Percy decidiu voltar pra casa.

Era dez de Agosto, e depois de alguns dias do fim da guerra de gaia, ele sentiu uma saudade imensa dos cookies azuis de Sally, das vezes em que eles assistiam televisão juntos, das broncas do tipo "Onde você esteve?" e principalmente, da propria mãe.

O ultimo indicio de contato que havia tido com ela foi a ligação que fizera no Alasca, — que ainda por cima, tinha caido em caixa postal. — e só se lembrava de ter dito algo sobre estar em uma missão, que continuava bem e só.Quando pensava nisso tinha vontade de se estapear e grudar em si mesmo uma folha escrito "Me chute, sou um idiota!".A primeira coisa que vinha em sua cabeça quando pensava na mensagem era que ele havia deixado sua mãe mais precupada ainda, com duvidas e angustíada.Era só se colocar no lugar de Sally, seu filho some por muito tempo, sem dar notícias de nada, com muitas chances de estar morto e então de repente você recebe uma ligação que é vista praticamente como "Oi, mãe!Então, eu estive sumido por um tempo mas eu voltei.Aliás, eu estou em uma aventura super arriscada e posso morrer de uma forma horrivel, fora da vista de qualquer um a qualquer momento e meu corpo vai se decompor e você nunca vai saber disso.Esqueci meu facebook logado no seu computador, se pudesse deslogar, eu agradeceria.Te amo, beijos!".

Realmente não era a coisa mais inteligente que Percy tinha feito, mas finalmente tinha conseguido um tempo para ir visitar a mãe e o padrasto.Preferiu não telefonar antes, queria fazer uma surpresa.Ele descobriu graças a uma adorável idosa que morava ao lado de seu apartamento antigo que sua mãe havia se mudado para um apartamento não muito longe cerca de quatro meses depois de seu desaparecimento.Não pôde dizer que não sentiu uma pontada em seu peito por Sally ter abandonado suas lembranças antigas, mas ela estava seguindo em frente, e se não voltasse vivo daquela guerra, era exatamente isso que ele queria que ela fizesse.Ouviu mais um pouco da senhora sobre como ele havia crescido e no fim, um convite para um café, que foi recusado por Percy, ele tinha outras coisas a fazer agora.Anotou o endereço e partiu em direção ao seu novo lar, ou pelo menos o que achava que seria.

Ao chegar na rua indicada, avistou de longe um enorme prédio cinza.Ele tinha dois blocos, todos possuiam janelas enormes em uma das paredes, que iam do teto até o final.Algumas estavam cobertas com cortinas e outras estavam abertas, revelando algumas pessoas fazendo coisas aleatórias.Seguiu e parou em frente ao portão, onde apertou o interfone para que pudesse falar com o porteiro, que estava visivel graças a uma pequena janela de vidro na 'cabine' além dos portões.

— Ahn, bom dia.Eu vim visitar Sally Jackson.

—Sally Jackson?Aguarde um pouco. — Ele pegou um telefone e interfonou para o apartamento de Sally, e continou lá, parado com uma expressão de tédio por cerca de dois minutos.Ele encarava Percy que o encarava de volta com um sorriso angustíado, enquanto o mesmo batia o pé direito no chão encomodado com a demora.Finalmente, o porteiro tirou o telefone da orelha e o colocou no gancho, virando-se totalmente para Percy.

—Desculpe, garoto.Parece que não tem ninguem em casa.

— Ah, qual é!Por favor, eu preciso entrar, pode ser que daqui duas semanas eu esteja morto e não pude nem dar um olá pra ela em mais de seis meses.

O porteiro o olhou com uma expressão confusa e estava prestes a abrir um jornal ao seu lado, quando foi interrompido pelo estalo do portão abrindo e fechando e uma voz feminina e que Percy reconheceu muito bem.

—Pode abrir para o garoto, Robert.Ela está em casa, ainda por cima, é o filho dela.Ela vai gostar, acredite.

A sua frente estava uma mulher de cerca de quarenta anos, cabelos pretos curtos na altura do pescoço, olhos castanhos escuros e poucas rugas no rosto.Ela usava um batom vermelho chamativo e uma roupa preta e roxa no estilo executiva.Aquela era Sarah, uma amiga de adolescencia de sua mãe que Percy conhecia desde...sempre.Ela era a unica entre os amigos e colegas da familia que sabiam sobre o romance de Sally e seu pai, ela sempre esteve apoiando com a amiga nos momentos bons e ruins e Percy se surpreendeu por não ter lembrado disso, aquele era o prédio onde ela morava há muitos anos.Não se surpreendeu por sua mãe ter ido morar lá, se ela precisava de alguem para lhe dar apoio, esse alguem seria Sarah.

—Parece que você está um pouco atrasado. Nos falamos depois, ela precisa de você.— Ela sorriu enquanto cochichava para Percy , depois atravessando a rua e o deixando sozinho.Seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu o barulho da trava do portão se destrancando e a voz do porteiro.

—Apartamento trinta e oito, nono andar, bloco A.Boa sorte.

. . .

Percy dividiu o elevador com uma garota de cerca de treze anos com um labrador adulto na coleira, isso só aumentou seu nervosismo.

Como se já não bastasse reencontrar os pais que não via a séculos, ainda tinha um cachorro irritante latindo alto enquanto tentava pensar em o quê contaria primeiro quando fosse perguntado onde esteve, talvez começaria com "fui sequestrado por uma deusa que roubou toda minha memória" ou "eu tive que mudar pra outro acampamento porque Gaia ia acordar e se nós não unissemos os dois todos iriam morrer". Realmente era uma escolha dificil, suas mãos suavam e sua cabeça doia e remoia os pensamentos muitas vezes interrompidos pelo cachorro.Percy chegou a um nivel que tinha vontade de agaichar e gritar para o cachorro algo do tipo "Cala a boca, criatura canina!Eu estou tentando pensar!", mas ele mudou totalmente de ideia quando o elevador parou no nono andar.Agora ele só queria estar naquele cubiculo,com aquele cachorro latindo qualquer coisa que quisesse, até mesmo Beethoven.Ou quem sabe trinta cachorros.Ou talvez trinta cachorros, Cronos e Nancy Bobofit lhe atirando pedaços de sanduiches de pasta de amendoim.Até mesmo depois de ter enfrentado tantas guerras, nunca esteve tão nervoso.

Parou em frente a porta com o numero trinta e oito estampado em uma forma dourada e um pouco enrolada, respirou fundo e foi direto ao ponto, apertando a campainha e em seguida ouvindo um 'Já vai!'.Estava nervoso, com receio e angustiado, mas todo isso passou quando ouviu a doce voz de Sally invadir-lhe os ouvidos, foi como se algo derretesse em seu interior e só se lembrasse agora o quanto estava com saudades dela, e todos os sentimentos ruins se transformaram em anciosidade, ele abriu um sorisso quando ouviu a porta e destrancando e finalmente, ela se abriu.Revelando uma Sally com os cabelos presos em um rabo de cavalo,um avental de cozinha vermelho com ursinhos e luvas iguais, que estava tirando com a mão esquerda mas os movimentos pararam como se estivesse congelada assim que viu o filho.O olhar percorria todo o rosto de Percy por varios segundos, como se quisesse descobrir se o que via era real.Rodou o olhar muitas vezes por seu rosto e o fitou com olhos marejados, então fungou o nariz já vermelho e se lançou para um abraço forte, colocando seu rosto entre o pescoço do filho e permitindo-se derramar as lágrimas que tentou guardar por todos esses meses.Percy a abraçou forte devolta e sentiu o cheiro do perfume de flores que a sua mãe sempre usava, a abraçou mais forte diante da lembrança.Os dois continuaram assim durante alguns agradáveis minutos em um reencontro silêncioso, nada lá fora importava mais , existiam somente eles dois.

Sally não tentava segurar as lágrimas, depois de tanto tempo , tanto tempo sem saber exatamente onde estava e como estava seu filho, ela colocava para fora toda a dor que segurou nos ultimos tempos, toda a depressão, desanimação e preucupação agora saiam de seu coração em forma de pequenas gotas escorrendo por seu rosto e eram subistituidas pelo familiar cheiro salgado do mar que Percy sempre teve.Ela o abraçava forte como se não quisesse mais o soltar, como se qualquer rajada de vento pudesse leva-lo voando para longe dela, novamente.

—Eu senti tanto a sua falta. — Ela disse separando abraço para fita-lo , mas ainda sim segurava suas mãos carinhosamente.

—Eu sei que eu desapareci por muito tempo.E que eu te devo respostas, eu tenho uma historia longa para contar, então se você ainda me aceita depois de tudo isso, temos um longa conversa pela frente. — Percy disse e sorriu.

—Eu fiz cookies azuis. — Sally disse tambem sorrindo e abriu espaço para que o garoto passasse pela entrada.— Se não tiver mais titãs e deuses para enfrentar, acho que um lanchinho seria legal.

...

O dia não poderia estar mais confudo.

Tudo esteve incluido na conversa de atualização de Percy e Sally.Eles se sentaram nas cadeiras da nova e chique sala de estar, se servindo dos cookies que o garoto devorou rapidamente, logo começando a historia, por insistencia da mãe.

Começou tudo com o que se lembrava da caverna de lupa até quando se tornou pretor do Acampamento Jupíter, tendo que interromper varias vezes para ouvir os protestos da mãe sobre como tudo aquilo foi um absurdo.Em seguida contando tudo normalmente e quando chegou na parte em que ele e Annabeth caiam no tártaro, Sally não conseguiu parar de fungar por mesmo um minuto, contou o que lembrava até as Arai e continou falando o que aconteceu pelo o que Annabeth havia lhe contado, a partir dai ela ouvia tudo silenciosamente, e continuou assim até ele terminar as histórias, que acabavam em ele trombando com Sarah na portaria.Quando se deu por distraido sua mãe estava chorando com as mãos no rosto.

—Eu sou uma pessima mãe. — Soluçou — Como eu pude deixar isso acontecer com você?É tudo culpa daquele pescador idiota, se eu tivesse pelo menos...eu podia...

—Mãe, fica calma. — Percy disse segurando seu rosto com as mãos e limpando suas lagrimas com os dedos. — Nada disso é culpa sua, aconteceu, acabou.Agora eu estou aqui, são e salvo, não tem com o que se preocupar.

— Isso, você está certo.— Ela sorriu— Agora... o que acha de nos distrairmos um pouco?

. . .

Os dois estavam em frente a tv, enrolados em uma coberta, comendo cookies, rindo e jogando papo fora enquanto procuravam algo decente para assistir.

—Não tem nenhum filme bom — Percy disse- devíamos ter alugado alguma coisa.

—Deviámos não, eu devia.- Continuou Sally, dando ênfase no 'eu'.

— Por que você devia e não nós?

—Você realmente acha que eu ainda vou te deixar sair de casa depois de tudo isso?Não não.

—Ah mãe, serio isso?Nada disso foi culpa minha e você vai me deixar preso aqui?

— Eu não vou te deixar 'preso' aqui, só estou garantindo a sua segurança.Perseu, você sabe durante quanto tempo eu estive achando que você estava por aí morrendo na mão de um monstro qualquer?

—Olha ali! — Percy falou apontando para a tv.

—Olhar o que?

— Isso — Ele disse animado colocando em um canal da tv em que passava Procurando Nemo, o que fez Sally rir.

—Eu não sabia que você ainda gostava desse filme.Era a sua paixonite quando criança.Significa que você ainda é o meu bebê.- Ela disse apertando as bochechas do filho .

— Ai mãe — Ele reclamou — Eu não sou mais um bebê, eu já tenho quase dezoito anos, sem falar que bebês não lutam com gigantes.

— Tudo bem, então se você não é meu bebê, é o meu adultinho.Meu bebezinho cresceu! — Ela responde rindo enquanto ele corava e ela apertava as bochechas dele denovo.— Você é tão fofo vermelhinho!

—Mãe, para com isso!- Ele disse rindo e Sally o acompanhou.Ela se sentia tão bem em escutar sua risada denovo, em tê-lo denovo.Aquela hora soube que levaria aquele momento para sempre na memória, e um dia contaria animadamente para seus netinhos: "Eu estava fazendo biscoitos, então do nada o pai de vocês chegou do nada no meu apartamento, então nós conversamos, comemos e assistimos filmes.Sabiam que ele ainda gostava de Procurando o Nemo?", sorriu sonhadoramente ao pensar no dia em que contaria todas essas historias para seus netos, mais precisamente, sorriu ao pensar nos netos.Os quais um dia mostraria o album de família e as fotos de Percy bebê brincando na praia ou mordendo brinquedinhos, caramba, ele era tão adorável!Ela olhou para o lado e o viu assistindo o filme concentrado, os olhos verdes atentos a tv com um olhar inocente e os cabelos bagunçados, acompanhados de uma boca entre aberta.Ele ainda era seu bebê.

Com um pouquinho a mais de fermento.

. . .

— E então, nós fomos embora e a recepcionista ficou lá, com cara de tacho! — O filme já tinha acabado e agora Sally contava a Percy de quando a recepcionista cinquentona de um hotel deu encima de Paul e sua mãe foi pra cima com todo veneno que tinha.Os dois riam das historias que ambos contavam e Percy estava deitado no sofá, com a cabeça no colo da mãe, que continuava a falar. —Nós nunca mais voltamos lá, e eu fiz questão de deixar bem claro de que comigo não se meche! — Os dois riram novamente e então Percy sentiu uma pressão na barriga coberta pelo edredom e se deparou com um filhote de gatinho branco de olhos azuis e verdes se aninhando na barriga do garoto, que encarava tudo confuso.

—Ahn...Mãe?

—Percy, essa é a filhote-de-gato-sem-nome! — Ela sorriu tristemente. — Eu encontrei ela na rua e resolvi te dar de presente, pouco tempo depois descobri que você tinha sumido.

—Sério? — Seus olhos se iluminaram — Ela é muito linda , mãe. Obrigado! — Ele disse como uma criança e começou a acariciar a cabeça do animal, que ronronou em resposta.

—Precisamos escolher um nome para ela, não acha?

—Que tal...Dory?

—Dory? — Ela riu

—Sim, Dory!Então seremos o Nemo, o Marlin, e a Dory!

—Então tudo bem — Ela riu novamente, de bom humor com a infantilidade do filho. —Nemo, Marlin e Dory.

Não demorou muito até que Dory se aninhasse novamente no colo de Percy e dormisse assim como o novo dono, Sally fazia cafuné no cabelo de Percy enquanto assistia a um filme qualquer.Depois de alguns minutos, ela ouviu a porta abrindo e alguns passos andando até o lado do longo sofá em 'L', olhou para o lado e viu Paul como uma expressão de surpresa fitando o garoto dormindo no colo da mãe, ele olhou para a esposa com os olhos arregalados

—Como? — Ele sussurou quase inaudivelmente, Sally somente sorriu e colocou o indicador em frente aos lábios em um pedido de silêncio e sussurou no mesmo tom.

— Te explico amanhã.

Paul assentiu com a cabeça e arrumou os dedos que seguravam as maletas e caminhou até o quarto do casal enquanto arrumava as coisas do trabalho,deixando Percy e Sally sozinhos, não demorou muito até que a mulher voltasse a acariciar os cabelos do garoto.

—Sabe o mais engraçado disso?...Eu sou mesmo o Marlin, porque sempre que você sumir, eu nunca vou parar de te procurar.— Ela se inclinou para a frente e pôde ve-lo dormindo mais claramente, com a boa entre aberta e respirando calmamente, a visão a fez sorrir, inclinando-se mais e depositando um beijo em sua testa.—Bem vindo ao lar, meu filho.Eu te amo.

Notas finais
XABLAU! Minha primeira One, que emoção! ~chora 2543 palavras, sapoha tá longa pa carai. Eu sei, tem pouca fala e muita encheção de linguiça, mas a minha escrita é assim, infelizmente ;-;. Enfim, eu fiquei agoniada porque durante TRÊS FUCKING LIVROS o Percy quase não deu noticias pra mãe dele, só um "Oi mãe, vou morrer.Tchau" por caixa postal e nada mais, sempre que era POV dele eu ficava tipo "VAI FALAR COM A SUA MÃE, SEU BOCÓ!" Meu senso materno é muito aguçado gente SJGFUISDJHGFJKASD. Enfim, pode ser que eu faça uma continuação sobre a nova vida o Percy, tia Sally e Dory, mas focando mais na Dory, essa lindja.Vcs podem ver q eu sou uma autora mto lienda e xerosa(só não crio coelhos brancos) então podem comentar sem medo, criticas, elogios, pedidos de ones, fics e etc são bem vindos. Geralmente eu sou mais legal só q o Nyah não deixou por tudo oq eu escrevi aqui, qria star morta BEJOS DE PAUN E ATÉ A PRUXIMA
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!