Berlock Safe
18 Despedidas
O sangue da Arauto banha o chão enquanto Karin e Kastin comemoram, já Lee está preocupada com as feridas de Berlock, principalmente o buraco no ombro dele.
— Você tem que se tratar, precisamos de curandeiros!
— Calma, estou bem... — Berlock demonstra estar fora do normal.
— Não, você não está bem.
— É só um pouco de cansaç— Berlock desmaia.
O fim da tarde chega e Berlock acorda. No seu quarto, Lee está em uma cadeira dormindo. Ele percebe que foi limpo e suas feridas costuradas, também percebe um gosto de remédio.
— Lee — Berlock a chama —, Lee.
Ela acorda e vê Berlock consciente, então ela corre e o abraça.
— VOCÊ TÁ BEM?!
— Aiii!
— Ops, desculpa — Lee diz enquanto se senta na cama.
— Estou bem e com apenas um pouco de dor.
Karin e Kastin entram no quarto — Ouvimos um grito!
Os irmãos veem que a dupla está bem.
— Finalmente acordou, você dormiu por algumas horas.
Lee se volta para Berlock.
— Descobrimos que Ama tinha veneno debaixo das unhas, por isso você apagou, tomou muitos golpes dela, mas já te medicamos com as pastilhas da Bianca.
— Agradeço, estou bem agora. — Berlock se levanta, vai até a janela e vê que ainda tem muitos corpos nas ruas. — Vou ajudar com isso.
— Não vai mesmo! Você precisa descansar! — Lee pontua.
— Estou bem, mas se não acredita em mim, então me ajuda.
Lee concorda e desce junto a BS, os irmãos fazem o mesmo.
Antes de continuarem, Kastin dá a Berlock a pérola de Ama, que eles tiraram do corpo dela que se encontra guardado, como o Adm orientou que fizessem. Ele deu algumas instruções depois que BS desmaiou, ele agradece e continua sua caminhada.
"Parabéns à equipe, vocês estão um passo de terminar com o sadismo dos Arautos", o Adm diz.
— Como fomos?
"Um terço dos guardas que participaram pereceram, uma parte dos aventureiros também, a força militar do castelo está parcialmente comprometida."
— Perdemos muitos então, achei que trazer a luta para a cidade seria a melhor decisão.
"E foi, com um espaço pequeno como o portão para passar, apenas algumas bestas conseguiriam passar por vez, isso possibilitou o abate delas com flechas, lanças e magia."
— Mesmo assim, tivemos tantas perdas, terei que levar a próxima luta para longe das pessoas.
"No caso da Bra, concordo com você."
Agora é hora de recolher os corpos das bestas e queimá-los. Berlock resolve que vai ajudar, porém Lee diz que ele deveria descansar da batalha que teve, já que ele foi o único a tomar dano de Ama.
— Estou bem, apenas com um pouco de desconforto.
— Mesmo assim, você tem que descansar.
"O corpo dele é forte, já se recuperou melhor do que aparenta."
— Que tal eu ajudar um pouco e depois eu vou?
— Pode ser — Lee responde a Berlock, ela está bem preocupada com ele.
BS vai para fora do castelo e se posiciona.
— Pressão Espiritual! — Berlock libera mana e manda para longe os corpos das bestas.
Os soldados olham espantados. Ele abre a loja, compra algumas poções de mana e continua indo para alguns pontos, liberando sua mana jogando os corpos em montes. Os cavaleiros e aventureiros ali presentes se espantam vendo Berlock juntar tão rapidamente os corpos.
Em menos de vinte minutos, ele já havia feito vários montes.
— Certo, acabei por aqui — BS diz enquanto volta para o castelo.
Berlock caminha por onde finalizaram Ama.
— Que destino, não acha? — Lee pergunta.
— Morrer para mortais e ser descartada como nada no mesmo lugar que suas bestas. — Berlock responde.
— Espero que esse seja o mesmo destino de Bra também — Karin comenta.
— A mais forte dos três, foi ela quem me deu a habilidade de resistência, se ela tiver uma habilidade parecida, as coisas serão difíceis.
— Vamos nos preparar para o pior — Kastin comenta.
— Concordo, vamos nos preparar para o pior. Vou voltar para o castelo.
— Eu vou com você — diz Lee.
— Está tudo bem, consigo ir sozinho.
Kastin toca no ombro de Lee — Acho que ele precisa de um tempo sozinho.
Lee e Kastin conversam um pouco sobre Berlock.
— É visível que as mortes de humanos o afetam , e ter que matar o afeta também. — Kastin comenta.
— Percebi isso, mas ele não é muito de se abrir para conversar, pelo menos não como gostaria.
— Calma, quando ele estiver pronto, vai fazê-lo.
Karin chega.
— Melhor irmos, temos que preparar o discurso para o povo que pedirá por explicações do que aconteceu aqui hoje.
— Certo — diz Kastin.
O trio entra no castelo e essa noite Karin e Kastin passam pensando no discurso que foi feito no dia seguinte para toda a população da cidade. Os irmãos explicaram que tiveram um ataque repentino de monstros, mas mesmo com perdas os guardas conseguiram deter e eliminar a horda.
Dizem que essa horda era uma junção de tribos menores que se reuniram. Com a eliminação dela, a cidade estaria segura e os ninhos poderiam ser atacados e os restantes das bestas eliminados. Dizer isso acalma o povo que temia outra invasão como essa.
Ouvir que os ninhos podem ser eliminados faz com que a população confie mais nos irmãos que avisam que, por conta da baixa no número de cavaleiros, os aventureiros irão ajudar no processo. Lee e Berlock também resolvem participar, a caça a ninhos começará em dois dias.
Enquanto espera o tempo passar, Berlock caminha pelo castelo se dirigindo para uma área de treino. Lá, ele vê os equipamentos dos soldados.
— Eu sinto você.
— Chato — responde Lee, que vinha sorrateiramente na direção de Berlock.
Ela se apoia na mureta ao lado de Berlock e também observa os objetos.
— Sem treinos hoje por conta dos enterros.
— Muitas vidas perdidas, na próxima não será assim.
— Não mesmo, nós quatro daremos conta de Bra.
— Sem nós quatro, apenas eu.
Lee se vira para Berlock e o soca no braço direito.
— Está ficando louco? Ela é o Arauto mais forte, não vai conseguir sozinha. Precisou de ajuda contra Ama.
— Eu sei, mas se nós quatro formos, tem chances de os quatro morrermos.
— É um risco a pagar para poder ter nosso mundo de volta, você não vai sozinho.
Berlock abaixa a cabeça.
— Como te convenço a não se colocar em perigo?
— Aceitando ajuda para matar Bra.
— Mas aí você vai junto.
— Mas terei você me acompanhando.
"Lee está certa, você vai precisar de companheiros."
— Espionando nossas conversas? — Berlock pergunta.
"Estava preocupado com você, imaginei que tomaria a atitude de tentar enfrentar Bra sozinha."
— Você acha que eu não conseguiria?
"Sozinho não, falta ferocidade e técnica, treine um pouco com Lee, deve ajudar."
— Ouviu ele, ou ela, você será treinado, mas depois do almoço, o enterro já deve ter terminado até lá.
— Certo.
— Vai participar?
— Estou com um certo peso na consciência, novamente, se eu não tivesse trazido a luta para a cidade, as baixas seriam mínimas.
— E Ama teria fugido, já sabemos que foi a melhor alternativa. Vem comigo, vamos.
Lee pega Berlock pela mão esquerda e o leva até a cerimônia.
Lá, Berlock demonstra tristeza pelo que aconteceu, mas em meio às dúvidas, ele grava que foi o melhor resultado, senão alguns seriam todos.
A cerimônia passa, Lee e Berlock vão para a ala de treino, ela começa pegando duas espadas de madeira, joga uma para Berlock enquanto explica os fundamentos de um espadachim e como segurar uma espada corretamente.
Berlock se mostra atento às instruções da mestra.
Depois da teoria, eles vão para uma prática simples para que Berlock coloque na prática o que estava vendo e ouvindo na teoria. A dupla treina da tarde até o escurecer, quando param, o Adm surge.
"Tenho notícias, Bra está off por todo seu período de férias, isso quer dizer que ela voltará em 20 dias.
— Temos 20 dias para nos aprimorar antes da luta final — Berlock comenta.
"Irei repassar a informação aos irmãos, peço que treinem bastante, estamos quase lá."
— Continuarei depois do jantar — Berlock diz a Lee.
— Você vai precisar descansar para continuar treinando.
— Hora de abusar da habilidade de Resistência.
Berlock, como disse, abusa da habilidade e treina por quatro dias seguidos sem comer ou descansar até que Lee aparece para o impedir de continuar.
— V-Você precisa de um banho urgente, e comer — Ela tosse enquanto fala —, e você perdeu a caça aos ninhos, mas ocorreu tudo bem e sem perdas, agora a cidade está livre de ataques.
— Bom saber. Certo, farei isso assim que terminar essa série.
— Nada disso, vai primeiro.
— Tá ok.
Berlock caminha para seu quarto no castelo enquanto Lee se reúne com Kastin e Karin.
— Ele está pegando pesado, não consigo acompanhar seu ritmo — diz Karin.
— Ainda temos 16 dias, acho que conseguimos melhorar até lá.
— Lee está certa, ainda temos algum tempo, podemos focar só em uma coisa e melhorá-la — diz Kastin.
Assim, Lee foca na espada, assim como Karin, já Kastin foca no arco e flecha. O trio treina junto a Berlock na maior parte do tempo e, por verem que os Arautos são rápidos, Berlock usa alta velocidade para treinar combate com o trio que o enfrenta constantemente.
Os treinos seguem intensos por 14 dias, o grupo resolveu que vão tirar os dois últimos dias para descansar e visitar as pessoas que lhes são importantes. Kastin e Karin se reúnem com os cuidadores no castelo, Berlock e Lee vão para a padaria onde ela passa um tempo com seus pais.
Depois disso, Berlock usa o Pergaminho de Retorno e volta para a Terra, ele e Lee.
— Berlock! Lee! Há quanto tempo.
Bianca corre e abraça a dupla.
— Do que precisam? Mais comprimidos? Estou cheia deles, ou tem alguma receita nova?
— Então, Bianca... — Lee começa a explicar toda a situação a ela e o perigo que está chegando.
— Então vieram se despedir porque não sabem se vão sobreviver — diz BA com voz de choro.
— Exatamente — diz Berlock.
Bianca começa a chorar e Lee tenta acalmá-la, Berlock também tenta, mas sem sucesso. Depois de alguns minutos, ela se acalma por conta própria.
Ela limpa as lágrimas e vai até o quarto, onde pega sua bolsa.
— Sorvete, vamos tomar sorvete hoje antes de vocês irem.
A dupla concorda e sai com Bianca. Lee ainda se mostra impressionada com a arquitetura da cidade, com tantas casas e tantos prédios tão altos. O trio para em uma sorveteria e pede cascão, sendo um para Lee e Bianca. Já Berlock pede uma banana split.
Enquanto tomam o sorvete, eles conversam sobre as coisas boas que aconteceram nos últimos tempos. Bianca falou como foi bom conhecer Berlock e como isso mudou sua vida. Lee também fala como foi bom conhecê-lo e como isso mudou sua vida.
Logo elas veem que têm ele em comum.
Berlock diz que agradece por ter conhecido as garotas e que sua vida mudou também ao conhecê-las.
— Eu não sabia que teria tantas aventuras ao conhecer vocês duas ou o príncipe e a princesa.
O trio segue tomando o sorvete e depois dá uma volta pelo centro da cidade. Lee pergunta como funcionam os carros e motos e Bianca se embola tentando explicar cada coisa que ela está vendo.
Depois do passeio, eles voltam para a casa de Bianca.
— Então é isso — Berlock solta.
— Sim, mas depois que vencermos Bra, eu volto o mais rápido que puder para dar a notícia! E vamos te levar para Pandora quando lá estiver segura — Lee exclama.
— Estarei esperando por isso — diz Bianca com voz de choro de novo.
Ela dá um último abraço apertado na dupla que se despede e volta a Pandora.
De volta à padaria, Lee se despede dos seus pais. Berlock vê que a plantação de trigo voltou ao normal.
— Eltom deve ter usado a água da fonte para limpar as doenças do solo.
Lee vai até Berlock.
— Pronta para ir.
— Certo.
Eles montam nos cavalos e seguem viagem, algumas horas se passam e eles podem ver a cidade já.
"Berlock, temos um grave problema, Bra voltou e está na cidade!"
— Vamos! — Certo!
Lee sobe nas costas de Berlock, que dispara a toda velocidade em direção à cidade.
Ao chegar lá, eles veem casas destruídas, corpos em pedaços no chão, o cheiro de sangue toma conta do lugar, Berlock se enfurece, ele corre pela cidade seguindo o rastro de destruição e encontra um grupo de cavaleiros lutando contra uma mulher.
— Bra! — grita Berlock enfurecido.
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