Vultos escuros surgiam de todos os lados, bloqueando o caminho de todos; olhos brilhando nas fendas dos capuzes, uma dúzia de pontas de varinhas acesas apontavam diretamente para seus corações; Gina soltou uma exclamação de horror.

— A mim, Potter — repetiu a voz arrastada de Lúcio Malfoy enquanto estendia a mão, de palma para cima.

O coração de Amélia parou por um segundo, seu estômago de repente parecia ainda mais pesado. Estavam encurralados e em inferioridade numérica de dois para um.

— A mim — repetiu Malfoy.

— Onde está Sírius? — perguntou Harry.

Vários Comensais da Morte riram; uma voz estridente de mulher, no meio das figuras sombrias à esquerda, disse triunfante:

— O Lorde das Trevas sempre tem razão!

— Sempre — repetiu Malfoy suavemente. — Agora, me dê a profecia, Potter.

— Eu quero saber onde está Sírius!

— Eu quero saber onde está o Sírius! — imitou a mulher à esquerda.

Ela e seus companheiros Comensais tinham se aproximado, e estavam a pouco mais de um metro dos adolescentes, Amélia sentia seu coração acelerado e a luz das varinhas deles cega seus olhos.

— Vocês o pegaram — disse Harry, Belmont pode sentir o medo que ele sentia, fazendo o seu crescer um pouco mais assim como a raiva e a vontade de atacá-los. — Ele está aqui. Eu sei que está.

— O bebezinho acordou com medo e pensou que seu sonho era realidade— disse a mulher numa horrível imitação de voz de bebê.

— Não faça nada — Amélia ouviu Harry murmurar. — Ainda não…

A mulher escandalosa soltou uma gargalhada rouca. O coração de Amélia gelou ao perceber que era a risada dela que ouvia em seus sonhos.

— Vocês o ouviram? Vocês o ouviram? Dando instruções às outras crianças como se pensasse em nós enfrentar!

— Ah, você não conhece Potter como eu, Bellatrix — disse Malfoy mansamente. — Ele tem um grande fraco por heroísmo: o Lorde das Trevas conhece essa mania dele. Agora me entregue a profecia, Potter.

— Eu sei que Sírius está aqui — disse Harry, que mesmo estando na cara dele, o garoto não via que Sírius nunca esteve aqui, haviam caído em uma armadilha. — Eu sei que vocês o pegaram!

Mais Comensais da Morte riram, embora a mulher risse mais alto que todos. Amélia categorizou aquela risada como a pior do mundo.

— Já está na hora de você aprender a diferença entre vida e sonho, Potter — disse Malfoy. — Agora me entregue a profecia, ou vamos começar a usar as varinhas.

— Use, então — disse Harry, erguendo sua varinha, Amélia o imitou imediatamente e viu Hermione, ao seu lado, fazer o mesmo, percebeu então que todos estavam com as varinhas para o alto. Seu estômago se tornava mais pesado a cada segundo.

Mas os Comensais da Morte não atacaram.

— Entregue a profecia e ninguém precisará se machucar — disse Malfoy tranquilamente.

Foi a vez de Harry rir, se não estivesse tão tensa, Amélia provavelmente riria também.

— É, certo! Eu lhe entrego essa... profecia, é? E o senhor nos deixa ir embora para casa, não é mesmo?

Ele nem havia terminado de falar quando a Comensal mulher gritou:

— Accio prof…

Mas Harry parecia preparado, pois gritou: "Protego!" bem a tempo. Amélia viu que a esfera escorregou da sua mão, mas por sorte ele conseguiu segurá-la.

— Ah, ele sabe brincar, o bebezinho Potter — disse a mulher, seus olhos desvairados não paravam de encarar o garoto pelas fendas do capuz. — Muito bem, então…

— EU JÁ DISSE A VOCÊ NÃO! — berrou Malfoy para a mulher. — Se você quebrá-la...!

Amélia tentou respirar fundo e pensar em algum meio de tirar ela e os amigos daquela situação, tentou observar ao redor, havia muitas prateleiras e Comensais para que simplesmente corressem. Nada lhe vinha a cabeça, no seu estômago parecia ter pedras de tão pesado, suor escorria da sua testa e os pelos da sua nuca pareciam incapazes de voltarem ao normal. Ela estava apavorada, mas iria lutar até a morte se fosse preciso.

Voltou a se concentrar, mesmo que parcialmente, na discussão quando a mulher se adiantou, afastando-se dos companheiros, e tirou capuz. Amélia a reconheceu no momento que a viu, era a prima de Sírius, Bellatrix alguma coisa, tinha visto sua foto três vezes, um na casa de Sírius e as outras duas no Profeta, quando fugiu de Azkaban.

— Você precisa de mais persuasão? — disse ela, o peito arfando rápido. — Muito bem: pegue a menor — ordenou Bellatrix a um Comensal da Morte. — Deixe que ele veja torturamos a menininha. Eu faço isso.

— Não! — Amélia falou fazendo de tudo para sua voz saísse firme, ainda mais quando Bellatrix lhe lançou um olhar mortal. Assim como seus amigos, rodeou Gina. Harry deu um passo para trás de modo que ficou na frente dela, a profecia contra seu peito.

— Você terá que quebrar isto se quiser atacar um de nós — disse ele a Bellatrix. — Acho que o seu chefe não vai ficar muito satisfeito se você voltar sem a esfera, ou vai?

Ela não se mexeu; meramente encarou-o, umedecendo a boca fina com a ponta da língua.

— Então — disse Harry -, afinal que profecia é essa de que estamos falando?

O braço de Neville estava colado no de Amélia, fazendo com que a garota pudesse sentir que ele tremia, podia sentir uma respiração curta em algum local das suas costas. Estava torcendo para que todos estivessem procurando como sair daquela situação.

— Que profecia?— repetiu Bellatrix, o sorriso se apagando do rosto. — Você está brincando, Harry Potter.

— Não, não estou brincando — disse Harry. — Por que Voldemort a quer?

Vários Comensais da Morte deixaram escapar assobios baixos.

— Você se atreve a dizer o nome dele? — sussurrou Bellatrix.

— Claro — disse Harry. Amélia se distraiu por um segundo se perguntando se não teria como jogar as prateleiras neles sem que notassem, mas logo descartou a ideia. — Claro, não tenho problema algum em dizer Vol…

— Cala a boca! — gritou Bellatrix. — Você se atreve a dizer o nome dele com a sua boa indigna, você se atreve a manchá-lo com a sua língua mestiça, você se atreve…

— Você sabia que ele também é mestiço? — disse imprudentemente. Amélia ouviu alguém gemer no mesmo instante em que ela soltava um meio suspiro, será que esse garoto não percebe que ele está começando a se arriscar demais? — Voldemort? É, a mãe dele era bruxa, mas o pai era trouxa: ou será que ele andou dizendo pra vocês que é sangue puro?

— ESTUPEF…

— NÃO!

Um jato de luz vermelha saíra da ponta da varinha dela, mas Malfoy o desviou; o feitiço dele fez a bruxa bater na prateleira a menos de meio metro à esquerda de Harry e várias esferas de vidro de estilhaçaram.

Dois vultos, branco-perolados como fantasmas, fluidos como fumaça, subiram em espirais dos cacos de vidro no chão e começaram a falar; suas vozes competiam entre si, de modo que se ouvia apenas fragmentos do que diziam em meio aos gritos de Malfoy e Bellatrix.

— ... no solstício virá um novo... — disse a figura de um velho barbudo.

— NÃO ATAQUEM! PRECISAMOS DA PROFECIA!

— Ele se atreveu... ele se atreveu... — gritava Bellatrix incoerentemente -, ele fica aí... esse mestiço imundo…

— ESPERE ATÉ TERMOS A PROFECIA! — berrou Malfoy.

— ... e não virá outro depois... — disse a figura de uma jovem.

As duas figuras que haviam irrompido das esferas partidas se dissolveram no ar. Nada restou delas ou de suas antigas moradas, exceto caquinhos de vidro no chão.

— O senhor não me disse o que tem de tão especial nessa profecia que devo lhe entregar — disse Harry.

— Não brinque conosco, Potter — falou Malfoy.

— Não estou brincando — disse Harry. Então, de repente Amélia sentiu alguém pisar nos seus dedos, lhe dando um belo susto, mas logo viu que era o pé de Harry.

— Quê? — sussurrou.

— Dumbledore nunca lhe contou a razão de você carregar essa cicatriz estava escondida nas entranhas do Departamento de Mistérios? — caçoou Malfoy, mas não estava mais prestando atenção nele.

— Eu... quê?! — exclamou Harry, parecendo se esquecer da amiga. — Que tem a minha cicatriz?

— Quê? — a garota sussurrou com urgência. Ele não podia ter pisado sem querer no seu pé, seria quase que impossível.

— Será possível? — disse Malfoy, mas sua voz estava distante para Amélia; ouviu alguns Comensais da Morte recomeçarem a rir, e então Harry sibilo para a amiga:

— Quebre prateleiras…

Ela demorou dois segundos para entender o plano.

— Dumbledore nunca lhe contou? — repetiu Malfoy, Amélia tentou não demonstrar qualquer vestígio de plano. — Bom, isso explica por que você não veio antes, Potter, o Lorde das Trevas estava intrigado…

— ... quando eu disser agora... — o ouviu dizer, então logo começou a tentar passar para Neville ao seu lado usando seu pé, como Harry.

— ... que você não viesse correndo quando ele lhe mostrou em sonho onde a profecia estava escondida…

— Quebre prateleiras... — Amélia falou quando percebeu que ninguém prestava atenção de verdade nela, tentando não mexer o máximo a boca — ... quando Harry disser agora…

— Pensou, é? — disse Harry, Amélia só então percebeu que perdeu algo que Malfoy falou. — Então ele queria que eu viesse apanhá-la, era? Por quê?

Amélia ouviu com alguma dificuldade Neville contar para a pessoa ao lado dele.

— Por quê? — Malfoy parecia incredulamente delicado. — Porque as únicas pessoas que têm permissão de retirar a profecia do Departamento de Mistério, Potter, são aqueles de quem ela fala, como descobriu o Lorde das Trevas quando tentou usar terceiros para a roubarem por ele.

— E por que ele queria roubar uma profecia sobre mim?

— Sobre vocês dois, Potter, sobre vocês dois... você nunca se perguntou por que o Lorde das Trevas tentou matá-lo quando criança?

Amélia não estava dando tanta atenção a conversa antes, mas parou de prestar atenção no plano por alguns segundo para olhar Harry encarando Malfoy.

— Alguém fez uma profecia sobre mim e Voldemort? — falou ele estranhamente calmo, olhando Lúcio Malfoy. — E ele me fez vir aqui para apanhá-la para ele? Por que não pôde vir apanhá-la pessoalmente?

— Apanhá-la pessoalmente? — gritou Bellatrix, gargalhando alucinada. — O Lorde das Trevas entrar no Ministério da Magia, quando todos estão gentilmente ignorando o seu retorno? O Lorde das Trevas se revelar aos aurores, quando no momentos estão perdendo tempo com meu querido primo?

— Então, o lorde mandou vocês fazerem o trabalho sujo para ele, foi? Como tentou obrigar Estúrgio a roubar a profecia... e Bode?

— Muito bom, Potter, muito bom... — disse Malfoy lentamente. — Mas o Lorde das Trevas sabe que você não é desprovido de in…

— AGORA! — berrou Harry.

Junto com seus amigos, Amélia berrou: "REDUCTO!". Seu feitiço voou para a prateleira bem na frente da garota, assim como os feitiços dos seus amigos voaram para as estantes defronte a eles. Elas explodiram ao serem atingidas; a enorme estrutura balançou ao mesmo tempo que cem esferas de vidros estouraram, vultos branco-perolados se desdobraram no ar e flutuaram, suas vozes ecoando de um passado já morto, em meio a uma chuva de estilhaços de vidro que agora caía no chão…

— CORRAM! — berrou Harry, quando as prateleiras balançaram precariamente e mais esferas de vidro começaram a cair.

Amélia ainda conseguiu ver Harry agarrar as vestes de Hermione, mas logo estava correndo com um braço na cabeça para se proteger dos cacos de vidro que estrondeavam sobre si. Ouviu a voz de Bellatrix gritar um feitiço logo atrás da garota e, sem saber como, conseguiu se proteger bem a tempo. Fez uma virada brusca para a direita umas cinco vezes. Então não via mais ninguém, porém ainda conseguia ouvir todos berrando, havia gritos de dor e estrondos de prateleiras desabando, ecos estranhamente fragmentados dos videntes liberados de suas esferas. A cena sendo particularmente parecida com seus sonhos.

Então a garota sentiu duas mãos a segurarem pelos ombros e começarem a lhe puxar, sentiu algo perfurar sua pele por todo o seu braço esquerdo, então ouviu alguém gritar: "ESTUPEFAÇA!" e as mãos a soltaram quase que imediatamente.

Amélia se virou para o lado e viu Hermione e Harry correndo a toda velocidade, seguiu eles. Neville apareceu logo depois, correndo bem atrás dos três. Foi então que a garota viu, diretamente à frente, a porta que haviam passado estava entreaberta; pode ver a luz faiscante do vidro em forma de sino. Harry foi o primeiro a cruzar a porta, esperou até que passassem para batê-la…

— Colloportus! — exclamou Hermione, e a porta se lacrou com um estranho ruído de esmagamento.

— Onde... onde estão os outros? — ofegou Harry.

Por um momento Amélia havia esquecido deles.

— Eles devem ter tomado o caminho errado! — a garota sussurrou com terror, mas acabou fazendo uma careta de dor, tinha acabado de sentir seu braço doer, abaixou a vista e viu o sangue pingar no chão.

— Escutem! — murmurou Neville.

Passos e gritos ecoavam do outro lado da porta que Hermione tinha acabado de lacrar, sem nem precisar encostar o ouvido na porta, ouviram Lúcio Malfoy berrar:

— Deixe, Nott, deixe-o aí: os ferimentos dele não significam nada para o Lorde das Trevas diante da perda da profecia. Jugson, volte aqui, precisamos nos organizar! Vamos nos dividir em pares e fazer uma busca, e não se esqueçam, sejam gentis com Potter até termos a profecia, podem matar os outros se precisarem... Bellatrix, Rodolfo, vocês vão para a esquerda; Crabbe, Rabastan, para a direita... Jugson. Rookwood e Dolohov, pela porta em frente... Macnair e Avery, por aqui... Mulciber, venha comigo!

— Que faremos? — perguntou Hermione a Harry, que olhou para Amélia e viu o sangue pingando do seu braço. Antes de responder, rasgou um pedaço da sua camisa e deu para a amiga.

— Amarre no braço, Mel, talvez melhore — então virou para Hermione. Amélia tentou amarrar sozinha, mas acabou não conseguindo e Neville a ajudou. — Bom, para começar, não ficaremos aqui parados esperando eles nos encontrarem. Vamos nos afastar desta porta.

Depois de Harry conferir se o braço de Amélia estava bem amarrado, correram o mais silenciosamente que puderam, passaram pelo sino fulgurante onde o minúsculo ovo incubava e desincubava, em direção à saída para a sala circular ao fundo. Estavam quase chegando quando Amélia ouviu alguma coisa pesada colidir contra a porta lacrada.

— Afastem-se! — disse uma voz ríspida. — Alohomora!

Quando a porta se escancarou, os quatro mergulharam embaixo de escrivaninhas. Amélia podia ver a barra das vestes de três Comensais da Morte que se aproximaram, seus pés se movendo com rapidez.

— Eles podem ter corrido direto para o corredor — falou a voz rascante.

— Veja embaixo das escrivaninhas — disse outra.

Depois de alguns segundos, Amélia ouviu Harry gritando: "ESTUPEFAÇA!".

Um jato de luz vermelha atingiu o Comensal da Morte mais próximo, ele tombou para trás em cima de um relógio de pêndulo, derrubando-o; os outros Comensais, porém, saltaram, cada um para um lado, para evitar o feitiço de Harry. Um tropeçou em alguma coisa e caiu bem de frente para Amélia, os dois se olharam por um segundo antes que a garota lembrasse de pegar a varinha.

— ESTUPEFAÇA! — ela gritou primeiro.

Levantou a tempo de ver Neville apontar sua varinha para Harry e um Comensal caídos no chão e gritar: "EXPELLIARMUS!".

Tanto a varinha de Harry como a do Comensal saíram voando de suas mãos para a entrada da Sala de Profecia; os dois se levantaram depressa se arremessaram atrás delas, o Comensal à frente, Harry em seus calcanhares, Neville atrás, visivelmente horrorizado.

— Saia do caminho, Harry! — berrou Neville, claramente decidido consertar seu erro.

Harry se atirou para o lado, Neville tornou a mirar e ordenou:

— ESTUPEFAÇA!

O jato de luz vermelha passou por cima do ombro do Comensal da Morte e atingiu um armário de portas de vidro na parede cheio de ampulhetas de vários formatos; o armário caiu no chão e se abriu, vidros voaram para todo lado, voltou a se aprumar na parte, inteiramente restaurado, e tornou a cair, e se espatifar…

O Comensal da Morte agarrara sua varinha, caída no chão ao lado do vidro cintilante em forma de sino. Harry se abaixou atrás de outra escrivaninha quando o homem se virou; sua máscara escorregara impedindo-o de ver. Ele a arrancou com a mão livre e gritou:

— ESTUP…

Mas antes que ele pudesse fazer qualquer outra coisa, Amélia gritou, agora mais perto deles.

— ESTUPEFAÇA!

A luz o atingiu no meio do peito: ele se imobilizou, o braço erguido, sua varinha caiu no chão com estrépito e ele desabou para trás na direção do vidro em forma de sino; a garota esperou ouvir uma pancada, o homem bater no vidro sólido e escorregar para o chão, mas, em vez disso, sua cabeça afundou para dentro do vidro como se este fosse apenas uma bolha de sabão, e ele acabou parando, esparramado de costas sobre a mesa, com a cabeça dentro do vidro cheio de vento cintilante.

— Accio varinha! — ordenou Hermione que agora estava ao lado da amiga. A varinha de Harry voou de um canto escuro para a mão de Hermione, que a atirou para ele.

— Obrigado. Certo, vamos dar o fora…

— Cuidado! — disse Neville, horrorizado. Olhava fixamente para a cabeça do Comensal da Morte no vidro.

Todos ergueram as varinhas, mas ninguém a usou: estavam boquiabertos, estarrecidos para o que estava acontecendo com a cabeça do homem.

Estava encolhendo rapidamente, ficando cada vez mais pelada, os cabelos e a barba raspada se retraindo para dentro do crânio; as bochechas ficando lisas, a cabeça redonda recobrindo-se de uma penugem como a do pêssego…

Havia agora uma cabeça de bebê encaixada grotescamente no pescoço grosso e musculoso do Comensal, que se esforçava para se levantar; mas enquanto os garotos olhavam, de boca aberta, a cabeça começou a retomar as proporções anteriores; cabelos negros e espessos recomeçaram a crescer em seu cocuruto e queixo…

— É o Tempo — disse Hermione com assombro na voz. — O Tempo…

O Comensal da Morte sacudiu a cabeça feia mais uma vez, mas antes que pudesse se recuperar, ela recomeçou a encolher e recomeçar mais uma vez…

Ouviram, então, um grito de uma sala próxima, um estrondo e um berro.

— RONY? — bradou Harry, dando as costas depressa a cena e a gente. — GINA? LUNA?

— Harry! — Amélia gritou. O Comensal puxara a cabeça de dentro do vidro. Sua aparência era absolutamente bizarra, a minúscula cabeça de bebê berrando e os braços grossos se agitando perigosamente em todas as direções, por pouco não acertando Harry que se abaixara. Ele ergueu a varinha, mas Hermione segurou o seu braço.

— Você não pode machucar um bebê!

Não havia tempo para discutir a questão: ouviram passos cada vez mais fortes na Sala da Profecia e Amélia percebeu, tarde demais, que não deveria ter deixado Harry gritar, isso acabou denunciando a localização deles.

— Vamos — Hermione disse e, deixando o Comensal da Morte cambalear com sua feia cabeça, correram para a porta que estava aberta na outra extremidade da sala e que os reconduziria de volta à sala escura.

Tinham coberto metade da distância quando Amélia viu pela porta aberta mais dois Comensais da Morte correndo pela sala escura naquela direção; virando à esquerda, entraram em um pequeno escritório escuro e cheio de móveis, Harry bateu a porta.

— Collo... – começou Hermione, mas antes que pudesse completar o feitiço, a porta se escancarou e os dois Comensais se precipitaram para dentro.

Com um grito de triunfo, os dois bradaram:

— IMPEDIMENTA!

Foram jogados. Amélia conseguiu ver Neville cair por cima da escrivaninha e desaparecer antes de bater a cabeça em um local pontiagudo e acabar desmaiando. Acordou com Harry sobre si, perto demais do seu rosto.

— Mel! — falou, parecendo aliviado, e se afastou. A garota piscou os olhos lentamente. – Consegue se levantar?

Concordou com a cabeça e ele a ajudou a sentar. Respirando fundo, a garota deu impulso para ficar em pé, mas acabou ficando tonta e se apoiou no amigo.

— Vamos, temos que sair daqui — ele falou e ela piscou de novo, se perguntando o que estava acontecendo. Olhou ao redor e viu Hermione sendo carregada por Neville, havia sangue em sua roupa e ela estava um pouco pálida.

— Ela... — engoliu em seco, tanto por sua voz ter ficado rouca como por não querer completar a pergunta. — Ela está... você sabe... morta?

Harry negou e ajudou Amélia a chegar até a porta, a deixou apoiada em uma escrivaninha próxima e meteu a cabeça para fora, olhando para os lados cauteloso.

— Ele nunca vai reparar na gente — sussurrou Harry apontando para o homem com a cabeça de bebê. — Vamos... — passou o braço pela cintura da amiga e olhou para Neville — ... fique logo atrás de mim…

Saíram furtivamente do escritório em direção à sala negra, que agora parecia completamente deserta. Avançaram alguns passos, Harry tendo todo o cuidado com Amélia enquanto ela começava a recuperar o equilíbrio, Neville cambaleando ligeiramente sob o peso de Hermione; a porta para a Sala do Tempo se fechou quando passaram, e as paredes recomeçaram a girar o que não ajudou na situação da garota. Harry pareceu não ter ficado feliz com aquilo também, pois fechou os olhos com força, oscilou um pouco, mas logo recuperou o equilíbrio. Com desânimo, viram que as cruzes de fogo de Hermione fizera nas portas tinham se apagado.

— Então para que lado você cal...?

Mas antes que ele pudesse decidir quanto ao caminho a experimentar, uma porta se escancarou à direita e três pessoas despencaram por ela.

— Rony! — exclamou Harry rouco, e Amélia sabia que se ele não estivesse a segurando, teria corrido até o melhor amigo.

— Harry — disse Rony rindo frouxamente, se atirando para a frente, agarrando as vestes de Harry, quase derrubando os amigos, mas por sorte Harry era forte, e fixou nele os olhos desfocados -, ah, aqui está você... ha ha ha... está com a cara engraçada Harry... está todo amarrotado…

O rosto de Rony estava muito pálido, e uma coisa escura escorria do canto de sua boca. No momento seguinte, seus joelhos cederam, mas ele continuou agarrado às vestes de Harry, então Amélia resolveu tentar a sorte sozinha e se soltar de Harry para que ele pudesse cuidar do amigo.

— Gina? — Belmont disse receosa. — Que aconteceu?

Mas Gina sacudiu a cabeça e escorregou pela parede até se sentar, ofegante e segurando o tornozelo.

— Acho que ela quebrou o tornozelo... ouvi alguma coisa rachando — sussurrou Luna, que se curvava para a garota e era a única que parecia inteira — Quatro deles nos perseguiram por uma sala escura cheia de planetas; era um lugar muito esquisito, parte do tempo ficamos só flutuando no escuro…

— Harry, vimos Urano de perto! — disse Rony, ainda dando risadinhas frouxas. — Sacou, Harry? Vimos Urano... ha ha ha…

Uma bolha de sangue apareceu no canto da boca de Rony e estourou.

— ... então, um deles agarrou o pé de Gina, eu usei o Feitiço Redutor e explodi Plutão na cara dele, mas…

Luna fez um gesto desanimado para Gina, que respirava superficialmente, seus olhos ainda fechados.

— E o Rony? — perguntou Harry, receoso, pois o garoto continuava a rir, ainda agarrado às suas vestes.

— Não sei com que o acertaram — respondeu Luna, triste -, mas ficou meio esquisito, mal consegui fazê-lo nos acompanhar.

— Harry — disse Rony puxando o ouvido do amigo para perto da sua boca, e continuando a rir -, sabe quem é essa garota, Harry? Ela é a Di-lua... Di-lua Lovegood... ha ha ha…

— Temos que sair daqui — disse Harry com firmeza. — Luna, Amélia podem ajudar a Gina?

— Claro — responderam juntas, Luna colocou a varinha atrás da orelha e Amélia permaneceu com a sua na mão, passaram o braço de Gina por seus pescoços e a levantaram.

— É só o meu tornozelo, posso fazer isso sozinha! — disse Gina, impaciente, mas no momento seguinte desabou para o lado e as duas garotas a agarraram. Harry puxou o braço de Rony por cima do ombro, olhou ao redor: tinham uma chance em doze de escolher a porta certa de primeira…

Ele carregou Rony em direção a uma porta, Luna e Amélia, ignorando o braço ensanguentado, foram logo atrás com Gina se apoiando nelas, Neville estava logo atrás com Hermione; estavam a poucos passos quando outra porta, do lado oposto da sala, se escancarou, e três Comensais da Morte entraram correndo, liderados por Bellatrix.

— Eles estão aqui! — gritou ela.

Feitiços Estuporantes cortaram velozmente a sala: Harry foi o primeiro a entrar com Rony, o atirando no chão sem cerimônia e voltou para ajudar Neville, enquanto isso Amélia deixou Gina só com Luna e foi tentar proteger os amigos, quando todos passaram, bateu a porta na cara de Bellatrix.

— Colloportus! — gritou e ouviu três corpos baterem contra a porta do outro lado.

— Não faz mal! — disse uma voz masculina. — Há outras maneiras de entrar: ACHAMOS ELES, ESTÃO AQUI!

Amélia olhou ao redor; estavam de novo na Sala do Cérebro e, realmente, havia portas a toda volta. A garota ouviu passos na sala anterior quando mais Comensais da Morte acorreram para se juntar aos primeiros.

— Harry... Luna... Neville... me ajudem!

Os quatro correram pela sala atrás das portas, de vez em quando outro corpo pesado se atiravam contra elas, fazendo-as ranger e estremecer; Luna e Neville enfeitiçavam as portas ao longo da parede oposta, enquanto Amélia e Harry enfeitiçavam a outra parede — então, quando estava chegando na metade da sala, Luna exclamou:

— Collo... aaaaaaaaah!...

Amélia virou a tempo de vê-la voar pelo ar; cinco Comensais invadiram a sala pela porta que ela não conseguira alcançar em tempo; Luna bateu em uma escrivaninha, escorregou por sua superfície e caiu, estatelada, no chão do outro lado, mais imóvel que Hermione.

— Pegue o Potter! — gritou Bellatrix correndo para o garoto; ele se desviou e correu para o lado da sala que Amélia estava.

— Ei! — disse Rony, que se pusera em pé cambaleando, e agora ia como um bêbado na direção dos amigos, dando risadinhas. — Ei, Harry, tem cérebros aqui, ha ha ha, não é esquisito, Harry?

— Rony, saia do caminho, se abaixe…

Mas Rony agora apontava a varinha para o tanque.

— Sério, Harry, são cérebros... olhe... Accio cérebro!

Naquele momento pareciam estar em um filme onde o telespectador apertou em pause. Amélia, Harry, Gina e Neville e cada um dos seguidores de Voldemort viraram involuntariamente para olhar o alto do tanque na hora em que um cérebro saltou do líquido verde como um peixe para fora da água: por um instante ele pareceu suspenso no ar, então voou em direção a Rony, girando, e algo que lembrava fitas de imagens animadas foi saindo dele, desenrolando com um rolo de filme…

— Ha ha ha, Harry, olhe só isso — disse Rony, observando o cérebro expelir suas entranhas coloridas — Harry, vem, pega nele; aposto como é estranho…

— RONY, NÃO! — Amélia e Harry gritaram juntos.

Ninguém parecia realmente saber o que podia acontecer se Rony tocasse nos tentáculos que agora voavam na esteira do cérebro, mas Amélia tinha certeza de que não seria coisa boa. Harry ainda tentou correr, mas Rony já agarrara o cérebro nas mãos estendidas. No momento em que entraram em contato com sua pele, os tentáculos começaram a se enrolar em torno dos braços de Rony como cordas.

— Harry, olhe só o que acontece... Não... não... não gosto disso... não, parem... parem…

Mas as fitas giravam agora em torno do peito dele; ele puxou e tentou arrancá-las ao mesmo tempo que o cérebro foi apertando contra Rony como um corpo de polvo.

— Diffindo! — berrou Harry, tentando cortar os tentáculos que enroscavam em Rony, mas eles não se partiram. Rony tombou, ainda lutando contra as amarras.

— Harry, o cérebro vai sufocá-lo! — berrou Gina, imobilizada no chão pelo tornozelo quebrado... então um jorro de luz vermelha voou da varinha de um Comensal da Morte e a atingiu em cheio no rosto. Ela adernou para um lado e caiu ali inconsciente.

— ESDUBEVAÇA! — gritou Neville, rodando o corpo e acenando a varinha contra os Comensais atacantes distraindo-os enquanto Amélia corria até Rony -, ESDUBEVAÇA, ESDUBEVAÇA!

Mas nada aconteceu com os feitiços de Neville.

Um dos Comensais disparou seu próprio Feitiço Estuporante contra Neville; errou por centímetros. Eram os únicos que restavam na luta contra os Comensais da Morte, dois dos quais lançaram jorros de luz prateada como flechas nos garotos, mas não atingiu o alvo, apenas deixaram crateras na parede atrás deles. Harry fugiu, mas Bellatrix correu atrás dele: segurando a profecia acima da cabeça, ele correu para o outro lado da sala, provavelmente tentando fazê-los se afastarem dos amigos.

Aparentemente deu resultado; eles o perseguiram, mandando cadeiras e mesas pelo ar, mas não ousaram enfeitiça-lo com receio de danificar a profecia, e ele se precipitou para a única porta ainda aberta, aquela por onde os Comensais haviam entrado.

Depois que ele e os Comensais sumiram, Amélia virou para Neville e o mandou ir juntos, talvez ele fosse útil de alguma forma lá. Quando Longbottom sumiu também, se virou para Rony que chorava baixinho.

— Vamos lá, Weasley, seja homem e me ajude com isso aqui — Amélia falou para ele e começou a puxar cérebro de seu corpo, tentando pensar em algo que poderia ajudar — Locomotor cérebro.

Acabou dando certo, mas Rony continuou deitado no chão, talvez se recuperando.

A garota levantou para ver Hermione, Gina e Luna quando ouviu Neville gritar como se o torturassem, Amélia correu até porta em tempo de ver Neville gritando com as pernas erguidas contra o peito de modo que o Comensal que o prendia segurava-o fora do chão, então o homem o largou e ele caiu, se torcendo e gritando em tormento.

— Foi só um aperitivo! — exclamou Bellatrix, erguendo a varinha e assim interrompendo os gritos de Neville, deixando-o soluçante a seus pés. Ela se virou e olhou para Harry. Lágrimas escorriam dos olhos da garota, aquela mulher os mataria com um sorriso no rosto. — Agora, Potter, ou nos entrega a profecia ou vai ver o seu amiguinho morrer sofrendo!

Amélia viu que Harry a olhava, um pouco como se perguntasse o que a garota achava e um pouco com se... não, só poderia estar imaginando. Ela simplesmente concordou com a cabeça, eles pareciam dispostos a matar não importava a profecia. Quando Harry esticou a mão, Malfoy se adiantou depressa para recebê-la.

Então, duas portas se escancararam e mais cinco pessoas entraram correndo na sala: Sírius, Lupin, Moody, Tonks e Quim. E Amélia quase caiu de joelho, agradecendo a Merlin por eles estarem ali, mas não fez isso.

Malfoy se virou e ergueu a varinha, mas Tonks já dispara um Feitiço Estuporante nele. Amélia viu Harry mergulhar para longe do estrado e dos disparos. Os Comensais da Morte foram completamente distraídos pela aparição dos membros da Ordem, que agora faziam chover feitiços sobre os adversários enquanto saltavam degrau por degrau em direção ao poço. Foi então que Amélia olhou para Neville e o viu se rastejando, pulou alguns degraus para ajudá-lo, ao mesmo tempo em que Harry chegou perto.

— Vocês estão okay? — a garota berrou para eles, quando voou um feitiço a centímetros de suas cabeças.

— Dou... — disse Neville tentando se levantar, Harry apenas concordou com a cabeça.

— E você? E Rony?

— Estou bem, ele está bem, consegui soltar o cérebro.

O piso de pedra entre eles explodiu ao ser atingido por um feitiço que produziu uma cratera onde a mão de Neville estivera segundos antes; os três saíram depressa dali, então um braço grosso agarrou Harry pelo pescoço, pondo-o de pé de tal modo que ele mal tocava o chão.

Harry visivelmente não conseguia respirar, Amélia olhou ao redor: Sírius duelava com um Comensal da Morte a uns três metros de distância, Quim lutava com dois ao mesmo, Tonks disparava feitiços contra Bellatrix, então como ninguém parecia notar o que acontecia ali, mesmo com a varinha em uma mão, a garota deu um soco no rosto do cara. O homem largou Harry imediatamente, soltando um uivo de dor. Harry, depois de ver a amiga fazer uma careta de dor, virou para enfrentá-lo e exclamou:

— ESTUPEFAÇA!

O Comensal tombou de costas e sua máscara caiu.

— Obrigado! — disse Harry, lhe lançando aquele sorriso de lado, que fez a amiga perder o foco por alguns segundos, e então puxou Neville para o lado no momento em que Sírius e um Comensal da Morte passavam por eles, duelando com tanta ferocidade que suas varinhas pareciam borrões; então, Harry escorregou. Exatamente, do nada. Amélia olhou para baixo e viu que ele baterá no olho de Moody, que estava deitado ao seu lado, a cabeça sangrando, e o atacante agora avançava naquela direção com o rosto pálido e comprido torcido de prazer.

— Tarantallegra! — gritou ele, a varinha apontada para Amélia, mas ela conseguiu desviar, infelizmente o feitiço atingiu Neville, cujas pernas iniciaram imediatamente um sapateado frenético, que o desequilibrou, desequilibrando a garota por consequência, então caíram de novo no chão. — Agora, Potter…

Ele fez um movimento cortante com a varinha na hora em que Harry berrou:

— Protego!

Mesmo com a proteção, Harry caiu para o lado, em cima das pernas dançantes de Neville.

Dolohov tornou a erguer a varinha.

— Accio prof...!

Sírius se precipitara de algum lugar, batera em Dolohov com o cotovelo fazendo-o ir para longe. E agora eles duelavam, suas varinhas cortando o ar como espadas, faíscas voando de suas pontas.

Dolohov puxou a varinha para fazer o mesmo movimento cortante que usara contra Harry, quando Harry se pôs em pé num salto berrou:

— Petrificus Totalus! — os braços e pernas de Dolohov se juntaram e ele adernou para trás, caindo com estrondo.

— Boa! — gritou Sírius, empurrando a cabeça de Harry para baixo quando uns dois Feitiços Estuporantes voaram em sua direção. — Agora quero que vocês saiam d…

Os dois tornaram a se abaixar; um jato de luz verde quase atingiu Sírius. Do outro lado da sala, Amélia viu Tonks cair na subida dos degraus, seu corpo inerte rolou de degrau em degrau e Bellatrix, triunfante, voltou correndo para a briga. Amélia colocou a mão na boca, não tendo mais lágrimas para derramar, Harry segurou a mão livre da amiga.

— Harry, leve a profecia, agarrem Neville e corram! — berrou Sírius, correndo ao encontro de Bellatrix. Quim, então, passou na frente, lutando contra o bexiguento Rookwood, já sem capuz; outro jato de luz verde voou por cima das cabeças dos adolescentes quando Harry se atirou para os amigo.

— Você consegue ficar em pé? — berrou nos ouvidos deles, enquanto as pernas de Neville sacudiam e torciam descontroladas. — Apoie um braço em meu pescoço e o outro em Amélia...

Neville obedeceu — a garota teve que se manter firme, ou então cairia novamente -, as pernas do amigo continuavam a sacudir para todos os lados, não o sustentariam, e então, sem que vissem, um homem se atirou sobre eles: tombaram de costas. As pernas de Neville se agitaram sem direção como as de um besouro de barriga para cima, Harry com o braço esquerdo erguido no ar tentando impedir que a bolinha de vidro se quebrasse e Amélia com a varinha erguida, segurando-a com força.

— A profecia, me dê a profecia, Potter — vociferou Malfoy em algum lugar. Então Amélia viu que Malfoy apontava a varinha para Harry.

— Não... me... largue... Neville... — então o Comensal olhou para a garota — ... apanha!

Harry atirou a profecia pelo chão, Amélia virou e a parou, colocando a pequena bola perto do peito. Malfoy, então , apontou a varinha para a garota, mas Harry espetou a própria varinha por cima do ombro e berrou:

— Impedimenta!

Malfoy voou para longe. Amélia o viu bater no lugar em que Sírius e Bellatrix agora duelavam. Malfoy tornou a apontar a varinha para os adolescentes, mas, antes que pudesse tomar ar para atacar, Lupin pulou entre eles.

— Reúnam os outros e VÁ!

Harry olhou a amiga e, juntos, agarraram e ergueram Neville até o primeiro degrau de pedra; as pernas do garoto se torciam e sacudiam, e não suportavam seu peso; tornaram a erguê-lo e subiram mais um degrau…

Um feitiço atingiu o degrau de pedra junto ao calcanhar de Harry; o degrau desmoronou e ele caiu no degrau abaixo. Neville afundou no chão, quase que levando Amélia junto, então para ter como agarrar ainda mais Neville, a garota colocou a esfera no bolso.

— Vamos! — disse Harry, desesperado, ajudando a amiga a puxar Neville pelas vestes, enquanto ele também a segurava pelas roupas. — Tente empurrar com as pernas…

Deram mais um puxão, esse sendo mais forte que os outros, então Neville puxou as vestes de Amélia e elas rasgaram, fazendo a bolinha cair do seu bolso e, antes que qualquer um pudesse pegá-la, o pé descontrolado de Neville a chutou: a profecia voou uns três metros para a direita e se espatifou no degrau abaixo. Quando Amélia olhou para o lugar em que ela se quebrará um vulto branco-pérola de olhos enormes aumentados se ergueu no ar, sem ninguém reparar.

Viu a boca do vulto se mover, mas com todas as colisões e gritos e berros que os rodeavam, não conseguiram ouvir uma só palavra da profecia. O vulto parou de falar e se evaporou.

— Harry, sindo muido! — exclamou Neville, seu rosto, assim como o de Amélia, aflito e as pernas ainda se contorcendo. — Sindo, Harry não dive indenção de…

— Não faz mal! — gritou Harry, Amélia olhava para baixo, se sentindo culpada. — Tente ficar em pé, vamos dar o fora…

— Dubbledore! — disse Neville, então Amélia o encarou, seu rosto suarento subitamente arrebatado fixando alguma coisa por cima do ombro de Harry.

— Quê! — a menina exclamou.

— DUBBLEDORE!

Amélia olhou para onde ele olhava. Diretamente no alto, emoldurado pela porta da Sala do Cérebro, achava-se Alvo Dumbledore, a varinha no ar, seu rosto pálido e enfurecido. Finalmente salvos.

Ou era o que Amélia gostaria que fosse. Seu estômago ainda pesava demais para a garota conseguir se acalmar e relaxar.

Dumbledore desceu depressa os degraus, passando pelos garotos. O diretor de Hogwarts já estava ao pé dos degraus quando o Comensal da Morte mais próximo percebeu sua presença e berrou para os outros. Um dos Comensais correu o máximo que pôde, trepando como um macaco pelos degraus de pedra do lado oposto. Um feitiço de Dumbledore o trouxe de volta com a maior facilidade, como se o tivesse fisgado com uma linha invisível…

Somente um par continuava a lutar, aparentemente sem notar o recém-chegado. Amélia viu Sírius desviar de um raio vermelho de Bellatrix: ria dela.

— Vamos, você sabe fazer melhor que isso! — berrou ele, sua voz ecoando pela sala cavernosa.

O segundo jato de luz o atingiu bem no peito. O riso ainda não desaparecerá do seu rosto, mas seus olhos se arregalaram de choque.

Harry soltou Neville e sem sua ajuda, Amélia e ele caíram. Ele estava novamente descendo os degraus aos saltos, puxando a varinha, ao mesmo tempo em que Dumbledore também se voltava para o estrado. Amélia soltou Neville, se levantou e foi correndo atrás de Harry.

Sírius pareceu levar uma eternidade para cair: seu corpo descreveu um arco gracioso e ele mergulhou de costas no véu esfarrapado que prendia o arco. Amélia parou no mesmo momento.

Viu, com a mão sobre a boca, a expressão de medo e surpresa no rosto devastado e outrora bonito do padrinho do amigo quando ele desapareceu além do véu, que esvoaçou por um momento como se soprado por um vento forte, depois retomou a posição inicial.

Então ouviu-se o grito triunfante de Bellatrix quebrar o silêncio que havia sido instalado.

— Sírius! — berrou Harry, fazendo a amiga acordar do transe e voltar a ir atrás de dele. — Sírius!

Ele alcançará o poço, sua respiração ofegante, mas quando soltou para o estrado, e o medo de não conseguir alcançá-lo atingiu Amélia, Lupin o agarrou pelo peito, detendo-o. A garota correu mais rápido.

— Não há nada que você possa fazer, Harry…

— Apanhá-lo, salvá-lo, ele só atravessou o véu!

— ... é tarde demais, Harry.

— Ainda podemos alcançá-lo... — Amélia viu Harry lutar com força e violência, mas Lupin só o soltou quando a garota o alcançou e lhe abraçou.

— Harry — ela falou, mas ele não a olhava. — Harry, não há nada que você possa fazer... — só então Amélia reparou que chorava — ... nada... ele se foi.