Belanote

3 Capítulo 3 - Melodia.


Notas iniciais
Não se esqueça de ler os outros capítulos.

A maior complicação em organizar um evento clandestino e manter seu sigilo. Dês do início do segundo milênio manter qualquer coisa em segredo é um desafio, piorando ano após ano. Depois do início do regime Bashkim, manter algo escondido ficou praticamente impossível.

Um grupo independente, sem ligações com a prefeitura local, organiza festas. Eram simples, com barracas e música. Não era nada extravagante.

Essas festas aconteciam com freqüência, em várias localizações diferentes, os organizadores tentavam aproveitar dos feriados como uma desculpa para elas. Os líderes públicos não proibiam festas, apenas não á apoiavam, assim sendo necessário o patrocínio de empresas privadas.

Existiam muitas empresas privadas que se interessavam em patrocinar essas festinhas municipais, era bom, movia a economia local e animava o povo que precisava desse tipo de diversão. O mais importante e que distraia a atenção dos oficiais de Braskem.

Nas cidade pequenas o número de oficiais e baixo, no caso dessa em especifico era apenas um. Com as festividades rolando no centro o oficial deveria permanecer lá para manter a ordem, sendo assim deixando livre as áreas afastadas.

O galpão era montado rapidamente, não era muito grande, com a ajuda das cápsulas de Belanote que os peões usavam o serviço foi finalizado em uma tarde. La dentro a arena era transportada. Era muito complexo para ser montado no local, era sempre transportado.

Seu molde era um octógono de UFC padrão, porem tinha pelo menos o triplo da área de luta. Suas grades eram feitas de material criado com base no estudo da perola de Belanote, sendo assim ele absorvia o impacto. Ele tinha um teto, a peculiaridade era que o chão e o teto tinham cristais de Belanote por baixo de uma camada grossa de um resistente vidro blindado, as grades iam do chão ao topo da arena e por esse motivo a chamavam de A Gaiola.

Com a necessidade da luz solar para que a Belanote possa funcionar, não tardou a criação de uma tecnologia de armazenamento. O aparelho era composto por 3 peças principais, a íris que captava a luz para a guardar e a emitia para liberá-la. O compartimento de retenção, era um cilindro de chumbo oco do tamanho de uma caixa de sapatos que armazenava a luz, como a luz não tem forma ou massa o cilindro captura uma “infinita” quantidade, mas luz e calor portando ele esquenta, não tem como medir a luz portando não fazia sentido criar uma forma de medida, porem se sabia o quanto tempo de luz duraria dependendo da temperatura do compartimento de retenção. Deram o nome de Licht a medida e ela funcionava por essa lógica 1Licht era relativo a 1.25 graus C° de temperatura no interior do frasco, cada 1Licht iluminava 10m³ por 5 minutos e cada Licht demorava em média 15 minutos para ser absorvido pelo pararelho, essa demora de x3 para captar a luz era devido a energia que escapava ou era dissipada no processo. A última parte do aparelho era uma perola de Belanote adaptada, ela tinha as propriedades normais de absorção como todas as outras pérolas que eram responsáveis na geração de energia limpa, porem ela foi adaptada de uma forma no aparelho que ela não absorvia a luz e a transformava em calor, ela funcionava como um “íman" apenas, no momento que a luz era atraída para a perola ela era interceptada pela íris que a manda por sua vez para o cilindro de chumbo. Quando se deseja liberar a luz um pedaço de chumbo cobre toda a superfície da perola impedindo que ela capture novamente a luz que ela acabou de liberar.

Deram o nome de Licht-Box, era um aparelho caro porem extremante útil, ele era peça essencial para A Gaiola funcionar necessitava de três Licht-box por vez com pelo menos 10 Licht de carga cada um para poder durar uma luta inteira sem complicações.

Ao ser posta para funcionar A Gaiola emitia uma melodia, os cristais eram posicionados de uma forma que o movimento dos lutadores criava uma música com o som natural que eles faziam. Alguns cristais recebiam mais luz que outros fazendo o tom musical mudar, quando um lutador encostasse na superfície da arena os cristais que ficavam imediatamente em baixo dele paravam de ser iluminados e quando ele começava a se movimentar eles iam acendendo seus feixes de luz novamente. A luta era muito mais que violência gratuita, era uma obra de arte.

As lutadas deveriam ser rápidas, porque não tinham muito tempo. Dificilmente ocorria mais de 2 ou 3 lutas em um mesmo lugar, não podiam correr o risco de um oficial descobrir e acabar com o negócio, rendia muito dinheiro. As lutas eram gravadas e apenas eram postadas na internet quando já estavam longe do lugar para não correr o risco de serem rastreados. Os espectadores eram poucos, não mais que 50, não podiam chamar muita atenção. O lugar foi montado bem longe do centro no meio do mato, um lugar muito isolado. O galpão tinha uma isolação sonora excelente, o barulho não era um problema. O líder do evento se dirigiu para anunciar o começo do evento.

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— Senhoras e senhores! – Gritava o anunciador em com uma voz modificada, porem clara e chamativa — Lhes dou as boas-vindas ao trigésimo quinto evento de Super-Luta! Hoje teremos apenas uma luta, mas não se decepcionem porque essa valera por dez!

Era gordo e careca, não tinha rosto, assim como todos as pessoas ali usava uma mascara digital, a imagem que aparecia no centro de sua face era uma enorme exclamação, simbolizando que ele estava falando. Parecia que ele fazia aquilo com frequência. Usava um terno verde e estava em pé em uma plataforma criada fora da Gaiola.

— Vindo de uma família japonesa, antiga nas artes do Kung-Fu. Detentor de 5 títulos e invicto até então.... Lee “Destroyer” Saito!!!

Da extremidade leste da arena o japonês entrava, ele fazia jus ao seu apelido, tinha pelo menos 110 kg de musculo em um corpo de 1,70 de altura. Usava apenas uma sunga box vermelha. Seu rosto estava sua face era tampada do nariz para baixo pela mascara digital. Não existia expressão.

Destroyer entrava pulando na ponta dos pés desferindo vários socos no ar. Após alguns segundos ele já começara a sentir os efeitos das luzes de Belanote, com a velocidade potencializada seus socos eram quase impossíveis de se ver.

— Vindo do da África do Sul. Especialista em armas brancas e Capoeira. Detentor de 3 títulos... Alex “Carrasco“ Krill!

Alex entrou na Gaiola confiante, mortais sem precisar usar as mãos apenas com o giro do corpo. Ao sentir a luz sendo absorvida por sua pele ele continuou os movimentos de capoeira, ele parecia um borrão, como se a vista humana não pudesse a acompanhar a sua “dança”. Usava apenas uma sunga box Branca. Sua mascara cobria o naruz para cima de sua cabeça, era branca, não atrapalhava-o a enxergar.

— A regras são simples. – Continuou o anunciador – será apenas um round, a partida acaba quando um dos dois não poder mais lutar, o que estiver de pé vence. A partir do terceiro minuto de combate suas armas preferidas serão jogadas na arena. Matar faz parte da luta.

E a arena foi a loucura.

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Alex sabia que sua pele negra lhe dava certa vantagem, ele absorvia melhor a luz de Belanote, sendo assim ficando mais poderoso que seu adversário. Ele também era bem maior que o japonês e bem mais pesado. Mas ele sabia que os lutadores eram escolhidos porque suas habilidades eram aproximadas e não por conta do tamanho como era no passado. Também sabia que teria que enrolar a luta até sua arma ser jogada, ele se virava vem sem armas, mas não se comparava quando estava armado. Ele estudava a feição do japonês, seus olhos cerrados o encarando, era como uma provocação, ele sabia que seria duro vencer essa.

Ting!

Soa o sino de início.

Foi o tempo de piscas os olhos, Alex toma um chute no meio de seu peito. Cai para traz, mas já fazendo o movimento de se levantar em um salto mortal. O japonês vinha com tudo correndo em passos largos em uma velocidade tão alta que se Alex também não estivesse sobre o efeito do Belanote ele não veria nada. Uma metralhadora de socos em seu peito, era muito rápido para defender todos. O carrasco dá um posso para traz e tenta uma rasteira, seu movimento com os pés era muito melhor que do Destroyer, ele acerta e o corpo do japonês gira no ar. No meio do giro Alex encaixa um chute no flanco de seu inimigo com toda sua força, chutando para cima. Isso lança Lee longe como uma bola de futebol.

O peito de Alex estava em uma dor latejante, se não estivesse sobre o efeito da luz, talvez até mesmo se sua pele não fosse tão ideal para absorve-la. Ele já estaria morto, cada soco seria uma perfuração.

O japonês não parecia muito diferente, mas conseguia manter a compostura. O chute que ele havia tomado teria sido suficiente para separar um homem em dois. O corpo de aço e realmente muito resistente.

Alex sabia que a torcida devia ter em chamas gritando depois daquilo, mas ele não escutava nada, a única coisa que conseguia prestar atenção era no som doce das luzes ao seu redor, toda aquela ação era uma melodia que dava a ele a vontade de derreter em lagrimas, e a coisa mais bela que existe.

Cada chute e soco travado, cada avanço e esquiva era uma nota, era um som. Não existia platéia, não existia dor nem medo. Só existia o Carrasco e o Destroyer, só existia o duelo de duas maquinas de morte em um campo de melodia.

Ting!

Soa o sino de três minutos, as armas foram jogadas.

O sino era um pecado, perturbando a melodia daquela luta, quase uma dança.

Ele não se demorou para pegar sua arma, era um machado grande de duas mãos, tinha detalhes em luzes. Ele mesmo mandou fazer, os propulsores na parte traseira davam um boost de velocidade no momento que era usado. Suas lamina era uma serra flamejante. O machado era como um ser vivo, faminto.

Agora era a hora de vencer, pensou Alex. Com sua arma ele não podia ser derrotado.

Correu e pulou usando seu peso para um ataque de cima com o machado, queria cortar seu oponente ao meio e acabar logo com aquilo.

Para sua surpresa Lee conseguiu defender, em cada mão ele empunhava uma Vibro-Katana. Suas laminas vibravam voluntariamente, era uma arma de corte supremo. Ele as levantou em cima de sua cabeça formando um X que o defendeu do ataque.

A velocidade de seu adversário era louvável, suas espadas eram como ferroes, ele era como uma abelha. Uma enorme abelha mutante do inferno.

Alex percebeu que sua arma era grande demais para enfrentar o japonês quase tarde demais. Lee corria em sua direção, esquivou do machado e preparava um ataque, Alex viu como seria o movimento, atacando pela esquerda e direita ao mesmo tempo não tinha como escapar.

Alex se jogou por de baixo de pernas do adversário.

Existia um motivo de sua mascara ser na parte superior. A mordida humana tem uma força de 68kgs, enquanto um leão tem 430kgs. A mordida de Alex tem pouco mais de dez vezes a mordia humana, ultrapassando os 700 kgs, por isso o tendão do calcanhar da perna direita de Lee não estava mais lá quando o carrasco tinha terminado seu rolamento.

Lee estava no chão com usas espadas em sua frente, talvez se ele pudesse pega-las...

O carrasco estava em pé, em sua face era sangue. Ergueu sua para saudar o publico A luta já estava acabada, o japonês não pode mais lutar, Alex pensou. Mas seu machado estava com fome.

Ele o levantou no alto e o desceu com toda sua força.

Lee conseguiu pegar uma de suas espadas e tentou defender o golpe.

Falhou, o machado quebrou sua Vibro-Katana e atravessou seu corpo o partindo em dois.

A melodia cessara. E apenas agora Alex escutava a torcida gritando ao seu campeão.

— Carrasco! Carrasco! Carrasco! – A torcida estava em chamas.

Ele levantava o machado ensangüentado para o público e urrava vitorioso.

--//--

— A vitória e de Alex Krill! – Gritava o anunciador, ofegante ele parecia ter narrado a luta inteira. – Que luta, que luta! Um jubilo de violência. Tragam o prêmio para o vencedor, andem logo!

Uma mulher trazia uma mala, Alex sabia que nela devia ter dinheiro. Ele ficou olhando fixamente para aquilo, no final valeu a pena, ele pensou.

Talvez não.

As luzes se apagaram.

Ryan tinha chegado.

Notas finais
Capítulo 4 já postado.