Bem-vindo a Lawrence
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Narração: 3ª Pessoa
Sábado, 11 de novembro de 2017 – 10:00h, Motel “Super 8 by Wyndham KU Lawrence”, Lawrence, Kansas, 8°C – nublado.
Isabella havia chegado a Lawrence na noite anterior e se preparava para iniciar a sua missão. De acordo com os arquivos e instruções dadas por seu pai, o Espaçador da Vitória estava sob a posse do dono da Loja de Antiguidades mais famosa da cidade, a Loja de Antiguidades McCarthy. Pelo que Bella havia lido, a loja pertencia a Emmett McCarthy, neto do antigo – e já falecido – dono; como em todas as outras vezes, seu objetivo era claro: seduzi-lo para tentar obter o espaçador.
O que poderia dificultar sua conquista era o fato de Emmett ser casado e já ter um filho; ela não gostava de cruzar certos limites, mesmo que muitos duvidassem e dissessem fazer parte de seu trabalho, destruir famílias não era uma de suas táticas preferidas.
Embora duvidasse, secretamente, Bella desejava que Emmett fosse um homem decente e permanecesse fiel; pela experiência dela, aquilo era praticamente impossível de ser a realidade, afinal, homens casados e com filhos tendiam a ser presas ligeiramente mais fáceis devido, justamente, ao fato de suas relações íntimas com as parceiras diminuírem razoavelmente na maioria dos casos, além de os únicos homens que haviam rejeitado-a serem, literalmente, homossexuais – ocasiões em que suas habilidades de “detetive”, alguns chamariam de “ladra”, eram necessárias.
O plano reserva, já articulado por Bella e nem ao menos cogitado por Charlie, consistia em visitar a Exposição de Antiguidades da Cidade de Lawrence, dali a três semanas, em que ela sabia que Emmett participaria, e interceptar o espaçador antes que esta chegasse ao local da exposição, já que roubá-la da loja, aumentaria exponencialmente o risco de ela entrar no radar policial. Diferentemente de sua família, como Bella estava mais acostumada a trabalhar sozinha, poucas haviam sido as vezes que ela chamara atenção demais.
Bella, então, decidiu ir até a loja para sondar e conhecer melhor as redondezas; era sempre uma boa estratégia saber exatamente o que esperar quando se tratava das missões, assim evitava surpresas desagradáveis, como na vez em que precisou seduzir o dono de uma boutique italiana e acabou descobrindo, de supetão, que ele detestava morenas – aquela informação não constava nos autos – e isso quase arruinou o seu trabalho, pois era o cabelo que usava na ocasião...
E que também estava usando na missão do Espaçador da Vitória. Bella ajeitou os fios castanho acobreados, recém pintados pelo Esquadrão Nova Missão, bem parecidos com o tom natural dela, deixando que eles emoldurassem o seu rosto de porcelana bem esculpido. Ela não era considerada a mais bonita das irmãs Swan, mas ela tinha o necessário para conquistar os homens e conseguir o que queria, sem falar nas habilidades e estratégias bem articuladas que lhe deram a fama de ser a melhor do ramo.
Ela terminou de se vestir e deixou o motel em que estava hospedada, esperando que não levasse tanto tempo para conseguir o artefato. Motéis e Isabella eram como água e óleo; ela detestava ficar longe do luxo de casa, mas ela preferia não arriscar ser vista no único hotel de luxo – e bom – da cidade; assim ela reduzia as chances de ser reconhecida caso precisasse seguir com o plano de roubar a peça da Exposição que ocorreria nesse mesmo hotel.
...
10:50h, Loja de Antiguidades McCarthy, Lawrence, Kansas, 9°C – predominantemente nublado.
O sininho que indicava a chegada de um novo cliente tocou assim que Isabella abriu a porta da loja, que, para a sorte dela, estava vazia. Bella imediatamente reconheceu o homem de cabelos curtos escuros, alto e musculoso que estava atrás do balcão: era Emmett, o atual dono do local.
Emmett olhou, sorridente, em direção à porta no mesmo instante em que Bella a fechava e suas feições se tornaram de surpresa ao dar-se conta da mulher a poucos metros de distância; ela reconheceu o olhar dele quase imediatamente, ele a achou atraente, embora se mantivesse compenetrado em encarar o rosto de Bella, que riu por dentro pensando na facilidade com que seduziria o homem a sua frente.
Bella sorriu para ele, desatando o nó de seu sobretudo e retirou-o, aproveitando-se não só do calor proveniente do aquecedor da loja – tão diferente do clima frio do lado de fora! –, mas também da oportunidade para mostrar um pouco de seus atributos e se aproximou do balcão.
“Bom dia!” Bella cumprimentou-o, passando a mão direita pelos cabelos e expondo o pescoço, e consequentemente o seu cheiro – misturado com seu perfume favorito –, gesto que usava como uma das primeiras táticas de sedução.
“Bom dia!” Emmett tornou a sorrir, dessa vez expondo lindas covinhas em suas bochechas “Em que posso ajudá-la?” ele perguntou, olhando-a nos olhos; ele tinha lindos olhos castanhos.
“Bem, eu estou de passagem pela cidade...” ela respondeu, tocando sutilmente no braço esquerdo dele, que estava sobre o balcão “E só queria conhecer alguns lugares mesmo!” continuou e sorriu-lhe sedutoramente.
Bella achou, por um instante, que sua tática estava funcionando, mas percebeu rapidamente que estava errada quando Emmett tornou a falar:
“Ah, claro!” ele assentiu, e olhou, desconfortável, para a mão de Bella que ainda o tocava, franzindo o cenho por alguns segundos, mas logo suavizou a expressão. “Tem interesse em coisas velhas, colecionáveis e caras?” Emmett brincou, afastando ligeiramente o braço e apontando para algumas áreas da loja, explicando o que cada uma delas continha.
Bella conteve o riso, ele claramente usava o braço não dominante dele – apenas para se livrar do toque dela –, pois seus movimentos estavam bastante desajeitados, mas ela decidiu ignorar e acompanhou as indicações dele com os olhos.
“Eu adoro coisas velhas e caras!” Bella riu, piscando para ele, que deu um sorriso pequeno, parecendo realmente desconfortável com a presença dela, evitando até mesmo olhá-la novamente... Talvez ela devesse pensar em outros jeitos, ainda mais sutis, de seduzi-lo ou acabaria por afastá-lo antes de conseguir o que queria.
“Papai!”.
Isabella se sobressaltou com o grito, ao mesmo tempo em que o sininho tocava e a porta se abria. Três pessoas adentraram o local: uma mulher loira e alta e levemente rechonchuda... Não, ela estava grávida! Ela era extremamente linda e Bella não demorou muito para reconhece-la dos arquivos: era Rosalie, esposa de Emmett. Era fácil perceber a relutância de Emmett em se deixar seduzir por Bella; Rosalie era estonteante mesmo com o que parecia ser uma melancia na frente do corpo e com o andar já esquisito por causa do avanço da gravidez.
A segunda pessoa, ou mini-pessoa, só poderia ser o filho deles – o que já era nascido, obviamente – Anthony. Ele era a cópia perfeita do pai exceto pelos cabelos mais claros, como uma mistura de tons entre Emmett e Rosalie; ele estava vestido com uma fantasia do Homem-Aranha por debaixo do casaco grosso e acenou e sorriu para Bella, mostrando as covinhas perfeitas e idênticas as de Emmett.
A terceira pessoa era um homem. Ele era ainda mais alto que Emmett, mas seus cabelos eram num tom de cobre, assim como a barba curta e seus olhos eram verdes dos mais brilhantes que ela já vira na vida; ele tinha várias sardas no rosto, que, na opinião de Bella, lhe davam um ar sensual e elegante e complementavam perfeitamente o visual dele. Era um dos homens mais lindos que ela já vira na vida. Ela não conseguiu reconhecê-lo, apesar da memória ótima que possuía. Talvez ele fosse apenas um cliente ou simplesmente não estivesse nos arquivos.
“Ei, garotão!” Emmett sorriu grandemente e saiu de trás do balcão, pegando o garotinho em seus braços rapidamente “Como estão os meus amores?” dirigiu-se a esposa, sorrindo para ela, que sorriu de volta totalmente apaixonada.
“Bom dia!” Rosalie cumprimentou-os e deu um selinho em Emmett, que pousou a mão sobre a barriga dela e acariciou-a.
“Bom dia!” Bella murmurou e se afastou um pouco, fingindo interesse em algumas peças das estantes. Esperar e observar também era uma estratégia e às vezes muito necessária. O que lhe aliviava, era que ela sabia que tinha tempo para tal, pois a missão não precisava ser completada com urgência. Bella aproveitou para checar os arquivos em seu celular e ver se encontrava neles o dono dos olhos verdes.
“Estamos muito bem!” Rosalie continuou falando e acariciou a barriga, por cima da mão de Emmett “E você? Muito trabalho?” ela brincou, pois era claro que apenas Bella estivera na loja até o momento.
“Tudo calmo por aqui!” Emmett piscou para ela, abaixando-se para colocar Anthony no chão, que já demonstrava claramente estar ficando impaciente.
“Preciso ir ao banheiro, seu filho já está apertando minha bexiga!” a loira comentou e foi andando, em passos lentos e pequenos, até os fundos da loja, onde Bella assumiu que ficava o banheiro, sendo seguida por Anthony, que saltitava, parecendo bastante alegre.
Só então Emmett se voltou para o homem dos olhos verdes e Bella percebeu que se ele fosse cliente, provavelmente não teria sido ignorado tão de cara, mesmo com a obviedade da importância que Rosalie e Emmett davam um ao outro.
Isabella suspirou ao perceber que ela própria não dera tanta importância aos arquivos, pois achou que seria fácil seduzir Emmett e conseguir o espaçador, afinal, seu modus operandi parecia funcionar sempre e era a prova de falhas. Emmett seria o primeiro homem – heterossexual, casado ou não – que a rejeitava. Ela subestimou os sentimentos do casal e apesar de se sentir frustrada porque precisaria de tempo para aperfeiçoar seu plano B, ela se sentia feliz e até um pouco aliviada, porque pela primeira vez em sua vida ela finalmente parecia estar diante do tão – agora nem tanto assim – inalcançável, amor verdadeiro.
“Edward!” Emmett cumprimentou o homem ao mesmo tempo em que Bella, surpresa, o achava no meio dos arquivos e ela entendeu porque não havia achado semelhanças entre ele e a foto: ela mostrava um rapaz bem mais jovem, os cabelos mais longos – cuja cor não fazia jus à real – e os olhos pareciam apagados e sem vida – e o tom também não era nem um pouco parecido com o que ela via ao vivo, fora que o rapaz do arquivo não tinha barba e não era nem de longe, tão sexy quanto à figura à sua frente. Ele era o melhor amigo de infância de Emmett, pelo que os autos constavam, e era policial... Bem, talvez fosse melhor que ela saísse do local o mais rápido possível para evitar que ele a olhasse demais...
Os dois se viraram para ela – pois aparentemente ela havia murmurado o nome de Edward ao mesmo tempo em que Emmett, mas não num volume baixo o suficiente para passar despercebida. “Merda!” ela resmungou mais baixo, virando-se de costas e olhando para um barquinho de madeira numa das estantes ao mesmo tempo em que guardava o celular na bolsa. Ela realmente precisava que Edward não a visse a ponto de memorizar o seu rosto e só conseguia imaginar os riscos que correria caso algo desse errado na missão e ela fosse pega; certamente seria ele a prendê-la.
“Ah, senhorita... Disse alguma coisa?” Emmett perguntou “Precisa de ajuda?”.
“Não, obrigada” ela negou, balançando a cabeça negativamente, ainda ‘concentrada’ no objeto.
“Certo...” Emmett falou, o tom de voz, desconcertado, continha todo o seu desconforto por precisar se dirigir à Bella e ela suspirou. Ela, com cada vez mais certeza, teria que usar o segundo plano, mas pelo menos teria um bom tempo para melhor organizá-lo “Bem... Tudo certo, Edward?” Emmett perguntou ao amigo.
“Sim!” Edward afirmou, ainda olhando para a moça morena a alguns passos de distância, Bella conseguia sentir o olhar dele sobre o corpo dela; ela observava-os discretamente por sobre o ombro “E você?” ele perguntou ao amigo, sem nem desviar o olhar de Bella.
“Estou ótimo!” Emmett respondeu rindo ao notar a postura de Edward “Café?”.
“Por favor!” Edward concordou “Está um frio dos infernos lá fora!”.
“O inferno não seria quente?” Emmett riu, voltando para trás do balcão e pegando uma xícara e o bule com o café que ele tinha preparado alguns minutos antes de Bella entrar na loja.
“Que diferença faz?” o homem de olhos verdes disse, dando de ombros e finalmente olhando para o melhor amigo “Todos vamos para lá mesmo!” Edward brincou e Bella não pode deixar de rir do jeito descontraído do rapaz; ele estava certo, na opinião dela.
Os dois homens se viraram para Bella que se voltou totalmente para a prateleira, ainda fingindo interesse no barquinho de madeira.
“Moça, quer café?” Emmett perguntou educadamente, e Bella notou preocupação na voz dele, como se ele esperasse que a qualquer momento Bella seria mais invasiva.
“Não, obrigada!” Bella respondeu, e se perguntava, internamente, se sair da loja sem se fazer notar seria muito rude... Ela precisava ir embora sem que Edward a visse, mas ao mesmo tempo precisava se aproximar de Emmett – nem que não mais de forma sexual –, porque quanto mais próxima dele, mais próxima estaria do espaçador “Bem, acho que vou levar o barco” ela falou, andando até o balcão e ajeitando o cabelo para que ele pudesse cobrir parte de seu rosto.
“Ah, é uma ótima escolha!” Emmett sorriu para ela e pegou o barco da estante, voltando-se para o balcão com ele em mãos; ele agia cauteloso, também receoso de que Bella tentasse alguma coisa, ainda mais por Rosalie estar ali.
“Legal!” Bella murmurou, abrindo a bolsa para pegar sua carteira, demorando-se mais do que o necessário quando sentiu os olhos de Edward nela “Mas que droga! Esqueci minha carteira no motel...” ela mentiu. Era uma ótima tática de sair dali logo sem parecer rude; ela sorriu internamente com a própria capacidade de pensar rápido.
“Não precisa se preocupar!” Emmett falou, embrulhando o barco num jornal e colocando-o numa sacola “Você disse que está passando alguns dias pela cidade, não? Leve-o, você pode passar aqui e pagar depois!”.
Bella se surpreendeu com a gentileza dele, ele mal a conhecia. Ela poderia ser... Bem, ela era uma ladra, com a diferença de que o barco não era o objeto que ela pretendia roubar. Qualquer pessoa mal intencionada poderia levar o objeto e nunca mais voltar para pagar.
“Não...” Bella negou, ainda surpresa “Eu posso voltar aqui mais tarde ou até mesmo amanhã...” de preferência quando seu amigo não estiver aqui, ela completou mentalmente, mas antes que terminasse a frase, Emmett a interrompeu:
“Na verdade, nós só abrimos por meio período aos sábados. Já vou fechar a loja para almoçar e amanhã é domingo” ele riu e só então Bella percebeu em que dia da semana estavam.
Bella suspirou... É claro que ela preferia não perder tempo indo e vindo da loja quando ela claramente precisaria ter o plano B perfeitamente articulado a tempo da exposição, mas voltar a loja parecia como uma nova oportunidade de explorar todas as suas opções.
“Só reabriremos na outra segunda-feira, dia 4 de dezembro, após a Exposição. Por falar nisso...” Emmett continuou a explicar, pegando um pequeno flyer que continha todas as informações do evento, mostrando-o para Bella.
“Voltarei na segunda, então” disse Bella. Na verdade, se tudo desse certo, ela não precisaria mais voltar na loja; isso a deixava com um leve pesar na consciência: Emmett estava sendo tão gentil; era a primeira vez que Bella lidava com uma situação daquelas, ela estava acostumada a tirar coisas caras e raras de homens que já eram ricos e a grande maioria era muito arrogante, achavam que tinha o rei na barriga. Emmett e sua pequena família eram melhores do que todos aqueles homens e Bella começava a sentir culpa pelo que seria obrigada a fazer, afinal, era o trabalho dela.
“Nada disso, senhorita!” Emmett riu e Edward encarou-o, reconhecendo a malícia no tom de voz do amigo, que também fora percebida por Bella e a deixara intrigada “Leve o barco! Você pode entregar o dinheiro para o Edward aqui, hoje mesmo, mais tarde, que ele me ajudará a montar a Exposição. Já servirá de pagamento para ele”.
“Mas que porra, Emmett?!” Edward exclamou, olhando feio para o amigo, que lhe sorriu malicioso e piscou. Bella encarou o homem a sua frente, perplexa. A culpa por ter que roubar o espaçador diminuindo exponencialmente.
“Os modos, Edward! Há crianças aqui!” Rosalie ralhou, saindo dos fundos da loja com Anthony no colo – Bella se perguntava como ela ainda conseguia carregá-lo com a barriga tão grande – e encarando o homem de olhos verdes com uma expressão nenhum pouco bonita.
“Se você ouvisse o absurdo que o seu marido acabou de falar teria xingado mais do que eu!” Edward resmungou, “Mas que merda!” sussurrou ele, como uma criança que fora pega fazendo algo errado, mas continuava insistindo no erro quando os pais viravam as costas.
“O que é por...” Anthony começou a perguntar, mas Rosalie tapou a boca do filho com as mãos e se olhar matasse, Edward já estaria sob setecentos palmos.
“Nada, meu amor. Seu padrinho vai ficar de castigo e eu vou lavar a boca dele com sabão!” Rose beijou a testa do filho delicadamente e passou-o para Emmett, que sorriu malicioso, olhando de Edward para Bella, os dois mudos e estáticos, feito duas estátuas.
“Bem, como quem cala consente, vocês podem se encontrar, às 19h, no 715 Restaurant. Edward ainda vai fazer o trabalho dele de te contar sobre a Exposição” Emmett brincou...
Ou Bella e Edward pensaram que ele estivesse brincando; ela cometeu o erro de olhá-lo. Seu coração falhou uma batida quando percebeu que ela já a olhava, seus olhos verdes tão brilhantes e charmosos pareciam curiosos ao encará-la; o cenho franzido dele logo se suavizou e ele abriu um sorriso de leve, gesticulando com o dedo ao redor da orelha e apontando para Emmett em seguida, como se dissesse ele está louco.
Mas Emmett provou não estar de brincadeira – o que automaticamente provou que ele estava, de fato, louco, quando anotou o endereço do bar num pedaço de papel e o colocou dentro da sacola do barquinho “Você já sabe onde fica, Edward!” Emmett continuou com o tom brincalhão e piscou para o amigo. Ele se voltou para Bella, que, ainda perplexa, aceitou a sacola que ele lhe oferecia.
...
18:45h, Estacionamento “The Vermont Parking Garage”, Lawrence, Kansas, 8°C – neblina.
O que está acontecendo comigo? Bella se perguntava enquanto parava o carro num estacionamento na rua perpendicular à do bar; os olhos verdes de Edward não saíram da mente dela, o modo como ele a olhou na loja, curioso, mas não do jeito indelicado e presunçoso como ela estava acostumada, era apenas curioso, como se ele realmente estivesse disposto a conhecer mais do que a superfície dela.
Ela sabia que se enganava ao pensar que isso fazia parte do plano, que quando Emmett informou que Edward o ajudaria a montar a Exposição, algo no cérebro dela se acendera e lhe dissera aquele era um bom novo esquema, mas, na verdade, estava muito mais propenso a falhas do que acertos. Por que ela se envolveria com um policial numa missão?
Onde estava o seu bom senso e bom esquema? Se enganar, dizendo que ficar com Edward fazia parte do plano não a ajudaria quando ela tivesse que colocá-lo em prática; ela sabia que usara o plano como pretexto para conhecê-lo melhor... Pelo menos conhecer o corpo dele. Bella mordeu o lábio inferior ao imaginar as mãos dela percorrendo os cabelos desalinhados dele, os lábios dele nos dela. Ela não conseguira ver muito do corpo dele, pois o clima frio os obrigava a usar roupas pesadas, mas não era difícil de imaginar como o corpo de um policial jovem e bonito seria... Não que ela fosse apegada à forma física, mas era óbvio que Edward deveria ser um homem bem firme. Como seria senti-lo sob suas mãos?
Suspirando, Bella desligou o carro e saiu dele, pegou o ticket do estacionamento e rumou para o bar. Fez uma nota mental e a repetiu várias vezes: O meu único objetivo é descobrir informações sobre a Exposição e descobrir possíveis falhas na segurança do evento para poder aperfeiçoar ainda mais o plano B. Envolver-me fisicamente com Edward apenas se for necessário para extrair mais dados dele, caso contrário, AFASTAR-ME dele. Não deixar, em hipótese alguma, ele descobrir quem eu sou de verdade. Proteger o negócio da família.
...
18:51h, Bar “715 Restaurant”, Lawrence, Kansas, 8°C – neblina.
Bella se surpreendeu quando adentrou o bar e Edward já estava lá, sentado a uma mesa, para dois, mais ao fundo do local. Era ela quem normalmente chegava antes, ela precisava estar sempre no controle, afinal, isso evitava as falhas nas missões. O bar estava razoavelmente cheio, as luzes não muito claras tornavam o ambiente aconchegante. Havia um bartender atendendo alguns clientes e dois garçons passando por entre as mesas.
Um pouco frustrada por não ter chegado mais cedo – assim ela poderia observar melhor o funcionamento do local – Bella aproximou-se da mesa em que Edward estava. Ela pretendia agir rapidamente: pagar-lhe pelo barquinho de madeira e tirar toda informação possível a respeito da Exposição. Depois ela iria embora e a previsão era que, se tudo desse certo, nunca mais o veria.
“Boa noite” ela cumprimentou-o assim que estava perto o suficiente para ele ouvi-la.
“Boa noite!” ele cumprimentou de volta, dando um sorriso pequeno. Ele parecia tão desconfortável quanto ela diante da situação... Talvez ele também quisesse matar Emmett e ela sorriu com o pensamento; aquele vendedor insolente, folgado e intrometido! A cada vez que Bella pensava na maneira como ele agira, ela se sentia menos culpada por precisar roubar o tão precioso espaçador. “Por favor!” Edward falou, levantando-se e puxando a cadeira para Bella.
Um ponto para Edward, ela pensou, agradecendo-o e sentando-se, achei que o cavalheirismo havia morrido. Ela não estava acostumada a ser tratada daquele jeito... Bem, aquele não era o momento para pensar nisso. Bella estava numa missão e precisava se concentrar; era um jantar “de negócios”, não importava o quão atraída ela se sentisse por Edward. Ela retirou o sobretudo bege e o pendurou na cadeira, antes de sentar-se; ele empurrou a cadeira e voltou a sentar-se em seu lugar.
“Bem, nós mal fomos apresentados um ao outro” ele disse “Sou Edward, apesar de Emmett já ter falado meu nome...” continuou ele, passando as mãos pelos cabelos acobreados que ficaram ainda mais desalinhados, parecendo sem jeito “Merda!” ele murmurou baixinho e Bella teve que se conter para não rir; ele estava muito desconfortável com a presença dela.
“Sou Bluebell, mas você pode me chamar de Blue” ela se ‘apresentou’. Era óbvio que Bella nunca poderia revelar, ela nunca revelava em ocasião alguma, a sua verdadeira identidade, principalmente por saber que a polícia estava procurando por sua família. Ela costumava escolher nomes mais comuns e com iniciais diferentes do seu nome – ou apelido – para dificultar o seu reconhecimento. Dessa vez, porém, ela contava que essa seria a sua última missão em bastante tempo, por isso não deu importância para a escolha de seu nome e história.
“Prazer em conhecê-la” Edward murmurou “É nova na cidade?” ele perguntou educadamente, sentando-se novamente.
“Na verdade, estou só de passagem” Bella respondeu-lhe sorrindo, ela tentaria ser evasiva nas respostas o máximo que conseguisse, sem que ele percebesse “E você?” ela fingiu não saber nada sobre ele.
“Boa noite, com licença!” um dos garçons interrompeu-os, ele era um senhor, deveria ter uns 60 e poucos anos, um pouco rechonchudo e apesar de aparentar cansaço, talvez pela idade, parecia bem humorado. Ele entregou o cardápio aos dois e continuou a falar: “Edward, garoto, é bom vê-lo novamente. E finalmente com uma garota, meu rapaz! Já não era sem tempo, você estava precisando de uma namorada mesmo!” o senhorzinho brincou e Edward balançou a cabeça negativamente, parecendo um pouco irritado.
“Seu Horácio” Edward suspirou “Ela não é minha namorada. É uma das clientes de Emmett” Edward resmungou e Bella se perguntou se ele queria apresentá-la como namorada dele.
“Tudo bem, desculpe, rapaz. Você conhece este velho, um romântico incurável!” o senhor amuou um pouco “Volto daqui a pouco para pegar os pedidos de vocês” ele continuou e olhou de soslaio para Bella “Senhorita” e se afastou para atender outras mesas.
“Desculpe” Edward disse em tom preocupado, encarando os olhos de Bella, que se divertia um pouco com a confusão “O Seu Horácio era amigo dos meus pais e ele conseguiu o meu primeiro emprego, aqui mesmo no 715 Restaurant; eu o trato como meu tio. Ele é como da família, mas pode ser um pouco inconveniente de vez em quando”.
“Está tudo bem!” Bella comentou. De inconveniência ela entendia bastante; os membros de sua família nunca guardavam segredos uns dos outros. Eles estavam sempre achando formas de descobrir planos e ideias, mas Bella tinha a vantagem de ser mais inteligente que todos eles. Seus sonhos e ambições estavam guardados a setecentas chaves dentro da própria mente dela.
“E acredito que isso responda a sua pergunta!” ele continuou num tom mais leve “Nascido e criado em Lawrence”.
Bella se perguntava como teria sido a sua vida se tivesse permanecido num lugar só por mais do que três ou quatro meses. Ela evitava pensar sobre esse assunto, porque ela sabia que nunca poderia voltar no tempo. Talvez ela se sentisse mais completa, talvez tivesse amigos de verdade, como Edward parecia ter. Ele não deveria ser muito mais velho do que ela, provavelmente não era tão rico, mas a vida dele tinha a estabilidade que a dela não tinha – obviamente, não a financeira, mas ele não parecia se importar com isso.
“E você gosta daqui? Não sente vontade de conhecer o mundo?” Bella perguntou, lembrando-se de algumas missões internacionais. Presa ao frio de Lawrence, ela sentia falta do calor do litoral paulista brasileiro e até do clima úmido das florestas tropicais.
“Eu amo Lawrence. É claro que gostaria de conhecer o mundo, mas preciso trabalhar muito para isso” ele respondeu brincalhão “Sou policial”.
“Oh, que ótimo!” Bella fingiu surpresa “Então sinto-me segura com você!” ela piscou para ele, esperando que ele se deixasse seduzir mais facilmente que Emmett.
“É o meu dever!” Edward riu, seus olhos focados nos de Bella. O castanho dos olhos dela praticamente se derretia ao encará-lo de volta “Não é uma profissão muito valorizada. Nós corremos perigos o tempo todo e o salário é uma bosta, mal dá pra pagar as contas, ainda mais no começo da carreira... Desculpe meu linguajar” ele mordeu o lábio inferior, constrangido “Eu juro que estou tentando parar, mas é difícil”.
“Não se preocupe” Bella falou, dando de ombros “Eu sei que é difícil pra caralho parar com um hábito”.
“Não acredito que encontrei uma boca tão suja quanto a minha pelas ruas de Lawrence!” ele brincou.
“Não” Bella negou “Você me encontrou na loja do seu amigo, não nas ruas” ela explicou, mordendo o lábio inferior sedutoramente e encarando-o.
“Verdade!” Edward concordou, seu olhar desceu um pouco no rosto de Bella e ela percebeu quando ele engoliu em seco ao ver o lábio rosado dela sendo repuxado.
Um ponto para mim, Bella sorriu internamente, inclinando-se levemente na direção de Edward, expondo o decote em V de sua blusa e ela notou, contente, como os olhos dele acompanharam, ainda mais para baixo, a pele de seu pescoço e, depois, o seu colo generoso. “Vamos aos negócios!” ela exclamou abrindo a bolsa. Era tudo um pretexto para que eles pudessem conversar sobre a Exposição.
Ela viu quando a expressão de Edward murchou; talvez ele achasse que ela não estivesse interessada em continuar a conversa. É claro, Bella ‘não estava’ – era o que ela dizia para si mesma – interessada, mas precisava fingir que sim, pelo bem da missão: “Depois nós podemos pedir alguma coisa!” ela piscou “Só quero me livrar logo dessa dívida”.
“Ah, claro!” ele assentiu, um pequeno sorriso aparecendo em seu rosto. Bella tirou da bolsa um pequeno envelope e estendeu-o para Edward, que, ao pegá-lo, demorou-se quando sentiu a mão delicada e macia dela. Ela, instantaneamente, fantasiou sobre como seria ter as mãos dele – grandes e firmes – ao redor de seu corpo; os olhos verdes nos dela, tão intensos que pareciam enxergar a alma dela, assustando-a de tal forma que ela rapidamente saiu de seus devaneios.
“Você pode conferir o valor” ela murmurou, a voz baixa e rouca fazendo-a perceber como sua garganta estava seca, de repente, o clima frio de Lawrence tinha, subitamente, alcançado graus incrivelmente altos.
“Não se preocupe, confio em você” Edward falou, o sorriso aumentando de tamanho e Bella notou como os dentes dele eram perfeitamente brancos e alinhados.
“Você mal me conhece. O envelope pode estar vazio... Ou ainda estar cheio, mas de notas falsas!” ela brincou, piscando para ele, que riu.
“Você já sabe que sou um policial. Não acho que mentiria para mim desse jeito. Fui treinado para descobrir esse tipo de coisa. E enquanto você estava distraída, olhando para a minha cara, eu já dei uma olhada nas notas. Todas verdadeiras, o valor está correto” revelou ele, e foi a vez de Edward piscar para Bella, que acabou corando quando percebeu o mole que dera ao ficar se impressionando com a aparência dele.
Idiota! Ela acabaria não concluindo a missão, ou pior, acabaria presa, se continuasse se distraindo; ela precisava estar a vários passos de distância de Edward, não só pela necessidade de ter um plano completo e perfeito sobre como conseguiria o Espaçador da Vitória, mas também porque não poderia correr tantos riscos; ela não podia pôr tudo a perder por um homem que mal conhecia.
Bella realmente só esperava que ele não estivesse totalmente certo quando disse sobre o treinamento; se ele fosse tão bom a ponto de perceber as verdadeiras intenções dela, estaria completamente fodida, e não no bom sentido.
“Fica linda quando cora” disse Edward, e Bella percebeu que ele não pretendia ter dito em voz alta, quando o rosto dele mesmo começou a ficar rosado.
“Muito obrigada, eu acho...” ela agradeceu, franzindo o cenho. É, definitivamente, ela não estava acostumada a receber tal tipo de elogio. Os homens sempre a abordavam falando sobre o corpo dela de maneira bastante invasiva, e, claro, ela quase nunca corava, principalmente na frente de desconhecidos.
“Mas diga, Blue, o que está fazendo aqui em Lawrence? Você disse que estava só de passagem, mas porque escolheu vir pra cá?” Edward perguntou, tentando deixá-la mais confortável.
“Eu só quis me distanciar um pouco da loucura da minha cidade” e da minha família— Bella completou em pensamento, mesmo que esse não fosse o motivo verdadeiro “E gosto de coisas antigas, adorei quando soube que haveria uma Exposição aqui!” ela sorriu.
“Ótimo, você vai gostar. Emmett apresentará coisas lindas!” Edward afirmou, entusiasmado “Bem, você quer pedir algo?” ele perguntou, e ela assentiu “Certo, olha, a comida daqui é muito foda e isso não é porque eu já trabalhei aqui, viu?” Edward brincou e Bella não pode evitar rir “Eu recomendo...”
...
22:00h
E assim, os dois passaram o resto da noite se deliciando nos pratos do 715 Restaurant, bebendo e conversando. Bella notou como todas as informações que Edward dava sobre ele estavam corretas – de acordo com o que ela se lembrava dos arquivos dele – e ela ficou impressionada com a sinceridade dele, também não estava acostumada com isso.
Edward não tentava ser algo que não era, cada elogio que ele proferia, para Bella, era genuíno, era claro como ele não estava tentando apenas ganhá-la, os palavrões desmedidos e constantes eram a prova de que ele estava sendo ele mesmo, e não fingindo ou se esforçando para impressioná-la; Edward queria que ela gostasse dele exatamente do jeito que ele era. E por mais que Bella quisesse, não tinha como negar o clima especial que estava se instalando entre os dois.
Infelizmente, Bella não podia ser tão sincera quanto ele, nem quanto ao passado dela e muito menos a respeito do que fazia em Lawrence; pela primeira vez ela queria poder contar para alguém, não só sobre o trabalho dela, mas também sobre os planos e sonhos que ela guardava há muito em seu coração.
“Eu sinto muito pelos seus pais” ela murmurou, quando Edward terminava de lhe contar sobre como o pai dele, Carlisle, havia morrido num acidente quando Edward ainda era criança, – e junto aos pais de Emmett, que fora criado pelo avô – e como logo depois de fazer 20 anos, a mãe dele, Esme, falecera após um infarto fulminante.
“É, bem... Eles eram jovens pra caralho, realmente...” ele suspirou; fazia bastante tempo e falar sobre eles já não doía mais como antes “Depois que minha mãe faleceu eu decidi dar um rumo à minha vida; me formei em Justiça Criminal e comecei o treinamento para entrar na polícia. E aqui estou eu”.
“Então... Você não tem tanta experiência assim como policial?” Bella perguntou, fazendo algumas contas mentalmente. A faculdade levando cerca de 4 anos e mais uns meses de treinamento na Academia de Polícia deixariam Edward com menos de um ano de profissão. Talvez ela não devesse se preocupar tanto assim com as “habilidades investigativas” dele.
“Bem, é verdade, não tenho tanta prática, mas não é como se eu fosse um virgem da polícia” Edward respondeu, observando quando Seu Horácio se aproximou da mesa.
“Menino Edward” o garçom deu um breve sorriso a ele e depois voltou-se para Bella “Gostaria de mais alguma coisa, senhorita?”.
“Não, muito obrigada, já está tarde também” Bella respondeu, dando-se conta de que já passava das dez da noite e nas feições cansadas dele.
“Muito educada, menino Edward! Você deveria aproveitar a oportunidade. Se precisar de alguns conselhos estou à sua disposição” o senhorzinho disse, dando uma piscadela para o homem sentado à frente de Bella, que balançou a cabeça negativamente.
“Seu Horácio!” Edward o repreendeu.
“Está bem, não está mais aqui quem falou” resmungou o mais baixo, erguendo as mãos, como se rendendo-se ao fato de que os dois não eram um casal “Trago a conta?”.
“Não, vamos para o bar, se Blue quiser, é claro” Edward respondeu, olhando para Bella esperançosamente, como se ele quisesse aproveitar a companhia dela o máximo possível.
“Sim, claro. Vamos!” ela concordou; embora já tivesse bastantes informações a respeito da Exposição, passar um tempo extra com Edward garantiria, quem sabe, mais algumas especificidades sobre o sistema de segurança que seria adotado no dia.
...
23:20h
“Tchau, Seu Horácio, foi um prazer conhecê-lo!” Bella acenou para o senhor, que lhe deu um sorriso adorável.
“O mesmo, senhorita Blue, espero vê-la novamente. Edward, traga-a mais vezes!”.
“Tchau, Seu Horácio!” Edward resmungou, guiando Bella para fora do local “Ignore-o pelo amor do sagrado!” continuou, revirando os olhos “Onde está o seu carro?” perguntou-lhe educadamente.
“Ah, no estacionamento, mais pra cima da rua” ela respondeu, aliviada por não ter bebido muito a ponto de não poder dirigir.
“Na Vermont Street?” perguntou ele, ao que ela assentiu “Hm...” ele franziu o cenho e os lábios e Bella ficou confusa “É claro, você não tinha como saber, mas eles costumam já estar fechados a essa hora”.
“Ah, mas que bosta!” Bella revirou os olhos, irritada porque, pela segunda vez numa mesma noite, ela ficou tão distraída com a presença do ser praticamente perfeito à frente dela que acabou se esquecendo de verificar o horário de fechamento do estacionamento.
“Nós podemos ir até lá para checar” Edward sugeriu “Mas acho melhor colocar o casaco antes que pegue uma friagem”.
“Certo, papai” ela zombou, enfiando os braços pelas mangas do sobretudo e ajeitando o cabelo, para que ele continuasse por fora do casaco “Como estou?” perguntou, dando uma voltinha e empurrando os peitos levemente mais para cima, fazendo parecer um gesto despreocupado, quando, na verdade, era só mais uma tática de sedução.
“Magnífica. Você fica linda de vermelho” ele flertou, seu olhar descendo do decote de Bella de volta para o rosto de porcelana dela.
Novamente, Bella não estava esperando a sutileza no comentário de Edward... Outros homens teriam elogiado o decote dela descaradamente, mas não ele. Isso a deixava confusa, grata e corada ao mesmo tempo. “Obrigada” ela sussurrou.
“Não há de que!” ele disse, o sorriso perfeito estampado no rosto, oferecendo o braço a ela.
Bella engoliu em seco. Seria uma boa ideia aproximar-se dele fisicamente? Ela sentia que qualquer toque a colocaria em chamas, por mais grossas que as camadas de roupas que os separavam fossem.
Não querendo parecer rude, ela colocou o braço direito sob o dele, e, juntos, caminharam até o Vermont Street Parking Garage, só para, literalmente, comprovar o que Edward dissera: o estacionamento estava fechado.
“Ah, que ótimo!” Bella resmungou, xingando-se mentalmente.
“Não se preocupe, eu te levo. O meu carro está na outra quadra” disse Edward, ainda com o braço entrelaçado com o dela.
“O que?” Bella surpreendeu-se. A viagem até o motel não levaria 10 minutos de carro... Mas por mais curto que fosse o tempo, ficar num ambiente tão pequeno e próximo a ele, sem dúvidas não seria a maneira mais inteligente de terminar a noite, se ela quisesse manter-se a uma distância, física e emocional, segura de Edward.
“Sabe, não é seguro para uma moça andar pelas ruas de Lawrence sozinha a essa hora da noite” Edward falou “E você não precisa gastar com táxis se eu estou disponível para levá-la para...”.
“O Super 8 by Wyndham” Bella falou tão naturalmente que se xingou mentalmente, de novo, quando percebeu que dera a localização exata para um policial de onde estava hospedada. Não que ele não fosse capaz de achá-la, se ele procurasse direito, mas ela facilitou, e muito, as chances de onde ser pega, caso fosse descoberta.
“Vamos, é perto daqui. Chegaremos logo” Edward falou, sorridente; ele parecia, novamente, animado por poder passar mais tempo com ela.
“Tudo bem” ela aceitou, não querendo cortar o barato dele... Pelo menos, ele estava certo, pois ela não precisaria pagar um táxi ou andar com aquelas botas – por mais confortáveis que fossem – até o motel.
...
Terça-feira, 14 de novembro de 2017 – 11:00h, Motel “Super 8 by Wyndham KU Lawrence”, 13°C – neblina.
“E então, Bella, o que já conseguiu?” Alice perguntou-lhe pela chamada de vídeo. A baixinha parecia cada vez mais relaxada quando conversava com ela, um contraste e tanto para aquela pequena garota que chegara na Mansão Swan, acuada e insegura.
Claro, Bella não podia culpá-la, pois, antes de ser a noiva de seu irmão, Jasper, Alice fora, literalmente, vendida aos Swan como uma mercadoria, quando o pai dela a ofereceu como a metade de um pagamento que não conseguira completar. Alice deveria ser a amante de Jasper e servi-lo no que ele bem quisesse, mas, antes mesmo de tê-la, ele havia se apaixonado por ela. Por mais estranhas que fossem as circunstâncias, Alice correspondera aos sentimentos de Jasper e eles já estavam planejando o casamento. Bella sorriu internamente ao notar que Rosalie e Emmett não tinham sido o primeiro casal que exalava amor verdadeiro que ela já conhecera.
“Vou ter que interceptar o espaçador antes que ela chegue à Exposição” Bella respondeu-a “Não consegui seduzir Emmett”.
“Como assim?” Alice perguntou, tão surpresa que seus pequenos olhos azulados quase saltaram para fora das órbitas, de tão arregalados que ficaram. Bella suspirou, contando a Alice sobre sua tentativa – frustrada – de seduzir Emmett McCarthy no sábado anterior “E você desistiu tão fácil? Logo na primeira tentativa?”.
“Merda!” Bella sussurrou. Ela não tinha realmente percebido o quão rápido havia desistido de seduzir Emmett. Mesmo que a loja estivesse fechada, ela poderia sim continuar com suas investidas nele, afinal, ela tinha o endereço dele, e o contato do melhor amigo “Achei melhor não insistir e correr o risco de ele me barrar na entrada da Exposição”. Bella não queria admitir que o motivo de ela não mais tentar seduzir Emmett tinha nome e sobrenome. Ela sorriu consigo mesma ao pensar no dono dos olhos mais verdes e lindos que já vira na vida.
“Por que você precisaria entrar na Exposição se pretende roubar o espaçador antes que ela chegue lá? E por que está sorrindo feito boboca?” Alice perguntou, se divertindo com a carranca que Bella fez.
“Para não levantar mais suspeitas. Eu vou interceptar o espaçador e chegar na Exposição com a cara mais lavada do mundo, pra que ninguém desconfie que euzinha a roubei” Bella explicou “E não, não estou sorrindo feito boboca; só estou feliz porque esta é minha última missão em muito tempo, palavras de papai! Daqui a alguns dias, pode contar que eu estarei voltando para casa para receber minha parte da grana e aí: ‘Olá férias!’” continuou Bella, espreguiçando-se na cadeira.
“Receber a sua parte da grana, Bella, do que você está falando?” Alice perguntou, parecendo confusa.
“Ué, Alice, estou trabalhando; devo receber meus honorários como sempre” Bella respondeu, ainda mais confusa que a noiva de seu irmão – e a única amiga que teve em toda a sua vida.
“Bella, você não está...” Alice começou, mas foi interrompida por Jasper, Jéssica e Lauren – o irmão e as gêmeas meias-irmãs de Bella.
“Oi, Bella!” os três disseram em uníssono e começaram a tagarelar e a fazer perguntas sobre como a missão estava se desenrolando. Bella tentou se concentrar, mas o rosto surpreso – e até mesmo indignado – de Alice se sobressaia às palavras de seus irmãos.
Então ela se lembrou de seu sexto sentido, enquanto o pai dela e Jacob Black lhe passavam as informações sobre a missão... O modo como eles agiram com ela, como se escondessem algo: todos sabiam de alguma coisa; Bella era a única que não, mas ela iria descobrir, com toda certeza.
11:50h
“Tchau, Bella!” os irmãos pararam, finalmente, de tagarelar e saíram do cômodo da mansão, deixando Alice e Bella a sós novamente.
“Alice, que história é essa? Do que é que eu não sei?” Bella perguntou, ansiosa por uma resposta, mas antes que pudesse ter uma resposta, o seu celular começou a tocar: era Edward! Ela se esquecera completamente de que havia combinado com ele de se encontrarem para almoçar!
Sábado, 11 de novembro de 2017 – 23:35h, Motel “Super 8 by Wyndham KU Lawrence”, 7°C – neblina.
“Obrigada pela noite e pela carona” Bella foi a primeira a quebrar o gelo, assim que Edward estacionou o carro na vaga dela do motel.
“Eu quem agradeço pela companhia!” ele afirmou, dando um sorriso lindo para ela, que evitou encará-lo por muito tempo, assim corria menos risco de se... Envolver demais “Se você quiser, posso pedir pra alguém trazer o seu carro amanhã, é só me dar as chaves”.
“Não se preocupe, amanhã de manhã eu pego um táxi até lá” Bella falou, alarmada com a possibilidade de alguém – policial ou não – mexendo em seu precioso carro. Ela não era irresponsável a ponto de deixar arquivos guardados neles, mas o faro de alguns policiais era tão aguçado que ela não poderia correr nenhum risco desnecessário.
“Tudo bem, então. Nós nos veremos novamente?” ele perguntou, parecendo esperançoso e ansioso.
“Claro. Ainda vou ficar mais alguns dias na cidade!” ela respondeu, sorrindo para ele. Era natural sentir-se alegre perto dele.
“Terça-feira” murmurou ele, e Bella olhou-o curiosa “Estarei de folga na terça. Posso te levar para almoçar, se você quiser. Mais a tarde eu vou ajudar Emmett a embalar alguns artefatos para o transporte, mas até lá a gente pode...”
“Perfeito” Bella concordou, sorrindo e já engrenando um plano para se aproximar de Emmett, como amiga, e, por consequência, ter ainda mais acesso ao espaçador “Posso ajudar vocês!”.
“Sério?” Edward perguntou, bastante surpreso com a empolgação dela “Vai ser bem entediante, vamos separar os objetos; como a Rose não pode mais pegar peso, me ofereci para ajudá-lo; ela vai ficar lá, coordenando e mandando na gente”.
“Eu amo coisas antigas. E assim poderemos passar mais tempo juntos” ela flertou... E novamente acertou em cheio quando Edward sorriu para ela.
“Terça ao meio dia? Passo aqui pra te pegar”.
“Perfeito!” ela concordou novamente, olhando intensamente nos olhos verdes, secretamente desejando que o ‘pegar’ dele tivesse outra conotação.
Terça-feira, 14 de novembro de 2017 – 11:51h, Motel “Super 8 by Wyndham KU Lawrence”, 13°C – neblina.
“Com licença, Alice” Bella murmurou, mutando o microfone do notebook para que a futura cunhada não ouvisse a conversa dela com Edward “Oi!” ela atendeu-o, levantando-se e se distanciando da mesa.
“Blue, estou aqui, quando estiver pronta, já pode descer” Edward falou, do outro lado da linha.
“Certo, só estou terminando de me arrumar!” Bella informou, apressando-se em tirar o confortável pijama que usava e abrir a mala, vasculhando pelo modelito mais adequado para a ocasião.
“Okay, até daqui a pouco” ele disse, e Bella notou animação na voz dele.
“Até!” ela murmurou e desligou o celular.
“Bellaaaaa! Dá pra me explicar o que está havendo?” Alice perguntou pelo notebook e só então Bella se deu conta de que estava seminua na frente da cunhada. Ainda bem que apenas ela estava do outro lado da câmera!
“Sim, Alice, desculpe-me!” Bella suspirou, reativando o microfone, sentando-se à mesa novamente e cruzando os braços na frente do busto, escondendo os seios dos olhares de Alice – não que ela se importasse muito “Esqueci que tinha marcado de almoçar com...” ela calou-se. Como explicaria a Alice que ela sairia para almoçar, não com o dono da loja, o seu alvo, mas com o melhor amigo dele, a quem Bella estava desenvolvendo um tipo de atração que ela nunca sentira antes?
“Com o motivo do seu sorriso bobo?” Alice brincou, mas logo percebeu que sim, ela estava certa.
“Eu mal o conheço, Alice. Não se preocupe, ele é o melhor amigo de Emmett; meu mais novo plano B!” Bella explicou, dando uma piscadinha para ela “Preciso me trocar”.
Bella levantou-se novamente e estava prestes a sair da ligação quando Alice deu um gritinho “Deixa eu te ajudar a escolher o seu look!” disse ela, muito empolgada.
“Tenho sete minutos, Alice” Bella comunicou, revirando os olhos; a baixinha, sempre que a produzia, levava horas, tempo que não teria naquele momento.
“É mais do que o suficiente!” Alice falou “Você levou aquele vestido azul?”.
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