- Como assim? Ele esta bem?- falei nem deixando ele terminar de falar.

- Mais ou menos, mas o médico disse que ele é pra ficar no hospital por uma semana, ou seja, nada de viajar com você, ele precisa de repouso.

Eu escutei aquilo e meu mundo desabou, comecei a chorar desesperadamente. Como assim o único que me apoiou, não vai poder ver minha audição? Isso não era justo comigo, não era justo com ele.

Cheguei a pensar em desistir de tudo, mas pensei nele que me apoiou, eu iria cantar por ele. Fui até o hospital vê-lo.

- Vô...- disse baixinho, abrindo levemente a porta.

- Minha querida, desculpa teu velho vô.

- Ta tudo bem vô, não precisa se desculpar, não é culpa sua.

- Mas eu não vou poder te ver lá nas audições...

- Vou pedir para alguém filmar tudo, para o senhor ver depois.

- Ta bom, ainda bem que você está aqui, tenho uma surpresa...

- Para tudo, meu vô tem uma surpresa pra mim? – disse rindo.

Ele me entregou um bloco, era antigo.

— Esse era o caderno de canções do vô, sabia que meu sonho sempre foi ser cantor?

- Não acredito vô, como o senhor não me contou disso antes?

- Era um segredo, só meu irmão sabia, mas quando ele morreu, eu nunca mais cantei.

Eu fui lendo as músicas, e eram realmente boas.

- Essas músicas são realmente boas vô, já tem melodia?

- Não, por isso te entreguei, se você querer é claro.

- Eu vou amar vô.

Guardei o caderninho e fiquei vendo rindo com ele até tarde, e ficamos assistindo um filme na tv. Acabei adormecendo sentada na poltrona. Acordei toda doída na madrugada, levantei sem fazer muito barulho e saí para caminhar um pouco. Encontro um garoto, lindo por sinal, vagando pelos corredores do hospital, ele parecia muito triste, resolvi ir conversar com ele, talvez eu pudesse ajudar.

- Olá, desculpa incomodar, mas eu observei que você está triste, quer conversar?

- Não- disse friamente

- Ok, só queria ajudar- disse saindo, quando ele puxa meu braço, fazendo eu voltar.

- Desculpe, não estou num bom momento.

- Te entendo, meu nome é Fernanda, Fer- disse esticando o braço para cumprimenta-lo.

- Meu nome é Pedro, é um prazer te conhecer.

Aquele garoto era muito bonito, eu não conseguia parar de olhar para seu rosto. Ele tinha cabelo arrepiado, bem escuro, pele clara e olho azul, parecia o oceano em seus olhos. Ele tinha um sorriso tortinho, coisa mais fofa.

- Porque você está aqui no hospital Fer?

- Meu avô teve um probleminha, mas vai se recuperar, e você?

- Meu irmão mais velho sofreu um acidente, não sabem se ele vai sobreviver. – disse ele querendo chorar

- Sinto muito, mas continue forte, ele vai se recuperar.- disse tentando consolar

- Obrigado, mas não acredito muito, ele está muito mal- deixou uma lágrima escorrer pelo seu rosto lindo, fazendo realçar mais ainda seus olhos azuis.

- Acredite que sim, por acaso, você gosta de música? – pedi tentando fazer ele se sentir melhor

- Sim, eu tenho até uma banda, ou melhor tinha...

- Como assim tinha?

- Eu sou de Porto Alegre e estou a poucas semanas aqui, e lá eu tinha uma banda.

- Então quero pedir sua ajuda, me espera aqui? disse saindo

Fui buscar o caderninho de músicas do meu avô e meu violão.

-Pronto, voltei.

- O que é isso?

- Isso é um violão-disse rindo

- Eu sei, você entendeu.

- Meu avô me entregou isso, preciso criar melodias, me ajuda?

- Claro

Ficamos até amanhecer criando a melodia, esse garoto era realmente bom com melodias. Quando era 7:30 terminamos

- Agora eu vou lá cantar pra ele, muito obrigada pela ajuda, sem você eu não teria conseguido a tempo.

- Foi um prazer ajudar, e você leva jeito pra música, tem talento.

Nos despedimos e fui até o quarto do meu avô.

- Onde você estava, eu fiquei preocupado.

- Já acordado vô? Tá, mas agora quem tem uma surpresa pro senhor sou eu.

Cantei a música pra ele.

- Escolheu a música certa, querida- disse chorando.

- Como assim?

- Essa música eu escrevi quando meu irmão ficou doente, terminei ela e no outro dia ele se foi.

Fiquei sem saber o que falar, ele notou meu nervosismo.

- Calma querida, está tudo bem.

Meus pais entraram no quarto, deram um beijo no meu avô e falaram:

- Fer, vamos pra casa, você tem que arrumar suas coisas, pela tarde vamos sair- disse meu pai

- Já que você insiste nessa bobagem... – reclamou minha mãe.

- Pode parando por aí, ela tem um sonho, e vocês deviam apoiar esse sonho- meu vô me defendeu

- E pra vocês saberem, ela tem talento, é muito boa mesmo- ele fala e da uma piscada pra mim.

Eu retribui a piscada e um sorriso, e me despedi dele.

Cheguei em casa, terminei de arrumar minha mala e fomos.

(...)

Chegou o dia tão esperado... Meu sonho podia começar a se realizar, mas havia muita gente, muita mesmo.

- Filha, olha quanta gente, você não tem chance-minha mãe disse

- Obrigada pelo apoio mãe – respondi friamente.

(...)

- Fernanda, sua vez – disse uma voz grossa.

- Está pronta? – disse minha mãe

- Acho que sim.

Subo no palco, pego meu violão e começo a cantar... terminei a música e olhei para meus pais, eles me olhavam como se eu tivesse ido bem, eu olhei para os jurados e esperei meu “julgamento”.

Notas finais
comentem se gostarem e se não gostarem, aceito críticas, mas lembre-se : respeito gera respeito
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