindo com a cena. Seus olhos passaram pela mesa da Grifinória e pousaram em Sirius Black, um arrepio percorreu todo o seu corpo, ela se sentiu obrigada a desviar o olhar e correu para alcançar McGonagall.

Sua cabeça estava girando, não conseguia se livrar do arrepio em seu corpo enquanto ainda sentia os olhos cinzentos de Sirius sobre ela.

Agora que sua cabeça não doía mais, se esforçou para lembrar do que acontecera na noite passada, parou subitamente ao ter flashbacks.

Os olhos cinzentos de Sirius a encaravam próximos demais... Então seus corpos estavam colados, lembrou da sensação da língua do moreno passando pela sua boca, seu pescoço... Suas pernas tremeram e ela arregalou os olhos.

— Puta que pariu! — exclamou alto o bastante para McGonagall se virar e encará-la, agora furiosa.

— Detenção, McKinnon! Oras, isso não é palavreado apropriado para um estudante de Hogwarts! — McGonagall estava lívida de fúria como Marlene nunca vira antes — Vinte pontos a menos para Grifinória!

Marlene engoliu em seco, não se importava em ganhar detenção e perder pontos para sua Casa, algo muito pior estava deixando a loira a beira de um ataque de pânico.

Aquilo não poderia ter acontecido. Merlin, onde ela estava com a cabeça quando decidiu subir até o dormitório de Sirius e beber até perder total noção do que estava fazendo?