Believe In Magic: Um novo começo.
8 Capítulo 07
O dia da visita a Hogsmeade amanheceu claro, mas ventoso. Depois do café da manhã, os alunos se enfileiram perante Filch, que conferiu os seus nomes na longa lista de quem tinha permissão dos pais ou guardiões para visitar a vila.
Quando chegou a vez de Amélia, Filch, o zelador, a olhou longamente. Depois fez-lhe um breve aceno com a cabeça e segurou a tremedeira do queixo, e a garota foi em frente, desceu a escada de pedra e saiu para o dia frio e ensolarado.
— Hum... por que o Filch estava olhando para você? — Caleb perguntou, quando ele, a garota, Benjamin e Lisa saíram pela estrada que levava aos portões.
— Imagino que estivesse admirando minha beleza — disse, fazendo graça.
E o resto do caminho eles fizeram piadas por Amélia estar indo se encontrar com o Olívio.
— Ansiosa? — cochichou Lisa, entrelaçando seus braços, quando chegaram ao povoado.
— Não — respondeu, dando de ombros. — Ele é meu amigo, Lisa, é como ir me encontrar com o Caleb ou o Ben.
Os quatro passaram entre os altos pilares de pedra, encimados pelos javalis alados, e viraram à esquerda, tomando a estrada para a vila, a força do vento fazendo os seus cabelos fustigarem seus olhos.
— Não? — disse ela, surpresa. — Bom... é que... talvez... não sei... eu achasse que você gostasse dele.
Amélia negou e ficou tentada a reclamar por a amiga parecer sempre pronta a lhe arranjar um namorado, sinceramente, ela mesma conseguiria arrumar um, se quisesse.
— Onde é que vocês vão se encontrar, afinal? — perguntou Benjamin, indo em direção ao Três Vassouras.
— Casa dos gritos.
— Ah... sério? — respondeu -perguntando- Lisa despertando do seu devaneio. — Achei que iam ficar conosco. Na verdade, achei que Olívio vinha aqui nos ver também.
Desceram a rua principal, passando pela Zonko's — Logros e Brincadeiras, onde não foi surpresa encontrar os gêmeos Weasley e Lino Jordan, passaram pelo correio, de onde as corujas saíam em intervalos regulares, e então Amélia virou para um lado e seus amigos para o outro, pedindo para que ela convidasse Olívio para uma cerveja amanteigada com eles.
Quando chegou no local combinado, não havia ninguém, então sentou em uma das pedra que tinha por ali e começou a observar a casa que todos dizem ser mal assombrada até que alguém cobriu seus olhos.
— Olívio?
A pessoa a soltou e ela virou, dando de cara com um menino de olhos cor de mel e cabelos pretos compridos. Chad.
— Você nunca acerta! — disse ele emburrado e a garota apertou sua bochecha.
— Eu lhe disse, ela é muito burrinha — disse uma voz conhecida atrás de dela que não se deu ao trabalho de reclamar, só virou e pulou em um abraço.
— Como eu estava com saudades — Amélia falou e sua voz saiu abafada já que estava com o rosto em seu peito.
— Eu também, pequena. Eu também... — ele falou depois de beijar o topo da cabeça da amiga.
Ficaram conversando e rindo por um tempo, até Chad dizer que queria ir na Zonko's.
— Vão vocês — Amélia falou, lembrando do compromisso que tinha, e Olívio a olhou, triste. — Tenho que me encontrar com umas pessoas. Podemos nos encontrar no Três Vassouras daqui uma hora, Lisa e os meninos também estão com saudades.
— Tudo bem — disse Olívio, mas ela sabia que, quando tivesse a chance, ele iria perguntar sobre aquilo e ela não poderia mentir, não para ele. — Até daqui a pouco.
Chad a abraçou e Olívio beijou sua bochecha e seguiram o caminho até a loja enquanto Amélia ia até o ponto de encontro.
Um letreiro maltratado de madeira estava pendurado sobre a porta, em um suporte enferrujado, com o desenho da cabeça decepada de um javali, pingando sangue na toalha branca que o envolvia. O letreiro rangia ao vento quando Amélia se aproximou, rezando para que o trio de ouro já estivesse dentro. E agradeceu por eles estarem.
Aquele lugar não era nada parecido com o Três Vassouras, cujo grande bar dava a impressão de calor e reluzente limpeza. O Cabeça de Javali compreendia uma salinha mal mobiliada e muito suja, e tinha um cheiro forte, talvez de cabras.
As janelas curvas eram tão incrustadas de fuligem que pouquíssima luz solar conseguia chegar à sala, iluminada com tocos de velas postos sobre mesas de madeira tosca. O chão, à primeira vista, parecia ser de terra batida, mas, quando pisou, conseguiu perceber que havia pedra sob o que concluiu ser uma camada secular de sujeira acumulada.
Havia um homem no bar que trazia a cabeça toda envolta em sujas bandagens cinzentas, embora ainda conseguisse engolir incontáveis copos de uma substância ardente e fumegante por uma fenda no lugar da boca; dois vultos encapuzados se achavam sentados a uma mesa junto a uma janela, Amélia julgaria que fossem Dementadores se não estivessem conversando com um forte sotaque de Yorkshire, e em um canto sombrio junto à lareira havia uma bruxa com um véu negro e espesso que lhe caía até os pés. Só era possível ver a ponta do seu nariz porque seu volume fazia o véu levantar um pouco.
Antes de ir até eles, Amélia foi ao bar e o barman saiu de um aposento nos fundos e se aproximou . Era um velho de ar rabugento, com uma espessa cabeleira e barbas grisalhas. Era alto e magro, e vagamente familiar.
— Quê? — resmungou ele.
— Uma cerveja amanteigada, por favor — pediu.
O homem meteu a mão sob o balcão e tirou uma garrafa muito empoeirada, muito suja, e bateu-a em cima do bar.
— Obrigada — respondeu enquanto Amélia lhe dava o dinheiro.
Aproximou-se do trio, Rony a cumprimentou com um aceno de cabeço, já a Hermione se levantou e a abraçou.
— Oi — disse Harry, lhe dando um sorriso de lado.
— Oi — retribuiu. Sentou-se na cadeira que Hermione havia puxado.
Amélia olhou para a bruxa com o pesado véu e se perguntou se aquela poderia ser a Umbridge.
— Não lhe ocorreu que a Umbridge possa estar embaixo daquilo? — perguntou a Hermione que lançou um olhar para a figura velada como se houvesse acabado de falar sobre daquilo.
— A Umbridge é mais baixa do que aquela mulher — murmurou.
Depois disso continuaram sentados, correndo o olhar ao seu redor e sem falar nada. Então, o homem com as bandagens cinzentas e sujas bateu no balcão com os nós dos dedos e recebeu mais uma bebida fumegante do barman.
— Querem saber de uma coisa? — murmurou Rony, olhando para o bar entusiasmado. — Poderíamos pedir qualquer coisa que quiséssemos aqui. Aposto como aquele sujeito nos venderia qualquer coisa, não ia nem ligar. Eu sempre quis experimentar uísque de fogo…
— Você... é... monitor — lembrou Hermione com rispidez.
— Ah — exclamou Rony, o sorriso sumindo do rosto. — É…
— Então, quem foi que você disse que viria encontrar a gente? — perguntou Harry, abrindo a tampa enferrujada da cerveja amanteigada e tomando um gole.
— Meia dúzia de pessoas — informou Hermione, verificando o relógio e olhando para a porta, ansiosa. — Pedi para chegarem por volta dessa hora, e tenho certeza de que todos sabem onde fica…
— Vejam, talvez sejam elas agora — Amélia falou quando a porta do pub se abrira. Uma faixa larga de poeira e luz dividiu momentaneamente o recinto, e em seguida desapareceu, bloqueada pela chegada de várias pessoas.
Primeiro entrou Neville com Dino e Lilá, seguidos de perto por Parvati e Padma Patil com Cho e uma de suas amigas, então, sozinha e parecendo tão sonhadora que poderia ter entrado por acaso, -e talvez tenha sido realmente isso- Luna Lovegood; depois Katie Bell, Alicia Spinnet e Angelina Johnson, Colin e Dênis Creevey, Ernesto Macmillan, Justino Finch-Fletchley, Ana Abbott, e uma garota da Lufa-Lufa, com uma longa trança descendo pelas costas, que Amélia nunca tinha visto; três garotos da Corvinal que se chamavam Antônio Goldstein, Miguel Corner e Terêncio Boot, Gina, seguida de um garoto loiro e magricela de nariz arrebitado, que Amélia reconheceu vagamente como jogador do time de quadribol da Lufa-Lufa e, fechando a fila, Fred e Jorge Weasley com o amigo Lino Jordan, todos três carregando grandes sacolas de papel, cheias de artigos da Zonko's.
— Meia dúzia de pessoas? — exclamou Harry, rouco, para Hermione. — Meia dúzia de pessoas?
— É, bom, a ideia pareceu muito popular — respondeu Hermione, feliz. — Rony, quer puxar mais umas cadeiras para cá?
O barman congelara no ato de limpar mais um copo, com um trapo tão imundo que parecia nunca ter sido lavado. Possivelmente nunca vira seu bar tão cheio.
— Oi — disse um dos gêmeos, chegando primeiro ao bar e contando rapidamente os recém-chegados -, pode nos servir... vinte e cinco cervejas amanteigadas, por favor?
O barman o encarou por um momento, então, jogando no chão o seu trapo, irritado, como se tivesse sido interrompido no meio de alguma coisa importante, começou a passar as cervejas amanteigadas cheias de poeira de baixo para cima do balcão.
— Obrigado — disse Fred, distribuindo-as. — Pessoal, pode ir se coçando, não tenho ouro para tudo isso…
Amélia observava, entorpecida, enquanto o enorme grupo apanhava as cervejas com o gêmeo e procurava moedas nos bolsos para pagá-las. Estava se perguntando se seus amigos iam quando a porta se abriu de novo e três pessoinhas entraram rindo de algo. Foram até o gêmeo garçom e pegaram três cervejas, Benjamin pagou a sua e Caleb pagou a sua e a de Lisa, que ia na direção amiga e ocupando a cadeira ao lado.
— Como foi? — perguntaram uma para a outra no mesmo momento e soltaram uma risadinha.
Aproveitando que as pessoas ainda estavam se organizando, Amélia contou para ela como tinha sido a sua manhã enquanto pela visão periférica viu algumas pessoas parecendo muito excitados, outras curiosos, Luna mirando sonhadoramente o espaço. Quando todos terminaram de puxar cadeiras e se sentar, a conversa morreu. Amélia e Lisa se olharam antes de, com todos, se concentrarem em Harry.
— Hum — começou Hermione, a voz ligeiramente mais alta do que normalmente, nervosa. — Bom... hum... oi.
Transferiram as atenções para ela, embora alguns olhares continuassem a se voltar a intervalos para Harry.
— Bom... hum... bom, vocês sabem por que estão aqui. Hum... bom, Harry, aqui, teve a ideia, quero dizer — Harry lhe lançara um olhar cortante. — eu tive a ideia... que seria bom se as pessoas que quisessem estudar Defesa Contra as Artes das Trevas, e quero dizer realmente estudar, sabem, e não as bobagens que a Umbridge está fazendo com a gente... — A voz de Hermione de repente se tornou mais forte e mais confiante. — Porque ninguém pode chamar aquilo de Defesa Contra as Artes das Trevas. (- Apoiado, apoiado — disse Antônio Goldstein, e Hermione pareceu se animar.) — Bom, eu pensei que seria bom se nós, bom, nos encarregássemos de resolver o problema.
Ela parou, olhou de esguelha para Harry e continuou:
— Com isso, eu quero dizer aprender a nos defender direito, não somente em teoria, mas praticando realmente os feitiços…
— Mas acho que você também quer passar no N.O.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas, não? — perguntou Miguel Corner.
— Claro que quero — respondeu Hermione imediatamente. — Mas, mais do que isso, quero receber treinamento em defesa adequado porque... porque... — ela tomou fôlego e concluiu — porque Lord Voldemort retornou.
A reação foi imediata e previsível. A amiga de Cho guinchou e derramou cerveja amanteigada na roupa; Terêncio Boot teve uma contração involuntária; Padma Patil se arrepiou; e Neville deu um ganido estranho, que ele conseguiu transformar em uma tossida; Caleb, que estava com a cadeira inclinada, se desequilibrou e quase caiu. Todos, porém, olharam fixamente, e até mesmo pressurosamente, para Harry.
— Bom... pelo menos este é o plano — Amélia disse, querendo amenizar a situação, mesmo sendo meio impossível. — Se vocês quiserem se juntar a nós, precisamos resolver como vamos…
— E cadê a prova de que Você-Sabe-Quem retornou? — perguntou o jogador loiro da Lufa-Lufa, num tom bem agressivo.
— Bom, Dumbledore acredita que sim... — Amélia começou.
— Você quer dizer que Dumbledore acredita nele — interrompeu o garoto loiro, indicando Harry com a cabeça, e Amélia suspirou irritada.
— Quem é você? — perguntou Rony, sem muita polidez.
— Zacarias Smith, e acho que tenho o direito de saber exatamente o que faz você afirmar que Você-Sabe-Quem retornou.
— Olhe — Amélia respondeu, intervindo rapidamente, meio estressada -, não foi bem para tratar desse assunto que organizamos a reunião…
— Tudo bem, Amélia — disse Harry. — O que me faz afirmar que Você-Sabe-Quem retornou? — ele repetiu a pergunta, encarando Zacarias nos olhos. — Eu o vi. Mas Dumbledore contou a toda a escola o que aconteceu no ano passado, e, se você não acreditou nele, também não vai acreditar em mim, e não vou perder a tarde tentando convencer ninguém.
O grupo inteiro pareceu ter prendido a respiração enquanto Harry falava. Amélia teve a impressão de que até o barman estava ouvindo; continuará a limpar o mesmo copo com o trapo imundo, deixando-o cada vez mais sujo. Zacarias falou, mudando de tom:
— Só o que Dumbledore nos contou no ano passado foi que Cedrico Diggory foi morto por Você-Sabe-Quem e que você trouxe o cadáver de volta a Hogwarts. Ele não nos deu detalhes, não nos contou exatamente como Cedrico foi morto, acho que todos gostariam de ouvir…
— Se você veio ouvir, exatamente, como é que Voldemort mata alguém, eu não vou poder ajudá-lo. — Harry não tirou seus olhos do rosto agressivo de Zacarias Smith. — Não quero falar sobre Cedrico Diggory, está bem? Portanto, se é para isto que você veio, é melhor ir embora.
— Então — recomeçou Hermione, com a voz novamente muito esganiçada. — Então, como Amélia ia dizendo... se vocês quiserem aprender alguma defesa, então precisamos resolver como vamos fazer isso, com que freqüência vamos nos encontrar e onde vamos nos…
— É verdade — interrompeu a garota com a longa trança nas costas olhando para Harry — que você é capaz de produzir um Patrono?
Correu um murmúrio de interesse pelo grupo quando ela disse isso.
— Sou — confirmou Harry, ligeiramente na defensiva.
— Um Patrono corpóreo?
— Hum... você conhece Madame Bones? — perguntou ele. A garota sorriu.
— É minha tia. Sou Susana Bones. Ela me contou como foi a sua audiência. Então... é verdade mesmo? Você conjura um Patrono em forma de veado?
— Conjuro.
— Caramba, Harry! — exclamou Lino, parecendo profundamente impressionado. — Eu não sabia disso!
— Mamãe disse a Rony para não espalhar — comentou o gêmeo garçom, sorrindo para Harry. — Disse que Harry já chamava muita atenção sem isso.
— Ela não está errada — Amélia murmurou e algumas pessoas deram risadas. A bruxa de véu, sentada sozinha, mexeu-se ligeiramente na cadeira.
— E você matou um basilisco com aquela espada que fica na sala de Dumbledore? — perguntou Terêncio Boot. — Foi o que um dos quadros na parede me contou quando estive lá no ano passado…
— Hum... é, matei, sim.
Justino Finch-Fletchley assobiou, os irmãos Creevey se entreolharam, assombrados, e Lilá Brown exclamou baixinho: "Uau!".
— E no nosso primeiro ano — Amélia contou ao grupo — , ele salvou a Pedra Filosofal das mãos de Você-Sabe-Quem — concluiu. Harry a olhou e lançou seu sorriso de lado -o qual ele só lançava para ela- discretamente. E, assustada, Belmont descobriu que gostava daquele sorriso. Resolvendo que iria parar de pensar naquele assunto por ora, olhou para Ana Abbott, e sentiu vontade de rir quando viu que seus olhos estavam redondos como dois galeões.
— E isso para não mencionar — disse Cho e Amélia afundou um pouco na cadeira, desconfortável — todas as tarefas que ele precisou realizar no Torneio Tribruxo no ano passado: passar por dragões, sereianos e acromântulas e outros seres…
Houve um murmúrio de concordância favorável em torno da mesa.
— Escutem — disse ele e todos silenciaram na mesma hora -, não quero parecer que estou tentando ser modesto nem nada, mas... tive muita ajuda em tudo que fiz…
— Não, com o dragão você não teve — disse Miguel Corner imediatamente. — Aquilo foi um voo super irado…
— É... bom — concordou Harry, sentindo que seria grosseiro discordar.
— E ninguém ajudou você a se livrar dos Dementadores, agora no verão — disse Susana Bones.
— Não — concordou Harry -, não, o.k., eu sei que fiz algumas coisas sem ajuda, mas o que estou tentando dizer é que…
— Você está tentando fugir do compromisso de nos mostrar tudo isso? — perguntou Zacarias.
— Tenho uma ideia — disse Rony em voz alta, antes que Harry pudesse falar -, por que você não cala a boca?
— Ora, todos viemos para aprender com Harry, e agora ele está dizendo que, no duro, não sabe fazer nada disso.
— Não foi isso que ele disse — Amélia reagiu, automaticamente.
— Quer que a gente limpe seus ouvidos para você? — perguntou um dos gêmeos, tirando um longo instrumento metálico de aspecto letal de dentro de uma das sacolas da Zonko's.
— Ou enfie isso em qualquer outra parte do seu corpo, para falar a verdade, não somos muito luxentos — acrescentou o gêmeo garçom enquanto seu irmão piscava para Amélia.
— Bom — disse Hermione depressa -, continuando... a questão é: estamos de acordo que queremos tomar aulas com o Harry?
Houve um murmúrio de aprovação geral. Zacarias cruzou os braços e se manteve calado, talvez porque estivesse ocupado demais em prestar atenção ao instrumento na mão do gêmeo garçom.
— Certo — disse Hermione, parecendo aliviada de que alguma coisa tivesse sido finalmente decidida. — Bom, então, a próxima questão é: com que freqüência vamos ter essas aulas? Na verdade, eu acho que não adianta nada nos encontrarmos menos de uma vez por semana…
— Calma aí — disse Angelina -, precisamos ter certeza de que não vão se chocar com o nosso treino de Quadribol.
— Não — disse Cho -, nem com o nosso.
— Nem com o nosso — acrescentou Zacarias.
— Tenho certeza de que vamos encontrar uma noite que sirva para todos — disse Hermione, com uma leve impaciência -, mas, sabem, as aulas são muito importantes, estamos falando de aprender a nos defender dos Comensais da Morte de V-Voldemort…
— Muito bem! — bradou Ernesto Macmillan. — Pessoalmente, eu acho que as aulas são realmente importantes, possivelmente mais importantes do que qualquer outra coisa que vamos fazer este ano, até mesmo os N.O.M.s que vêm aí!
Ernesto olhou para os lados ostensivamente, como se esperasse que os colegas fossem gritar: "Claro que não são!", mas ninguém disse nada, então ele continuou:
— Pessoalmente, não consigo entender por que o Ministério nos impingiu uma professora inútil como essa em um período tão crítico. É óbvio que se recusam a admitir o retorno de Você-Sabe-Quem, mas daí a nos mandar uma professora que está tentando nos impedir por todos os meios de usar feitiços defensivos…
— Nós achamos que a razão por que Umbridge não quer que treinemos Defesa Contra as Artes das Trevas — disse Hermione — é que ela tem uma ideia alucinada de que Dumbledore pode usar os alunos da escola como um exército particular. Acha que ele poderia fazer uma mobilização contra o Ministério.
Quase todos pareceram perplexos com essa notícia: todos, exceto Luna, que começou a falar:
— Bom, isso faz sentido. Afinal de contas, Cornélio Fudge tem um exército particular.
— Quê? — exclamou Harry, completamente perturbado com a inesperada informação.
— É, ele tem um exército de heliopatas — confirmou ela, solenemente.
— Não, não tem — retorquiu Hermione com rispidez.
— Tem sim.
— E o que são heliopatas? — perguntou Neville, sem entender.
— São espíritos do fogo — explicou Luna, arregalando os olhos saltados e parecendo mais maluca que nunca, e Amélia sorriu, adorava quando Luna falava coisas como aquela, mesmo que não acreditasse — , figuras altas, grandes e flamejantes que galopam pela terra queimando tudo que encontram…
— Isso não existe, Neville — disse Hermione com azedume.
— Ah, existe, existe, sim! — repetiu Luna, zangada.
— Me desculpe, mas onde está a prova de que existe? — retorquiu Hermione.
— Há muitos depoimentos de testemunhas oculares. Só porque você tem a mentalidade tão tacanha que precisa que se enfie as coisas debaixo do seu nariz…
— Hem, hem — fez Gina, numa imitação tão perfeita da Profª Umbridge, que várias pessoas se viraram assustadas, mas em seguida caíram na gargalhada. — Nós não estávamos decidindo quantas vezes vamos nos encontrar para tomar aulas de defesa?
— Estávamos — disse Hermione na mesma hora — , sim, estávamos, você tem razão, Gina.
— Bom, uma vez por semana parece legal — sugeriu Lino.
— Desde que... — começou Angelina.
— Tá, tá, o treino de Quadribol — disse Hermione em tom tenso. — Bom, a outra coisa é decidir onde vamos nos encontrar…
Isso já era mais difícil; o grupo todo se calou.
— Na biblioteca? — sugeriu Katie Bell, após alguns instantes.
— Não consigo imaginar Madame Pince muito satisfeita vendo a gente fazer azarações na biblioteca — Amélia disse.
— Talvez uma sala fora de uso? — sugeriu Dino.
— É — concordou Rony. — Talvez a McGonagall nos ceda a sala dela, já fez isso quando Harry estava praticando para o Tribruxo.
Mas Amélia tinha certeza de que, desta vez, McGonagall não seria tão cordata. Apesar de tudo que Hermione dissera sobre a legalidade de estudos e trabalhos em grupo, ela tinha a nítida impressão de que esta atividade poderia ser considerada muito mais rebelde.
Hermione vasculhou a bolsa e tirou um pergaminho e uma pena, então hesitou, como se estivesse criando coragem para dizer alguma coisa.
— Acho... acho que todos deviam escrever seus nomes para sabermos quem está presente. Mas acho também — e inspirou profundamente — que todos devemos concordar em não sair por aí anunciando o que estamos fazendo. Então, se vocês assinarem estarão concordando em não contar a Umbridge nem a mais ninguém o que pretendemos fazer.
Amélia estendeu a mão para o pergaminho e o assinou com animação, depois passou para o gêmeo não garçom que lhe lançou outra piscadela e um sorriso encantador, que foi prontamente retribuído.
— Hum... — disse Zacarias lentamente, sem receber o pergaminho que o outro gêmeo tentava lhe passar — , bom... tenho certeza de que Ernesto vai me avisar quando souber da reunião.
Mas Ernesto parecia bem hesitante em assinar, também. Hermione ergueu as sobrancelhas para ele.
— Eu... bom, nós somos monitores — desabafou. — E se descobrirem essa lista... bom, quero dizer... você mesma disse, se a Umbridge descobrir…
— Você acabou de dizer ao grupo que era a coisa mais importante que você ia fazer este ano — lembrou-lhe Harry.
— Eu... certo — disse Ernesto — , acredito realmente nisso, só que…
— Ernesto, você realmente acha que eu deixaria essa lista largada por aí? — perguntou Hermione, irritada.
— Não. Não, claro que não — disse Ernesto, perdendo um pouco da ansiedade. — Eu... é claro, vou assinar.
Ninguém mais fez objeções depois de Ernesto, embora Amélia tenha visto a amiga de Cho lançar a ela um olhar de censura, antes de acrescentar o nome à lista. Quando a última pessoa — Zacarias — assinou, Hermione recolheu o pergaminho e guardou-o com cuidado na bolsa. Havia um clima estranho no grupo agora. Era como se tivessem acabado de assinar uma espécie de contrato.
— Bom, o tempo está correndo — disse o gêmeo garçom com vivacidade, ficando em pé. — Jorge, Lino e eu temos uns artigos de natureza delicada para comprar, veremos vocês depois.
Novamente em trios e pares, o restante do grupo também se despediu. Amélia, Lisa, Caleb e Benjamin seguiram para o Três Vassouras para encontrar com Olívio e Chad.
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