Amélia e Hermione se encararam de novo. Fazia mais de meia hora que estavam ali, esperando Harry e Rony, já preocupadas.

Dino e Neville tinham contado o que havia acontecido, Simas fechou a cara e subiu. Jorge, Fred e Lino apareceram alguns segundo depois das garotas, mas os dois últimos voltaram a dormir, já Jorge sentou ao lado de Amélia e ficou por ali tentando acalmar a namorada.

Quando o retrato da Mulher Gorda se abriu, todos, sem exceção, ficaram em pé, mas quando viram que era a Profa. McGonagall, sentaram novamente.

— Sr. Weasley — falou ela para Jorge e ele a olhou assustado, apertando forte a mão da namorada -, vá chamar seu irmão. E Srta. Belmont, chame a garota Weasley.

Jorge olhou para Amélia e ela concordou com a cabeça, tentando transmitir para ele uma calma que ela não sentia. Correram escada acima e voltaram com os dois um tempinho depois, e quando todos os Weasley saíram, a sala caiu em um silêncio palpável. Amélia acabou dormindo no sofá do Salão Comunal com Hermione para esperá-los, mas quando acordaram encontraram apenas um bilhete da Profa. Minerva, as convocando para sua sala.

— Nos chamou, professora? — perguntou Hermione com a cabeça para dentro.

— Sim, entrem.

As duas garotas entraram com expressões assustadas que só piorou quando encontraram não só a professora na sala, mas também o diretor da escola. A coisa havia sido realmente séria.

— Os Weasley e Harry estão bem — disse a professora, como se lesse pensamentos. — Estão seguros na Ordem junto a Sra. Weasley e Sirius.

Obviamente, Amélia se assustou ainda mais. Tudo bem que ela acreditava na inocência do homem, mas não cogitou a possibilidade, mesmo que agora lhe parecesse até óbvio, que eles soubessem sua localização ou que mandavam adolescentes para ficar com ele.

— Tenho certeza que a Srta. Granger não vai se importar de lhe explicar sobre tudo — disse o Prof. Dumbledore, como se também pudesse ler pensamentos.

— Não me importo — Hermione respondeu rápido e sorrindo para a amiga.

Dumbledore as liberou depois disso e as duas foram para a biblioteca, com o intuito de ficar num lugar afastado para poderem conversar. Mas, assim que entraram, encontraram uma Lisa e um Benjamin olhando para a porta — com certeza esperando a amiga — e um Caleb sentado, de cabeça abaixada, escrevendo alguma coisa.

— Olá, como você está? Nunca nos vimos, não é mesmo? Meu nome é Benjamin e o seu? — falou ele depois de Amélia abraçar Lisa e ir na sua direção.

— Deixe de ser dramático — Amélia lhe deu um tapa da cabeça — sei que você está louco para saber de mim e do Jorge.

— Você me conhece tão bem, gatinha.

Amélia e Hermione acabaram passando a manhã toda conversando com eles e só pararam para conversar sobre o que os professores contaram depois do almoço.

— Vai, me diz, o que é essa tal Ordem? — Amélia perguntou quando sentaram na sombra de uma árvore.

— É um grupo secreto, — Hermione começou, muito séria — formado por Dumbledore, que o principal objetivo é destruir Voldemort. Como se fossem o contrário dos Comensais da Morte, sabe? Houveram duas Ordens da Fênix, a primeira durou até a "morte" de Voldemort. E a que foi formada depois de Harry viu Voldemort voltar. A sede da atual Ordem é a casa de Sirius, cedida por ele.

— Espera, é tipo uma AD só que maior e mais importante?

— Tipo isso.

— Ah, acho que entendi — Amélia falou e ficaram em silêncio, olhando para o lago. — Como será que o Sr. Weasley está?

— Acho que está melhor, se tivesse acontecido algo ruim já estaríamos sabendo.

— Eu posso perguntar mais uma coisa? — Belmont olhou para a amiga que concordou com a cabeça. — Qual a história de Sirius e Harry? Quer dizer, eu acredito em Harry quando ele diz sobre a inocência de Sirius e etc, mas o que sei são apenas boatos.

Hermione puxou o ar com força, fazia tempo desde o terceiro ano e de todos os acontecimentos envolvendo Sirius, mas ela contou para a amiga tudo, até mesmo sobre o vira-tempo. E ali, naquele momento, Amélia percebeu que tinha a confiança dela e que o trio havia deixado de ser trio para ser um quarteto.

Quando a história chegou ao fim, as duas voltaram a ficar em silêncio até Hermione quebrá-lo.

— Eu sou péssima em esquiar.

Amélia a olhou sem entender nada, mas a amiga ainda olhava para o lago.

— Você vai ter as férias toda para aprender. Não sou muito boa, mas posso tentar te ensinar.

— Você até pode ser inteligente, mas é muito lerda — Amélia a olhou assustada, pronta para se defender, quando ela continuou. — Vou falar para os meus pais que decidimos ficar para estudar, pois precisamos nos dedicar mais aos estudos já que os exames finais estão chegando.

— Mas eu não quero ficar aqui. Amo Hogwarts, mas não aguento ficar nesse lugar nem mais um segundo por causa da Umbridge.

— Por Merlin, Amélia! Nós não vamos ficar, vamos para a Ordem, onde estão os Weasley e Harry.

Quando Amélia enfim entendeu seu plano, sorriu de uma orelha a outra. Poder passar o natal com Jorge era uma sensação maravilhosa.

— Vamos subir, temos uma carta para escrever.

Correram em direção ao dormitório e escreveram uma pequena carta para os pais de Mione, e então correram para o Corujal, despacharam Gabe, coruja de Amélia, com a carta e no meio do caminho de volta passaram pela porta da sala da Umbridge e a ouviram conversando, quase aos berros, com alguém.

— Não vejo razão para a saída do Potter, já que o Sr. Weasley não é nada do garoto.

— Como já lhe falei, Dolores, Potter é um grande amigo da família e ficou muito preocupado com a situação do mais velho, ele é como um pai para o garoto — ouviram a voz de Dumbledore e as garotas se encaram, parando para ouvir.

— Eu ainda não compreendo o motivo dele não poder esperar o ano acabar.

— Me desculpe, Dolores, mas sinto que isso não está na sua alçada, ainda tenho poder de liberar ou não meus alunos. Agora sugiro que conversemos mais tarde, tenho alguns assuntos a tratar.

Então a porta se abriu do nada e tanto Amélia como Hermione levaram um susto ao ver Dumbledore sorrir para elas.

— Boa tarde, senhoritas!

— Boa tarde, diretor!

— Suponho que queiram saber de seus amigos e do Sr. Weasley — concordaram com a cabeça, envergonhadas e esperando o diretor reclamar com elas. — Eles estão bem e Arthur já está fora de perigo, mas ainda está internado.

— Obrigada, Prof. Dumbledore — responderam juntas.

Já estavam chegando no final do corredor quando Mione virou para trás.

— Professor, será que o senhor pode contar um segredo a Amélia?

Com um aceno de sua varinha e um sorriso de quem estava apenas esperando que ela pedisse, Dumbledore levitou um pedaço de pergaminho até Amélia.

— Sugiro que queime-o depois de decorá-lo.

— Sim, senhor.

Quando chegaram no dormitório, Hermione foi tomar banho enquanto Amélia lia o pergaminho onde havia em uma caligrafia fina:

A sede da Ordem da Fênix encontra-se no largo Grimmauld, número doze, Londres.

A garota leu algumas vezes até ter certeza que tinha decorado e então usou a varinha para queimar o papel como o professor disse para fazer.

— E aí? Decorou? — perguntou Hermione enquanto indo até seu malão,

— Sim, e já queimei também.

— Certo.

Amélia e Hermione estavam arrumando seus malões, conversando sobre coisas aleatórias quando Lisa entrou no quarto e, sem falar nada, ocupou o espaço vazio na cama da melhor amiga.

— Você não tem cama não, garota? — Amélia perguntou, voltando a arrumar seu malão.

— Ter, eu tenho, mas a sua é mais confortável — falou ela, virando para Amélia e Hermione. — Você vai para casa? Achei que seus pais fossem visitar Alex e a tia-avó dele.

— E vão, vou passar o natal com Mione.

— É, vamos esquiar.

Amélia e Mione se entreolharam e sorriram uma para a outra.

— Entendi, você está me trocando por essa dai, tudo bem, eu posso superar — Lisa levantou fingindo chorar e andou até a porta, mas, rindo, Amélia pulou nas costas da garota antes que ela pudesse sair, acabaram caindo no chão. Gabe chegou nesse momento e levou a resposta dos pais de Mione para ela, que sorriu para Amélia.

— Tudo certo.

As amigas arrumaram os malões, Hermione dando ordens e separando as tarefas, Amélia revirando os olhos e fazendo piada sobre tudo, enquanto Lisa fazia corpo mole e dava apoio moral. A última acabou dividindo a cama com Amélia, já que decidiu dormir lá também.

Na manhã do dia seguinte, as três dividiram uma cabine no trem de volta com Caleb e Benjamin e passaram a viagem toda conversando e rindo até a barriga e as bochechas doerem.

Assim que chegaram na estação viram Tonks, uma velha integrante da família Belmont e amiga de Hermione, esperando para acompanhá-las no Nôitibus Andante até a sede da Ordem da Fênix.

Quando chegaram, por volta das seis horas, um quadro de uma mulher -que logo Amélia descobriu ser a Sra. Black, mãe do Sirius- começou a gritar. Jorge e Fred estavam começando a subir as escadas e mesmo de longe Amélia conseguiu diferenciar os dois e pulou nas costas do namorado.

— Surpresa — tentou gritar mais alto do que a mulher do quadro.

— Não acredito que você está aqui — Jorge falou depois de lhe dar um beijo, ele só parou porque Fred fez um barulho com a boca como se fosse vomitar.

Enquanto Amélia ia até seu outro gêmeo favorito, respondeu:

— Fiquei preocupada com seu pai e com vocês. E Hermione não sabe esquiar, mas não contem para ninguém, aposto que o Rony vai rir dela.

— Fred, querido, será que você pode vir me ajudar com esses pratos? — gritou uma voz do que Amélia imaginou ser a cozinha.

— Qual é mãe, estou recebendo a visita.

Amélia bateu em seu ombro e puxou os dois para a cozinha, resmungando sobre ser errado negar um favor a própria mãe.

— Aqui estão os dois para ajudar, Sra. Weasley.

Uma senhora baixinha e gorducha olhou para a garota, depois para os filhos e então para a mão de Amélia e de Jorge que estavam entrelaçadas só para sorrir e ir ao encontro da nora. A essa altura Amélia já estava mais vermelha que os cabelos dos Weasley.

— Então você é a famosa Amélia? — falou ela depois que soltou a garota de um abraço muito apertado, mas confortável. — Jorge me falou muito bem de você.

— Molly, você está fazendo a menina ficar envergonhada.

Amélia virou na direção da voz e sua respiração falhou. Por mais que acreditasse que ele era inocente, era impossível não se assustar com a sua presença, principalmente quando não havia percebido antes.

— Sr. Black... — começou, mas foi interrompida por ele.

— Só Sirius, ser chamado de Black me lembra a família horrível que eu pertenço.

— Me desculpe — falou rápido e ele riu.

— Você não está com medo de mim, está?

— Não, mas ainda assim é estranho. Estou na frente de um dos homens mais procurados tanto do mundo trouxa como bruxo. Acho que quero um autografo.

Ele riu, riu de verdade.

— Gostei da sua namorada, Jorge.

— Isso mesmo, minha namorada.

Ele falou e colocou o seu braço sobre os ombros da namorada de modo possessivo, e todos riram dele.

— Vamos subir — falou Fred -, talvez Hermione tenha conseguido levar o Harry pro quarto.

— Como assim?

E enquanto iam para o quarto, os gêmeos explicaram o que tinha acontecido no hospital e como Harry parecia estar desesperado, se isolando de tudo e todos. Quando os três entraram no quarto, Gina, Rony e Hermione estavam sentados em uma das camas olhando para Harry, que andava de um lado para outro.

— Oi, Rony, Gina e Harry — Amélia os cumprimentou, sentando na outra cama com Jorge e Fred de cada lado.

— Oi, Amélia — responderam Rony e Gina ao mesmo tempo, mas Harry continuou a andar de um lado para o outro.

— O que estamos fazendo?

— Estava mostrando ao Harry que ele não está sendo possuído por Você-Sabe-Quem — Gina disse com simplicidade.

Ouviram Sirius cantando, feliz: "Deus lhes dê a paz, alegres hipogrifos", a plenos pulmões o resto do dia, ele parecia ter resolvido que todos deviam se alegrar tanto quanto ele enquanto trabalhava sem descanso nos preparativos para o Dia de Natal, limpando e decorando a casa com a ajuda de todos, de modo que, quando finalmente foram deitar na véspera do Natal, a casa estava quase irreconhecível. Os lustres oxidados não tinham mais teias de aranha, mas guirlandas de azevinho e serpentinas douradas e prateadas; neve mágica brilhava em montes sobre os tapetes gastos; uma grande árvore de Natal obtida por um tal de Mundungo, e decorada com fadinhas vivas, ocultava a árvore genealógica da família de Sirius, e até as cabeças empalhadas de elfos na parede do corredor usavam gorros e barbas de Papai Noel.

Amélia acordou na manhã de Natal e encontrou uma pilha de presentes ao pé da cama, Hermione já estava abrindo a segunda metade de uma pilha bem maior e Gina estava sentada em sua cama, meio dormindo, meio acordada.

— Feliz Natal — falaram as duas juntas e Amélia se perguntou se Gina sabia o que estava fazendo.

— Feliz Natal, meninas.

O primeiro presente que abriu era dos seus pais, um colar com o pingente de coração, quando o abriu viu uma foto dos dois de um lado e uma foto dos três do outro, não perdeu tempo e o colocou no pescoço. O segundo foi de Hermione e era um gorro muito mais bonito do que ela fazia para os elfos do castelo.

— Esse eu comprei, quando eu coloquei meus olhos nele só lembrei-me de você.

Amélia levantou e a abraçou:

— Obrigado, Mione, eu adorei.

O terceiro era da Sra. Weasley e Gina, as duas tinham lhe dado um suéter azul bebê e vários doces. O quarto era de Lisa e Benjamin, os dois lhe deram um belo estojo de couro preto com dizeres em letras prateadas que dizem "Estojo para Manutenção de Vassouras". Como o próprio nome já diz, o estojo incluia diversos materiais para a manutenção de vassouras, tais como polidor de cabos, tesoura de prata para aparar cerdas, bússola para longas viagens e manual de como realizar a manutenção de uma vassoura, e vinha também um bilhete.

"Feliz natal, queremos saber de tudo quando você voltar. Lisa e Benjamin."

— Eu dei um igual ao Harry no nosso terceiro ano — falou Hermione, já sentada ao lado da amiga, vendo-a abrir os presentes. — Não sei se ele ainda tem.

— Isso é demais.

— E eu adorei o livro — ela falou mostrando o livro trouxa que Amélia havia lhe dado -, sempre quis um livro que contasse as histórias de todas as princesas trouxas.

— Não há de que.

O quinto era de Fred e na caixa não havia nada além de um bilhete.

"Entrego-lhe quando você descer, primeiro abra o resto dos presentes. XxxX"

— Até eu fiquei curiosa agora — falou Gina que abria seus presentes e tinha na mão uma pulseira que Amélia havia lhe dado. — E eu adorei seu presente, é demais. Obrigada.

Amélia riu antes de responder:

— Também adorei o seu, obrigada.

Rony tinham lhe dado doces também. E havia tantos outros presentes que Amélia demorou para abrir todos.

— Jorge não me deu nada — falou para as meninas, já se levantando. Harry também não havia lhe dado, a garota reparou, mas resolveu deixar para lá mesmo que sua barriga embrulhasse com aquilo.

— Talvez ele tenha esquecido — falou Gina e Amélia a olhou horrorizada.

— Fred se lembrou de me dar alguma coisa, até mesmo um bilhete e o Jorge não?

— Talvez ele queira lhe fazer uma surpresa — disse Hermione. — Já que vocês ainda vão se arrumar, eu vou descendo, estou morrendo de fome.

Amélia e Gina se trocaram e quando estavam saindo foram paradas pelos gêmeos.

— Você está com fome, Gina? — perguntou Fred a irmã e, sem esperar resposta, puxou-a escada abaixo.

— Fred com certeza não sabe o que significa descrição — falou Jorge rindo, mas Amélia mostrou apenas um sorriso forçado.

Ela estava confusa, não sabia como se sentia ou o que pensar. Nunca foi do tipo que cobrava presentes, apesar de adorar recebe-los, mas havia realmente ficado magoada, talvez pelo esquecimento do namorado. Ou por não parar de pensar que, além dele, outra pessoa havia esquecido dela.

— Eu também estou com fome. Se quiser ser direto, eu agradeço.

— Você está brava?

— Não, não estou — falou, cruzando os braços.

Mas antes que a garota pudesse falar mais alguma coisa, Jorge a puxou e colou seus lábios em um beijo rápido. Quando se separaram, a garota tinha um sorriso no rosto, talvez fosse melhor não perder tempo com aquilo.

— O Fred levou a Gina embora porque eu precisava lhe entregar uma coisa…

Ele não continuou, na verdade, nem precisava, os olhos de Amélia brilhavam de curiosidades.

— O que é? Eu posso viver sem presentes, mas é sempre bom ganhar alguma coisa.

Ele riu antes de falar: — Está lá no quarto, mas você não pode ir, o presente que Fred vai lhe dar está lá e ele me fez prometer não contar ou nem mostrar.

— Vocês dois são tãaao malvados.

Ele riu e lhe deu um selinho, correu até o quarto e voltou um tempo depois com um embrulho.

— É para dar sorte — e entregou.

Amélia abriu com toda velocidade que tinha, o que resultou no embrulho todo rasgado. Encontrou um bastão de Quadribol, ele era listrado nas cores da Grifinória e havia espalhado por todo ele o seu nome em um tom dourado que refletia a luz.

— Jorge, eu... — olhou para ele e, como não tinha palavras, o beijou como forma de agradecimento.

— Acho que vou lhe dar alguns outros presentes — ele falou, com a testa colada na de Amélia.

— Idiota — a garota lhe deu um soco fraco no ombro.

Quando chegaram à cozinha, depois de Amélia colocar cuidadosamente seu presente na cama, todos já estavam sentados na mesa, prontos para comer.

— Chegaram os atrasados — falou Sirius, lançando ao casal um olhar malicioso. Amélia corou e escondeu a cabeça no peito de Jorge, que riu.

— Eu estava dando o presente dela — respondeu ele e Amélia pode sentir a malícia na sua voz.

— Jorge! — a garota e a Sra. Weasley falaram ao mesmo tempo. Todos ao redor riram.

Quando Amélia terminou de comer, ainda envergonhada, Fred a puxou escada acima enquanto escutavam Sirius falar que aquele era o gêmeo errado e depois ele reclamando com alguém, provavelmente Jorge.

— Você vai me dar meu presente, por que eu estou curiosa. Isso deveria ser proibido sabia? Vocês um dia ainda vão me matar de…

— Alguém, alguma vez, já te disse que você fala demais?

— Eu digo sempre que posso — falou Jorge, surgindo do nada e a abraçando por trás. Amélia aproveitou que estavam perto um do outro para bater no ombro dos dois que riam.

— Certo – falou Fred quando parou de rir -, você não pode pirar, tudo bem? E a ideia foi do seu namorado, mas fui que a executei, por isso ele também merece agradecimentos, mas se quiser, pode agradecer só para ele, não quero ser agarrado.

Ele levou um tapa na cabeça do irmão e a garota riu. E então um latido veio de dentro do quarto e Amélia teve que se segurar para não gritar. Fred abriu a porta e eles puderam olhar um Spitz Alemão os encarando de volta com o rabo balançando de um lado para o outro numa velocidade descomunal.

O trio ficou ali por alguns minutos, Amélia brincando com seu novo companheiro enquanto os dois irmãos ficavam a olhando brincar com o cachorro, discutindo o nome que iriam dar colocar no animal.

— Que tal Lucky? — perguntou Jorge.

— Eu gostei, na verdade, amei.

— Eu também – Fred concordou.

Quando decidiram descer novamente, encontraram todos programando visitar mais uma vez o Sr. Weasley, acompanhados por Olho-Tonto e o Prof. Lupin. O tal Mundungo apareceu em tempo de provar o pudim de Natal e a sobremesa, enquanto todos brincavam com o pequeno Lucky, tendo conseguido pedir um carro "emprestado" para a ocasião, pois o metrô não funcionava no dia de Natal. O carro, que Amélia duvidava muito que tivesse sido obtido com o consentimento do dono, fora ampliado por dentro com um feitiço. Embora externamente tivesse tamanho normal, dez pessoas, fora Mundungo no lugar do motorista, podiam se acomodar com conforto dentro dele. A Sra. Weasley hesitou antes de entrar, mas, finalmente, o frio que fazia na rua e as súplicas dos filhos venceram, e ela se sentou de boa vontade no banco traseiro, entre Fred e Gui — que Amélia ficara surpreso em como era incrivelmente lindo.

A viagem até o St. Mungus foi muito rápida porque quase não havia tráfego nas ruas. Um punhadinho de bruxas e bruxos andava furtivamente pela rua, de outro modo deserta, a caminho do hospital. Todos desceram do carro, e Mundungo virou a esquina para aguardá-los. Foram displicentemente até a vitrine onde havia o manequim vestido de náilon verde, então, um a um, atravessaram o vidro.

A recepção havia mudado da última vez que Amélia estivera ali, assumira um ar agradavelmente festivo: os globos de cristal que iluminavam o St. Mungus haviam sido coloridos de vermelho e dourado, transformando-se em gigantescas bolas natalinas iluminadas; ramos de azevinho emolduravam todas as portas; e árvores de Natal brancas cintilavam em todos os cantos, cobertas de neve mágica e pingentes de gelo, e no alto uma estrela dourada. O local estava menos cheio do que da última vez, embora, a meio caminho do quarto, Amélia se via sendo empurrada para o lado por uma bruxa com uma laranjinha entalada na narina esquerda.

— Briga de família, eh? — disse a bruxa da recepção dando um sorriso pretensioso. — A senhora é a terceira que vejo hoje... Danos Causados por Feitiços, quarto andar.

Encontraram o Sr. Weasley recostado na cama com os restos do almoço de Natal em uma bandeja sobre o colo e uma expressão acanhada no rosto.

— Tudo bem, Arthur? — perguntou a Sra. Weasley, depois que todos o cumprimentaram e entregaram os presentes. Amélia demorou mais, pois, aparentemente, ele ficou fascinado com a namorada do filho, principalmente quando contou que seus pais viviam sendo o mais trouxas possíveis.

— Ótimo, ótimo — respondeu ele, um pouco animado demais. — Você... hum... não viu o Curandeiro Smethwyck, viu?

— Não — respondeu sua mulher desconfiada -, por quê?

— Nada, nada — tornou ele aereamente, começando a desembrulhar a pilha de presentes. — Bom, todos passaram um bom dia? Que foi que vocês ganharam de Natal? Ah, Harry... isto é absolutamente maravilhoso! — Acabara de abrir o presente de chaves de parafuso e fio de solda que o garoto lhe dera.

A Sra. Weasley não parecia inteiramente satisfeita com a resposta do marido. Quando ele se inclinou para apertar a mão de Harry, ela deu uma espiada nas ataduras sob sua camisa.

— Arthur, trocaram suas ataduras! Por que trocaram suas ataduras um dia antes, Arthur? Disseram-me que não precisariam trocá-las até amanhã.

— Quê? — exclamou o Sr. Weasley, parecendo um tanto assustado e puxando as cobertas para cobrir o peito. — Não, não... não é nada... é... eu…

Ele pareceu esvaziar como um balão sob o olhar penetrante da Sra. Weasley.

— Bom... não se aborreça, Molly, mas Augusto Pye teve uma ideia... ele é o Curandeiro Estagiário, sabe, um rapaz ótimo e muito interessado em... hum... medicina complementar... quero dizer, alguns remédios tradicionais dos trouxas... eles chamam de pontos, Molly e dão muito certo nos... nos ferimentos dos trouxas…

A Sra. Weasley deixou escapar um grito agourento, algo entre um grito e um rosnado. Lupin se afastou da cama em direção ao homem do lado, que não tinha visitas e observava tristemente o grupo que rodeava o Sr. Weasley; Gui resmungou alguma coisa, pretextando ir apanhar uma xícara de chá, e Amélia, Fred e Jorge levantaram em um pulo para acompanhá-lo, sorrindo.

— Você está querendo me dizer — ela elevava a voz a cada palavra, aparentemente sem se dar conta de que seus acompanhantes estavam procurando um lugar para sumir — que anda se metendo com remédios de trouxas?

— Me metendo não, Molly, querida…

Mas o resto Amélia não conseguiu ouvir, pois a porta havia se fechado atrás de si. Ela e Jorge acabaram sentados na sala de espera, namorando um pouco, enquanto Fred ia com Gui para algum lugar que ela não estava interessada em saber.