Bem-vindo a nova era {Hiatus}
9 Banguela
Notas iniciais
A casa do pai de Soluço, Stoico (sim, o avô de Soluço amava nomes vikings) ficava um pouco afastada do centro da cidade. Soluço morava com Jack, mas quase todo sábado à tarde visitava seu pai, mesmo antes de entrar para o Exército.
Acontece que na casa do seu pai havia uma oficina. Seu pai deixara que Soluço trabalhasse nela, afinal o seu filho sempre inventava coisas.
Soluço estava desenvolvendo um projeto há muito tempo. Desde que fizera o curso de robótica, enfiou na cabeça a ideia de fazer um robô. Não um robô qualquer. Um que tivesse personalidade, pensamentos e atitudes próprias.
Fazia uma semana desde o enterro de Elizabeth. Foi uma cerimônia muito triste, como são todos os enterros. O pai dela estava inconsolável. Às vezes olhava para o nada, mas por Astrid tentava ser forte. Se não a tivesse, já teria desistido.
Soluço então levou Astrid para visitar seu pai. Astrid não havia visto Stoico desde que fora para os Estados Unidos e Soluço pensou que faria bem a ela. E também queria mostrar sua mais nova invenção a ela.
Stoico como sempre fora o mais gentil possível. Ele era ruivo como o filho, mas um típico viking rude se vivesse com eles. Grande e forte. Quase esmagou Soluço com o seu abraço, mas com Astrid foi mais gentil.
Os dois foram para a oficina. Soluço destampou algo e mostrou a Astrid.
Era um dragão. Claro, não um dragão de verdade, era um robô, mas um dragão. Ele tinha um tamanho médio e era totalmente preto. Mas incrível.
–Uau – foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
–Pois é, estou trabalhando nele há muito tempo. Desde que decidi fazer o Curso de Robótica já tinha ele em mente. Pesquisei em alguns livros, estudei tudo no mundo da robótica, juntei bastante dinheiro e estou construindo. Já está no final na realidade. Ele tem personalidades e sentimentos, ou pelo menos é o que espero. Ele tem o seu DNA – Soluço disse e olhou para ela.
–O meu DNA? – ela perguntou incrédula.
–Sim, o seu DNA. Bom, eu retirei de alguns fios de cabelo seu, desculpa a invasão. Eu deveria ter te perguntado. Sabia que ficaria brava e... – ele continuou falando, mas ela silenciou-o colocando o dedo em seus lábios.
–É incrível. Eu não estou brava de maneira nenhuma Soluço. Eu achei incrível. Você sempre faz coisas magníficas, mas esse robô... É mais do que imaginei que você faria. E além do mais... Tenho ainda mais certeza que você me ama agora.
Ele sorriu de orelha a orelha.
–Ótimo, fico feliz assim – ele disse.
Ela deu um passo a frente e lhe deu um selinho.
–Mas você não vai termina-lo? – ela disse e lançou um olhar desafiador.
–É claro, só faltam algumas ligações elétricas. Tecnicamente ele funciona com energia solar, mas ainda tem algo elétrico para terminar.
–Adoraria ver você trabalhando – ela disse sorrindo.
–Como quiser milady.
E ele trabalhou por horas. O dragão era realmente incrível. Não era muito grande, mas era magnífico. Foi mesmo uma das maiores invenções de Soluço.
Quando deu por terminado ele virou-se para Astrid, que sorria.
–Quer ver se ele funciona? – perguntou.
–É claro que sim, não fiquei esse tempo toda aqui para nada – ele deu uma sonora risada.
–Okay, mas não chegue muito perto. Eu vou levá-lo lá para fora, com sorte ainda tem um pouco de sol.
O dragão estava em cima de uma espécie de carrinho e foi fácil levá-lo para fora. Soluço colocou-o num canto do quintal que havia sol, e esperou.
A carga (ele via numa espécie de caixa no lado esquerdo do robô) estava carregando e quando chegou a 100% ele pediu para Astrid se afastar um pouco. E o dragão ligou.
Soluço ficou em sua frente e observou as pálpebras do dragão abrirem. Dois olhos verdes brilhantes olharam para ele. As suas pupilas estavam estreitas, mas quando pareceu reconhecer Soluço logo se dilataram.
–Olá amigo – ele disse e afagou sua cabeça. O corpo do dragão era feita com algumas escamas raras que Soluço encontrou. – Eu sou o Soluço e essa – ele apontou para Astrid. – É a Astrid.
Ele ronronou e Soluço ficou impressionado com a capacidade do dragão mostrar sentimentos.
–Você tem que dar um nome a ele – Astrid disse e sorria para o dragão que mais parecia um cachorrinho com os olhos dilatados.
Soluço abriu um sorriso e o dragão o imitou. E ele lembrou-se que não havia feito dentes nele. Mas não se importou. O dragão desceu do carrinho e veio até ele.
–Banguela – Soluço disse. – Ele irá chamar-se Banguela.
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