Bem-vindo a Lawrence
5 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
Quinta-feira, 30 de novembro de 2017 – 11:00h, Motel “Super 8 by Wyndham KU Lawrence”, Lawrence, Kansas, 11°C – ensolarado.
Bella suspirou ao encarar as costas desnudas cheias de arranhões mais uma vez; ela não pôde deixar de sorrir ao lembrar-se do restinho de madrugada e parte da manhã que passaram juntos. Edward estava adormecido na cama e ela, já de pé, estava pronta para partir.
Pela primeira vez, Bella não queria ir embora, ela estava completamente apaixonada por Edward, mas sabia que não adiantaria ficar. Queria estabilidade, mas permanecer em Lawrence estava fora de questão, não com os Volturi por ali, não com a família dela, que logo começaria a procurá-la quando ela não desse mais notícias, e muito menos com o Black.
Bella depositou a carta que escrevera a Edward com cuidado sobre o travesseiro que minutos antes ela estava deitada e inclinou-se sobre ele, deixando um beijo suave nas costas dele. Ela tinha esperanças de que o veria novamente e isso amenizava um pouco a tristeza por deixá-lo... Ele, Rose, Emmett e Thony. Também queria conhecer o novo bebê dos McCarthy, ela esperava que Edward lhes explicasse tudo e que eles pudessem perdoá-la.
Ela saiu do quarto, deixando a porta destrancada para que Edward pudesse sair, caminhou até o seu Chevy e deu a partida no carro; esperava ser guiada pelas estradas até deixar o estado do Kansas, os Estados Unidos eram um país grande, ela com certeza acharia um lugar para si.
Edward acordou com o toque do despertador do celular. Abriu os olhos e inicialmente estranhou quando percebeu que não estava em casa, quando se lembrou da madrugada tumultuada que passara.
Estranhou mais ainda quando não viu Isabella ao seu lado. Ele a chamou pelo nome, ainda sonolento, mas não obteve resposta alguma. Sentou-se na cama e esfregou os olhos, bocejando, quando viu um papel sobre o travesseiro.
Pegou-o e percebeu que era uma carta:
“Querido Edward,
Obrigada por esse quase um mês incrível que passamos juntos, eu amei cada segundo, cada conversa, toque e beijo que trocamos. Foi real e você sabe disso, é o que importa.
Eu adoraria poder ficar, mas, com certeza será questão de tempo até minha família começar a vir atrás de mim. Quando eu disse que não voltaria para lá, eu estava sendo sincera. Não posso pedir para que me acompanhe, seria muito egoísmo de minha parte pedir que deixe Emmett, Rose, Thony e o novo bebê deles, sei que são como sua família. E não estou exagerando quando digo que gostaria de ter tido vocês como a minha.
Mande lembranças – e perdões – a eles. E não se esqueça de devolver o espaçador. Acredito que ele ainda esteja na delegacia, já que não estava entre as coisas que Heidi me devolveu.
Mas... Se achar em seu coração a vontade para me seguir, vou recebê-lo de braços abertos. Você é um homem bom demais para continuar trabalhando para os Volturi, e você sabe que terá que se submeter a eles por mais um bom tempo; não digo que seria perda de tempo lutar contra eles, mas você é só um, e como me contou ontem à noite, pelo menos desse caso, você não tem mais prova alguma.
Ainda não tenho certeza de como vou conseguir manter meus luxos e confortos, mas não pretendo continuar roubando – pelo menos não daqueles que realmente precisam dos itens que possuem. Enganei a mim mesma durante muitos anos, acreditava que trapacear era meu único talento, mas eu também sei investigar, e sou boa com as pessoas, como você mesmo me disse uma vez...
Talvez eu ainda tenha que conhecer um pouco mais sobre mim mesma antes de decidir o que farei com a minha vida, e se achar que precisa de companhia, estarei esperando por você... Não literalmente, até porque quando você ler esta carta, provavelmente já estarei a quilômetros de distância. Vou deixar alguns contatos de celular meus e de meu irmão, para o caso de eu já ter descartado os meus números. Pode confiar nele, é o único de minha família que eu ainda confio de verdade – além da minha futura cunhada.
Eu realmente espero vê-lo novamente. Já estou com saudades. E já paguei a conta do motel.
Com amor, Bluebell(a) ”.
Edward riu quando chegou ao final da carta. Isabella era especial, sem dúvida alguma e realmente havia deixado vários números de contato. Ele passou os olhos pela carta mais algumas vezes, apreciando a letra delicada e a marca de batom que Bella deixara. Praguejou quando o celular apitou novamente, desligando o despertador rapidamente; notou que era quase a hora do almoço e logo depois deveria ir para a delegacia.
As palavras de Bella ecoaram na mente dele... Será que ela estava certa? Ele continuaria aguentando trabalhar naquele lugar, com aquelas pessoas, sabendo das mentiras, da maneira como fora usado para chegar até a família de Bella, para que eles obtivessem lucro? Aro, Caius e os outros dois Volturi que também eram oficiais, Alec e Jane. Sacudiu a cabeça, tentando livrar da mente a maneira como eles tentaram suborná-lo para que não abrisse a boca.
Quando Edward recusou, eles acreditaram que seriam denunciados e ‘acharam por bem’ ameaçar os seus amigos, caso ele fizesse alguma coisa. Edward nunca se perdoaria se algo acontecesse com a sua pequena família, Rose, Emmett, Thony e o bebê, ainda sem nome. E os Volturi sabiam disso.
Incerto sobre a melhor decisão, Edward preferiu não contar nada para os McCarthy sobre Bluebell/Bella. Ele seguiria com a história que ela mesma relatara por telefone: pegara o espaçador por engano, pedira a Edward para entregá-lo e fora embora da cidade. Seria o mais seguro para todos eles.
Edward, então, guardou a carta no bolso do uniforme, pegou os presentes de Bella para as crianças e saiu do quarto do motel. Xingou um pouco quando percebeu que estava sem carro e pediu um táxi até a casa dele. Não queria ter que se decidir entre a família e Bella, ambos eram partes importantes de sua vida e também não sabia se continuaria no emprego, mas se saísse, precisaria encontrar outra forma de se sustentar... Eram tantos caminhos e tão poucos sinais!
No caminho de casa, o taxista parou no sinal vermelho, bem em frente ao Bar 715 Restaurant. Edward sorriu e pediu que fosse deixado ali, ele sabia exatamente a quem pedir conselhos; o local ainda não estava aberto, mas ele sabia que os funcionários chegavam mais cedo para organizar a cozinha. Ele bateu na porta e a pessoa que ele mais precisava no momento a abriu:
“Olá, menino Edward!” Seu Horácio exclamou, feliz em vê-lo.
“Seu Horácio!” Edward o cumprimentou com um abraço “Preciso de uns conselhos” Edward admitiu e o senhorzinho abriu um largo sorriso.
“Achei que nunca fosse pedir, meu garoto. Vamos, entre!” disse ele, afastando-se para que Edward pudesse entrar no local...
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