Bela descoberta
5 A queda
Notas iniciais
Fiquei atônita, não sabia o motivo daquilo estar acontecendo. Meus sentidos demoraram para tomar a iniciativa de empurra-lo mas quando isso aconteceu, foi mais forte do que eu esperava. — Cobra, por que você fez isso? Tá maluco? — De todos os sentimentos que eu estava sentindo, não sobrava espaço para raiva. Cobra estava segurando meu braço. Seu olhar também transmitia surpresa. — Desculpa K — Disse passando a mão livre na cabeça — Foi empolgação. Dou risada. — Claro, porque se você ficar empolgado com algum amigo seu, vai sair beijando ele — Falei. O rapaz começa a dar risada e eu o acompanho. — Foi mal, não vai mais acontecer — Disse por fim. Não sei o motivo, mas não gostei de ouvir aquilo. Me aproximei dele com a mão em seu peito. — De qualquer forma — Disse o empurrando de leve — Não pode ficar por isso mesmo. Próximo o suficiente da piscina, o empurrei. Contudo, no último segundo, ele me puxou junto dele. Em segundos estávamos encharcados. — Você não deveria ter feito isso — Falei saindo da piscina. Por pouco minha mochila não caiu dentro da piscina também. Quando Cobra saiu da piscina, suspirei. A camiseta rente ao corpo mostrava o físico perfeito do rapaz, o que me deixou desconcertada. — Então K — Ele passou a mão no cabelo para tirar o excesso de água — Amanhã de noite agente podia lutar, né? — Claro — Respondo sem pensar duas vezes. Pego minha mochila e passo a mão no rosto. — Eu vou pra casa. Tchau Cobra — Disse saindo do local.
Entrei em casa e a Bete já havia ido embora. Meu pai estava conversando com seus bonsais. — Filha? Que demora ein — Disse ele me olhando em seguida — Nossa, você ta completamente molhada, o que aconteceu? Pensei por um instante no que diria para ele. — Pois é pai, eu perdi o ônibus e começou a chover — Falei por fim. — Mas e como voc... — Eu preciso de um banho, depois agente conversa — Interrompi meu pai. Fui para o banheiro e me despi. Permaneci de baixo do chuveiro, parada, apenas deixando que a água escorrer pelo meu corpo. Meu desejo era que junto da água, minhas memórias também fossem para o ralo. Pode ser clichê, mas se arrependimento matasse, eu com certeza estaria a sete palmos da terra. Eu não deveria ter caído nas armadilhas do Pedro, infelizmente isso aconteceu. Passo tanto tempo no chuveiro que meu pai me chama uma ou duas vezes. Me enrolei na toalha e fui para o quarto. Do jeito que deitei na cama, adormeci, estava "morta" de cansaço. Meus sonhos ultimamente, eram todos sobre a traição do Pedro. Porém, naquele dia meu sonho foi diferente:
Eu estava na academia quando ouvi uma música ao fundo. Seguindo o som cheguei até Pedro, tocando em seu violão. Era a música que ele compôs para mim. Em algum momento, Cobra apareceu e nocauteou meu ex. O rapaz deixou Pedro no chão e se aproximou de mim, estava prestes a me beijar quando acordei com o barulho do despertador.
Eu não sabia porque havia sonhado com Cobra e isso me assustou um pouco. Sempre o vira como um amigo muito forte, quase irmão. Me vesti e fui para a academia. O dia todo foi igual aos outros, a mesma rotina. Cheguei em casa, assisti um pouco de TV, comi e fingi ir dormir. — Já vai dormir K? — Perguntou Bianca, assim que entrei no quarto. Olhei-a furiosa. — Isso não te diz respeito — Falei me deitando e colocando o fone nos ouvidos. Demorou torno de duas horas até que todos dormissem. Me levantei fazendo o mínimo de barulho possível e fui em direção à sacada. Quando me enganchei no poste, Meu pai apareceu no quarto. — Karina, o que você ta fazendo aí? Sai daí agora! — Disse se aproximando. Quando eu o vi, levei um susto e acabei caindo no asfalto. Foi quando tudo ficou preto.
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