Believe In Me

50 Capitulo 50 — Um ano depois


Notas iniciais
Hey gente! Primeiramente eu tenho que falar. EU AMO VOCÊS! Mano, muito obrigada pelos comentário, e responde a confusão de alguns: Não. Ainda não acabou. Esse é nosso penúltimo capitulo. Semana que vem virá nosso Epilogo e a despedida. Falarei mais sobre isso lá em baixo, agora, quero que tenham uma maravilhosa leitura. Segurem o coração!

Pov’Liam

— Acaba com ele!

Ofegante, ignorei o apelo das pessoas e excluí todas as vozes que cercavam o tatame. Olhei para meu adversário malignamente, sentindo o suor pingar minha testa e descer por minhas costas.

Trey era um sujeito grande, não maior que eu, mas o suficiente para colocar alguém contra o chão. Era obviamente mais velho que eu, e seu rosto já estava ferido depois de uma breve festa dos meus punhos na primeira rodada no ringue. Eu não ficava atrás, sentia o lábio inchado e olho latejando, as costelas nem se fala, no entanto não estava interessado em abaixara cabeça.

— E então pirralho? Vai continuar dançando? — Trey provocou, mas eu sabia que técnica era aquela. Fazer-me perder a calma para que eu ataque sem pensar e então, ele poderia me ter por debaixo de seus punhos.

Ouvi a multidão gritar com a provocação e sorri de lado, sabendo como isso afetava meus adversários.

— Eu sou pirralho? Quem aqui está optando por provocação para começar a briga? Eu ou você? Vovô — Assisti seu rosto duro banhar em vermelho e prendi um riso. Isso séria tão fácil.

— Vamos ver quem é o pirralho — murmurou, e como esperava, atacou. Seu golpe me atingiu no ombro, reagi chutando, atingindo meu adversário no quadril e o fazendo voar para cair de bunda. Trey rosnou, agachou e eu avancei.

Nossos corpos se entrelaçaram, batemos no chão e a luta começou. Trocamos alguns golpes de braços, rolando ao redor até que finalmente consegui-lo longe. Fui para ele, pensando nas palavras de treinamento de meu pai: Não ataque direto. Seja cauteloso. Blefe de primeira e só então, insira o golpe.

Fiz como ensinado. Dei intenção que o pegaria de frente, ele se aproveitou e saiu rolando para o lado, ficando fora do caminho para então tentar-me desiquilibrar com um chute. Foi em vão. Sai do caminho no último minuto e o peguei nas costelas, transferindo então uma chuva de golpes de kickboxer. Trey rosnou e se lançou para querendo justiça, mas eu estava pronto para a mudança. Fugi, abaixar e joguei o braço para alavancar o homem que me perdeu por centímetros.

Prensando ele contra o chão, o juiz contou e a sineta cantou.

— E vencedor é Liam Corey! O destruidor! — Soltei o cara e me ergui, respirando rápido e deixando que o homem com microfone erguesse meu braço. Aos meus pés Trey gemeu e praguejou maldições, fazendo-me sorrir.

— Destruidor! Destruidor! — O publico gritava, comemorando.

Olhei para o lado, e sorri ao encontra meu irmão com os braços cruzados e um sorriso orgulhoso no rosto. Ele sempre estava ali. Sempre.

Um toque em meu ombro fez-me olhar para trás, e quando peguei a visão daquele homem, eu tive de soltar um suspiro. Ethan Corey estava de pé outra vez, ao meu lado e segurando aquele enorme cinturão de ouro. O sorriso orgulhoso dele fez meu peito se inflamar em felicidade, e não por causa da luta ganha, mas sim pelo fato que ele estava ali, e vivo.

— Parabéns meu filho — Ele me abraçou, prendendo o cinturão em meu quadril.

— Obrigada pai. — Sussurrei, mas agradecia mais por ele estar aqui.

Ethan ficara internado por dois meses e sete dias. E quando saíra do coma, ficara mais dez em observação. Foi um grande inferno, mas quando acabou eu não podia fazer outra coisa a não ser agradecer por ter ele de volta.

—Vamos você precisa tomar um banho e se trocar. Amara nos espera para comemorar. — Sorri, e o segui para fora do tatame, me afastando das pessoas, principalmente mulheres, que tentavam ultrapassar os seguranças.

Michael pegou-me em um abraço quebra osso em frente ao vestiário. Chacoalhou meus cabelos como se ainda fosse uma criança.

— Mandou muito bem garoto. É assim que eu gosto— rolei os olhos.

—Como se fizesse melhor. — brinquei. Ele riu.

— Acabaria com você em dois segundos. Mas não quero matar Lilah do coração — Ele olhou por cima do ombro e sorriu para a mulher de cabelo azul no bar. Ela sorriu, acenando para mim e mandando beijos. Mick bufou — Eu deveria ficar nervoso com minha garota mandando beijos para você?

Sorri. — Todos sabem como ela se enganou terrivelmente de irmão. — Mick cerrou olhos para mim. Eu sabia que aquele olhar de advertência era uma brincadeira que fazíamos, mas sabia que em parte ele agia verdadeiramente.

— Fingirei que não disse isso.

— Como quiser irmão — ri. Dei tapinha no seu ombro, e com um pouco mais de provocação, acenei para Lilah um tchauzinho. Mick rosnou.

— Vou quebrar seus dedos pirralho. — Eu gargalhei e deixei que meu pai cuidasse do filho mais velho.

Eu estava mais do que satisfeito com meu relacionamento com Michael. Talvez eu devesse me arriscar dizendo que nunca estive tão perto do meu irmão, como estava agora. E devia isso a uma só pessoa.

Como sempre acontecia quando me encontrava sozinho, o sorriso em meu rosto sumiu, assim como todo bom humor. Tirando as luvas e o cinturão, me tranquei no vestiário reservado aos campeões, fiquei grato por não ter nenhum lutadores ainda. Estar sozinho era um pouco raro para mim depois que entrei para o clube da luta Mortal Fury. Era trabalho, treino, luta. Nada mais. A vida mais parecia uma rotina que uma diversão como antes.

Torcendo os braços, me livrei das bandagens e do short. Nu, caminhei para a frente do espelho, pronto para encontrar minha nova imagem: Em um ano eu ganhara peso e centímetros, media agora a mesma altura que Michael que era de 1,94 e pesava vinte quilos a mais. Meus braços e pernas estavam mais fortes e duros, o que me deu trabalho, pois mais nenhuma das minhas roupas cabia, fazendo-me ter que comprar novas. O cabelo antes curto bati acima dos ombros em uma bagunça que eu apreciava, mas que prendia quase todos os dias atrás da nuca.

Como diria minha mãe. Estava terrivelmente parecido com Michael, e nós dois parecidos com nosso pai. Enormes. No entanto havia uma coisa que eu tinha, que fazia nossa semelhança descer para o fundo do poço.

Meu rosto. As cicatrizes que tomavam todo lado direito do meu rosto deformava a bochecha e rachava a parte superior do meu lábio, dando a impressão que estivesse rosnando a maior parte do tempo. A queimadura era pior antes, sem duvidas nenhuma, mas depois da cirurgia que meus pais pagaram eu consegui ajeitar as coisas, conseguindo então aquele resultado. Poderia ser pior.

Mas além de deformar meu rosto, aquelas marcas traziam lembranças, ruins e boas. Lembranças que machucavam e que às vezes, eu desejava poder afastar. Infernos, se pudesse evitar dormir, evitaria isso também. Porque dormi era onde eu vivia o que não poderia ter na vida real. Na maioria das vezes era um sonho bom. Bom até demais, aliás.

O problema era acordar e perceber que tudo era imaginação e que minha marrentinha não estava deitada ao meu lado.

Meu quarto ficava frio, meu corpo tremia com a falta que Jodie fazia em minha vida. Naturalmente eu gostava de pensar nela deitada sobre meus lençóis, de imaginar o cheiro dela contra mim assim como nos meus pensamentos mais eróticos e profundos. Não havia tido uma ereção para nenhuma outra mulher que não fosse ela... As noites passaram ser o único momento que podia encontrá-la só para quando fosse de manhã, a frustração me corroesse por acordar mais duro que uma porta. Tinha sido difícil me acostumar estar sem o mau humor e sem seu olhar intimidante Houve dias em que eu implorei a Linnea e Carter que me passassem o endereço de Jodie, pois não conseguia mais ficar sem estar perto dela, mas nenhum deles cedeu alegando que eu me tranquilizasse, porque Jodie estava indo bem. Não recebia noticias, somente: Ela está bem. Isso me deixava mais louco.

As coisas melhoram quando meu pai saiu do coma de dois meses e sete dias. Acabei por prestar mais atenção nele do que em minha dor e saudade. E eu não era tolo, sabia que todos percebiam minha falta de vontade de viver. Principalmente meus amigos.

Lembrei então quando esses mesmo apareceram no hospital como nunca antes vi. As meninas com os olhos cheios de lágrimas, os garotos angustiados e tentando ao menos falar para mim ao me entregar à carta que Joshua havia lhes entregado depois do velório de Edgar. Todos sofreram com a partida repentina dela, e percebi que a mais afetada foi Harlow, pois a garota não derramou uma lágrima sequer, ficou rija e afastada de todos como se tivesse medo de se expressar.

Entendi o porquê assim que vi a forma acuada que a minha pequena pirralha estava. De todos no grupo, Harlow era a mais parecida com Jodie. Impulsiva, brigona e impertinente, era obvio que a garota se apegaria a Jodie e que agora se ressentia por ela ter ido embora sem ao menos se despedir. Percebi que ela não admitiria sentir falta da amiga nem tão cedo.

Suspirei, esfregando o rosto ante o cansaço. Entrei d’baixo do chuveiro e permiti que a água levasse o sangue das feridas em meu rosto. Fechei os olhos para as lembranças do rosto de Jodie, obriguei-me a terminar o banho rapidamente e vestir um moletom e uma regata. Ao terminar de pentear os cabelos e prende-los na nuca, peguei minha mochila e encarei meu mais novo cinturão.

Eu havia prometido esperar por Jodie, e da mesma forma que prometi isso, eu jurei me erguer e viver minha vida sem empecilhos, jurei ganhar cada cinturão e troféu por ela, para que quando essa voltasse eu pudesse mostrar que eu tinha cuidado de tudo. Eu só não conseguia me cansar de orar que ela estivesse bem e que voltasse logo.

~*~

— Pronto campeão?

Assustei-me quando meu pai descansou uma mão em meu ombro. Percebi só então que ele havia parado o carro e que já havíamos chegado a minha casa. Virei-me para a janela e suspirei, pensando em como queria ir direto para meu quarto e não sair mais de lá.

— Claro. — murmurei, e sem outra opção, sai do carro e segui Mick e Lilah para dentro. Segurando a mochila no ombro e o cinturão na mão, subi a varanda, notando de repente que a casa parecia muito silenciosa. Olhei para meu pai e ele tinha um sorriso de lado, assim como meu irmão e sua namorada. — Tem certeza que eles estão aqui?

— Sim. Vá em frente e abra a porta — Ele falou. Eu fiz careta, e passando por Mick e Lilah, abri a porta.

A sala estava vazia, assim como a cozinha e todo resto da casa. Nenhum ruído. Ciente que estava sendo seguido, deixei a mochila no meu quarto com o cinturão e desci para ir até o jardim. Foi quando me surpreendi totalmente.

— SURPRESA!

Meu coração deu um salto quando aquele bando de gazela gritou. Arregalei os olhos, olhando para a enorme mesa cheia de comida e o bolo com velinhas nas mãos da minha mãe, que tinha lágrimas nos olhos ao sorrir.

No bolo, as palavras: “Parabéns campeão” fora escrito. Na cerca, uma faixa de FELIZ ANIVERSÁRIO.

— Porra! — Esfreguei a cabeça meio perdido. Como esquecera no meu próprio aniversário de vinte anos?

Todos começaram cantar, me fazendo sorrir ao reconhecer cada rosto. Tentei disfarçar como meus olhos começaram a arder de uma forma não muito dura. Aproximei-me de minha mãe, que segurava o bolo com vinte velas.

— Faça um pedido Liam! — Sorri, quando Mitchie gritou de algum canto. Procurando-a olhei envolta, só para rir e acenar para Joshua, que a sustentava sobre seu joelho.

Voltei-me para o bolo e pensei no único pedido que sempre passava em minha cabeça e coração: Que ela volte para mim.

Assoprei as velas e sorri para enxurrada de aplausos que veio depois.

— Parabéns mano! — Arquejei quando Michelle pulou em meus ombros de repente, mas a sustentei rapidamente com um braço, rindo quando começou a distribuir beijos.

— Obrigada Mitchie. — Beijei-a na testa e alisei seu incrível cabelo ruivo. Minha irmã estava tão bonita.

— Venha meu filho, me dê um abraço — Coloquei Michelle no chão e sorri quando minha mãe tomou seu lugar, acariciando minhas costas. — Parabéns meu querido. Sou tão orgulhosa de você.

— Nós dois somos — Amara se afastou sorrindo, e quando meu pai apareceu, eu realmente tive que me esforçar para não parecer a porra de um menino chorão. — Feliz aniversário meu filho — Pisquei confuso quando ele ergueu uma chave, mas logo entendi do que se tratava ao reconhecer a chave da academia.

— Pai, o que...

— Ela é definitivamente sua agora. Pode fazer o que quiser com ela, incluindo reabri-la como sempre quis. É meu presente para você filho — Eu estava chocado. Ele nunca havia me permitido reabrir a academia, estar o fazendo agora me deixou fora de nexo.

Peguei as chaves que me oferecia e engoli em seco, pegando-o em um abraço forte.

— Obrigado pai. De verdade. — Ele esfregou minha cabeça e sorriu.

— Você merece lutador. — sorri.

— DA LICENÇA QUE A MELHOR AMIGA ESTÁ PASSANDO AGORA! — Ri quando meu pai fez careta por ser empurrado por Lizze, que apareceu com um sorriso de orelha a orelha para mim. — Garotão! Se você já é gostoso com vinte, espera chegar aos 40 — gargalhei, e com eterna satisfação, segurei a maluca em meus braços em um abraço.

— Doida.

— Somos.

— Lizze. Você não é a única na fila. Saí! — Eloise gritou quando foi arrancada dos meus braços e eu balancei a cabeça, olhando para a pirralha divertidamente.

— Nunca muda não é? — Harlow deu de ombros e sorriu, virando os olhos como se não se importasse. Abri os braços e a peguei com força.

— Parabéns seu idiota.

— Obrigada tampinha.

— Eu vou socar tanto sua cara...

— Ah, depois Harlow. É minha vez! — Stef empurrou a garota para o lado e sorriu para mim, beijando minha bochecha timidamente — Feliz aniversário Liam. E parabéns pela luta.

— Obrigada Stefany — A abracei também, me divertindo com a forma como ela ainda se envergonhava ao ficar ao meu lado. Quando olhei por cima do ombro, prendi os olhos de Jack, que parecia desconfortável com sua garota me abraçando.

Sorri.

— Jack está me secando — Sussurrei para ela. Pude sentir quando ela deu uma risadinha sem graça.

— Ele não gosta que eu fique perto de você. — Sorri, ainda encarando meu amigo, que já estava bufando com minha ousadia.

— Talvez eu brinque com ele então. — Stef riu mais a vontade ao meu lado.

— Sim. Talvez. Eu gosto de deixa-lo com ciúmes.

— Bom. Então venha sempre me procurar quando quiser.

—Pode deixar. Eu irei. — Ela se afastou de mim na mesma hora em que Jack falou, parecendo irritado.

— Existem mais amigos sabe. —Sorri, me virando para os garotos e deixando que Stef fosse. Jackson me fuzilou, e eu somente dei de ombros e cruzei os braços.

— Todas me amam. Você sabe — provoquei. Jackson praguejou.

— Filho da puta provocador. — Gargalhei, e não demorou em que os três garotos viessem até mim para me cumprimentarem e darem tapas em minha cabeça como grandes amigos idiotas.

— E então garoto. Onde está aquela belezinha? — Jonah esfregava as mãos ansiosamente — Mostre-nos — Ergui uma sobrancelha, sabendo bem que ele se referia ao cinturão. Procurei pelos olhos de meu irmão, que logo entendeu meu pedido.

— Estou indo pegá-lo. — E correu para dentro.

— É tão bonito quanto imaginávamos? — Jimmy perguntou ansiosamente. Eu apenas ri.

— Não seja idiota. — Harlow murmurou do seu lado e emburrada. Ele lhe mostrou o dedo do meio — Quanta maturidade Jaime.

— Foda-se Harlow. — grunhiu Jimmy. Harlow deu um suspiro como se tivesse decepcionada ao falar.

— Eu bem que queria, mas o carinha da boate teve um compromisso — Todos riram, menos Jimmy, que a fuzilou com faíscas de sua raiva saltando dos olhos.

Um toque meu braço chamou minha atenção eu sorri, quando olhei para o velhinho resmungão atrás de mim.

— Joshua. Que bom vê-lo aqui!

— Digo o mesmo meu jovem. Vim desejar minhas felicidades.

— Muito obrigada senhor Joshua. — Agradeci, e apertei sua mão — E como anda no asilo? Quem o trouxe? — A cara do velho fechou no mesmo instante e um bufado irritado saiu da sua boca.

— Ah, aquela porcaria continua a mesma. Lúcia continua me dando comida sem sal. — Sorri de lado para seus resmungos, mas ergui uma sobrancelha quando ele apontou a bengala para Jonah e Eloise — E eles. Adolescentes sem vergonha. Foram me buscar, não fazer aquela pouca vergonha no carro... Pobre diretora Ellie, com certeza sofreu um ataque do coração de tanta vergonha. — Lizze e Jonah começaram a corar e abaixar a cabeça, denunciando que realmente tinham feito algo.

Balancei a cabeça, tendo uma pista sobre o que fazia no carro.

— Perdão senhor Joshua. — Jonah falou, acuado — Mas nós pedimos para que esperassem dez minutos antes de abrir a porta — Risos soaram, mas Josh arregalou os olhos e ergueu a bengala. Minutos depois ela ia contra a cabeça de Jonah.

— Ora veja! Respeite-me rapaz insolente. Que coisa mais vergonhosa, espero conhecer sua mãe em breve. Acho que gostara de saber o que anda fazendo — E como uma criança, virou as costas e caminhou até a mesa, sentando ao lado da neta, que no mesmo instante sorriu.

— Ele não pode conhecer minha mãe — Jonah apavorou-se, com os olhos arregalados.

Eu ia dizer para ele que se Josh queria, Josh conseguia. Ele era um Jodie afinal de contas. Porém minha mãe nos chamou para juntar-se a mesa para comer.

Cruzamos o jardim até chegar a mesa e nos sentamos. Por um instante, eu permaneci quieto, apenas olhando-os interagir e conversarem entre si. Era fato que aquela família me fazia mais do que feliz, mas mesmo assim, eu sentia algo faltando, e esse algo podia estar lá fora enfrentando sozinha os seus piores medos. Às vezes me perguntava quanto mais tempo teria que esperar para revê-la.

— Liam!

O grito empolgado de Michael chamou atenção de todos, os calando. Quando meu irmão apareceu entre a porta de vidro, franzi o cenho para seu sorriso e a expressão feliz. Olhei em suas mãos a procura do cinto que tinha pedido, mas não o encontrei, pois ele segurava outra coisa ao invés.

— O que foi Mick? — Meu pai perguntou, sentado à ponta da mesa. A pergunta desencadeou mais uma gargalhada de Michael.

— Veja você mesmo. — falou, e estendeu um jornal ao pai. Minha mãe, que estava logo atrás dele, arregalou os olhos, assim como meu pai sorriu e começou a ler.

Manchete do dia: História de uma adolescente.

Existem muitas pessoas que dizem que para escrever bem, você tem que escrever sobre o que você sabe. Bem, então é isso que eu sei.

Eu estou com dezenove anos prestes a fazer vinte e nunca antes, me apaixonei por um cara. A maior parte da minha infância, eu passei dentro de uma casa trancada por meu pai. Permiti que ele me dominasse da pior forma, sendo forçada a ignorar pessoas que foram legais comigo só pelo simples fato de que sofria maus tratos de baixo do nariz de todos eles. Escondida dos outros, fui espancada e humilhada a cada dia da semana. Era uma vida de dor e solidão.

Fui obrigada pelo o homem que devia me amar, a deixar minha irmã, e a colocar amigos em um perigo que somente eu vou entender. Eu assisti a olho nu, minha mãe adoecer e deixar essa terra depois de uma vida de dor e lágrimas.

Foram dezessete anos sem ver minha irmã, dezessete anos sem poder saber como era seu rosto e desejando todos os dias que minha mãe estivesse viva para que me tirasse das garras de meu pai. Para os outros eu era apenas uma ameaça, a brigona maluca que não se podia mexer. Ninguém me suportava; Até ele chegar.

Foi no último colegial que aquele mauricinho entrou em minha sala de aula. Percebi ao olhá-lo, que tudo iria mudar. E estava certeza, pois o novato passou a ser minha sombra como nenhuma outra pessoa ousou ser. É embaraçoso dividir isso com o mundo, mas seria difícil explicar o que eu aprendi e como eu aprendi sem compartilhar essa historia humilhante.

Eu recebi uma tarefa, a primeira como repórter. Precisava ter uma história que chamasse atenção do publico, uma história que enquanto o publico lesse, todos ficassem chocados com o conteúdo e ao mesmo tempo interessados. Então foi ai que pensei: Por que não? Está na hora de erguer a cabeça.

No final, o que acabei descobrindo foi a mim mesma. Percebi ao pesquisar, que o mundo não mudou, mesmo depois de ter conseguido escapar do meu pai, mesmo depois de ter conseguido amigos de verdade e de ter reencontrado minha irmã e meu avô... O mundo ainda continuava incorreto, assim como eu.

Ainda tem um garoto imbecil que perturba a menina que está afim. Ainda tem as garotas frescas e as aquelas inimigas de colégio. Que mesmo quando crescem, ainda são as mulheres mais lindas e desejadas de todos. Existem aqueles meninos e meninas idiotas que se jogam da escada só para fazer você rir, e que para mim foram como uma família.

E tem aquele menino que faz a escola explodi em cores, o popular que chama a atenção das garotas; com sua confiança misteriosa faz com que o colégio não seja mais igual caso fosse embora. Ninguém seria a mesma coisa sem ele. Eu não seria coisa alguma sem ele. Mas o importante, é que ainda existe uma garota ou um garoto, sofrendo sobre os maus tratos do pai ou mãe.

Eu sofri muitos arrependimentos no colégio. Eu chorei, me cortei, sofri depressão, enfrentei os medos que meu pai implantou em minha cabeça. E de alguma forma, eu consegui me erguer. E agora, tenho de que carregar apenas um arrependimento.

Aquele novato. O que entrou em minha vida e revirou todo meu mundo, acabou por ser magoado por minha inevitável partida. Não tenho arrependimento de ter ido, mas sim por tê-lo deixado quando esse pediu que ficasse. E embora esse artigo não sirva de muita coisa, eu sinto que em algum lugar ele irá ler. Nem que pare por um instante, eu quero que saiba que eu sinto muito. E que eu finalmente me encontrei. Estou pronta, e em breve estarei cumprindo a minha promessa.

Então, como final desse artigo, eu lhe garanto novato. Eu estou voltando. E dessa vez será sem duvidas de que te amo.

Por Elizabeth Jodie.

Aluna de jornalismo da Universidade de Phoexis.

— É minha irmã! — Michelle choramingou ao lado do avô, pulando em sua cadeira. Eu não conseguia me mover, meus ossos pareciam congelados enquanto todos os outros falavam sem parar. Não sabia se aquilo era um sonho como todos os outros, tinha medo me mexer e acordar suado e tremulo com sempre acontecia.

Olhei para todos, encontrando os olhos do meu pai, que sorria para minha reação paralisada, assim como Mick, que prendia o sorriso atrás da mão.

— Ela está em Phoexis! — Jack tinha os olhos brilhando, olhando para mim.

— Me deixe ver isso — Harlow tomou o jornal da mão de meu pai, fazendo com que todos se colocassem atrás dela, vendo por cima de sue ombro.

— Caralho! — Tremi com a voz espantada de Jonah. — É ela mesmo, mas...

— Mas o que? Eu quero ver! — Michelle se colocou no meio da visão de Harlow e sorriu, olhando o jornal — Oh, minha irmã. — Tinha lágrimas nos olhos quando correu ao seu avô — Olhe Vovô. É ela! — Joshua pegou o jornal e olhou, e eu fiquei surpreso que até mesmo ele demonstrou surpresa ao olhar o artigo. Eu já estava ficando ofegante.

— Sim. É! — Ele sorriu, admirado. Foi a gota d’água. Me levantei, fazendo a cadeira arrastar e cair na grama. Arranquei o jornal das mãos de Josh e perdi totalmente minha cabeça.

Em meio artigo, havia uma foto de Jodie. Mas ela não parecia a minha Jodie. Era como se eu estivesse me apaixonando de novo. O sorriso que ela oferecia a imagem me fez querer beijá-la. Era um sorriso sem barreiras, um cheio de segurança e toda petulância que eu sabia que minha garota tinha. A maquiagem escura havia partido, e agora apenas uma sombra clara ficará, dando oportunidade para seus olhos brilharem quase mais que seu sorriso. Os cabelos estavam mais curtos, caiam lisos acima dos ombros.

Tarde até demais, percebi o que ela havia escrito no final do artigo: Eu estou voltando. E dessa vez será sem duvidas de que te amo.

— Ela me ama — O sorriso veio quase que imediatamente, meu coração martelando com alegria ao ter a certeza mais doce todas. E com certeza o maior presente que ganhará no meu aniversário.

Jodie estava voltando. Estava voltando para mim.

~*~

Notas finais
E fim! O que acharam? Estão ansiosos para o Epilogo? Bem, eu estou, mas antes quero esclarecer umas coisas. Primeiro. Esse é o penúltimo cap. semana que vem o resto da bomba, e queria, se conseguir, postar o link da nova fic: O nome já está garantido, que é Rud Girl. Porém ainda não estou satisfeita com o tanto de cap. prontos. Optei então por deixar Believe in me aberta, para que quando Rud Gilr estiver pronta, eu possa anunciar aqui para vcs. Seria mais fácil. O que acham? Me digam okay, estamos no final, e preciso de incentivos. Obrigada por tudo, e até semana que vem meu povo lindo.