Belong
16 15- The Bond
Notas iniciais
Gaara.
─ Você tem mesmo que ir? ─ Kankuro dá um sorrisinho meio triste, por sua eminente partida.
─ irmãozinho, eu vou, mas eu volto ─ Agora ele sorri verdadeiramente. ─ Eu sei que você está sendo bem cuidado e está em segurança, assim como a Temari, isso me deixa mais tranquilo. ─ Kankuro bagunça meus cabelos.
─ Quando você volta? ─ Tiro suas mãos do meu cabelo, ele continua bagunçando exatamente do mesmo jeito quando éramos crianças.
Ele ri escandalosamente, fazendo Itachi nos olhar, ele ainda não estava em muitos bons termos com Kankuro, eles ainda se estranhavam um pouco sempre que eram obrigados a passar muito tempo juntos, Temari me garantiu que isso era apenas ciúmes de irmão.
Eu já estava bem melhor, mas Itachi não queria que eu ficasse muito tempo exposto ao vento porém, seguindo recomendações de Sakura eu estava tomando um pouco de sol, aproveitando a belíssima manhã que estava fazendo e aproveitando para me despedir de Kankuro, antes que ele partisse novamente para Suna.
Estávamos no jardim que fica nos fundos da casa, sentados em um dos bancos dispostos, enquanto Itachi estava na varanda lendo alguns documentos, pelo menos foi o que ele disse, a cada poucos minutos ele olhava para nós, querendo garantir que ainda estávamos aqui.
─ Isso eu não posso dizer com precisão Gaara, mas vou fazer o possível para voltar o mais rápido que eu puder para ver vocês, e quem sabe eu não volto com um companheiro também.
─ Você está cortejando alguém? ─ Fico animado com isso, Kankuro já foi apresentado a várias ômegas, mas sempre dispensou todas, deixando Raza possesso.
─ Não, eu só estava pensando longe você me conhece ─ Eu realmente conheço e sei dos seus princípios, mesmo sendo o próximo kazegake, Kankuro quer se casar com alguém que ame verdadeiramente ─ Vendo você e Temari casados, comecei a pensar se não seria bom ter alguém para dividir a vida.
─ Entendo ─ Sorrio, unindo nossas mãos ─ No momento certo você vai encontrar alguém, você vai ver quando você menos esperar.
─ Hmm…
Kankuro brinca com nossas mãos unidas balançando-as de um lado para o outro, enquanto olha fixamente para Itachi que neste momento está realmente lendo um dos seus documentos, tão concentrado que um vinco se forma entre suas sobrancelhas negras, ele é tão lindo.
Quando se percebe observado, Itachi abaixa o documento e nos observa de volta, com a mão livre aceno para ele que retribui com um sorriso, ao olhar para Kankuro seu sorriso se desmancha e o de Kankuro aumenta, parece que o que ele ouviu de Temari não serviu de nada, acho que ni-san tem uma estranha atração pelo perigo.
Digo sem emitir um som sequer para Itachi não ligar para Kankuro, o que o faz sorrir e voltar e ler.
─ Eu vi isso otouto.
─ Eu não fiz nada ─ Rio. Kankuro me observa atentamente, tentando descobrir algo, ele vem fazendo muito isso nesses últimos dias. ─ Você devia perguntar.
─ O que? ─ Ele parece chocado por ter sido pego.
Sorrio o tranquilizando.
─ O que v0cê quer saber, pergunte, eu não vou me ofender.
─ Bom … É … Humm como eu pergunto isso? ─ Ele parece constrangido e eu nunca vi Kankuro constrangido antes, deixo ele tomar seu tempo ─ Bem eu queria saber porque Itachi não te marcou ainda, se ele gosta tanto de você isso não é normal … ─ Sinto meu rosto esquentar e uma vontade de enfiar minha cabeça em um buraco e nunca mais tirar de lá ─ … Vocês têm estado juntos durante a noite? Sabe daquele jeito?
─ QUE! ─ Me levanto sentindo tanta vergonha, que não sei nem mais para onde olhar ─ Você é meu ni-san e eu te amo, mas isso não é da sua conta, nos vemos no jantar.
Vou embora em silêncio e tentando a todo custo evitar olhar para Itachi até o nosso quarto, Itachi até tentou me parar e saber o que tinha acontecido, apenas disse a ele que estava cansado e ia deitar até a hora do jantar, não ia conseguir encará-lo agora.
No quarto eu deito na cama que divido com Itachi, sentindo seu cheiro marcante e forte de alfa impregnado nos lençóis, me trazendo conforto e segurança.
Por um momento fechei os olhos querendo esquecer as perguntas invasivas de Kankuro, e bem de todo mundo que convivia conosco que não entendiam por que Itachi ainda não tinha me marcado.
Eles podiam não perguntar tão diretamente como Kankuro, mas sentia seus olhares estranhos e questionadores ao não sentirem o cheiro de Itachi em mim.
Eu sabia que para mim, por tudo o que eu já passei e acreditava que esse casamento iria ser, as coisas não eram assim tão fácil, agradecia que Itachi era compreensivo e nunca tinha me cobrado nada por não poder corresponde-lo daquela forma, pelo menos não naquele momento.
Depois do meu desaparecimento e doença Itachi e eu ficamos mais próximos era quase como se não pudéssemos suportar a ideia de um viver longe do outro, em todos os momentos ele ficou comigo acompanhando cada etapa do meu tratamento.
Durante a noite ele fica boa parte acordado me observando pegar no sono, com seus braços envoltos na minha cintura me segurando e me protegendo, conforme fui ficando mais forte e pude sair para andar e pegar um pouco de sol, ele foi comigo, sempre atento e alerta, sendo gentil e atencioso como sempre, os beijos entre nós também eram assim doces, mas agora continham uma urgência maior, ele era mais firme e preciso ao me beijar, com ele eu estava descobrindo novas sensações, como os tremores pelo corpo ao sentir seu lábios percorrendo a pele do meu pescoço e suas mãos grandes e fortes exigindo um lugar na minha cintura, a apertando, impedindo que eu me derretesse completamente ante seus beijos.
Eu também pensava nisso se ele realmente queria me marcar ou não, quer dizer por que ele faria isso, a marca é um laço inquebrável entre os parceiros, só a morte pode separar parceiros ligados pela marca concedida pelos deuses aos primeiros ookamis.
Mesmo não querendo ainda me perguntava se era merecedor de tamanha felicidade ou de tanta sorte por ter encontrado alguém como Itachi e ter feito tantos amigos aqui em Konoha, virei de lado na cama querendo ignorar o que estava se passando dentro do meu coração e todos esses pensamentos ruins que me atormentavam.
Ao virar ficando de frente para a porta, vejo Itachi parado de braços cruzados me observando com um leve sorriso nos lábios.
─ O que preocupa essa linda cabecinha? ─ pergunta caminhando até a beirada da cama, e parando ao meu lado.
─ Nada ─ Minto não querendo que ele saiba a confusão que está minha cabeça ─ Já está na hora?
─ Sim, em uma hora o jantar será servido e você precisa se preparar.
─ Certo.
Estendo minha mão para ele, querendo que ele me ajude a levantar, o que ele faz, aproveitando para deixar um beijo na minha testa.
─ Vá indo, que já já estarei lá para te ajudar.
Faço como ele disse, não conseguindo parar de pensar nas coisas que estavam rondando minha mente, o meu maior medo era a minha saúde fraca, mais que o normal para a casta ômega, isso era umas das coisa que mais me deixavam tristes não poder correr como os outros, ou viajar longas distâncias sem me cansar muito, mesmo estando em uma carruagem, ou pior não ser capaz de ter filhos por ter uma saúde tão frágil.
Fiz as coisas tão mecanicamente que só percebi que estava pronto para o banho ao sentir a água quente tocando os meus pés enquanto entrava na banheira enorme.
A quentura da água era confortável e relaxante, mas não era o suficiente para tirar o peso que havia se instalado no meu coração, e o nó que estava instalado na minha garganta me deixava sem ar.
Tudo ao meu redor estava distante e confuso, sentia a presença de mais alguém ao meu redor, mas simplesmente não conseguia assimilar nada, tudo estava girando na tempestade que eram minhas emoções, que estavam me deixando sem força para nada, nem para respirar.
A assimilação estava difícil, mas ainda restava um pouco de consciência, podia sentir meu corpo chacoalhando, mãos quentes e pesadas apoiadas nos meus ombros, e um zumbido que parecia ser um chamado.
Com delicadeza meu rosto é segurado e colocado num ângulo que eu estou olhando para alguém que está acima de mim, os cabelos negros e olhos vermelhos são a primeira coisa que noto.
Itachi está angustiado.
─ O que houve? ─ Finalmente consigo ouvir sua voz com clareza ─ Por que você está assim?
Só então consigo perceber que estou chorando descontroladamente abraçado à Itachi, molhando seu kimono recém trocado.
─ Me desculpe ─ Minha voz sai tremida e rouca.
─ Não tem nada que se desculpar ─ Ele me aperta mais contra ele.
Balanço minha cabeça em uma negativa, querendo me afastar dele, mas Itachi não permite, ele me aperta mais contra si.
─ Eu não vou deixar você ir ─ Sussurra contra o meu ouvido ─ Eu não sei o que você estava pensando ou o que te deixou assim, mas saiba que eu estou aqui com você, para onde você for eu vou junto Gaara.
─ Eu não sou bom para você ─ Sussurro contra seu peito, cansado, muito cansado.
Ele me afasta um pouquinho, somente para poder me olhar nos olhos.
─ Isso é não é verdade ─ Seus olhos são ferozes e raivosos ─ Não poderia existir melhor pessoa que você, e eu sou muito sortudo que você me escolheu.
─ Não, você não entende eu não sei se posso ser o esposo que deveria ser… ─ Minha garganta trava por um momento ─ Eu não posso ter filhos Itachi, eu sou se…
─ Não repita mais isso ouviu, você é um ótimo esposo, o melhor que eu poderia ter, e saiba que eu não me importo Gaara, se você não pode ter um filho, se você quiser nós podemos adotar, só não diga mais que você não é bom para mim só porque não pode ter um filho, não é isso que te faz maravilhoso meu amor é o seu coração doce.
Ele coloca a palma quentinha sobre o meu coração.
─ Mas…
─ Não tem mas, tire esses pensamentos da sua cabecinha linda meu amor, pense em coisas felizes e no quanto eu te amo, tudo bem?
─ Hmmm. ─ Estou disposto a esquecer isso, pelo menos por agora, não quero ficar mais triste do que já estou pela partida de Kankuro.
Ficamos mais um tempo abraçados, até ele me chamar, para sair da água que já estava esfriando, no quarto ele me ajuda a vestir o kimono como das outras vezes, meus movimentos são lentos e cansados, estou me esforçando para recuperar a alegria.
─ Você está lindo ─ Itachi diz sorrindo enquanto observa o kimono vermelho com detalhes em verde escuro.
─ Você também está lindo ─ Digo observando o novo kimono azul escuro que Itachi está vestindo.
Itachi se aproxima de mim e segura meu rosto entre suas mãos com delicadeza, me fazendo olhar para seus olhos escuros antes de se abaixar um pouco e me beijar.
Os beijos de Itachi são meu ponto fraco, mesmo sabendo que eu não sou bom para ele, ainda quero estar ao lado de Itachi todos os dias de minha vida, me coloco na ponta dos pés para facilitar o beijo e enlaço minhas mãos em seu pescoço, segurando o cabelo preto e sedoso entre meus dedos os puxando um pouco quando sua língua invade a minha boca, suas mãos vão para a minha cintura apertando e me puxando mais para ele.
Nos separamos quando Temari bate na porta, avisando que o jantar já foi servido e só falta nós dois.
Itachi sorri a contra a gosto com a interrupção.
─ Já estamos indo ─ Ele diz com o tom de voz um pouco rouco.
─ Tudo bem, não demorem ─ Posso ouvir seus passos se distanciando.
─ Nós precisamos ir ─ digo quando Itachi não se move.
─ Eu te amo, não importa o que ─ Sussurra me dando vários beijinhos, antes de sairmos do quarto indo até a sala de jantar.
<_¨¨_>
Nem preciso dizer o silêncio que se fez quando chegamos a sala de jantar, afinal éramos os anfitriões e chegamos por último.
Podia ver nos olhares maliciosos que foram lançados para nós durante o jantar o tipo de coisas que eles estavam pensando, Itachi não parecia incomodado com isso, mesmo sentindo minhas bochechas queimarem a cada provocação que era lançada eu decidi fazer como ele e ignorar tudo aquilo.
Tirando as provocações, o jantar foi tranquilo e divertido, todos se divertiram muito como em um verdadeiro jantar em família, regado de amor e risadas tudo o que eu sempre quis.
Só foi um pouco triste no final da noite quando Kankuro teve que partir de volta para Suna, eu como o esperado chorei ao vê-lo partir para aquele lugar junto de Raza.
A noite já estava avançada quando finalmente nos deitamos para dormir, e diferente dos outros dias Itachi adormeceu primeiro.
Fiquei um bom tempo deitado na cama esperando o sono vir, o que não aconteceu, cansado de ficar deitado, com cuidado me desvencilhei do abraço de Itachi, vesti uma roupa e fui para o jardim achando a casa um tanto assustadora por estar tão silenciosa.
Sentei na varanda, observando o jardim, me distraindo com os sons da natureza, pensando nas coisas que Itachi tinha dito e tudo o que tínhamos passado até agora.
A inacreditável felicidade que eu tinha encontrado com Itachi, assim como a paz por estar em um lugar seguro e bem protegido.
O amor que Itachi demonstrava por mim, suas palavras tiveram um grande impacto em mim, todo alfa queria um herdeiro principalmente aqueles que herdariam a liderança de seus clãs como Itachi, a certeza e segurança que vi em seu olhar me deu esperanças de que as coisas vão ficar bem, não importa o que os outros achem ou digam e eu mesmo penso, as vezes tenho que me lembrar que Itachi me ama e me quer ao seu lado tanto quanto eu quero ele.
─ Você quase me matou de susto Gaara, quando eu acordei e você não estava ao meu lado ─ Quem quase morre de susto sou eu ao ouvi-lo.
Itachi está de pé parado atrás de mim, com uma coberta envolvendo seus ombros, olhos inchados de sono e os cabelos completamente bagunçado, ele está uma bagunça adorável.
─ Desculpe, eu estava sem sono.
─ Pesadelos?
─ Não, só sem sono mesmo.
Ao contrário do que eu pensei ele não se senta ao meu lado, mas sim atrás de mim envolvendo meu corpo com a coberta assim como seus braços protetores, me recosto em seu peito.
Ele apoia o queixo no meu ombro, posso sentir a sua respiração batendo no meu pescoço, ficamos em silêncio durante um tempo só aproveitando o fim da noite que dava lugar para o lindo nascer do sol.
─ Eu te amo ─ Falei apertando suas mãos que estavam pousadas sobre minha barriga ─ Me desculpe por tudo aquilo.
─ Eu já disse que não precisa se desculpar─ Ele deixa um beijo leve no meu pescoço.─ Nós somos casados e ser casados quer dizer que nós devemos apoiar os nossos parceiros nos bons e nos maus momentos, eu vou sempre estar aqui pra você meu amor, saiba que você pode sempre contar comigo ─ Assinto com a cabeça emocionado demais para falar ─ Você quer me falar o que aconteceu?
Sinto meu corpo ficar tenso na hora e por reflexo o dele.
─ Eu só estava pensando…
─ Pensando…
─ Você vai me marcar? ─ Decido ser direto, antes que eu perca a coragem e nunca mais fale sobre isso.
─ Sim ─ Ele sussurra contra meu pescoço ─ Mas só quando você estiver pronto e quiser.
Só quando eu estiver pronto e quiser.
─ Eu quero ─ Sussurro tão baixinho que não sei se ele escutou.
Ele não fala nada, o que me faz olhar para ele, e vejo o seu sorriso e olhos brilhantes me dando ainda mais certeza do que eu quero, ele aproveita que eu estou distraído com o seu sorriso e me beija, um beijo calmo e tranquilo, nesse beijo sinto tanto amor e carinho que nunca achei ser possível existir ou que eu fosse merecedor disso.
E é assim que vemos o nascer do sol, juntos, banhado pela luz do sol sinto tanto amor que acho que vou explodir.
Isso me faz rir alto e descontrolado, estou sendo preenchido por tanto amor que me deixa imensamente feliz, nunca achei que pudesse existir tanto amor assim.
Sempre adorei o nascer do sol, sempre me deu esperanças...
Fale com o autor