Bellamort - O Romance Nunca Contado
7 Indiferença
Enquanto estava ocupada demais com os seus pensamentos, o sol já estava posto, queimando o rosto demasiadamente pálido de Bellatrix. Sem saber que horas eram, ela decidiu que estava na hora de ir para casa, pois conhecendo o lorde das trevas, ele não ficaria nada feliz se ela não estivesse lá quando ele a solicitasse. Então, em um pulo, ela pegou a varinha que estava jogada na areia – um erro para um bruxo e desaparatou rumo à mansão dos Malfoy.
Mal chegara no local e encontrou Rodolfo, seu marido, com cara de quem não dormiu – o que era verdade – extremamente preocupado, mas ela notou o ombro do marido relaxar quando ele a avistou.
— Bella, onde esteve durante toda a noite? Receei que o lorde das trevas tenha te castigado de novo ou até que a tivesse matado – disse Rodolfo com voz apressada – mas então Narcisa disse que vocês desaparataram juntos ontem à noite, mas que somente ele retornou. E quando foi hoje de manhã, ele me lançou a maldição cruciatus quando perguntei sobre você – ele suspirou – Bella, o que aconteceu?
— Nada do que você entenderia. O Lorde das Trevas tinha uma missão pra mim que eu cumpri obedientemente e, honestamente, não entendo o motivo da preocupação. Eu sei me cuidar! – respondeu a bruxa visivelmente indignada.
— Sei que sabe, mas Narcisa disse-me que o Lorde das Trevas estava muito raivoso que até a torturou e depois você foi defendê-la, então ela disse que vocês saíram e eu comecei a pensar o pior.
— Milorde só impôs respeito à minha querida irmã porque ela insinuou que ele não é mais bem vindo aqui na mansão. – ela falou meio cansada – isso é coisa para se dizer ao bruxo mais poderoso e mais magnífico que já andou por este mundo?
— Mas e quanto a levar você? – perguntou o marido, ignorando a última frase da esposa.
— Ele precisava de... hum... alguns aconselhamentos e além do mais, ele tinha uma missão muito sigilosa pra mim que eu executei com excelência, mas eu só pude voltar agora de manhã. – respondeu já meio mal humorada – mas chega, Rodolfo, já estou bem, já cheguei e preciso descansar. – já virava para ir embora para o quarto quando escutou uma voz que deduzia ser de Rabicho:
— Não vai poder descansar, madame Lestrange — disse o bruxo que causava repugnância em Bellatrix – o Lorde das Trevas deseja vê-los. Mandou-me avisar que tem coisas urgentes a tratar conosco, por isso estou avisando a todos os comensais – explicou o bruxo.
— Quanto desta conversa você escutou? – perguntou Rodolfo preocupado já que qualquer coisa que Rabicho pudesse dizer, Voldemort poderia pensar que Rodolfo questionava suas ordens.
— Acabei de chegar. – respondeu o outro, mas Rodolfo não acreditou.
— Espero que tenha mesmo, para o seu próprio bem. – retrucou Rodolfo – vamos Bella, se existe algo que o Lorde das Trevas detesta é esperar!
Eles caminharam, os três, lado a lado até a sala em que normalmente as reuniões aconteciam. Todos já estavam lá o que significava que os três eram os únicos que faltavam para o grupo estar completo. Bellatrix e Rodolfo sentaram um ao lado do outro – dessa vez Voldemort não pediu que Bellatrix sentasse ao seu lado, só restando dois lugares no meio da mesa entre alguns comensais de pouca importância. Ela tentou olhar pra ele, mas ele parecia nem ter notado que ela tinha chegado. Estava falando rapidamente com Severo Snape que se encontrava no lugar que era dela de costume: ao lado direito dele.
Ela sentiu uma pontada de decepção, mas aquele, definitivamente, não era o momento de reivindicar o seu lugar. Será que ele não gostou da noite que passaram juntos? Ela se perguntou.
Minutos depois, a reunião começou, mas ela mal prestará atenção. Ficava se perguntando onde foi que errara. Entre um assunto e outro, ela escutava o nome de Harry Potter ou de Dumbledore, mas nada que a fizesse querer interromper a fala de seu mestre como sempre fazia. Horas depois, o que parecia uma eternidade pra ela, a reunião acabou, mas quando ela ia se levantando para ir embora, ela escutou aquela voz fria que ela sempre amou escutar:
— Se eu soubesse que ficaria ausente, eu não teria mandado Rabicho chamá-la. Não prestou atenção em uma palavra do que foi falado. – Voldemort falou enquanto a encarava pela primeira desde a noite passada.
— Milorde, não havia nada que eu pudesse acrescentar e por isso eu não disse nada como de costume, mas eu prestei atenção em tudo. – ela se defendeu.
— Mente! Vejo em seus olhos que não há verdade no que diz. – ele rebateu.
— Milorde, me perdoe, isso não voltará a acontecer...
— Espero que não, para o seu próprio bem. Agora saia, tenho assuntos a tratar com Severo.
Em uma reverência, ela saiu da sala. Rodolfo a esperava na porta, mas ela nem se deu ao trabalho de se dirigir a ele. Embora ela conhecesse muito bem o seu amo, no fundo ela esperava uma recepção mais calorosa, ainda mais depois daquela noite.
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