Bela descoberta
9 Parentes
Notas iniciais
Cobra ouviu alguns passos atrás de si. Já estava na hora de fechar a loja, então ele não fazia ideia de quem seria. O rapaz virou-se em direção à porta de vidro. No instante que viu quem era, ficou atônito.
– O que você ta fazendo aqui, Carla? – Perguntou ainda em choque.
A menina segurou na mão do rapaz que a acompanhava.
– Eu estava morrendo de saudades de você e o Rafa decidiu vir comigo visitar o meu irmão – Falou sorrindo de orelha a orelha.
Quando Cobra saiu de casa, ele deixou três irmão para trás, mas não imaginava que voltaria a vê-los. Ver sua irmã mais nova, era ótimo e horrível ao mesmo tempo, pois ninguém deveria saber onde ele estava.
– Como você me achou? – Perguntou cruzando os braços.
A garota soltou a mão do namorado e se aproximou do irmão.
– Relaxa Ricardo, ninguém mais sabe aonde você tá – Falou olhando-o nos olhos. Seus olhos transmitiam conforto – Agora da um abraço da sua irmã, que ela tava louca pra te ver.
Cobra abraçou a irmã, os poucos segundos que livraram sua cabeça de todos os problemas que o estavam deixando pilhado. Um silêncio constrangedor se seguiu, até que o lutador quebrou o gelo.
– Então, quem é esse “Rafa” – Ele usou aspas ao pronunciar o nome do rapaz.
Carla deu risada com a reação do irmão.
– O Rafa é o seu cunhado – Ela falou sorridente.
Era estranho ouvir isso da irmã de apenas 17 anos, mas Cobra gostava de vê-la feliz e era o que ela aparentava estar.
– Ah – respondeu apenas.
Karina ainda estava na varanda, querendo saber quem era o tal casal. Para ela, era horrível estar presa em um lugar e não ter para onde fugir. O gesso a impedia de descer pelo poste e seu pai definitivamente não a deixaria visitar o amigo. Foi então que ela lembrou-se do celular. Seu pai havia esquecido desse pequeno detalhe. Karina voltou para o quarto e pegou o celular.
– Cobra, eu vi alguém entrando aí no QG. Tá tudo bem?
Após um longo tempo de espera, Karina percebeu que o rapaz não a responderia e decidiu dormir. No dia seguinte, ela acordou cedo, se arrumou e foi tomar o café da manhã.
– Então pai, eu posso pelo menos ir com você para a academia? – Perguntou sentando-se à mesa.
O pai da menina já estava tomando seu café quando ela chegou. Após um longo silêncio ele disse:
– Você só vai, se for para limpar os materiais. Nada de treino de pernas – Falou irreverente.
Karina respirou fundo algumas vezes e bufou antes de responder.
– Tudo bem.
Cobra estava acordado a pouco tempo. Ele havia dormido tarde no dia anterior, então recompensou dormindo mais naquele dia. A chegada inesperada da irmã, o fizera refletir em relação à Karina. Ele nunca fora muito receptivo com as pessoas, apenas com os irmãos e Karina o mostrou que nem sem as pessoas eram como ele esperava, mesquinhas e interesseiras. Então, o rapaz decidiu que não perderia uma amizade forte como a que ele havia construído com ela. Foi aí que a mensagem não respondida de Karina passou por sua cabeça. O lutador foi até o balcão do QG e pegou seu celular.
– Preciso falar com você. É sério.
Karina recebeu a mensagem e ficou surpresa. Ela esperava perder seu amigo pela tal paixão repentina. Entretanto, seu celular apontava o contrário e isso a deixava feliz. Então ela respondeu.
– Quando der, te aviso.
A garota já estava pronta para ir à academia, só estava esperando seu pai. Ele não demorou para aparecer do quarto e os dois foram até seu destino. No caminho a lutadora parou e olhou para o QG, porém, seu amigo não a viu. Ela entrou na academia chateada e irritada, um pouco porque Cobra não a viu e um pouco porque não poderia fazer seu treino.
As duas horas que se seguiram, foram uma tortura para Karina. O pai a obrigou a limpar todos os equipamentos de treino e enquanto ela fazia isso, observava seus amigos treinando. Estava próximo da hora dela ia ao colégio, então a lutadora pegou o celular e mandou uma mensagem rápida à Cobra.
– Daqui a pouco eu tô aí.
Cobra recebeu a mensagem e logo ficou animado. Ele estava com saudades da intimidade que tinha com a amiga, há pouco tempo. Levantou-se na cadeira e foi até os fundos do QG. Lavou o rosto com a água fria da pequena torneira que havia e seu banheiro. Ele estava tentando encontrar as palavras para contar à Karina sobre sua família. Aquilo sempre fora um assunto delicado para ele, e com a aparição da irmã, tudo veio à tona. Ele teria tempo de falar com ela, enquanto a irmã e seu namorado estivessem no hotel. Assim, quando eles aparecessem, não seria uma grande surpresa para a amiga.
Cobra voltou pra frente da loja e ficou andando de um lado para o outro, enquanto esperava por Karina. Não demorou muito para a lutadora aparecer. Era sempre bom para o rapaz, observar os movimentos da amiga. Eles mostravam como ela era perfeita em tudo o que fazia e isso o deixava encabulado.
– Oi Cobra – Falou entrando no QG.
A garota estava com a blusa do colégio e a típica calça jeans colada contra o corpo. Desde que Cobra descobriu que gostava de Karina, era difícil vê-la com essa roupa que acentuava seu corpo, na verdade, com qualquer roupa.
– Então – Falou Karina, fazendo Cobra voltar à realidade – Você vai falar que eram aquelas pessoas?
A lutadora estava sendo ríspida, esperava que o amigo fizesse o mesmo, como havia feito no dia anterior. Porém, ela foi pega de surpresa, por um abraço do lutador mais durão que ela já havia conhecido. Demorou um pouco, pois seus músculos ficaram rígidos, mas logo ela correspondeu ao abraço. Os dois ansiavam por aquilo, só não conseguiam enxergar, quanto mais admitir.
– Me desculpa K – Disse Cobra ainda em seus braços – Demorou pra eu perceber o quanto estava sendo cabeça dura.
Os dois se afastaram e Karina lançou um sorriso para o amigo.
– Tudo bem, eu ne...
– Esquece de tudo – Interrompeu Cobra – Tudo que eu disse ou fiz para você.
Karina segurou o rosto do lutador que estava transtornado, olhou bem em seus olhos e transmitiu confiança.
– Tudo bem Cobra, relaxa – Falou.
Cobra se afastou de Karina, sua proximidade mexia com ele.
– Ta, então... – Ele respirou fundo – Aquelas duas pessoas que você viu ontem são a minha irmã mais nova e o namorado galã dela.
Karina ficou estática por um momento. Cobra nunca havia conversado com ela sobre sua família e àquela altura do campeonato, uma irmã era algo completamente desconhecido para ela.
– Irmã? – Perguntou por fim.
O rapaz deu uma leve risada e balançou a cabeça.
– Pois é – Falou apenas.
Karina sentou em uma das diversas cadeiras do lugar e apontou para uma ao seu lado, para que o amigo a acompanhasse.
– O que foi? – Perguntou Cobra, sentando-se.
– Desembucha – Falou a amiga – Quero saber de tudo.
[...]
Cobra contou tudo que Karina precisava saber sobre a família, o que fez a garota ficar assustada em alguns pontos. A lutadora levou a mão ao bolso e puxou seu celular, conferindo as horas. Fez uma cara de espanto, assim que enxergou 17:40 no celular.
– Caramba – Alou se levantando – Eu esqueci da escola.
– Caraca, verdade – Respondeu Cobra, coçando a cabeça.
Karina colocou o celular no bolso novamente e olhou em direção à academia de seu pai. O lugar ainda estava aberto.
– Vou até lá escondida e já volto, meu pai já vai fechar e se ele me ver aqui eu tô morta – Falou – Eu esqueci minha mochila lá, o jeito é eu esperar para ver se ele não vai pedir pro Duca fechar a academia, daí da pra pega-la.
Cobra assentiu e observou enquanto a amiga se esgueirava por trás de alguns carros. Um carro familiar parou a poucos metros do QG, o que fez Cobra bufar. Sua irmã e seu “cunhado” saíram do carro e adentraram ao local, sorridentes.
– Fala maninho – Falou Carla abraçando o irmão.
Rafael ainda muito quieto, apenas acenou com a cabeça, ele era o típico galã desejado por todas as meninas, metido.
– Então – Falei pegando uma garrafa d’água dentro da geladeira – Imagino que já tenham visitado o Rio todo.
– Quase isso – Falou Carla.
Fez-se um silêncio, até que todos ouviram um ronco e Carla colocou a mão na barriga.
– Que fome – Falou – Não tem nenhum lugar bom por aqui que venda lanches?
– Na verdade tem – Falou Cobra – Quer que eu leve vocês?
Carla assentiu, mas Rafael sentou-se em frente à um do computadores.
– Vão vocês – Falou — Eu tenho umas coisas pra ver no computador.
Cobra bebeu grande quantidade da água e deixou a garrafa em cima da mesa. Carla se aproximou do namorado e deu um selinho no mesmo.
– Vamos? – Perguntou se aproximando da porta.
O irmão apenas a seguiu, sem responder.
Karina desejava que Gael pedisse à Duca para fechar a academia. Ela estava atrás da banca da dona Dalva, apenas observando. Foi quando ela viu Duca sair da academia e percebeu que quem fecharia a tal, seria o pai. Então a passos rápidos e cautelosos, ela voltou ao QG.
– Ai Cobra, nem deu pra pegar a minha mochila – Falou entrando no local vazio.
Ela ouviu uma descarga e foi até os fundos da loja. Sentou-se na cama do amigo e se levantou na mesma hora, vendo Rafael sair do banheiro.
– Quem é você? – Perguntou assustada.
O rapaz estava fechando o zíper da calça quando a viu.
– O Rafael – Falou meio confuso.
–Você deve ser o namorado da irmã do Cobra –Falou Karina, apontando para ele – Cadê ele?
– Saiu – Disse Rafael, apenas.
Karina deu alguns passos para o lado oposto do loiro.
– Ah, então deixa – Falou indo em direção à frente da loja – Mais tarde eu volto.
A menina deu alguns passos, até que sentiu uma mão a segurar pelo braço.
– Por que ir embora agora? – Perguntou Rafael irônico.
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