Bellatori

4 Precipícios


Notas iniciais
Alerta de Gatilho: Esse capítulo trata de depressão e ideação suicida. Leia com cautela. A vida de Nova tomou um rumo completamente diferente do esperado. Estudar no Instituto Adagnio não estava sendo o mar de rosas que ela sempre pensou.

Nova correu pelos corredores do edifício, usando seu teleporte para avançar alguns metros por vez. Então, ela chegou no destino que parecia certo. Ela nem se deu conta quando se viu no telhado do prédio do dormitório.

Lágrimas escorriam por seu rosto, cada uma carregando o peso de sua dor e confusão. Ela estava precariamente empoleirada em uma saliência que oferecia uma vista deslumbrante do campus abaixo.

Nova sentiu como se estivesse à beira de um abismo. O mundo ao seu redor parecia não existir enquanto as lembranças de sua mãe e o peso de sua perda pressionavam seu peito.

Ela se sentia exilada das relações interpessoais com suas novas colegas de quarto. Provavelmente ela parecia uma garota estranha e mal educada, saindo do dormitório com os olhos marejados, falando de forma curta com uma rainha, mas não importava. Nenhuma delas entendia.

Por um momento rápido e doloroso, a ideia de saltar daquela altura apareceu nas periferias de seus pensamentos – uma tentação sombria que a atraiu em direção ao precipício do desespero. Mas Nova sabia, no fundo, que não poderia permitir-se sucumbir a tal escuridão. Ela não podia ceder ao vazio que ameaçava consumi-la.

Com as mãos trêmulas, ela enxugou as lágrimas e respirou fundo. O vento esvoaçava seus cabelos.

Nova sabia que precisava encontrar forças, não apenas para honrar a memória de sua mãe, mas também para enfrentar os desafios que a aguardavam como uma Bellatori em treino.

Com determinação recém-adquirida, Nova recuou da borda do telhado, com o coração pesado, mas resoluto. Ela não poderia mudar o passado ou apagar a dor da perda de sua mãe, mas poderia escolher abraçar seu futuro e o caminho que havia traçado para si mesma.

Enquanto ela lutava com essas emoções, a porta pesada do telhado se abriu com um rangido. Era Adrian. Uma presença inesperada e indesejável no estado frágil que Nova se encontrava.

O coração da menina disparou, um turbilhão de raiva, tristeza e confusão assolando dentro dela. Seus sentimentos ainda ardiam contra ele pelo papel que ela acreditava que ele desempenhou na morte de sua mãe. Seus olhos, antes brilhantes de determinação, agora expressavam raiva.

Antes que Nova pudesse pronunciar uma palavra, a voz de Adrian tremeu com um apelo desesperado.

"Nova, por favor, apenas me escute." — os olhos dele estavam cheios de uma mistura de culpa e tristeza.

Nova hesitou, o corpo tenso e o olhar inabalável.

Ela queria gritar com ele, liberar a fúria que vinha crescendo dentro dela desde a morte de sua mãe. Mas algo na voz de Adrian, algo na maneira como ele estava ali, vulnerável, a fez hesitar.

Com um aceno de cabeça relutante, Nova silenciosamente concedeu-lhe permissão para falar.

A voz de Adrian tremia de emoção crua quando ele começou a falar, com os olhos fixos nos de Nova.

"Eu vi você subindo no telhado, então vim falar com você" — ele admitiu, com a voz tensa. — "Eu sei que você disse que não queria me ver, mas..." — Ele fez uma pausa, suas palavras vacilando diante das emoções palpáveis ​​de Nova.

"Então você me seguiu?" — A resposta de Nova foi rápida, sua voz afiada e acusatória. Sua raiva era uma tempestade dentro dela, ameaçando se libertar, mas ela escolheu ouvir, com o coração pesado pela antecipação do que Adrian tinha a dizer.

“Eu nunca quis que nada disso acontecesse” — Adrian continuou, sua voz tremendo com o peso do mundo. — "Eu estou passando por um momento difícil. As pessoas estão me chamando de assassino sem coração, me tratando como um vilão. É apenas meu primeiro dia aqui e não sei se conseguirei lidar com isso por semanas ou o ano inteiro."

As feições de Nova se contorceram.

"Você acha que está passando por um momento difícil?" — Sua voz vacilou de emoção. — "Você é egoísta, Adrian. Você nem pensa no que eu perdi. Minha mãe se foi e você está vivo."

“Não sou egoísta, Nova. Fui ao funeral dela para prestar meus respeitos, mas não esperava ser atacado por você.” — A expressão de Adrian mudou, remorso genuíno marcando suas feições.

"Você fez por merecer!" — A fúria de Nova marcou suas palavras.

"Eu não vim aqui para discutir, Nova. Quero resolver isso. Você é a única pessoa que pode provar a todos que eu não matei sua mãe." — O desespero tomou conta de Adrian.

"Mas você não matou?" A pergunta de Nova pairou no ar, carregada de acusações.

"Qual é, Nova, você não precisa me tratar assim. Você sabe a verdade."

"Eu não sei de nada" — ela respondeu, com a voz vazia.

"Eu só quero resolver toda essa situação" — Adrian implorou mais uma vez.

"Você não entende, não é? Você não pode resolver nada! Você não pode trazer minha mãe de volta! Você destruiu minha vida e não há nada que você possa fazer para consertar isso!" — Lágrimas brotaram dos olhos de Nova, sua voz tremia enquanto ela gritava, sua raiva e tristeza incontroláveis.

Os poderes de Nova crepitavam com energia, o ar ao seu redor carregado com suas emoções. Adrian tentou retrucar, mas no meio da frase dele, ela se teletransportou, deixando-o sozinho no telhado, cheio de frustração.

O abismo entre eles parecia intransponível, e o peso do conflito não resolvido pressionava fortemente os corações de ambos enquanto o sol da tarde se punha no horizonte.

Nova voltou para seu dormitório, com uma tempestade de emoções ainda girando dentro dela, mas suas colegas de quarto escolheram sabiamente permanecer em silêncio, preferindo dar a ela o espaço que ela precisava para lidar com a situação. Ela apreciou a compreensão delas e rapidamente foi se deitar.

Dormir rapidamente se tornou seu passatempo favorito durante as primeiras semanas no Instituto Adagnio.

Embora Nova estivesse determinada a não perder um único segundo das aulas, ela não podia negar a atração magnética por sua cama assim que os professores dispensavam a classe. Ela era uma aluna diligente, atenta e ansiosa por aprender, mas quando o dia letivo terminava, o apelo do seu colchão macio era irresistível.

Suas interações com as colegas de quarto — Lina, Talia e Karina — antes carregadas da animação do companheirismo recém-descoberto, gradualmente tomaram um tom mais superficial.

Após seu primeiro dia juntas, Nova não compartilhou muito sobre seu passado ou sobre a dor que pesava em seu coração. Em vez disso, ela abraçou o sono como seu companheiro, o único lugar onde sua dor poderia ser mitigada, mesmo que apenas temporariamente.

Semanas se passaram e Nova se viu travada em uma batalha contra pesadelos assustadores. O tormento noturno era constante, tecendo uma tapeçaria de cenas vívidas e angustiantes durante seu sono agitado.

Em um pesadelo, ela se reencontrou com sua mãe, mas foi um encontro espectral e sobrenatural. O rosto fantasmagórico de sua mãe exibia uma expressão de tristeza implorante, como se ela buscasse respostas de Nova que a menina nunca poderia fornecer.

“Por quê você me matou, minha filha?” — A voz de sua mãe reverberava em seus ouvidos, proferindo palavras fragmentadas que deixavam Nova se sentindo incompleta e oprimida pela culpa.

Outro pesadelo mergulhou-a num abismo de desespero. Suas mãos trêmulas estavam manchadas de sangue, o corpo sem vida de sua mãe esparramado aos seus pés. A figura do seu pai atrás dela, decepcionado.

E então, haviam os sonhos recorrentes de batalhas com Adrian – confrontos ferozes que pareciam durar uma eternidade. Seus poderes se chocavam em uma exibição deslumbrante de energia, refletindo as emoções tumultuadas que agitavam o coração de Nova. Ela lutou contra ele com cada fibra dentro dela, impulsionada pela raiva e tristeza.

Ela odiava os momentos torturantes dos pesadelos, mas ainda assim, preferia dormir do que ficar acordada.

Notas finais
Eu espero ter conseguido passar com clareza que Nova está realmente abalada com os acontecimentos, considerando o suicídio + vivendo num estado depressivo. O próximo capítulo vai introduzir o último grande personagem a história e vai ser o fim da fase que eu chamo de "Fase introdutória". Então eu peço encarecidamente que leiam o próximo capítulo para decidir se querem acompanhar a história.