Bellum Infirmorum - The Purple Sky
1 Quaerentem
23 de janeiro de 2383
Local: Desconhecido
Horário: Desconhecido
O período era janeiro de 2383. Havia mais de oito anos desde que a divisão Judex não era convocada as pressas e ninguém sabia ao certo qual era o motivo, apenas que a situação não era boa. Na época, o Princeps da divisão já era Dilus Consul há vários anos, mas nem mesmo ele já tinha passado por algo semelhante. O fato é que a bandeira preta havia sido erguida ao mastro, símbolo máximo de uma possível traição de alto grau dentro do Exercitum Libertatis.
Em um corredor caminham dois homens, ambos de terno. Um carrega um tela em suas mãos com diversas informações que ele rola com a ponta de seus dedo. Este primeiro possui em torno de 1 metro de 70 centímetros, cabelo de comprimento médio e preto, penteado totalmente para trás e fixo com um gel brilhante. Assim como seu cabelo, seus olhos também são escuros e parecem vazios, sem sentimento algum. Por outro lado, o segundo homem é mais alto, e expressa um sentimento de tédio em seu olhar. Seu cabelo também é escuro, porém mais para uma cor com traços de azul, e sem corte ou penteado. Contudo, o que mais chama a atenção e a sua barba falhada que preenche, não só boa parte do rosto, mas também chega até boa parte do pescoço.
— Eren, me atualize das informações, por favor! – Diz em tom alto enquanto caminha por um corredor subterrâneo.
— Sim, senhor! No momento o suspeito número 1 está preso na cela provisória localizada no andar B1. Já colhemos o depoimento dele enquanto você não chegava – Responde o Legato à Dilus.
— E qual é a declaração dele?
— Inocente, senhor! Ele afirma que o ocorrido foi uma fatalidade e que não há motivos para punir nenhum dos dois suspeitos.
— Interessante... Já imagina que ele iria negar culpa, porém não esperava que ele iria defender todos. E enquanto o suspeito número 2? – Pergunta o Princeps enquanto pega uma lata de café em uma máquina.
— Está aguardando o senhor na sala de interrogatório no andar C5.
— Alguma atividade anormal por parte dele? Esboçou alguma reação específica ou já deu alguma declaração? – Dilus pergunta enquanto abre a lata e toma um gole.
— Nosso scan facial detectou expressões de raiva e hostilidade, por isso optamos por mantê-lo algemado, mas...
— Mas...?
— Pra mim a única reação que eu achei que ele demonstrou foi de tristeza – Eren diz enquanto caminha pelo corredor.
— Novamente, interessante... Vejamos se sua percepção está melhor que nossas máquinas – Diz enquanto para na frente de uma porta e coloca a mão na maçaneta.
Ao abrir a porta, ambos os membros da divisão Judex entram em uma sala. Lá há o mínimo necessário. Não existem outras entradas ou saídas se não a porta já mencionada. Não há janelas ou espelhos em qualquer uma das quatro paredes. Em cada vértice daquele cubo havia uma câmera de alta definição que filmava, gravava e escaneava tudo na mais alta qualidade. Era uma gaiola de 10 metros quadrados feita para interrogar qualquer pessoa que fosse necessária. De móveis havia apenas uma mesa central no formato retangular com três cadeiras, duas viradas de costas para a porta e uma virada de frente. Todo aquele ambiente era revestido por um única e mesma cor. Cinza. O único destaque daquele lugar era uma lâmpada de formato quadrado posicionada exatamente no centro da sala, a qual emitia uma luz nem tão forte, nem tão fraca. Em cima da mesa, uma pasta fechada com vários papéis.
Dilus e Eren se sentam na mesa, de frente para um homem que estava com os braços algemados para trás e de cabeça baixa. O Legato mantêm-se olhando fixamente o interrogado, sem piscar ou esboçar alguma reação. Ao mesmo tempo, Dilus pega a pasta em cima da mesa e começa a folhear o conteúdo dentro dela. Naquele instante, o único som que se podia ouvir dentro da sala era a das folhas sendo viradas lentamente, página por página.
Depois de um tempo revisando os dados do interrogado, o Princeps finalmente para de folhear os documentos, fecha a pasta e a guarda, toma um gole de seu café e finalmente começa a falar.
— Eu pretendia gastar a menor quantidade de tempo possível aqui, porém parece que isso vai ser impossível devido a importância desse interrogatório. Já que é assim, vamos fazer isso bem feito. Vou começar com a pergunta mais óbvia: você está sendo acusado de traição e de assassinato. Foram encontradas provas que apontam que há dois culpados e, para o seu azar, seu companheiro já te entregou, mas mesmo assim preciso ouvir a sua declaração, você é culpado pelo ocorrido?
— ... – O homem interrogado permanece em silêncio.
— Cara, é realmente muito chato quando você se recusam a colaborar. Seria interessante se você me respondesse sabia...?
— A culpa não foi minha... – Sussurra enquanto ainda está de cabeça baixa.
— Bom isso já é um começo. Já que a culpa não é sua, pode me dizer quem é o culpado?
— Se ele tivesse me ouvido, todos estariam bem agora...
— Se quem tivesse te ouvido? – Pergunta Eren em um tom mais sério.
— O homem que está preso um andar acima de nós... – Diz enquanto levanta levemente a cabeça para olhar nos olhos do Legato.
— Interessante, isso é algo realmente interessante... Bom, já percebi que você se declara inocente então. Se não se importa, farei algumas perguntas mais pessoais agora. Vamos começar com seu nascimento. Diferentemente dos outros membros do Exercitum, nós encontramos muita pouca informação a respeito da sua vida antes da sua entrada em nosso grupo, se importaria de nos dar algumas?
— Meu passado pouco interfere no meu futuro, por isso o abandonei, mas se te interessa tanto te direi o pouco que me lembro. Nasci no dia 20 de janeiro de 2360 na cidade de Florença. Não fazia nada em minha infância, não falava com ninguém e muito menos tive qualquer ligação ou simpatia pelos Sanus, pelo contrário, todas as lembranças que eu nutri por eles foi de ódio. Acho que é isso que você quer saber no final das contas não é mesmo? – Diz com uma voz com mistura de rancor e indiferença.
— Eu esperava um pouco mais do que já tínhamos de informação, mas duvido que irá fornecer. De qualquer forma, você não disse nada do que já sabíamos, o que não te ajuda muito nesse momento. As coisas estão ficando desagradáveis para o seu lado – Diz o Princeps com um tom de quem já esperava aquelas palavras.
— O que eu tenho que fazer? – Pergunta o homem enquanto ergue sua cabeça.
— Depende, o que te motiva? – Diz Consul.
— Eu quero ele morto, a culpa é toda dele! – Diz com olhos de raiva e tristeza misturadas.
— Finalmente expressou um pouco mais de emoção. Se esse é o seu objetivo, me conte tudo, exatamente tudo o que aconteceu! – Consul da um sorriso.
Após um breve silêncio, o homem finalmente diz:
— Pois bem, iremos para o início então.
Fale com o autor