Belive In Your Subconscient!
1 Capítulo 1 - Love?
Notas iniciais
O sinal bateu. Todos (cansados de uma longa e cansativa jornada de duas aulas seguidas de como a Europa se desenvolvia no século 18) saíram rapidamente da sala. Apenas eu e o Chiaki-sensei ficamos, ele apagando o quadro e eu guardando meus materiais.
Saí de minha carteira lentamente, enrolando ao máximo para sair da sala. Queria ter mais aulas de história. Não por gostar da matéria (na verdade, história suportava uma das minhas piores notas), mas pelo... Sensei.
Eu estava vivendo uma discussão interna a cada passo que dava em direção a porta.
“Eu quero falar com ele!”
“E o que é que você vai dizer, idiota?”
“Sei lá, que tal ‘o clima está bom hoje’ ou ‘onde comprou essa pasta? ’”
“Aí que ele vai te achar um completo idiota, mesmo!”
“E você quer que eu diga o quê, ô gênio?”
“Responda você, eu sou você!”
Minha conversa com o subconsciente ia ficar para depois. O sensei estava vindo na minha direção. Entrei em pânico, mas mantive a calma por fora. Não sabia o que fazer. Não achei alternativa mais coerente do que dar as costas e sair, antes que dissesse alguma besteira. Porém, assim que me virei, o sensei disse:
–Makoto, tem um tempinho? Gostaria de conversar com você.
–Claro sensei. — Eu sou o melhor ator do mundo. pensei Devia entrar para o Clube de Teatro. Minha voz estava calma e controlada, o extremo contrário de como meu interior se sentia.
Nós nos dirigimos até a cantina. A maioria dos alunos já tinha ido embora, então estava quase deserta. Nos sentamos e ficamos em silêncio ate que o sensei falou:
–Makoto, estou preocupado com você.
O quê? Será que eu tinha ouvido direito? O sensei estava preocupado... Comigo? Não, eu devia ter entendido errado. Talvez ele estivesse se referindo as minhas notas. É, fechou, era isso mesmo.
–Não apenas com seu desempenho na minha matéria. — Ótimo, minha única hipótese tinha ido para o espaço — Tenho ouvido queixas sobre você de outros professores.
–Que tipo de queixas? — perguntei.
– Você não tem prestado atenção nas aulas, não copia a matéria do quadro... Sem contar que sempre que olho pra você, sinto que está em outro planeta... O que está acontecendo?
Eu queria explicar a ele que eu não me concentrava pois ficava pensando nele o tempo todo, que eu não copiava a matéria pois estava muito ocupado desenhando-o e escrevendo seu nome nas últimas folhas do caderno. Queria dizer isso, mas não disse.
– Eu não sei, sensei. Acho que é por causa do estresse. Tenho feito muita coisa ultimamente.
– Ah, é? — ele desviou o olhar e tomou um gole do café que pedira. Pousou o copo na mesa e me fixou com aqueles olhos castanhos caídos. Ficou óbvio que ele não tinha acreditado na minha desculpa — Se for pessoal tudo bem, você não precisa me contar. — seu olhar ganhou uma certa intensidade que fez meu coração acelerar — Mas saiba que você é realmente um ótimo garoto, Makoto. Se precisar conversar, me procure. — ele pôs a mão em meu ombro por um instante e saiu.
Para qualquer ser humano normal essa conversa pareceria simplesmente acadêmica. Um professor, se preocupando com o desemprenho de um aluno no colégio. Nada além disso.
Porém, para mim, foi muito importante. Só pelo fato de ele ter me notado (talvez não por um bom motivo, mas notou), ou por ele ter dedicado parte do seu tempo livre para me aconselhar, e ainda dizer que eu poderia, de certa forma, "contar" com ele... Isso me deixou... Feliz.
Tão feliz que me fez sorrir que nem um idiota, parado sozinho, no meio da cantina.
Eu sou um retardado afeminado mesmo. Pode dizer.
Mas é claro que eu não poderia desfrutar do meu mágico e gay momento de felicidade. É contra as leis do universo permitir tal acontecimento.
– MAKOTO-KUUUUN! — um peso se agarrou em meu braço. Respirei fundo.
– Hoshiro... — coloquei a mão no rosto. Eu falhara em tentar fugir dela hoje.
– Nya, Makoto-kun por que você não foi no portão como combinamos? Eu fiquei lá te esperando e...
Ela continuou tagarelando pendurada em meu braço, enquanto eu andava. Que garota irritante! Por que é que ela tinha que seguir justo a mim... Um caso perdido?
Não que eu seja um delinqüente ou algo assim. Eu sou bem normal até. Tenho cabelos pretos lisos. Meus olhos são verdes acinzentados. Eu sou baixinho e dizem que eu pareço um garoto de 15 anos, apesar de ter 17. As garotas adoram me taxar de “pequeno” e “fofinho”. Eu odeio isso.
A pior das garotas é a tal de Saemi Hoshiro. Ela é uma garota muito popular na escola. É a presidente do conselho estudantil e uma aluna exemplar. É muito bonita e inteligente, todos os garotos caem aos seus pés. É isso que eu não entendo, ela pode ter qualquer um e resolveu perseguir justo ao caso perdido aqui.
Aos seus olhos eu posso parecer um garoto normal, e é isso que eu quero. Mas a real razão de eu ser um caso perdido é que eu acho que...
Eu... Estou... Apaixonado.
E não teria problema nenhum nisso.
Se não fosse pelo meu professor de História.
Pausa dramática.
Não, você não leu errado. E eu não escrevi errado também. É “professor” mesmo, sem o “a” no final. Um homem. Pode parecer estranho, mas não foi uma escolha minha, tenha certeza.
Desde o início do ano, eu percebi que ele era especial. Não sei muito bem por que me senti atraído por ele. Talvez fosse por seu carisma quase inabalável, seu brilho nos olhos castanhos, sua voz muito agradável ou sua aparência tentadora para qualquer adolescente. Mas quando coloquei meus olhos nele, não tirei mais. Uma possível explicação para que história suporte uma de minhas piores notas. Minha atenção fica no lugar errado durante a aula.
Eu tento não pensar muito na questão do que os outros vão pensar sobre essa minha... Opção. Primeiramente porque não é como se eu gostasse de homens, em geral. Eu não me apaixonaria por qualquer outro cara. Eu só estou nessa situação porque é o sensei. É a pessoa maravilhosa dele que me atrai. Não acho que encontraria isso em outro homem.
E segundo porque esse sentimento é algo que guardo só para mim, nada do que os outros precisem saber. Nem o sensei.
Me surpreendi ao descobrir que, aos 27 anos, ele fosse solteiro. Corria um boato de que várias mulheres se declararam para ele, mas ele recusou-as. Todas elas. O estranho mesmo foi quando eu descobri que esse rumor começou quando eu entrei para aquele colégio, no primeiro ano. Eu não me permitia ter esperanças de correspondência por essa simples coincidência.
– Ma — ko — to — kuun! — Hoshiro parou na minha frente — Você tá me ouvindo?
– Foi mal, Hoshiro. Eu...-
– É Saemi! — ela fez um beicinho — Ninguém me chama pelo sobrenome!
– Saemi. — eu suspirei — Eu tenho um compromisso hoje, não posso sair com você.
–Ah. — ela pareceu desapontada — Tudo bem então, a gente marca outro dia! — sorriso.
– Hum... Vamos ver né... — eu disse, não querendo me envolver. Finalmente, chegamos aos portões.
– Até amanhã! — ela acenou e foi na direção oposta. Acenei de volta.
Todo dia é a mesma coisa: ela me convida para sair e eu a dispenso. Realmente não sei por que ela continua insistindo.
Ela não é bem o meu tipo, se é que me entende.
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Eu voltava para casa sem tirar a voz do sensei da cabeça. Meu rosto estava quente.
É claro que ele devia estar simplesmente cumprindo seu papel de professor. Mas e se, só por um momento, eu considerasse a hipótese de que ele realmente estava preocupado com o que acontece na minha vida? Seria maravilhoso...
E claro que foi só eu vacilar e meu subconciente resolveu alimentar o monstro da minha esperança.
“Qual é, é óbvio que ele se preocupa contigo!”
“Não é óbvio não! Ele poderia falar isso para qualquer um, e eu garanto que ninguém ia sair vermelho do jeito que estou...”
“Mas ele não falou para qualquer um, falou para você!”
“É, mas...”
Meu pensamento foi interrompido por um esbarrão que eu dei em alguém que atravessava o cruzamento. Eu tinha que largar esse hábito de me distrair com discussões com o meu subconsciente.
–Makoto? — disse a pessoa. Reconheci a voz do meu melhor amigo, Kohei.
Começamos a conversar e andar juntos, já que ele ia na mesma direção da minha casa.
–Parece que alguém está muito feliz hoje. — ele disse — Aconteceu alguma coisa?
– Nada de mais. — menti.
– Acha mesmo que você consegue mentir pra mim, Mako? — ele costuma me chamar assim, apesar de eu não gostar muito. Olhei para ele, que estava com um sorriso sádico no rosto. Eu fiquei levemente corado e desviei o olhar. Tinha certeza de que, se eu abrisse a boca, ele conseguiria contorcer minhas palavras até me fazer falar a verdade, então fiquei quieto.
– É alguma coisa com alguém... Especial, não é?
Hesitei. Eu realmente odiava o modo como ele conseguia ver qualquer coisa através de mim. Eu poderia construir uma parede de quilômetros de espessura entre nós e ele conseguiria facilmente quebrá-la, com um simples olhar.
– Eu sabia! — ele exclamou — Sou ninja, não falei? Manejo muito na arte de extrair informações. — ele deu um soco de leve em meu ombro, rindo. — E então, o que houve entre vocês?
Sinceramente, eu não via razão em mentir para Kohei. Claro minha secreta bissexualidade não entra como opção nas coisas que devo contar a ele, então omiti esse pequeno fato.
– Bom eu... Gosto de uma pessoa...
– Bonita? — me cutucou com o cotovelo e fez uma cara maliciosa. Revirei os olhos.
– É por isso que eu desisto de conversar com você.
– Ah, qual é, você sabe que eu estava brincando! — ele parou de rir — Eu vou ficar quieto, prometo. Você gosta de alguém, e então?
– Bem... Não foi nada de mais, mas... Hoje ela pareceu... Se preocupar comigo.
– Sério? Que legal! E você já contou a ela?
– Contei o que?
– Como você se sente!
– Mas é claro que não!
– E por quê?
– Ora, pois... — eu estava desconfortável. É Makoto pensei Por quê? — Ah, você não entenderia.
– Sei... Sou bem eu que não entendo...
– Cala a Boca, Kohei.
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