Bem me querO, mal VOCÊ me quer

1 Bem me querO, mal VOCÊ me quer.


Eu não sou flor que se cheire,

Que depois se colhe e que se vende,

Não sou a rosa das suas fantasias românticas,

Não sou a pétala que temporariamente te encanta,

Não sou a orquídea acorrentada em seu jardim.

Entenda, não admito ser aprisionada,

Principalmente por raízes,

Culturais raízes de punhos abusivos.

Não admito perder os meus espinhos,

Que exercem o que a justiça deveria exercer,

Que me protegem de seu egocêntrico prazer,

Que são meus assim como os direitos deveriam ser.

Não sou algodão de se fazer pano para limpar chão.

E o meu cabelo não é palha nem bombril,

E o meu corpo não é argila para o padrão esculpir.

Eu posso ser quem eu escolher.

Eu posso ser Geni,

E você não irá cuspir.

Eu posso ser melodia,

Prosa e poesia,

E você não irá me silenciar.

Entenda, eu não sou a madeira,

Muito menos o objeto feito a mão,

Para você acrescentar a sua coleção.

E eu não sou alimento, para,

Quando você bem quiser, me comer.

Também não sou um ipê,

Mas, de fato, não preciso dar frutos para florescer.

Florescer como gente,

Gente independente;

Gente que tem o que dizer:

Nós somos quem desejamos ser,

Podemos ser Frida,

Virgínia, Amélia;

Podemos ser rosa, azul, cinza, amarelo,

Podemos ser delicadas, desajeitadas, descabeladas.

Podemos ser a resistência!

Nós somos mulheres,

E já extrapolou a hora da sociedade nos ouvir.

E, se por façanhas da opressão,

Nos transformarem em girassóis,

Certamente, o nosso Sol ainda será a liberdade.

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