Bella diferente
17 Tia Faye
Notas iniciais
P.O.V. Elijah.
Ela saiu da casa e veio na minha direção.
—Qual é maluco?
—Olá.
Ela usava uma maquiagem um tanto exagerada, batom vermelho, olhos com um leve preto esfumado.
—Quem é você? O que você quer?
—Eu sou Elijah Mikaelson. É um prazer conhecê-la.
Eu peguei a mão dela e dei-lhe um beijo.
—Você tá me paquerando?
—Apenas, me apresentando.
—Você é bem o tipo da Renesmee. Todo arrumadinho, mauricinho. Você veio atrás dela?
—Não.
—Tudo bem. Todos os caras vem atrás dela. Não precisa ficar com vergonha.
—Eu não tenho vergonha.
—Porque ta todo mundo se escondendo de você? Você é mafioso?!
—Não. Eu não sou mafioso.
—Mas, porque tá todo mundo se escondendo de você?
—Eu fiz muitas coisas ruins. No fim, acabamos ferindo aqueles que amamos quer queiramos ou não. É a nossa natureza.
Ela riu.
—Você é engraçado. Parece aqueles atores de novela mexicana. Oh, Lucrécia morreu, foi minha culpa. Eu queria que ela se acidentasse e caísse no rio e se afogasse.
Aquilo acabou me fazendo rir.
—O que é que você veio fazer nesse fim de mundo chamado Forks?
—Eu vim para proteger uma pessoa.
—Eu vim pra fugir. Fugir de um cara. Ele é obcecado e pirado.
—Um ex- namorado?
—Eu nunca namorei com ele. Mas, ele acha que eu sou afim dele, ele fez toda essa... fantasia doentia dentro da cabeça dele. Mesmo depois de eu ter dado o fora nele várias vezes e de ter dito que eu gosto de mulher, ele ficava me perseguindo.
—Gosta de mulher?
—Eu sou lésbica.
Disse ela rindo.
—Eu nunca...
—Nunca pensaria que eu sou. Ouço muito isso. Eu tenho uma namorada, Tessa. Nós moramos juntas á dois anos, queremos muito adotar um bebê ou fazer inseminação, sabe... começar uma família, mas com o maluco do Lee atrás de mim... não seria seguro, sabe pra criança.
—Eu entendo. Mas, não denunciou o rapaz para a polícia?
—Denunciei. Fiz até uma queixa. Ele invadiu a minha casa, tentou me agarrar, ficava falando que eu era dele, que fomos feitos um pro outro, que seríamos felizes juntos. Eu tive que esfaquear ele. Não tem nem um mês.
—Não está com calor? Está sol. Relativamente quente hoje.
—Eu até que to.
—Então, porque não tira essa jaqueta?
—Quer mesmo saber?
—Claro.
Ela respirou fundo e tirou a jaqueta. Eu vi os hematomas nos braços dela, marcas de constrição nos pulsos.
—Meu Deus!
—Eu disse que ele era doido.
—Esse Lee fez isso em você?
—Fez. Ele me agarrou, bateu na minha cara, me chamou de vadia e me amarrou. Disse que eu era dele, que ele me amava e eu tive que enrolar ele pra conseguir fugir. Eu entrei no carro e fui pra casa do lago. Liguei pra minha mãe, ela veio me ajudar e depois do acontecido, achamos melhor... eu sair da cidade. Como a minha mãe tem esses amigos aqui, eles concordaram em me acolher até a polícia pegar o Lee.
—E a sua namorada?
—Eu trouxe a Tessa comigo. Se acontecesse alguma coisa com ela por minha causa eu nunca iria me perdoar.
—Sei como é.
—Ai, as coisas que já fizemos não podem ser apagadas, mas sempre podemos tentar ser melhores. Nossos atos nos definem, um ato vale mais do que mil palavras.
Uma outra garota veio correndo.
—Amor. Ei amor, você tá louca? Não devia ter vindo aqui pra fora sozinha. Renesmee disse que ele é perigoso.
—Ele não parece perigoso pra mim.
—O Lee LaBeque também não.
—É. Acho que você tá certa. Tchau.
Ela parecia um tanto catatônica. Como se estivesse dopada ou entorpecida, a namorada que era uma mulher muito bonita, tinha uma pele cor de chocolate ao leite, olhos castanhos e cabelos negros ondulados, olhou feio pra mim e guiou sua amada de volta para a festa.
—Faye? Faye? Faye!
—Desculpe. Pensar no Lee ainda me deixa meio abalada. É como se o meu cérebro desligasse.
A gêmea de Hayley, Faye... começou a chorar. Eles desligaram a música.
—Eu não... eu não posso mais viver desse jeito. Sem conseguir... sair na rua sem olhar por cima do ombro. Sabendo que ele pode aparecer á qualquer momento, sair de... qualquer lugar.
Tessa a abraçava, tentando confortá-la. Hope veio tentar ajudar a tia.
—Eu só... queria não ter que tomar doses cavalares de remédios pra dormir.
—Tá tudo bem amor. A polícia vai pegar aquele desgraçado, você vai ver.
—Eu queria ter... revidado, mas eu não consegui. Eu congelei. Eu enfrentei os caçadores de bruxas que tentaram me queimar viva, mas não consegui me defender do meu vizinho/amigo de infância completamente humano.
—Tudo bem. Vai ficar tudo bem.
—Você não viu os olhos dele. Completamente louco, pirado, furioso.
—Eu te amo. Eu te amo Faye Chamberlain, você vai ficar bem, nós vamos ficar bem. Eu nunca vou deixar nada de ruim acontecer com você tá bem? Aquele desgraçado nunca mais vai encostar um dedo em você.
—Acho melhor, levar ela pra casa. Vamos pra casa Faye.
Ela estava tremendo. Completamente apavorada. Eu vou pegar esse Lee LaBeque e vou matá-lo. Ele vai morrer gritando. Eu falhei com Hayley, prometi que a protegeria, mas eu fracassei. Não vou fracassar com Faye e Cléo. Essas duas moças são a única ligação que minha sobrinha tem com a mãe.
—Aqui. Uma manta, talvez isso ajude ela a se acalmar.
A namorada, Tessa colocou a manta nas costas de Faye e teve que ampará-la até o carro. E Hope veio atrás.
—Vai ficar tudo bem tia Faye. Eu vou pedir ajuda pro Tio Elijah, pra tia Rebekah, pra todos os meus outros tios e nós vamos pegar esse homem que fez isso com você.
—Ei Cléo? Pode por favor dirigir para eu poder ir com a Faye no banco de trás?
—Claro.
—Parece que os ataques de pânico estão piorando.
—E os remédios? Não funcionam mais?
—Eu não sei. Temos que falar com o psiquiatra.
Depois que ela passou mal, a festa acabou. E Hope saiu por último, ela estava com o celular na mão, mas assim que me viu, o recolocou de volta na bolsa.
—Esteve aqui o tempo todo? Veio me vigiar?!
—Não. Eu só... queria ver as gêmeas. Eu tinha que vê-las.
—Porque?
—Eu falhei com a sua mãe. Eu prometi que a protegeria e... eu cheguei tarde demais. Eu encontrei o seu pai, abraçado ao corpo dela na igreja. Acho que aquela foi uma das poucas vezes em que vi o seu pai chorar.
—Não foi sua culpa tio Elijah. Você não assassinou ela. Foram as bruxas.

Fale com o autor