Beleza Perpétua
3 Amigos irritantes
Notas iniciais
O Sensei tivera uma péssima primeira impressão de Kumiko, mas logo, com o passar da primeira semana, ele notou que a menina não era estressada. Exatamente o contrário, ela era muito calma e gentil. Até o momento em que os garotos a irritavam sobre seu cabelo vermelho. Todos perceberam logo que era o calcanhar de Aquiles dela muito fácil e para aquelas crianças que só precisavam encontrar o motivo para implicar sempre... Era um alvo fácil.
Quanto ao resto... Ela encantou a todos, a menina era gentil e calma e até mesmo carismática. Era luz por onde passava. Ela ficou até um pouco amiga de uma das meninas mais velha da turma especial, Inuzuka Hanna. Ela tinha por volta de 9 ou 10 anos e amava brincar com Kumiko. Ela costumava até discutir com Satsuki quando ele vinha irrita-la.
E isso era bem frequente.
Os professores, nos fundos, brincavam que Kumiko era a boneca de Hana, pois a garota mais velha estava sempre arrumando os cabelos dela e falando o quão fofinha ela ficava com os quimonos formais que sempre usava.
— Esses garotos não tem respeito por ninguém. — Hanna reclamou com grande incomodo. Kumiko riu e balançou a cabeça. Era fácil ignora-los enquanto eles não estavam perto. Quando ninguém estava puxando seu cabelo com piadinhas e desfazendo o pentear cuidadoso de Hanna.
Hanna revirou os olhos e a arrastou pela vila. Kumiko não andava por Konoha sozinha, apreensiva por se perder, então era Hanna quem a mantinha fora da rotina da academia e os treinos em casa.
Elas tinham virado boas amigas e naquele dia a mais velha a convencera a almoçar no IcharakuRamén com ela e depois ambas iriam para a casa de Hanna estudar a matéria de ninjutso. Elas estavam comendo quando viram dois garotos discutindo e correndo pela rua. Um era loirinho e o outro moreno.
— Ei! Aquele é o Kiba. — Hanna exclamou surpresa — Meu irmão mais novo, ele tem sua idade. O que ele está fazendo na rua?
Estava um grupinho de garotos atrás de Kiba falando com o garoto loirinho. Kumiko o observou, ele parecia meio irritado, mas havia algo de terrivelmente familiar no rosto dele. O menino berrou com os outros garotos e saiu correndo enquanto eles riam. Uma sensação de desagrado se assentou no estomago de Kumiko, pois aquilo se parecia demais com o que ela mesma tinha que lidar na academia.
— Acho que eles estavam debochando do loiro. — Kumiko franziu a testa. Porque fariam aquilo? O menino gritou, é claro, mas parecia ferido. A própria Kumiko tinha reações como aquela.
Quando estava chateada com as implicâncias na academia, ela gritava e batia nos garotos. Só que ela, em mais de uma ocasião, se sentou na frente do espelho e ficou ruminando o que tinha de tão engraçado sobre a cor de seu cabelo. Havia magoa, mas ela tentava se lembrar que era um traço de seu clã. Karin tinha cabelo vermelho também, assim como Karya e sua mãe tinha tido também. Elas eram Uzumaki. Ainda assim, era difícil para uma garotinha ter orgulho da marca de seu clã quando estava sozinha no mundo e essa marca era feita de piada por aqueles ao seu redor.
— Ah! Aquele era o Naruto. Ele é bem atentado, então vive arrumando confusão. — Hanna descartou o assunto, mas Kumiko não gostou muito do irmão da outra. — Kiba!
— Hanna – Neechan! — Kiba acenou, falou algo com os amigos e se dirigiu até elas.
— O que está fazendo aqui? Mamãe tinha dito que te queria em casa pro almoço. – Ela censurou. Kumiko ignorou eles e continuou comendo. Ela não gostara muito de Kiba, o que ele fizera ao loiro, Naruto, a lembrara o que os meninos da sua classe faziam com ela e não importava que Hanna tivesse dito que Naruto era o problema.
Muitos diriam o mesmo dela com seu humor.
— Já almocei, quem está atrasada é você. — Kiba debochou e saiu correndo antes que Hanna retrucasse.
— Ele é meio irritante. — Ela deu um sorriso sem graça para Kumiko, mas a garotinha não respondeu.
Não demorou para que elas terminassem de comer. A mãe de Hanna era muito bonita e animada. Hanna fazia parte do Clã Inuzuka, um clã de controladores de animais. Ela pretendia virar apenas chuunnin e depois queria ser veterinária. Não era muito apaixonada pela carreira ninja, ao contrário de Kumiko.
Hanna possuía dois cães que andavam junto com ela em seus ombros e logo ela notou que todos na família tinham cães.
— Os clãns de Konoha tem algo que os diferenciam e cada um trabalha uma técnica. Nós trabalhamos junto com cães. Tem o Clã Hyuuga, que é um dos mais tradicionais, e o Masaaki da nossa turma faz parte do clã. Eles trabalham taijutso junto com o kekkei genkai deles. Já viu os olhos dele, não é? Então, você vai percebendo algumas características físicas. Alguns clãns tem elas bem óbvias. — Hanna tinha aquele tom professoral as vezes, talvez por ser bem mais velha do que Kumiko, e muitas vezes de grande ajuda.
Mas Kumiko não estava muito interessada naquilo, então ela mudou o assunto delicadamente. Elas passaram o dia estudando e depois Kumiko voltou para casa, àquela hora Amane já tinha ido embora. Ela suspirou, pois as vezes se sentia um pouco sozinha... Separou seu material de treinamento e voltou para a floresta onde vira o estranho assim que chegara.
Nunca mais o vira. Sequer sabia direito quem era. Não pensava nele com frequência, mas ele fora seu primeiro contato para confiar naquele lugar novo e ele tinha a feito confiar com tanta facilidade... Então, as vezes, enquanto treinava... Pensava onde ele estaria.
[...]
Fazia seis meses que Kumiko chegara em Konoha. Ela treinava e estudava. Ia para a escola e tentava ignorar os garotos da turma. Ela estava adiantada na matéria, segundo os professores, assim como metade da turma. As maiores notas eram as dela e as de Hyuuga Masaaki.
Eles separaram a turma na metade e Hanna não foi com ela.
O lanterninha da nova turma era Satsuki, mas mesmo assim ele foi. Comparado ao resto da outra turma, ele ainda era excepcional. A turma onde ela entrou já tinha sido uma turma de teste e, agora, oficialmente foi separada em turma especial e turma regular. Kumiko estava na especial. A discrepância de idades na turma era gigantesca, mas o talento de todos ali era inegável.
Eles começaram com a pratica. O que ela já fazia a muito tempo. Estava tranquila, apesar do nervosismo de estar numa turma própria para pessoas excepcionalmente talentosas.
— Hoje vamos treinar taijutso. — Kumiko franziu a testa esperando bonecos de treino, mas não havia nada. — Vocês farão duplas para treinar.
A menina arregalou os olhos. Ela não queria lutar com ninguém. Não mesmo. Tinha medo de machucar alguém, a memória daquela arvore secando perante seus olhos e não queria que acontecesse novamente o que houve com a arvore. Não. Ela começou a balançar a cabeça veementemente e isso chamou a atenção do sensei. O homem a encarou com rosto franzido.
— O que houve, Kumiko? — Ele perguntou.
— Não quero lutar. — Ela murmurou vermelha, todos estavam a encarando.
— É só treino. — Ele a tranquilizou, mas pensou que aquela era a problemática de colocar crianças jovens demais em treinamento ninja. Kumiko tinha noção que seu trabalho seria aquele?
— Alguém pode se machucar.
Demorou algum tempo pro instrutor finalmente convencê-la. Ela fez dupla com uma menina de cabelos loiros que ela vira algumas vezes na classe. Elas suspiraram e começaram a tentar aprender, Kumiko já sabia boa parte mas mesmo assim hesitava muito e acabava por ser acertada. A outra garotinha, que devia ser dois anos mais velha que ela, foi ficando confiante conforme Kumiko perdia.
Ela não gostava deste treino. O instrutor estranhou, pois ela parecia ser boa em tudo que fazia. Porque estava tendo tanta dificuldade com taijutso? Todos sabiam que ela costumava bater nos garotos que implicavam com ela, então taijutsu não deveria ser um problema.
— Kumiko, Alana! Deem um tempo, sim? — Elas assentiram e se afastaram uma da outra. Os ombros da menina ruiva estavam arriados. — Kumiko, venha aqui. — A menina engoliu em seco e foi até ele enquanto observava outra dupla — Por que não gosta de lutar?
— Não gosto de ver as pessoas se machucando. — Ela respondeu sinceramente — É ruim.
— Na vida ninja, você vai ver muitas pessoas se machucando, Kumiko. – Ele disse a ela tentando entender aquilo, ela realmente só não lutava porque não queria machucar ninguém? Talvez fosse o caso de encaminhar a garota para treinamento Ioryn após a formação na academia. Talvez fosse uma daquelas crianças que conheciam sua força, mas a compaixão era seu maior problema.
Eram raras, mas Kumiko não seria a primeira daquela forma a ter passado pela academia.
— Ser ninja é ajudar os outros. A vila. Proteger os civis para que ninguém os machuque. Se o nosso poder é pra proteção, porque usar para machucar? — O instrutor arregalou os olhos. O que...? Ela realmente tinha só quatro anos? Ele lembrava do dia do aniversário dela, pois foi comemorado em sala e as crianças tinham se divertido muito. Kumiko era a mais nova da turma.
Ele pensou que talvez tivesse sido errado mandar ela para a turma avançada, ela era muito jovem e poderia ter se adaptado melhor na turma regular. Eles iriam se formar em mais tempo, diferente daquela, preparada para ser jogada nas missões mais rapidamente. Aquela criança estava pronta para isso? Dispensou Kumiko da conversa e logo eles mudaram para Kunais e Shurikens. Desta vez, Kumiko não errava uma. Era seu desempenho usual.
Ela tinha problemas só com Taijutso pelo visto.
O instrutor a observou com uma dúvida crescente, ela lhe lembrava alguém com aquele desempenho e a postura usualmente tranquila.
Quem? Era instrutor ali há muitos anos e vira todo tipo de aluno, mas nunca vira um gênio com Kumiko que tivesse tanto medo de machucar os outros. Ele espantou os pensamentos e foi ajudar alguns alunos que estavam indo mal.
[...]
— Kumiko! Kumiko-Chan! — Hanna gritou correndo atrás da menina, o horário de aula tinha acabado. A menina sorriu animada para amiga — Nós queremos ir no bosque treinar shurikens mais tarde, quer ir?
— Claro! – Ela assentiu animada. — Nos vemos lá.
Kumiko observou a rua e continuou o caminho depois que Hanna se foi. Sua casa era meio longe da onde a academia se localizava e, então, enfim, ela viu ao longe ela viu um rapaz de cabelos escuros andando com um menino menor. Ela deu um meio sorriso ao reconhecer Itachi, o rapaz que falara com ela quando chegou em Konoha. Meses tinham se passado sem vê-lo. Sorriu, um sentimento engraçado por só saber que ele estava lá, e seguiu caminho.
Ela passou sem se deixar ser notada e foi até sua casa vazia. Amane pouco ia lá. Kumiko estava tomando conta das tarefas mais simples, como cozinhar e arrumar os cômodos que mais eram utilizados. Ela conseguia se virar bem sozinha.
Comeu, tomou um banho e trocou de roupa. Passou algumas horas estudando e finalmente resolveu sair até a floresta. Ela sabia onde Hanna pretendia treinar, então apenas seguiu calmamente. Ela ouviu e sentiu o chakra antes de encontrar, mas aqueles definitivamente não eram o chakra de Hanna.
Ela parou. Sentiu-os antes de vê-los, então três garotos saíram de trás das arvores ao redor dela.
— Quem são vocês? — Ela perguntou se segurando no lugar. Eles usavam bandanas com o símbolo de Konoha e pareciam mais velhos.
— Ninjas da vila. Gennins. — Um deles respondeu com um meio sorriso — Soubemos que você é uma menina da academia que tem medo de lutar.
Kumiko deu um passo para trás, quem eles eram e o que queriam? Pior, como descobriram quem ela era? E o que mudava na vida daqueles garotos que tipo de ninja ela seria ou seus problemas de desempenho na academia? Isso parecia algo que não deveria ser considerado por ninjas formados.
— Não gosto de machucar ninguém — Respondeu baixinho, mas, de alguma forma, conseguia sentir a intenção ruim deles. O chakra deles? Parecia oleoso. Sentir aqueles chakras lhe dava uma sensação ruim. Conseguia discernir sentimentos das pessoas por eles? Kumiko não compreendia aquele dom direito, mas parecia que, ao menos uma leve noção conseguia, sim. Os rapazes riram de sua resposta e ela quis correr.
Nada daquilo parecia amigável.
Não era a primeira vez que encontrava um rapaz estranho na floresta, mas a atitude daqueles garotos era muito diferente da que Itachi tinha tido.
— Pena. No mundo ninja ou você machuca, ou é machucado. — Ele olhou para os outros rapazes. — Peguem ela.
Kumiko arregalou os olhos e fugiu assustada. Saltou numa arvore e fugiu. Podia não ser a melhor abordagem, mas não queria lutar. Queria desaparecer. Não tinha experiência com taijutsu, por sempre evitar treina-lo, então sabia que seria subjugada. Sua capacidade de ninjutsu era minúscula, pois ainda estava na academia. Ela era menor, estava em desvantagem numérica e em desvantagem de habilidade. Se eles seguissem por sua palavra e fossem machuca-la, eles teriam sucesso.
Os rapazes a seguiram e eram muito rápidos. Ela saltou numa arvore e se impulsionou para o chão na direção oposta, numa tentativa vã de despista-los. Eles lançaram Kunais tentando acerta-la e riram da tentativa de fugir.
Um rapaz a alcançou e a segurou pelos cabelos. Com o impulso do seu cabelo, ele a lançou no chão. Kumiko cerrou os dentes sentindo os olhos queimarem com lagrimas.
Aquilo não fazia o menor sentido.
— O que querem... comigo? Não fiz nada para ninguém — Ela murmurou baixinho e chorosa. Era uma criança. Não podia compreender a motivação para um ataque gratuito.
— Ninjas tem que ser fortes. Não precisamos de menininhas choronas como ninjas. — Um deles disse com crueldade. Ela foi levantada pelo braço e lançada com força numa arvore, suas costas doeram com o impacto. — Você vai acabar fazendo com que alguém seja morto por ser incompetente. Desista agora.
Kumiko choramingou, as lagrimas correndo pelo seu rosto, e sentiu um deles agarrar seu cabelo novamente. Ela se forçou para longe, sentindo o couro cabeludo arder com o esforço, e tentou não gritar. Eles riam.
— Yo! — Uma outra voz conhecida disse — Deixem ela!
Com a distração, Kumiko conseguiu se soltar do aperto em seu cabelo. Caiu no chão e, melancolicamente, observou várias mechas de seu cabelo que tinham sido arrancadas e estavam caídas ao seu redor.
Ela pode ver Masaaki olhando assustado o que acontecia no topo de um galho.
— Não se meta, Hyuuga. — O menino foi descartado, mas quando foram pegá-la novamente Masaaki tinha saltado da arvore e se interpôs no meio. — Disse para não se meter.
— Ela é uma criança. — Masaaki disse com raiva — Deixe-a em paz.
Alivio inundou suas veias e Kumiko olhou para Masaaki agradecida, mas não queria que ele se machucasse. Ele era apenas um e haviam três inimigos. Kumiko sabia que não seria de grande ajuda.
— Se não sair da frente, Hyuuga, nós vamos tira-lo. — O garoto da esquerda disse com raiva. Masaaki permaneceu firme em seu lugar. — O lugar de criancinhas não é na linha de frente. Ela precisa de um castigo para lembrar do seu lugar.
— Sai daqui, Masaaki – Kun. — Kumiko murmurou baixinho para ele. De costas pra ela, Masaaki negou lentamente com a cabeça.
— Nem pensar. — Ele respondeu calmamente — Esses garotos nem merecem o chakra que corre nas veias deles. Isso é covardia e não vou deixar eles atacarem uma pessoa que se recusa a combater por empatia.
Os olhos da menina transbordaram de lagrimas ao verem eles se preparando para atacar Masaaki. Ela fechou os olhos tentando não sentir as lagrimas e nem ver o garoto doce que a defendia levando uma surra por causa dela. Ela estava se esforçando tanto para não machucar ninguém, para não repetir o que aconteceu com a arvore, pra não correr o risco de fazer aquilo em um ser vivo... Entretanto, nem com todos seus esforço, ela conseguiu. Alguém ia se machucar novamente e a culpa era dela.
Como com seus pais. Como com aquela arvore.
Ela queria se levantar e lutar contra os rapazes, queria ajudar Masaaki, mas não queria que nenhum acidente acontecesse. Por que não podia ser uma criança normal?
Kumiko ouviu o som da luta e sequer se preocupou em tentar ver quem ganhou. Não queria ver. Não suportava ver Masaaki machucado, mesmo sabendo que ela seria o alvo após ele... Toda sua angustia se voltava a ideia de que alguém iria se machucar defendendo-a. Soluçou. Então, sentiu alguém a segurando pelos ombros delicadamente.
— Kumiko – Chan? — A voz de Masaaki soou e ela conferiu o chakra antes de abrir os olhos. Era ele mesmo! Os três rapazes estavam no chão, mas se levantavam doloridos e com ferimentos superficiais. Um deles já corria para longe.
Mesmo com dor, Kumiko sorriu e se lançou nos braços de Masaaki com força, o que o derrubou com ela em cima agarrada no pescoço dele e chorando de alivio, felicidade e agradecimento.
— Arigato gozaimasu, Masaaki – Kun! — Ela soluçou ao mesmo tempo que ria. Masaaki tinha ficado paralisado em choque pelo gesto dela e seu rosto ficou absurdamente vermelho pela ruivinha estar em cima dele o abraçando, mas riu do alivio dela que ficava repetindo ‘Arigato” milhares de vezes.
— Não tem de que, Kumiko – Chan. — Ele riu — Não podia deixar que eles te machucassem.
E aquilo era somente um começo. Mais um começo.
Fale com o autor