Berlock Safe
13 Cura em ouro
"Bianca já está pronta, quando estiverem é só vir."
— Entendido.
Berlock se despede de Lee, algumas horas atrás eles haviam conversado e decidido que só ele precisaria voltar, ela ficaria para cuidar de alguns detalhes.
O aventureiro usa o pergaminho e se vai.
Lee caminha pensativa sobre ter feito pouco na batalha, seria difícil ela se igualar à velocidade de Berlock, ela precisa logo aprender habilidades da sua classe para poder fazer ainda mais em batalha.
— Lee?
— Sim! — Ela exclama.
— Calma, só queria perguntar se seu amigo já foi?
— Já sim, ele levou o Núcleo para nossa alquimista, ela deve conseguir fazer algo com aquilo.
— Assim espero. Quero que minha irmã também possa se recuperar, mesmo que temporariamente.
Lee sorri.
— Você tem irmãos? Karin pergunta.
— Não, sou filha única. Meus pais decidiram não pôr mais ninguém nesse mundo de trevas.
— Compreensível.
— Eu também não teria filhos com as coisas andando do jeito que estão, mas se tudo der certo, a mudança virá mesmo que aos poucos.
— Acredita que mudanças estão por vir? Estamos nessa situação há séculos.
— Sim, acredito, conheci pessoas que me fazem acreditar nisso.
Um guarda chega e chama Karin para resolver alguns assuntos, ele se despede de Lee e se vai, já ela vai até a praça onde estão reativando a fonte para o núcleo que está por vir.
Lee passa algumas horas ajudando os trabalhadores até ser informada de que Berlock está de volta.
— Entendido, só preciso tomar um banho antes de ir. — Nem precisa, já estou aqui.
Berlock chega ao local portando o Núcleo de Mana que é o coração do Leão Branco petrificado em formato de estrela, com medicina e pedras de mana em seu centro e entorno.
— Conseguiram mesmo? — Lee pergunta.
— Com certeza, nunca tinha visto BA suar tanto como dessa vez, no fim conseguiu — Berlock responde.
Com a fonte ativada, Berlock fixa o Núcleo de Mana de modo que a água passa por dentro dele; ao passar por seu interior, ela é petrificada.
A água começa a correr e, ao passar pelo núcleo, ela adquire a coloração vermelha, assim a fonte fica toda avermelhada como se estivesse sangrando.
As pessoas acham estranho e outras se assustam com a nova versão da fonte.
Karin se aproxima de Berlock e pergunta se era para isso acontecer.
— É sim, ao passar pelo núcleo, a água adquire as propriedades da Oasis, a medicina contra as doenças, a coloração vermelha é da própria medicina.
Berlock pega um frasco de vidro, pega um pouco de água e dá para Karin.
— Leva para sua irmã.
A situação inicial na cidade foi de desaprovação, as pessoas não queriam contato com a fonte que sangrava, só alguns poucos tiveram coragem de tomar daquela água.
Esses poucos começaram a demonstrar as melhorias cerca de uma hora depois de tomar.
Berlock pregou em uma placa ao lado da fonte as instruções de uso da medicina.
Tomar água pelo menos de oito em oito horas, os primeiros efeitos surgem na primeira hora, tomar muitas doses não aumenta os efeitos ou aumenta o tempo de duração.
Os efeitos da medicina apenas neutralizam temporariamente as doenças.
— Bem simples, mas deve ser capaz de passar a mensagem.
— Bom trabalho — Lee diz enquanto dá um soco fraco no ombro de Berlock, que devolve — Bom trabalho.
Berlock passa a sensação de estar preocupado com algo.
— Aconteceu alguma coisa? — Lee pergunta.
— Tenho um problema no meu mundo. — Berlock comenta.
— O que foi?
— Quando morri na Terra, deixei minha dívida para Bianca, ela já tinha as dela, agora está mais pesado e ela não vai conseguir lidar. Do jeito que ela é, vai querer abandonar tudo para nos ajudar.
— E você não quer isso?
— Não mesmo, por isso estarei fora por alguns dias, deixarei toda Miragem com você, nossos planos acabaram mudando um pouco, então não tem problema, continue medicando o príncipe.
— Tem certeza de que quer deixar isso comigo?
— Tenho, você é esperta, estarei fora até pagar minha dívida.
— Dívida? — Karin, que acabou de chegar, pergunta sobre.
Berlock se vira para ele e diz que tem uma dívida com algumas pessoas e isso pode prejudicar a alquimista.
— O que? Não saia daqui.
Karin sai e, depois de alguns minutos, volta com uma cruz dourada, ele entrega a Berlock.
— É de ouro maciço, se não for o suficiente, eu tenho outras relíquias.
— Não posso aceitar iss— Sem essa, você pode sim, vamos dizer que é uma recompensa por ter salvo nossa cidade, ou um agradecimento especial.
— Tudo bem, verei dessa forma.
— Agradeça a Bianca por mim, ela tem sido de grande ajuda — Lee pede.
— Pode deixar.
Berlock usa o Pergaminho de Retorno e, mais uma vez, volta à terra. Ele surge na cozinha de BA, que está sentada à mesa encarando alguns papéis.
— Bianca?
Ela olha para frente.
— Oi — diz desanimada —, precisam de mais remédios?
— Não é isso, dessa vez é aqui que vou agir.
— Como assim?
Berlock retira da mochila a relíquia que Karin deu para ele.
— Se vendermos isso, conseguiremos quitar toda sua dívida.
BA se levanta e caminha até BS, ela pega a relíquia e sente o peso.
— Isso é... de verdade?
— É, uma recompensa pela ajuda que está nos dando.
— Não sei se posso — Eu disse a mesma coisa, mesmo assim insistiram, você pode aceitar.
— Vamos amanhã buscar um lugar para vender isso — Berlock comenta enquanto vê pela janela que está escurecendo.
— Ok.
Bianca pega algumas panelas — Com fome?
Berlock sorri — Estou.
BA prepara um macarrão e janta junto a BS.
Enquanto comem, ele conta como tem sido sua aventura em Pandora e que agora estão próximos de atrair um Arauto.
— Mas enfrentar eles não será difícil?
— Acredito que sim, mas começaremos do mais fraco ao mais forte.
— Entendo — Bianca responde de boca cheia.
Ele também conta sobre a fonte que fizeram com o Núcleo de Mana que ela preparou, ficou uma bonita fonte com água vermelha, como se fosse um suco de morango.
— Deve ter o mesmo gosto do remédio que usamos — BA sorri.
— Não experimentei, mas irei quando voltar.
— Não se esqueça de trazer um pouco para mim.
— Não vou.
Após as conversas da janta, Berlock se ajeita no colchão da cozinha e se prepara para dormir.
Ele está animado que finalmente vão lidar com sua dívida e a de Bianca.
A noite passa.
No dia seguinte, Berlock levanta cedo, se arruma, assim como Bianca, e partem para a rua.
Eles passam por alguns lugares com placas escritas "compro ouro", a dupla segue indo mais para dentro do centro até encontrar um lugar grande que passa uma certa credibilidade.
— Lembre-se, encontramos a relíquia nas coisas da sua falecida avó, caso perguntem.
— Tá, não vou esquecer.
A dupla entra no lugar e passa por algumas vitrines até chegar um dos atendentes, Berlock o aborda.
— Licença.
O funcionário se vira para a dupla.
— Pois não.
— Temos algo que gostaríamos de vender.
— O que seria?
Bianca puxa para fora da bolsa a relíquia e o atendente se mostra surpreso.
Ele pega o objeto que passa por alguns testes até constarem ser verdadeiro, é oferecido 450 mil pelo objeto.
Mais cedo, Berlock já avisou Bianca que eles podem dar menos que o valor real do item, mas, dando para pagar as dívidas, eles poderiam aceitar já que precisam rápido do dinheiro.
Bianca aceita os 450 mil e passa os dados bancários, ela recebe o dinheiro.
A dupla vai para a quitinete, Bianca está com as mãos trêmulas.
— 450, 450... 450!!!
— Calma, não vai enfartar ainda.
Berlock orienta BA sobre como usar o dinheiro, que é melhor não demonstrar que tem mais do que o comum depois de pagarem os empréstimos.
— Ok!
Bianca paga sua dívida e a de Berlock, ficando livre dos empréstimos, isso a deixa tão aliviada a ponto de começar a rir.
Berlock apenas observa.
— Isso foi tão difícil! — Bianca exclama.
— Difícil? — Berlock questiona.
— Sim, difícil. Você teve que perder sua casa, pais, morar comigo, morrer e enfrentar monstros e vai saber o que mais para então conseguirmos pagar três empréstimos.
Berlock ainda não tinha pensado dessa forma, sua habilidade de resistência mexe com seu emocional, o mantendo o mais estável possível, por isso ele não toca no assunto.
— Tem razão, foi difícil mesmo.
— Você está bem? — Bianca pergunta, vendo que Berlock está pensativo.
— Estou, eu acho, fiquei pensativo, culpa da habilidade de resistência, desde que adquiri não pensei mais na morte dos meus pais, na perda da minha casa ou vida, não pensei nem processei mais nada disso.
Bianca fica em silêncio.
— Fui para outro mundo, matei monstros, matei pessoas, vi muita gente morrendo, doente e com fome, envenenados e mais pessoas mortas.
Bianca abraça Berlock, um abraço forte, ele retribui e ambos ficam abraçados por alguns minutos.
Mesmo que fosse baixo, Bianca conseguia sentir e ouvir o choro de Berlock, seu emocional estava superando a habilidade de Resistência.
Depois disso, Berlock toma um banho, enquanto isso, Bianca dá uma vasculhada na internet.
Berlock sai do banho e se dirige à cozinha.
— Vem aqui — pede Bianca.
BS se senta à mesa e olha a tela do computador.
— Outra casa? — Ele pergunta e Bianca confirma. — Sim!
— Se conseguirmos uma casa maior, eu posso produzir ainda mais medicinas, é simples e ainda é uma casa próxima da faculdade, com os 445 mil restantes dá para pagar até o curso terminar.
Berlock pensa um pouco.
— Tem razão, maximizar a produção será essencial.
O aventureiro olha a casa.
— Tem quintal, 3 quartos, um banheiro e cozinha. Me parece uma boa e o preço não é problema.
— Feito então?
— Feito.
— Amanhã vamos lá!
Terminado o dia, Bianca e Berlock dormem.
Na manhã seguinte, eles se arrumam e dessa vez vão visitar a casa, ela é como estava no anúncio.
— Não muda nada do que vimos — Berlock comenta.
— Realmente.
No final da visita, a conversa é sobre os preços e Bianca concorda, ela paga os 220 mil à vista.
— Então agora é cuidar da mudança — Bianca comenta.
— É sim, a vantagem é que você tem pouca coisa — Berlock comenta.
Bianca paga um frete e Berlock ajuda a carregar as coisas, sua força sobre-humana nem precisou ser usada nem mesmo com a cômoda cheia de roupas.
Em poucas horas tudo estava pronto, BA estava na casa nova junto a Berlock e as coisas dela, mais o colchão dele.
— O que está fazendo? — Berlock pergunta enquanto vê Bianca martelando pregos nas portas do quarto.
— Calma aí.
BA coloca placas com o nome Berlock e Lee nos outros dois quartos.
— Um para você e outro para ela, para quando voltarem.
Berlock concorda.
A casa se mostra vazia, nela só estão as coisas de BA, que são poucas, por isso Berlock diz para ela ir colocando aos poucos novos pertences.
— Ahan, já estou de olho em um freezer.
— Mas já?!
— Claro, preciso de mais espaço para gelar as forminhas ou a carne, sabe que amo carne, rs.
"Berlock, temos um assunto a tratar", o Adm manda uma mensagem para BS e BA.
"Alguém tentou roubar o Núcleo da fonte."
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