Berlock Safe
10 Minas
Berlock e Lee voltam para a padaria, o pai que havia fortificado o lugar no tempo que estiveram fora corre em direção à sua filha para ver como ela estava.
Antes que ela pudesse dizer sobre as novidades ao seu pai, Berlock a interrompe. O olhar do aventureiro diz a ela que é melhor deixar as coisas como estão, sem seus pais saberem sobre Pandora.
— Lee, você está bem? — O pai de Lee percebe que ela está diferente.
— Estou bem, pai, mas agora não temos tempo para isso, te explico mais tarde, agora temos que resgatar a mãe.
— Está bem.
— Nós vamos atrás de mãe e resgatá-la, nos espere chegar.
Padeiro destranca a padaria, Lee Ryuei e Berlock Safe saem correndo seguindo a trilha feita pelos monstros, ela segue floresta adentro. Cerca de meia hora se passa até que a dupla chega à mina onde as bestas tomaram como covil.
Ele se impressiona pelo fato de ter percorrido tal distância correndo sem diminuir o ritmo, e que Lee foi capaz de acompanhar. O condicionamento de espadachim dela impressiona-o .
De frente para a mina, eles observam o movimento, a três javalis de guarda, sendo que dois deles estão de costas para a entrada, apenas um segue fazendo patrulha.
Não querendo esperar, Lee arremessa a faca de combate no olho do monstro que cai para trás.
Lee corre e pega a faca do olho do javali, os dois guardas avançam.
Ela esquiva do primeiro golpe e corta a garganta do monstro. Com o segundo, Lee também esquiva do ataque e contra-ataca com socos na garganta. Enquanto o monstro está agachado, Lee desfere uma facada na nuca, mandando o monstro para o chão.
BS caminha observando a eficiência da companheira e determina que ela é bem útil desde que esteja medicada contra o veneno. Ele pega uma espada no chão e joga para Lee.
A dupla entra na mina, diferente do que ele esperava, a mina é um lugar barulhento, constantemente o som das picaretas sendo batidas nas paredes ecoa pelo lugar, são diversas batidas sincronizadas.
Os monstros estão atrás de pedras de mana.
— Será difícil lidar com tantos monstros em um lugar pequeno, precisamos atraí-los para fora — Berlock diz.
— Tive uma ideia — Lee comenta.
A dupla volta para fora e Lee logo se apronta para decapitar um dos javalis mortos, usando força, ela atira a cabeça mina adentro.
Em alguns segundos, rugidos ecoam pelo lugar e logo o número deles aumenta, então uma marcha pesada se inicia com as bestas saindo da mina.
Ao todo, 15 javalis armados se encontram do lado de fora, eles estão de frente para os heróis que não demonstram medo.
Lee logo pega duas espadas e corre na direção das bestas, ela avança cortando a garganta de três deles, duas vêm pelas costas, mas Berlock logo os para usando um machado, cinco javalis a menos.
Berlock observa que Lee está avançando rapidamente para cima dos javalis e lidando bem com eles. O fato ela estar no nível 15 faz toda a diferença. Ele precisa apenas que alguém cubra suas costas, e Berlock faz isso.
A dupla elimina todos os monstros, deixando uma poça de sangue no chão. Com tudo certo, eles seguem mina adentro.
Caminhando pelo local, eles encontram vários corpos apodrecidos, os monstros estavam sequestrando pessoas e as consumindo, a visão irrita Lee e incomoda BS.
Essas pessoas são presas e têm seus membros tirados aos poucos para servir de alimento.
BS sente algo ruim dentro de si, saber que o cenário à sua frente é algo comum, que em outros lugares existem pessoas sendo devoradas, o incomoda profundamente.
A dupla chega ao final da mina, onde encontra diversas armas e um baú trancado. Também tem peças de armadura, a espada de Lee e sua mãe desacordada.
Lee desamarra sua mãe que não está infectada ou envenenada.
— Lee? Lee, você não deveria estar aqui! — Deveria sim, calma que já vou te soltar.
Um rugido alto ecoa mina adentro, diferente dos outros já ouvidos, esse é mais intimidador, mais selvagem e impõe uma certa presença.
— Lee, pega sua mãe e a espada! — Grita Berlock.
Entrando na mina, um enorme javali portava dois machados e duas espadas.
— Rápido! — Berlock sente o perigo, mas eles estão sem Pergaminho de Retorno.
O monstro avança correndo e golpeia de baixo para cima, jogando terra no resto de Berlock que pula para trás. Nesse instante, um dos machados é jogado contra sua cabeça.
Berlock se joga no chão e o machado passa por cima.
Antes de BS se recompor, o Javali o chuta de baixo para cima, jogando Berlock de costas no teto da mina.
Na queda, antes do aventureiro atingir o solo, o monstro o agarra pelo pescoço usando duas das quatro mãos.
Berlock começa a ser enforcado, ele usa as duas mãos para tentar sair da situação, o monstro usa os braços de baixo com espada para tentar empalar o aventureiro que tira a mão do pescoço e segura as espadas.
Ele usa sua velocidade para chutar fortemente o tórax do monstro, que o larga e vai para trás. Nesse momento, Lee surge à direita do aventureiro e, em um único golpe, ela decepa no meio os dois braços direitos do monstro.
— Se prepara.
— Certo!
O monstro ataca com as duas espadas e Lee bloqueia. Enquanto ela o segura, Berlock avança com um soco no focinho do monstro, que vai para trás, e Lee logo avança e corta o último braço direito do monstro.
Ele grita e golpeia na direção de Lee, mas Berlock segura o golpe com uma das picaretas que achou no chão. Sem perder tempo, Lee salta sobre Berlock, pegando velocidade e cortando a garganta do monstro que cai agonizando. A dupla espera um pouco e o monstro falece.
Berlock se recompõe, enquanto isso Lee diz para sua mãe que ambas vão voltar através do Pergaminho de Retorno que Lee tinha guardado. Berlock havia se esquecido que ela era quem os possuía de início, ela tinha dois, sendo um para seus pais e outro para si.
— Quem é o aventureiro? — Sora pergunta.
Lee se vira para ele — Berlock Safe, meu novo mestre.
— Mestre, mas ele nem parece estar em forma.
— Acredite ou não, mãe, é assim que ele luta.
— Estamos voltando, Berlock.
— Certo, logo mais estarei indo.
— Não demore.
Lee utiliza o pergaminho e volta junto de sua mãe.
"Parabéns." A janela de mensagens se abre.
— Se entrou em contato, significa que terminamos por aqui.
"Por enquanto sim, os javalis restantes tentarão tomar a Mina e estabelecer um novo líder, mas devem levar alguns poucos dias ainda. Seria melhor eliminar o ninho deles."
— Então temos que lutar novamente com eles.
"Sim, mas dessa vez com ajuda."
Um baú surge ao lado de BS.
"O baú dos esquecidos"
BS o abre e tem muitas moedas de ouro, mas nenhuma é adicionada ao seu inventário. Dentro dele, o aventureiro pega as manoplas para Lee e um caldeirão para Bianca.
"Use as moedas para recrutar pessoas, tem 300 moedas de ouro, faça o que for necessário."
— Comprar as ajudantes?
"Alugar seus esforços, sei que você pensará em algo e parabéns por alcançar o nível 3."
— Obrigado. Voltarei à padaria e acertarei os detalhes com Lee.
"Assim espero."
Berlock volta correndo em velocidade máxima para a padaria, ele faz o percurso em 15 minutos.
Próximo da porta da padaria, Berlock hesita em entrar, lá dentro tem uma família reunida novamente, algo que ele já não tem mais.
Um pensamento surge: "Eu não deveria estar aqui". Seguindo-o, Berlock decide que não deve entrar no momento em família, ele está deslocado de tal reunião.
Ele se vira para voltar para a mina, em seu peito um aperto, uma angústia sobre a perda dos seus pais. Ele quer ir para longe ao mesmo tempo que quer estar com alguém, mas alguém logo pega sua mão.
— Berlock, tem algo de errado? — Lee pergunta enquanto segura a mão esquerda dele.
Eles trocam olhares, o nó na garganta está entalado com toda vontade de dizer o que está sentindo, "Eu não estou bem", Berlock pensa.
— Na verdad— Lee tem algo de errado?
— Não, mãe. — Lee se vira para Berlock. — Ia dizer algo?
— Outra hora, vamos.
Todos entram na padaria, agora ela se encontra mais organizada. Eltom esteve arrumando enquanto Lee e Berlock estavam fora.
Lee aponta para uma cadeira e pede que Berlock sente, ele o faz e bem na hora Sora agradece.
— Muito obrigada, aventureiro. Lee me disse que você ajudou com o veneno, e Eltom me disse que você protegeu os dois quando os monstros apareceram mais cedo.
— Não se preocupe com isso, só fiz o que qualquer um faria. — Não diga isso.
Ele parou o que estava fazendo.
— São poucos os que estão dispostos a lutar com monstros, e esses poucos pedem por muito ouro. Nós com certeza iremos te pegar em algum momento!
— Deixe-me perguntar, você não é daqui, certo? Suas vestimentas não condizem com as daqui — pergunta Sora.
— Venho de uma terra distante em outro continente — Berlock mente e Lee concorda com ele.
— Ficamos gratos por tudo que fez, iremos te recompensar.
— Novamente, não se preocupe com isso. — Berlock pensa e então diz — Se quiserem me pagar, façam com a confiança, me ajudem com a mina que limpamos, tenho planos para ela.
— Planos? — Lee pergunta.
— Pedras de Mana, soube que elas são usadas no tratamento de envenenamento e doenças. Se tivermos uma mina, poderemos ajudar as pessoas.
— "Soube", então você realmente veio de fora. — Sora comenta.
— Se você tiver uma mina, precisará de alguém para gerenciar. — Eltom diz e Lee comenta — Fora os gastos com uma.
— Pensei nisso, podemos oferecer tratamento para as pessoas em troca do ouro que vamos usar para manter a mina, vamos pagar aventureiros para fazer a guarda. — Berlock explica.
— Pessoas com recursos cobram muito pelo tratamento, vai ganhar muito ouro bem rápido se cobrar menos. — Sora comenta.
— Isso seria um problema. Imagino que por aqui todos estão desesperados por algo que ajude em suas enfermidades — Berlock se levanta e continua a explicação —, vender um tratamento por preço baixo vai atrair muita gente, isso seria um desastre.
— Grande concentração de mana, poderia monstrificar animais próximos ou atrair muitos monstros — Lee relembra.
— Por isso, em primeiro momento, vamos nos concentrar em conseguir recursos, depois lidamos com a população. Não pretendo sair distribuindo o tratamento no momento.
Berlock explica que, no momento, não é uma boa hora para espalhar que eles têm um tratamento efetivo contra os males, até porque eles não possuem tantos medicamentos ali.
"Talvez seja uma boa ideia demonstrar o tratamento, mas para pessoas importantes que possam abrir portas."
Eltom e Sora concordam com os planos de Berlock e Lee, apenas ouvem tudo.
— Isso me deixa aflita, saber que podemos ajudar a todos, mas não podemos fazer nada. — Lee diz e Berlock comenta — Não no momento, mas no futuro sim.
Aproveitando a calmaria, BS comenta com os pais de Lee sobre o estado dela.
— Assim como as outras enfermidades, a dela não tem cura, o tratamento com mana pode retardar um pouco. Já o que utiliza a medicina de uma amiga... alquimista, esse é efetivo apesar de temporário.
— Lee não parece estar envenenada, parece curada — Sora comenta.
— Sim, é efeito da medicação, mas só duram 8 horas por cada vez que ela toma, e tomar vários de uma vez não vai fazer com que dure mais. Na verdade, tomar vários juntos pode até matá-la, ela precisa de 3 por dia.
— Tenho essas ainda — Lee mostra a caixinha com mais 20 comprimidos.
— Darão para mais 3 dias, temos pouco tempo para organizar tudo e reencontrar a amiga alquimista, ela quem fornece a medicação.
— Então você pode conseguir mais dessa medicação? — Sora pergunta com lágrimas nos olhos.
— Sim, irei garantir que Lee não fique sem.
Lee dá um sorriso.
— Por hora, vamos descansar, todos precisamos.
A conversa se encerra e Lee vai com Berlock para fora enquanto seus pais arrumam a padaria.
— Sem monstros nas minas, meus pais não precisam mais fugir para a cidade.
— Acho que é uma coisa boa no fim das contas.
— Com certeza é, seria problemático tê-los na cidade com tantos doentes por lá.
Lee se vira para Berlock.
— Sei que já disse antes, mas — Lee abraça Berlock bem forte —, obrigada pela ajuda que nos deu hoje, e por me ajudar a ver a verdade sobre esse mundo.
— Não se preocupe com isso — Berlock saca algo do seu inventário —, aqui as manoplas da missão, notei que sua espada está quebrada.
Lee pega as manoplas e as coloca.
— São confortáveis.
Ela dá alguns socos e Berlock diz que ela tem jeito para ser uma lutadora.
— Eu aprendi algumas coisas enquanto treinava para ser espadachim, uma coisa ou outra de combate corpo a corpo.
— Bem, aproveite, acredito que serão úteis, e você pode usar sem medo de quebrar.
Lee demonstra ficar pensativa e Berlock nota isso.
— Disse algo de errado? — Ele pergunta e ela responde com a voz em tom de angústia.
— Meu antigo mestre se chamava Kebach, ele me ensinou tudo que sei sobre ser um espadachim. Durante uma viagem, fomos atacados por monstros e havia um homem entre eles. Esse homem matou meu mestre e selou sua alma na espada trincada. Se ela quebrar, a alma dele se perderá antes de termos nossa vingança.
— Você sabe quem era o homem?
— Agora sei. Soa, o Arauto das doenças. Antes eu não tinha ideia, mas depois que o Adm me mostrou quem eram eles, eu o reconheci.
— Nosso primeiro alvo.
— Berlock, peço que me ajude a matar Soa e vingar meu antigo mestre.
Berlock vê determinação no olhar e postura de Lee, ela emana uma raiva direcionada aos Arautos, raiva essa que, se bem direcionada, pode fazer um belo estrago.
— Vamos vingar-lo, enquanto estiver comigo manterei seu desejo em mente, e para o primeiro passo vamos combater as doenças dele.
— Certo, confio nas suas palavras.
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