Notas iniciais
Se gostarem, comentem!

Duas noites se passaram e a única pessoa que ela tinha tornado a ver foi Rabicho. Parecia que fazia muito tempo desde a última conversa que ela teve com o lorde das trevas e seu eterno amor. Ela soube por sua irmã Narcisa que Voldemort havia saído em uma missão, mas que ainda não retornara, o que a deixou ainda mais aflita. Mas ele era o bruxo mais poderoso de todos os tempos, que mal poderia ter acontecido? Que mal que ele não pudesse combater com o mesmo mal? Ela refletiu, refletiu e refletiu sem perceber que neste meio tempo mais uma semana se passou.
Era noite, e quando já tinha se convencido de que talvez tivesse imaginado aquela conversa com o Lorde das Trevas, Rabicho, mais uma vez, entrou no quarto de um modo meio desengonçado e disse:


— A reunião começará em instantes, Milorde mandou não se atrasar. – desaparecendo antes que ela pudesse responder.


Num salto, ela se colocou de pé e começou a agitar a varinha, murmurrando feitiços para que o guardarroupa abrisse, tirasse sua melhor roupa e a trocasse enquanto um pente voava da cama e começava a pentear-lhe os cabelos ao mesmo tempo que um batom preto voava em direção a sua boca, deixando a bruxa o mais apresentável possível. Ela deu uma olhada rápida em seu reflexo no espelho e desceu correndo em direção a sala de reuniões.
Chegando ao local, ela diminuiu a velocidade e entrou caminhando lentamente, com um ar desconfiado enquanto todos os que estavam presentes a observavam. Tentando ignorar os olhares, ela vagou os olhos pela mesa em busca de algum lugar vazio para que pudesse se sentar, mal reparando que Voldemort acabava de se levantar e com um aceno da varinha conjuração uma cadeira ao seu lado direito.


— Lestrange, aqui ao meu lado. — chamou-a numa voz fria e distante.


Rapidamente, ela se apressou, ajoelhou aos pés dele, beijou suas vestes e respondeu:


— Milorde, que honra, obrigada.


— Agora sente-se!


Ela sentou.


—Meus caros amigos, comensais da morte. Dou início a esta reunião comunicando que Bellatrix voltará a fazer parte deste conselho, por isso sugiro que desfaçam estas caras assustadas.


— Milorde, ela falhou miseravelmente, quase fui morto por um auror por causa dela, ela não merece piedade. – disse um bruxo com o rosto sombrio que acabara de se levantar em um protesto.


— Avada Kedavra!


O bruxo caiu morto instantaneamente sob os olhares dos demais presentes.


— Mais alguém ousa a questionar as minhas decisões? – dizia enquanto olhava desafiadoramente para os comensais que nada faziam além de desviarem o olhar. – Ótimo, podemos prosseguir. Como eu dizia, Bellatrix voltará a fazer parte deste conselho, ela sempre foi-me muito útil, muito mais útil do que muitos de vocês. – suspirou – Nagini, vá comer em outro lugar! – com um aceno da varinha, deslocou o corpo do bruxo que acabara de matar para outro cômodo fazendo com que a cobra fosse pra lá também.


“Continuando, todos sabem que viajei para o norte a fim de estender a mão e conseguir maior apoio à minha causa. Lá encontrei muitos bruxos fáceis de convencer e todos estarão conosco quando a grande hora chegar. Agora, quero saber o que mais conseguiu descobrir, Severo.”


Um sujeito muito silencioso, que parecia estar distante durante toda a reunião começou a falar:


— Milorde, ainda não consegui descobrir a hora e a data da partida de Potter, estão sempre mudando os dias para evitar que a informação vaze, mas é certo que será no começo de agosto. Devo ter mais detalhes nos próximos dias.


— Excelente! Não deixe de me informar, já tenho um plano pra pegar o garoto, desta vez ele não me escapa! Avery, como foi o massacre dos trouxas do povoado de meu pai? – perguntou se virando para o bruxo.

A reunião continuou e nela foram discutidos importantes assuntos, mas Bellatriz não conseguiu participar. Primeiro porque não tinha nada a acrescentar já que ficou presa o tempo todo no quartinho, depois porque ainda era inacreditável estar tão perto dele e ao mesmo tempo tão distante. Ele não tinha lançado sequer um olhar pra ela desde que se sentara, tampouco pediu para que ele opinasse sobre alguma coisa. Mas por via das dúvidas, obrigou-se a ficar atenta a cada detalhe caso fosse pedida a sua opinião. Mas isso nunca aconteceu, e duas horas mais tardes a reunião acabou.


— Bom, meus amigos, voltaremos a nos reunir na próxima semana para discutirmos o que foi feito e para punir o que fracassaram. Por hoje basta, podem se retirar. Você fica, Bella. – disse quando ela começava a se levantar.


Ela se sentou e baixou a cabeça. E ele esperou que todos saíssem para se virar pra ela e olhá-la nos olhos:


— Você não falou nada, não gostou do que foi abordado ou simplesmente não prestou atenção? – perguntou a ela com frieza apesar de haver calor nos olhos dele.


— Na verdade, eu não tinha nadaa acrescentar. O senhor, meu lorde, falou todas as coisas que passaram pela cabeça. Aconselhou e completou cada palavra que eles diziam de um jeito que eu nunca poderia fazer melhor, e como não saí para nenhuma missão, eu não tinha nada a relatar. Não que eu esteja reclamando – acrescentou depressa quando ele se mexeu na cadeira – mas eu só não tinha nada mesmo para acrescentar, Milorde.

— Na próxima, se esforce mais. – retrucou como se não tivesse escutado nada do que ela tinha falado. – mas conte-me, Bella, como tem passado? Rabicho disse-me que mal toca na comida que lhe mando servir! Não sente fome ou se sente satisfeita com o que lhe mando servir?


— Meu lorde, não como por falta de apetite. Sinto-me muito ansiosa, e considero como parte do meu castigo sofrer estas restrições por ter falhado com o senhor. Thompson tinha razão – ela se referia ao bruxo que Voldemort matará horas atrás.


— O único que tem razão aqui sou eu, assim como sou o único que pode decidir por quais castigos meus servos terão. – acrescentou com frieza


— Desculpe, Milorde, prometo alimentar-me melhor.


— Com certeza vai! Ainda mais agora que preciso tanto de você aqui. – Falou em uma voz mais baixa agora enquanto observava o rosto de Bella corar – eu preciso mesmo. Preciso como nunca pensei que precisaria um dia, entende? Por isso preciso que você esteja bem o tempo todo.


Ela mal acreditava no que acabara de ouvir. Seu rosto agora ardia como fogo e seu coração batia tão forte que ela tinha certeza que Voldemort perceberia. Como ela o amava e como era bom ouvi-lo dizer que precisava dela.


— Farei o que o senhor mandar,milorde, me perdoe. Eu também preciso do senhor, servir o senhor faz com que eu me sinta viva. Suportei cada minuto em Azkaban porque sabia que um dia o senhor voltaria. Sobrevivi por você, meu amo.


— Como eu disse há alguns dias, não há comensal da morte mais leal que você, Bella, e você será recompensada por isso. Por hora, está liberada do castigo, mas não designarei nenhuma missão a você por enquanto. Preciso de você bem segura aqui. Preciso de você bem aqui... comigo. Agora vá. Tenho coisas a pensar.


— Milorde, o senhor é tão misericordioso. Obrigada. – ela se ajoelhou e beijou diversas vezes as vestes dele, mas ao se levantar, tentou segurar a ponta da mesa para obter apoio, mas ao invés de tocar em madeira, segurou a mão dele, mas logo a soltou. – me perdoe, milorde, não era minha intenção toca-lo...


— Vá!


Ela olhou pra ele meio desconcertada e percebeu que ele também estava um pouco constrangido. Sem falar mais nada, ela se levantou e se retirou para o quarto, repassando cada momento vivido com ele naquela sala. Só que ela não imaginava que deixara-o remoendo tudo aquilo também.

Notas finais
Esse foi meio grandinho...